POV. Carolina Seary

Acordei na manhã e pulei para fora da cama mais rápido do que Afrodite numa liquidação no Shopping Olimpiano. Coloquei o uniforme da Grifinória e fui até a cama da Sammy (agora somos colegas de quarto! E posso falar a verdade? Ela ronca) [N/Sammy: E você baba enquanto dorme] [N/Poseidon: É de família]. Vão me deixar narrar ou está difícil? [N/Sammy: Fique a vontade] Obrigada ¬¬

- Bom dia. – Sammy não acordou – Ei! Acorda! – sem nenhum resultado.

Bufei.

- Certo. Tudo bem, se não vai por bem, vai por mal. – falei – Dá-lhe água!

Um filete de água gelada saiu da minha mão e bateu no rosto dela.

- Ah Deuses! – gritou e viu que eu estava rindo da cara dela – Espero que seus filhos sejam funkeiros.

- Nossa! – digo – Pegou pesado, cabeça de javali.

Ela riu.

- Deixa isso para lá, cara de concha. – disse Sammy se levantado da cama – Vou trocar de roupa.

O grito de Sammy havia acordado as outras meninas. Hermione já estava histérica, porque achava que já estava atrasada para o primeiro dia de aula, demorou quinze minutos para acalmá-la.

Descemos e fomos para o Salão Principal.

- Olhe lá, as duas juntas! – ouvi uma voz.

- Essa aí não tinha morrido? – disse outro.

- Do jeito que é pálida, pode mesmo ser um fantasma.

- Mas como ela pode? Não sabe oque a família da outra fez?

Não entendia nada que eles estavam falando. Chegamos ao Salão Principal e sentamos-nos à mesa da Grifinória.

- Ah! Não acredito! Aquilo é pudim de algas? – perguntei surpresa.

- Que nojo. – falou Sammy.

- Não! É muito bom! Se for igual ao do acampamento... – disse pegando um pedaço.

Era realmente bom! Eu estava adorando Hogwarts, havia portas que não abriam a não ser que a pessoa pedisse, ou fizesse cócegas nelas no lugar certo e portas que não eram bem portas, mas paredes sólidas que fingiam ser portas. Era também muito difícil lembrar onde ficavam as coisas, porque tudo parecia mudar frequentemente de lugar.

Os fantasmas também não ajudavam nada. Eu sempre tinha um treco toda vez que um aparecia do nada, especialmente por causa dos fantasmas de Hades. Nick Quase Sem Cabeça ficava sempre feliz de apontar a direção certa para os alunos de Grifinória, mas Pirraça, o Poltergeist, representava duas portas fechadas e uma escada falsa se a pessoa o encontrasse quando estava atrasada para uma aula.

O zelador velho e chato, Argo Filch, tinha uma gata chamada Madame Nor-r-r-a, um bicho magro, cor de poeira, com olhos saltados como lâmpadas, iguais aos de Filch. Ela patrulhava os corredores sozinha, se alguém desobedecesse a uma regra em sua presença, pusesse o dedão do pé fora da linha, ela corria a buscar Filch, que aparecia, asmático, em dois segundos. Filch conhecia as passagens secretas da escola melhor do que ninguém (exceto talvez os gêmeos Weasley) e podia surgir de repente como um fantasma. Eu realmente quero dar um bom pontapé na Madame Nor-r-ra.

E mágica era bem mais do que “Abracadabra”.

Tínhamos de estudar o céu da noite pelo telescópio toda quarta-feira à meia-noite e aprender os nomes das diferentes estrelas e os movimentos dos planetas (sendo que no acampamento, nós também temos essas aulas). Três vezes por semana tínhamos Herbologia, que eu logo de cara me dei mal, por não ser abençoada de Deméter.

Mas, sem dúvida, a aula mais chata era a de História da Mágica, a única matéria ensinada por um fantasma. O Professor Binns era realmente muito velho quando adormeceu diante da lareira na sala dos professores e levantou na manhã seguinte para dar aulas, deixando o corpo para trás. Bem bizarro, não?

O Professor Flitwick, que ensinava Feitiços, era um anão que tinha de subir numa pilha de livros para enxergar por cima da mesa. No começo da primeira aula ele pegou a pauta e deu um gritinho ao ler o meu nome, o nome da Sammy e do Harry.

