Depois que eu falo, Dani me encara estupefata. Seus olhos se arregalam e sua boca vira um “O”. Por segundos ela fica mais sem reação que eu, mas depois que se lembra de que estou aqui ela dá sinal de vida.

– Acalme-se, Cézar, respire fundo – Dani fala, colocando as mãos em minhas costas e ajudando-me a me sentar na escadaria de entrada da Casa. Ela parece mais apavorada que eu, ela é quem precisa respirar fundo, mas tenta esconder isso. Assim que ela também se senta ao meu lado, pede para que eu esclareça o acontecido. As palavras fogem de mim, não consigo pôr mais nada para fora. Por fim, tento balbuciar algo.

– Depois que eu saí daqui... – começo. – Quando cheguei a minha casa, eu... – não consigo terminar a frase. Minha garganta se fecha por completo, me impedindo de fazê-lo.

Dani tampa a boca com ambas as mãos e abaixa a cabeça.

– Não pode ser verdade... – a ouço balbuciar. – Não acredito... – sussurra ela para si mesma. Olho-a desconfiado.

– O que houve, Dani? – pergunto. – Você sabe de algo?

– Cézar, eu... – ela diz, balançando a cabeça em negativa, como alguém que não quer acreditar no que se passa pela sua própria cabeça.

– Eu... – ela retoma. – Eu não queria te contar porque eu não sabia se era verdade... E também estava com medo de você fazer alguma loucura e...

O que você ia me contar, Dani? – quero saber. Ela respira fundo. E então começa.

Assim que ela termina, o desespero e a raiva tomam conta de mim. Não quero sentir raiva de Dani, mas ela vem de um jeito que não consigo controlar. Ela sabia de tudo e não me contou na hora que deveria ter contado.

– Eu não acredito nisso... – digo, depois de um tempo em silêncio. Ela baixa a cabeça envergonhada.

– Cézar – ela diz, ainda com a cabeça baixa –, me perdoa, por favor. Eu pensei no que era melhor pra você, eu estava com medo!

– Traidora! – grito. – Você não entende que pra mim não importa EU?!

– Eu sei... – ela começa a chorar. – Me desculpa, por favor...

– Isso não importa – digo frio. – Preciso encontrar meu avô.

Viro as costas e saio correndo, deixando-a sozinha na noite escura, à porta da Casa dos Sem-Lar. Mesmo de longe, ainda ouço seu soluço. Não volto atrás.

Enquanto corro, percebo que choro, porque as lágrimas embaçam minha visão. Por conta disso, tropeço em uma pedra, o que me faz ir ao chão. Tento proteger meu rosto colocando as mãos à frente, mas isso só piora a situação. No fim, estou com o nariz, as mãos e os antebraços parcialmente ralados. Levanto-me de um jeito desajeitado, mas escorrego novamente. Decido me sentar e me acalmar. As palavras de Dani ainda ecoam em minha cabeça...

Cézar, eu precisava ter certeza disso antes de te falar. Mas agora acho que já aconteceu... Hoje mais cedo eu ajudei as enfermeiras a levarem a Jamie à Área Hospitalar para a consulta semanal dela, para fazerem as medicações dela. Enquanto eu esperava as enfermeiras voltarem para podermos levar Jamie de volta à Casa, ouvi a conversa de dois soldados que guardavam a entrada da Área Hospitalar. Eles não perceberam minha presença e, no começo, não entendi direto o que eles diziam. Eles falavam que em algum momento iriam ter de ‘sacrificar os já contaminados para o bem maior do resto da população sã’. As palavras deles não tinham nenhum sentido para mim. Eles continuavam a discussão, e em algum momento ouvi um deles dizer: ‘Não podemos continuar alimentando esses sacos mortos, precisamos nos livrar deles, como o governador disse para fazermos’. E o outro respondia: ‘O que nos resta é arranjar algum pretexto para tirar os doentes de suas casas e trazê-los para cá sem que desconfiem de algo. E no dia seguinte voltamos com a notícia de que eles não suportaram o ‘tratamento’ e vieram a falecer’. Os dois se abraçaram e riram, chamando um ao outro de “gênio”. Até mesmo comentaram sobre uma possível subida em seu cargo. Quando as enfermeiras chegaram, fui obrigada a deixar a Área e ajudá-las a levarem Jamie à Casa. No caminho, pensei no que ouvi e, quando a ficha caiu e eu entendi sobre o quê e sobre quem eles falavam, fiquei desnorteada. Não quis demonstrar isso no sorteio, mas acho que você percebeu... Ah, Cézar, eu só sei que se isso realmente aconteceu eu nunca vou me perdoar...

