A Vida Que Chamo Minha
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Estava sentada em um mirante olhando a cidade quando percebo que alguém sentou ao meu lado.
—Aqui é lindo. Não entendo ninguém vir aqui e ser tão vazio – Steve diz e fico quieta. – Sophie eu sei que você deve estar muito irritada, eu sei o quanto você detesta ser enganada e eu queria ter te contado desde o primeiro momento, mas eu tenho uma missão e preciso te manter a salvo.
Sinto meus olhos se enchendo de lágrimas só como forma da raiva tentar sair enquanto eu ainda não explodi e ficamos em silencio um tempo.
—Eu queria que você fosse gritasse e me batesse, eu acho que eu saberia agir melhor.- Vejo que ele olha em minha direção mas continuo olhando a cidade.
—Sabe, eu tenho que tirar de mim essa duvida. – Digo séria tentando manter meu tom firme – Foram quatro meses desde que nos conhecemos e pelo jeito vocês deixaram agentes disfarçados esse tempo todo aqui. Mas mesmo assim foram quatro meses conversando com o Steve, aquele diretor de fotografia – Falo deixando a raiva transparecer e o olho- Conhece ele? Para mim não faz sentido. – Me levanto e cruzo os braços enquanto meu tom de voz aumenta- Me conta exatamente onde eu me encaixava nos seus planos? Queria saber o que? Se eu estava com os criminosos ou se eu seria fácil o suficiente para qualquer um me dobrar?
—Sophie não é isso – Steve se levanta e tenta segurar meus braços, então me agito e saio de perto dele – Eu te conheci naquele dia na empresa por acaso, na verdade não seria eu na reunião, mas Amanda me pediu de ultima hora e como sou acionista não vi o motivo, mas ali na hora preferi me apresentar como o diretor de fotografia para amenizar as coisas.
—Amenizar as coisas? Isso é ridículo.
—Eu não poderia me expor como agente especial e muito menos comprometer a missão ou a segurança de vocês.
— E ai você deve ter percebido que seria bom ficar perto da imbecil que vocês levantaram como diretora do projeto por perto. Profissionalismo ou perfeccionismo?
— Não foi planejado. –Ele diz nervoso e coloca as mãos na cabeça
—Você é bom em improvisar então. – Ele respira fundo e abaixa os braços.
—Quando te vi saindo da festa naquele dia sozinha fiquei preocupado, então fui falar com você e na hora que soube que ia sozinha para o hotel achei melhor te levar em segurança. Mas na hora que você se despediu. Eu não sei, eu só queria que não acabasse ali. Então saímos para o café e eu precisava ficar por perto – Ele respira fundo- Eu não poderia simplesmente te contar – O vejo se aproximar – Esses meses conversando, foram reais, eu gosto de você – Ele segura meu rosto e me faz encarar seus olhos – Eu realmente gosto de você.
Ficamos nos olhando e vejo que ele vai se aproximando.
E então eu o paro e tiro suas mãos do meu rosto.
—Acho que perdeu a capacidade de improvisar agente. Tenha um bom dia.
Então saio em direção ao meu carro para voltar para casa.
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Estava em meu quarto com o notebook e verificando alguns documentos. Quando ouço baterem na porta.
Me levanto e abro para ver quem é.
—Oi, Bete ficou preocupada porque você não comeu nada o dia todo segundo ela, e queria conversar um pouco. Posso entrar? – Alicia estava com uma sacola em sua mão e pela sua cara eu sabia que ela havia chorado.
—Entre – Dou espaço e ela entra deixando as coisas na mesinha e indo tirar os sapatos e sentar na minha cama enquanto abraça um travesseiro.
—Você acredita nisso? Tudo que nós lutamos e conseguimos era só faixada para uma missão dos exterminadores do futuro.
Pego a garrafa que havia na sacola e encho dois copos que ela trouxe com algo que parecia ser chá, a ofereço e pego o pote com pão de queijo e coloco ao seu lado enquanto sento e ofereço meu ombro para ela deitar.
—Eu sei. Na verdade não sei de muita coisa, acho que meu choque me impediu de ser racional e ainda esta tudo confuso, mas vamos dar um jeito. Mesmo que tenhamos que sumir com um ou dois agentes – Digo a cutucando na perna enquanto arranco um riso baixinho.
—Eu sei bem qual agente você quer dar um sumiço. – Ela diz e eu bufo. – Você não tem noção da minha cara quando ele se apresentou e eu pensei: Não pode ser o Steve da Sophie- ela diz e se afasta virando em minha direção .
—Não existe Steve da Sophie. – Digo enquanto brinco com o copo em minha mão. – Se bobear ele nem se chama Steve. – Encosto na parede e fecho os olhos
—Bom, eles marcaram uma reunião amanhã. Alex cuidou de colocar eles nos quartos que tínhamos aqui para quando fossemos “ampliar” e os outros da equipe que eu não faço ideia de quem sejam, estão espalhados com disfarces. Os homens de preto são somente os dois donos do mundo e mais quatro.
