A Vida Que Chamo Minha
10 Capítulo 10
Notas iniciais
—Bom dia, Clara, como está o bebê? – Digo enquanto entro na cozinha e dou um beijo na bochecha de Bete pegando a xícara de café que ela me estende.
—Está chutando, bastante, mas, estamos bem. – Chego ao seu lado e dou um beijo em sua testa.
— Onde estão os outros?
—Estão na aula, me senti enjoada e preferi não ir. Susan vai me trazer o caderno com as anotações. –Ela disse enquanto bebe seu achocolatado.
Susan era a menina que dividia o quarto com Clara, além delas tínhamos outros 8 jovens: Marta, Eliana, Maria, Michelle, Carlos, Pedro, Santos e Mateus.
—Ótimo, gosto de ver que não esta abrindo mão do estudo.
—Sophie, os acionistas saíram cedo para ir a escola, mas, um deles, aquele bonitão. Qual nome? – Bete encostou na bancada e colocou a mão no queixo. – Steve? Ah sim, esse. Perguntou de você.
—Hum. Ele deixou recado? – Digo comendo um pão de queijo.
—Não. Só perguntou se você já tinha saído. – Ela fez uma pausa e se virou para a pia – Mas os dois são maravilhosos. Mas achei interessante ele perguntar de você especificamente, até lembrar que ele é filho do Antonio e você é da família. – Ela virou e mexeu as sobrancelhas sugestivamente.
—Bom, se não deixou recado então não era importante. – Limpo as mão e me levanto levando tudo para a pia – Preciso correr para ver se consigo falar com o Ricardo. Qualquer coisa me liga. Se cuidem.
Saio de lá ouvindo elas se despedirem e vou em direção ao jipe para ir em direção a cidade encontrar com Ricardo.
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Saio do jipe e vejo Ricardo abrindo a porta para um senhor sair.
—Bom dia – Digo enquanto me aproximo.
—Bom dia Sophie. Senhor Aguinaldo, se lembre de diminuir no sal, nos vemos semana que vem. – Diz Ricardo e me afasto um pouco para o lado enquanto o paciente desce os degraus.
—Dia corrido? Posso voltar em outra hora. – Digo colocando a mão nos bolsos da calça.
—Não, sem problema, é rotineiro, tenho tempo agora. Entre, por favor.
Entramos nos consultório e vamos em direção a cozinha.
—Então, não conseguimos nos falar esses dias. Fiquei sabendo que temos visitantes na Gran Casa. – Ele pergunta enquanto aquece a água para fazer café.
—Parece que as noticias correm, mas, sim. O filho do Antonio e outro acionista vieram passar um tempo com nós. – Digo encostando-se à bancada e o vendo trabalhar.
—Ah sim. Você citou naquela ida a reunião sobre o ressurgimento do filho do Antonio. Estranho, mas nunca o vi.
— Bom, não vai faltar oportunidade, essa cidade é um ovo. – Digo tentando quebrar a tensão.
—Claro, claro. E a Clara, ainda insiste em não saber o sexo do bebê? – Ele pergunta enquanto procura xicaras.
—Nem fale, ela insiste que devemos parar de ser ansiosos e esperar. Mas, deixou que fizéssemos um chá de bebê.
—Uau, parece que foi ontem que estávamos procurando ela naquele dia que ela sumiu.
—Nem fale. Não gosto nem de lembrar. – Digo e sinto meu celular vibrar – Desculpe. – Quando olho vejo o número do Steve. – Oi.
—Bom dia, voltei para casa e você tinha saído.
—É, tenho que ver algumas coisas na cidade.
—Entendi. Bete me pediu para ir comprar algumas coisas, se importa se eu for te encontrar? Mark vai me dar uma carona.
—Me manda a lista e eu compro, já estou aqui.
—É, eu sei, mas... – Ele ficou mudo alguns instantes – Eu queria conhecer um pouco da cidade, sabe como é, é bom conhecer por onde eu posso andar— Reconhecimento de campo provavelmente?