No momento em que Dani me contou, ignorei o que ela acrescentou no final, chorando convulsivamente. Mas agora o acréscimo dela ciranda minha mente...

Desde que cheguei do Centro não encontrei Jamie na Casa. Estou com medo de procura-la agora, porque sei que não aguentaria pensar na possibilidade de ela... de ela não estar mais aqui. De ela ter sido levada ou sei lá...”.

Removo de uma vez por todas o fato de que Dani também sofre da minha mente. Ela não tem o direito de sofrer por isso. Se ela tivesse me contado, talvez pudéssemos arranjar um jeito de reverter à situação.

Sinto o peso do papel que estava grudado na porta de casa em meu bolso de trás. Tiro-o de lá e o desdobro. Observo por um tempo a caligrafia de quem escreveu no papel. É um bilhete formal com o carimbo do governador e do diretor dos medicadores de Morada. Leio o bilhete, que diz de um jeito curto e grosso: “A pessoa moradora desse lar que está, nas devidas circunstâncias, contaminada com a bactéria que assola a saúde do povo de Morada, foi removida e transferida para a Área Hospitalar, para a aplicação de um novo tratamento deveras eficaz. Ressaltamos que após a conclusão o tratamento, será comunicado o retorno do paciente a seu devido lar. Atenciosamente, Augusto Tameirão (governador de Morada) e Paolo Levedo (diretor da Área Hospitalar de Morada)”.

Meu estômago revira várias vezes, e ponho o que resta dentro de mim para fora. Então o que Dani ouviu é verdade. Devido aos gastos que os doentes dão, os líderes precisavam achar uma forma de ameniza-los ou, até mesmo, corta-los cem por cento. Eles devem ter ouvido a proposta daqueles dois soldados e de imediato concordado. Eles usariam como pretexto o “novo tratamento” e levariam todos os doentes de Morada para a Área Hospitalar e lá os abateriam...

Começo a ficar tonto e minha respiração se torna pesada. Preciso fazer algo, mas não consigo pensar no que fazer. Sei onde meu avô está. O bilhete deixado pelo próprio governador diz exatamente a localização dele. Mas eu simplesmente não consigo me pôr de pé. Se eu me levantar, cairei novamente, tenho certeza disso. Minha cabeça gira, minha visão embaça, meu rosto queima. Será de raiva? Remorso? Não consigo decidir, porque a única coisa que tenho certeza é de que preciso encontrar meu avô.