—Seus codinomes são horríveis. –Digo e dou risada quando ela me empurra – Eu não quero pensar nisso até amanhã então, tenho que rever alguns dos documentos que ficaram da semana passada da contabilidade então ficarei ocupada.
—Será que amanhã acordamos e ficamos sabendo que era tudo uma brincadeira?
Olho para ela e ficamos em silencio pensando quando foi que as coisas foram de verdade.
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—Boa tarde. Desculpem a demora, estávamos terminando alguns assuntos com a central. – Diz Steve entrando junto ao Mark no escritório.
—Sem problema, podemos ser breves? Temos um dia cheio hoje. – Digo enquanto fecho as pastas e vejo Alex e Alicia virarem suas cadeiras para ver a televisão onde os agentes conectavam o notebook.
—Claro. Bom, como falamos ontem essa operação se da devido uma facção em especifico, mas, com todos os anos trabalhados conseguimos agir contra outras também. A questão é que o projeto veio para mantermos Clara longe da família e segura. O pai dela é um grande mafioso e a sua mão era sua cumplice, porém, a mesma encontra-se foragida e acreditamos que ela encontra-se morta. Porém, ao longo dos anos tivemos diversos problemas e ameaças foram quase que um rotina, sobre nosso agentes, governantes e agora sobre vocês.
—E como exatamente fomos para nisso? – Pergunto tentando ignorar a raiva querendo sair.
—Bom, meu pai é antigo agente, para ser mais especifico ele era diretor da agencia, estamos mantendo nomes e alguns detalhes em especifico ocultos para manter vocês longe de informações que podem comprometer vocês.
Alex olhou para mim e eu revirei os olhos. Como se não soubéssemos que era para caso quisermos, não podermos trai-los.
Steve olhou para mim, franziu os olhos, respirou fundo e seguiu seu relato.
—Ele tinha uma ideia de infiltrarmos alguém no orfanato para ficar próxima da Clara, e fizemos, mas quando ela começou a dar problemas devido os crimes e fugas vimos algo que poderia ser melhor.
—Vimos em uma visita – Continuou Mark – Ela estava em um mês complicado, não sabíamos mais o que fazer, então o orfanato recebeu uma visita e depois disso tivemos um mês tranquilo. Fomos saber o que tinha acontecido diferente e então achamos a chave.
—Você Sophie. – Steve olhou para mim e então eu soube. Não houve nenhum encontro surpresa com Antonio.
—Vocês estavam me seguindo todos esses tempos, nunca foi o acaso.
—Meu pai solicitou que te investigassem e sua ficha era limpa, seguimos você mais um tempo e então em uma noite ele te viu na ponte e sabia que tinha que fazer algo. Quando você falou do projeto, ele sabia que poderia cuidar de tudo e ainda estaríamos longe da cidade e seguros das ameaças que tínhamos até então.
Era como se tudo se encaixasse de forma que todas perguntas fossem respondidas, e eu percebi que gostava mais das lacunas. De acreditar que a vida achou que dava para fazer algo mais do que pular daquela ponte e salvar vidas que precisavam, e não que uma agencia poderia pegar mafiosos com o meu não pular.
—O que vai acontecer de agora em diante? – Digo abaixando meus olhos e querendo que tudo terminasse.
—Como falamos ontem o projeto vai continuar como estava, estamos quase capturando os peixes grandes, mas, vamos ficar por aqui, nos infiltrar e manter vocês seguros. – Diz Mark e eu me reclino na mesa colocando a cabeça entre as mãos.
— É claro que para isso teremos que ter disfarces, vamos ser acionistas que decidiram colocar a mão na obra e acima de tudo vamos ficar por perto. Vocês não precisam se preocupar, mas ainda assim precisamos que nos contem tudo o que acontecer. — Steve dizia e eu não me preocupei de mostrar atenção.
—Steve vai ficar no quarto ao lado da Sophie e eu estarei entre o Alex e Alicia. Como Bete fica na Gran Casa e Ricardo na cidade, estamos com agentes já posicionados para protegê-los. -Mark continuava e eu encostei a cabeça em um dos braços terminando de ouvir – Como eu disse, vocês foram ameaçados, em grande parte o foco ficou na Sophie provavelmente pelo fato dela estar como diretora, mas, vamos ficar de olho em todos. E como sabem nada pode sair daqui, e precisam contar com a possibilidade da Clara saber tudo.
—Deixaremos com vocês essas pulseiras, vocês podem dizer que os investidores solicitaram o uso como um crachá ou algo assim para manter o nome deles. Aqui vocês possuem um rastreador, vocês devem fazer os demais usarem, mas é de extrema importância que vocês nunca tirem. – Steve sai entregando enquanto explica. – Vamos ter acompanhamento pelos agentes, rastreadores e temos toda uma estrutura para que não haja furos ou contratempos novamente. – Ele chega perto e me entrega olhando em meus olhos – Vamos proteger vocês.
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