—Ok, se você acha melhor. Estou no consultório do Ricardo, nos vemos em breve.
Não dei oportunidade de despedidas e desliguei.
—Algum problema? – Ricardo me perguntou enquanto estendia uma xicara para mim.
—Ah não. Bom, parece que você vai conhecer o Steve Ferraz. – Digo assoprando o café.
—Impressão ou você não vai muito com a cara dele? A ultima vez que você falou com ele me pareceram amigos. – Ele pergunta com cara de confusão. Agora eu teria que criar uma ótima desculpa, acho que não seria bom falar de agentes e mortes.
—Ah não, é que trabalhei até tarde ontem e não dormi quase nada. Você sabe, eu fico um porre.
—Sei. Se você diz, então ta. Qualquer coisa sabe que pode me contar, certo?
—Sem problemas, prometo. – E que se os céus estivessem me ouvindo, eles cumprissem segundo essa profecia. Dizem que as palavras mudam a vida, certo?
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Ricardo estava terminando de se despedir de uma paciente do lado de fora quando eu ouvi uma buzina.
—Merda. – Digo e saio em direção ao lado exterior.
—É realmente um prazer de conhecê-los. Sophie me contou sobre a ultima reunião e de como vocês estão aqui para melhorar alguns pontos do projeto. – Ouvi Ricardo dizendo enquanto me aproximava.
—Ah sim, Sophie tem nos auxiliado em tudo, estamos com altas ideias, ela é uma peça chave. – Diz Steve encostado no carro com óculos de Sol, enquanto Mark ficou dentro no volante.
—Ótimo, se conheceram. Posso dispensar as apresentações. – Digo achando o clima pesado ali – Ricardo, obrigada por tudo. Esperamos você para um jantar. Bete quer fazer seu bolo.
—Claro, estou mesmo devendo algumas visitas a mais, mas vou corrigir na minha agenda. – Ele parou e segurou uma das minhas mãos – Me chama qualquer coisa, estarei mais presente de agora em diante – O estranho é que ele falou olhando para mim e terminou a ultima frase olhando para Steve.
—Hã. Ok então. Obrigada. – Digo achando estranha a atitude dele e tirando minha mão da dele.
—Não se preocupe, estamos lá para cuidar de tudo. – Steve disse tirando os óculos e sustentando o olhar de Ricardo.
—Bom. Ajuda nunca é demais. E Clara logo terá o bebê. É sempre bom um médico por perto.
Eu juro que fiquei parada os dois se desafiando como galos de briga e quando menos esperei ouvi uma mão batendo no carro e me assustei olhando para Mark.
— É isso ai garanhão, vai nessa. E eu vou indo porque tenho uma viagem de dois dias.
—Você vai viajar? – Digo me desprendendo da discussão de macho alfa e chamando a atenção de Mark.
—Ah sim, mas eu volto. – Ele da um sorriso de conquistador- Não sinta minha falta e tente fazer esse idiota ficar longe de confusão, sim?
—Farei o melhor para não sentir saudade, prometo. – Digo entrando na brincadeira.
Mark era um bom homem pelo que eu conheci nesse pouco tempo de convívio. Ele era de riso fácil, mesmo que tenha me assustado quando se apresentou como agente. E claro virou o xodó da Bete quando ela descobriu que ele poderia comer tudo o que ela oferecesse e um pouco mais. Alex e ele entraram em uma competição idiota ontem de quem sabia mais sobre futebol e no meio de tudo isso ele soltava piadas para fazer todos rirem.
Um bom homem até então. Que carrega uma arma, mas, um bom homem até esse limite.
—É quase impossível baby, mas confio em você. – Ele disse e me enviou um beijo- Fica bem cara, você sabe, me liga. – Ele olha para Steve e é como se conversassem além das palavras.