Com muito custo me ponho de pé. As pernas bambeiam, mas eu consigo me manter assim sem cair. Quando sinto que estou pronto, me ponho a correr pelo campo, esbarrando nas construções baixas que os moradores fizeram há muito tempo. Por minutos que parecem horas, eu corro por toda a Morada, forçando a memória e tentando voltar à última vez que levei meu avô à Área Hospitalar. Não me lembro do caminho certo, portanto corro sem rumo. Por fim, depois de quase vinte minutos à procura, dou de cara com o cercado de arame que circunda a entrada da Área Hospitalar. A entrada é, basicamente, um conjunto de várias delimitações de espaços que são usados como “quartos” de um hospital. Esses espaços, os “quartos”, são delimitados, separados e divididos por espessas paredes de lona preta. É ali, na entrada, para onde os casos menos graves são levados. Amplio minha visão e olho para trás das delimitações da entrada. Há um portãozinho que leva para dentro do que antes foram os vestiários e os banheiros do estádio, como meu avô me contou na vez que ele foi trago com a ajuda de outras pessoas, quando já voltávamos para casa. Lá dentro é para onde os casos mais graves são levados. E foi para onde um dia meu avô fora levado. E talvez esteja lá agora. Chego a essa conclusão porque não há nenhum sinal de vida nas delimitações de lona, fora do portãozinho que leva aos casos mais graves, que está sendo guardado por dois soldados assustados. Todos os casos não graves devem ter sido dispensados ou colocados para dentro, não sei dizer... Só sei que não há nenhum “quarto” ocupado por nenhum paciente. Também não vejo nenhum movimento da parte dos médicos que ocupam a Área. Para um lugar movimentado, aquilo era realmente estranho.

Caminho em volta do cercado de arame que delimita a entrada da Área Hospitalar. Calculo meus passos. Para chegar à área dos casos graves, primeiro eu tenho de passar pelo cercado de arame, depois pelas delimitações de lona e em seguida fazer algo para chamar a atenção dos soldados. Assim, depois de o portãozinho ser desobstruído, posso entrar por ele e encontrar meu avô. Tirando da minha cabeça a ideia de que ele pode estar em qualquer lugar lá dentro.

Respiro fundo e me agacho, segurando no arame e usando-o de apoio. Preciso me acalmar e encontrar uma forma de chegar até a área dos casos graves... Mas como?

Sento-me e encaro o solo, que algum dia foi grama, mas que hoje é terra gasta. Percebo e acho engraçado o jeito como o arame termina sem encostar por completo no solo, deixando uma pequena abertura de três dedos entre os dois. Ouço passos miúdos e olho para o lugar de onde eles vêm. Ouço guinchos também miúdos e vejo o pequeno roedor passar correndo ao meu lado. Ele se encolhe e passa pela pequena abertura de uma vez só, apenas usando as patas traseiras para empurrar a terra do seu caminho. Vejo-o desaparecer entre as delimitações de lona e então minha mente se ilumina. Começo a cavar um buraco entre o arame e o solo, grande o suficiente para que eu possa passar por ele. Quando meus dedos começam a sangrar e minhas unhas são pura terra, decido que está bom. Antes de passar para o outro lado, pego três pedras que estão espalhadas e as guardo no bolso. Passo pela abertura com dificuldade e arranho minhas costas num pedaço de arame solto. Assim que já estou dentro da área dos casos não graves, passo pelas delimitações de lona usando a escuridão do lugar como minha camuflagem. Não quero que os soldados que guardam o portãozinho me vejam.

Quando já estou próximo o suficiente dos soldados para que eu realize o próximo passo, vejo um deles falar algo em seu walkie-talkie. Ele faz uma cara feia para o outro e então entra pelo portãozinho, deixando o outro sozinho. Aproveito a oportunidade. Tiro as pedras que peguei do outro lado do bolso e miro em uma placa de metal que está do lado extremo da área dos casos não graves. Minha mão treme muito, por isso, quando atiro, erro o alvo. Tenho apenas duas pedras agora. Miro com a segunda e atiro. O ato causa barulho e o soldado o nota, mas o ignora. Tenho apenas uma pedra agora e não faço ideia de como vou tirá-lo dali se meu plano der errado. Sem permanecer nesse pensamento, atiro a terceira pedra, com mais força dessa vez, e o estrondo causado consegue levar o soldado até lá. Enquanto ele corre para ver o que causou o barulho, eu corro para o portãozinho. Avanço com força contra ele, que não abre de primeira. Forço meu corpo contra ele mais uma vez, e o soldado nota minha presença.

– Ei, você! – ele berra. – Não está autorizado a entrar aí!

Ignoro suas palavras e ele corre em minha direção. Forço uma terceira vez e o portãozinho se abre. Caio para dentro de um corredor pouco iluminado. Levanto-me e empurro o portão, fechando-o com um estrondo enorme. Ouço o soldado pedir reforços em seu walkie-talkie, mas não espero para ver os reforços chegarem. Preciso encontrar meu avô.

Corro enlouquecidamente pelos corredores, não fazendo ideia de onde ir. Ouço passos de pessoas que correm, e presumo que sejam os reforços. Corro na direção contrária, fugindo deles. Até que ouço, além de seus passos, vozes vindas de um corredor próximo, talvez. As vozes são calmas. Sigo em frente, agora caminhando devagar, mas logo começo a correr novamente porque ouço os soldados, vindo dessa vez em maior número. Estou correndo quando chego ao fim do corredor e dou de cara com uma porta vai-e-vem. Ela se abre sem nem ranger e me joga para dentro de uma sala ampla. Ela é toda de azulejos brancos, mas o que mais me chama atenção é o que há dentro dela. Espalhados por toda a sala há corpos de pessoas, tanto crianças quanto jovens e até mesmo alguns idosos, que não sei distinguir se estão vivos ou mortos. Prefiro dizer desacordados. Algumas dessas pessoas estão em macas, mas a maioria está no chão. Eles têm a pele pálida, e podem ser dados facilmente como mortos. Eu mesmo diria que eles estão mortos se não tivesse convivido todo esse tempo com meu avô, que muitas vezes achei que estava morto. Porém, essa “cara de morto” é só mais um indício de que uma pessoa está contaminada com a superbactéria.

Só depois percebo a presença de três homens e uma mulher, além dos que estão deitados pela sala. Eles estão vestidos com jalecos brancos e carregam uma seringa em cada mão. Eles notam minha entrada e arregalam os olhos, parando imediatamente o que faziam. Ficam como estátuas e atônitos por um bom tempo, sem nenhuma reação.

– Continue, Marta – diz um dos homens de branco, se dirigindo a mulher. – Ignore-o.

Ela acorda do transe que causei. Vejo-a caminhar entre os corpos timidamente e injetar o líquido da seringa em cada corpo pelo qual passa. Ela treme enquanto faz isso. Os outros dois homens seguem seu exemplo, e o que disse para que a mulher continuasse caminha em minha direção.

– O que é isso? – grito. – O que vocês estão fazendo com eles?

O homem não responde minha pergunta. Avança para mais perto de mim e eu corro para longe dele. Ele aproveita da situação e fecha a porta por onde eu entrei. Não a tranca nem nada, apenas a encosta. Como é uma porta vai-e-vem, qualquer empurrão a abre.

Ele continua me perseguindo e eu continuo me esquivando. Ele pede ajuda para um dos outros dois homens, que para no momento em que iria injetar o líquido da seringa em um homem velho e calvo, que dormia calmamente numa das poucas macas.

Assusto-me por reconhecer e saber que o velho dormia. Olho novamente para ele e reconheço sua fisionomia. É ele, o próprio! Sei como meu avô dorme. Baixo completamente a guarda e caminho até meu avô. Os homens avançam furiosamente em minha direção, mas isso não me desperta, continuo a caminhar em direção a ele. Sei que estou sorrindo. Sei que choro. Mas quando os homens me alcançam e agarram cada braço meu, me puxando para longe dele, percebo que minha chance de salvá-lo está se esvaindo. Não deixo isso acontecer. Uso todas as minhas forças para sair da garra que as mãos dos homens se tornaram em meu corpo. Arranho-os, os chuto e grito, cuspindo insanamente.

– Vovô! – eu berro, e minha garganta arde devido à força do grito. – Vovô! Vovô!

Na verdade, não sei por que continuo a gritar. Ele não acorda, nem reage aos gritos. Mas mesmo assim continuo.