—Sem problema. Se cuida, e fica atento. Vou estar com o celular qualquer coisa.
—Eu sou o senhor cuidadoso querido, cuida da minha Sophie e fala para a Bete que meu estomago sentira muita saudade. – Ele liga o carro e coloca os óculos de Sol. – Tchau doutor, vê se fica por perto. – Ele diz e da uma risada sarcástica acompanhada pelo Steve, o que me fez ver que havia piada interna.
—Tchau cara. – Steve se despede e Mark sai com o carro.
—Ok então. Estamos indo. – Digo olhando para o Ricardo. – Se cuida. Vemos-nos por ai.
—Claro – Ele diz e vem me abraçar – Nos vemos. – Quando me solta ele vira para o Steve- Adeus. – E entra no consultório.
—Simpático. – Ouço o Steve dizendo e lembro-me da disputa de galo ridícula.
—Vamos, tenho mais oque fazer senhor Ferraz. – Digo enquanto vou em direção ao jipe e percebo que ele me segue rindo.
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No caminho para o mercado decidi perguntar.
—Para onde Mark foi? – Ele estava dirigindo, então virei para ele sabendo que o mesmo manteria atenção a estrada.
—Para um reconhecimento.
—Sério? Só isso? Eu quero detalhes mais específicos.
—Nada com que se preocupar. – Enquanto ele fala percebo que ele fica mais rígido.
—Mentira. Você ficou tenso. Aconteceu algo.
—Nada que você tenha que se preocupar.
—Ótimo. Pare o carro. – Digo enquanto pego a bolsa que está nos meus pés.
—O que? Como assim? – Ele me olha de rabo de olho enquanto tenta procurar algum problema.
—Pare o carro. Se eu estou em perigo, prefiro que seja sozinha do que tendo um agente idiota ao meu lado.
—Sophie, isso é ridículo.
—Sério? Ok, quando eu quiser levar sua opinião em relevância eu pergunto. Ah não espera. Você não vai responder. Para o carro ou eu juro que assim que voltar para casa eu nunca mais olho para você e faço as coisas por mim mesma.
—Estou te protegendo. – A postura dele muda e vejo que está irritado mesmo tentando manter o tom de voz, o que claramente estava falhando.
—Sério? Nunca diz nada e quando diz é mentiras? Você esta protegendo seu ego de superman que salva o dia, me poupe e pare o carro por favor.
—Houve a merda de outra ameaça e tinha não só fotos dessa vez. Droga- Ele se exalta e bate no volante enquanto grita a informação.
Fico parada algum tempo tentando entender o que estava acontecendo.
—O que houve? O que tinha lá? – Pergunto maneirando meu tom de voz.
—Eu voltei para casa assim que me mandaram a caixa que chegou mas a equipe interceptou antes de verem, e quando chegou eu perguntei a Alicia se ela tinha visto um roupa que tinha na caixa. – Eu fico esperando sem entender bem o que estava acontecendo. – Era uma blusa polo azul, masculina, provavelmente G... – e foi nessa hora que tudo parou.
—E tinha as iniciais C.H. – Digo e então Steve me olha e para o carro imediatamente no encostamento. Saio do carro e coloco a mão na cabeça enquanto ando de um lado para o outro.
—Sophie, esta tudo bem. – Steve vem em minha direção e tenta me segurar enquanto eu sinto lagrimas caindo e me debato para me soltar.
—Eles não tinham o direito de fazer isso, são minhas coisas pessoais, eles não tinham o direito. – Eu ficava me debatendo e repetindo que não era justo.
—So. Calma. Eu estou aqui. Calma – Então eu parei de tentar sair e me deixei ser abraçada- Shii. Eu estou aqui. Nada vai acontecer. – Ele me abraçou e ficamos ali no encosto enquanto eu chorava. – Eu não vou deixar nada te acontecer. – E Steve me apertou mais forte em seus braços até que eu começasse a me acalmar.
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