Os dois homens não conseguem me conter e pedem para que o outro que resta os ajude.

– Marta, ande logo, termine com isso enquanto cuidamos desse garoto! – um dos que me seguram ordena. – Mas antes, peça para que mandem soldados para cá! Ande, injete no resto, o efeito do sonífero vai passar daqui a poucos minutos!

– Chefe... – ouço Marta chama-lo. – Acho que é tarde para dizer isso...

Ela aponta para uma garotinha que está deitada no chão, no canto da sala, e então reconheço Jamie Ranevuë. Ela, que há poucos minutos estava “dormindo” como outros pacientes, começa a se mexer. Primeiro pisca os olhos, depois move a perna e os braços. Observo em volta e vejo que algumas pessoas, os que não receberam a injeção de Marta, também começam a mexer seus membros timidamente. Por último, olho para meu avô. Vejo seus olhos piscarem e meu rosto se ilumina. Diferentemente dos médicos. Eles se encaram uns aos outros e depois encaram o que parece ser o chefe.

– Não importa! – ele diz. – Injete neles vivos, Marta!

Ela o encara, horrorizada, mas novamente obedece sem chiar. Aproveito que os homens que me agarram afrouxaram o aperto devido ao despertar dos seus pacientes e puxo meus braços, me libertando deles. Corro até meu avô e passo a mão em sua cabeça calva. Ele tosse.

– Estou aqui, vovô... – digo, em meio às lágrimas que escorrem sem cessar.

– Cézar... – ele começa a dizer, mas um barulho surdo interrompe sua fala. Na verdade, o barulho interrompe tudo, toda a cena. Viro-me para a porta vai-e-vem e vejo cinco soldados adentrarem a sala. Assim que um deles me avista, percebo que é o que eu fechei para o lado de fora minutos atrás. Ele aponta para mim.

– Peguem aquele pivete! – ele cospe.

Fico sem reação. Não há como fugir. Estou cercado. Viro-me para meu avô e olho em seus olhos, ausentes, quase alheios à situação. A única coisa que consigo dizer a ele antes que quatro dos cinco soldados me agarrem pelos membros é:

– Tudo vai ficar bem, vovô.

E ele me responde, num sussurro que somente eu prestei a atenção necessária para poder ouvir:

– Adeus, Cézar. Eu te amo.

Os soldados então me agarram pelas costas e tentam me arrastar para fora da sala. Não entendo o porquê do adeus de meu avô. Debato-me ao máximo, machuco dois deles com chutes nas suas partes de baixo e mordo o nariz de um terceiro. Pelo canto do olho posso ver que os médicos continuam seu trabalho, de uma forma corrida. Grito quando vejo que, depois de injetarem o líquido da seringa em Jamie, ela se debate no chão, mas logo depois para por completo e encara o teto com os olhos vidrados, não mais presente. Morta. Choro convulsivamente e perco a linha. O soldado consegue me controlar e, como última cena, eu vejo Marta, a médica assustada e trêmula, avançar até onde meu avô está deitado. Ela enche a seringa com o líquido novamente e então o injeta sem dó em seu pescoço.

– Não! – eu grito, em plenos pulmões. Minha garganta arde, mas não dou importância à dor. – Não, meu avô não, pelo amor de Deus, não!

Mexo-me com tamanha força que consigo me libertar do soldado. Em vão, porque assim que me movo em direção à maca de meu avô, que se debate convulsivamente, o quinto soldado segura meus dois braços. Tento me mexer, mas dói. Sei que ele torce o meu braço esquerdo, porque um choque percorre todo meu corpo a partir dali. E então sinto uma pancada na nuca e caio inconsciente.

E, antes de a escuridão me engolir por completo, juro por Deus que vi meu avô se levantar da maca e me abraçar. Depois ele se foi. Levando toda a luz junto de si. Deixando-me só com a escuridão.

Deixando-me para sempre.