Já a Professora Minerva era diferente. Ela era uma professora para aluno nenhum aborrecer, severa e inteligente, fez um sermão no instante em que eu sentei para a primeira aula.

— A Transfiguração é uma das mágicas mais complexas e perigosas que vão aprender em Hogwarts. Quem fizer bobagens na minha aula vai sair e não vai voltar mais. Estão avisados. — Transformou, então, a mesa em porco e de volta em mesa.

- Irado. — disse Sammy.

- Muito irado. – concordei.

Fiquei animada, mas não transformei ninguém em animal. Depois de fazer mil anotações complicadas, recebemos um fósforo e começamos a tentar transformá-lo em agulha. No fim da aula, somente eu e Hermione conseguimos causar algum efeito no fósforo, a Professora Minerva mostrou a classe como os fósforos ficaram prateados e pontiagudos e deu um sorriso que me deu muito medo. O fósforo de Sammy entrou em combustão, ela bufou irritada e jogou as cinzas no chão.

A matéria que todos estavam realmente aguardando com ansiedade era a de Defesa Contra as Artes das Trevas, mas as aulas de Quirrell foram uma coisa ridícula.

Sexta-feira foi um dia importante, porque não nos perdemos á caminho do Salão Principal.

— O que temos hoje? — perguntou Sammy á Rony enquanto disputava comigo o último pedaço de pudim de leite.

— Poções duplas com o pessoal da Sonserina. Snape é diretor da Sonserina. Dizem que sempre os protege. Vamos ver se é verdade.

— Gostaria que Minerva nos protegesse. — disse – Mas eu acho que é mais fácil Zeus abraçar Poseidon.

Trovões.

- Desculpe! — disse

Naquele instante chegou o correio. Já estava acostumada com corujas, já que o chalé de Atena sempre faz algumas dessas fofas voar pelo acampamento.

Minha coruja, Ateninha [N/Atena: Hãn... Obrigada?] De nada, titia! Enfim, a minha coruja só havia me trazido a adaga que esqueci no acampamento (nunca se sabe) e a de Sammy trouxe algumas flores de lótus de Hermes.

A aula de Poções foi a pior coisa que aconteceu até aqui.

A aula de Poções foi em uma das masmorras. Era mais frio ali do que na parte social do castelo e teria dado arrepios mesmo sem os animais embalsamados flutuando em frascos de vidro nas paredes à volta. Juro que vi um cérebro em um pote.

Snape começou a aula fazendo a chamada e, como Flitwick, ele parou no meu nome e no de Sammy, mas continuou até o nome de Harry...

— Ah, sim — disse baixinho. — Harry Potter. A nossa nova celebridade.

Draco Oxigenada Malfoy e seus amigos gorilas deram risadinhas escondendo a boca com as mãos. Snape terminou a chamada e encarou a classe. Seus olhos eram negros como os de Hades, mas Snape conseguia ser mais feio que Hades [N/Hades: Ei!] Desculpe, tio, mas bonito você não é.

— Vocês estão aqui para aprender a ciência sutil e a arte exata do preparo de poções — começou. Como a Professora Minerva, Snape tinha o dom de manter uma classe silenciosa sem esforço. — Como aqui não fazemos gestos tolos, muitos de vocês podem pensar que isto não é mágica. Não espero que vocês realmente entendam a beleza de um caldeirão cozinhando em fogo lento, com a fumaça a tremeluzir, o delicado poder dos líquidos que fluem pelas veias humanas e enfeitiçam a mente, confundem os sentidos... Posso ensinar-lhes a engarrafar fama, a cozinhar glórias, até a zumbificar se não forem o bando de cabeças-ocas que geralmente me mandam ensinar.

Esse Snape me lembrava muito o Sr. D, apesar de não ser gordo e bêbado. A aula foi horrível para os grifinórios, Snape nos separou em pares e mandou-nos misturar uma poção simples para curar furúnculos. Eu fiz dupla com a Sammy, acho que o Snape ainda não sabe que nos deixar juntas é pedir uma explosão no caldeirão.

O Morcegão caminhava imponente com sua longa capa negra, observando-nos preparar a poção, criticando quase todos, exceto Sammy, eu (graças á Hécate, a poção ficou boa) e Draco, de quem parecia gostar. Tinha acabado de dizer a todos que olhassem a maneira perfeita com que Draco cozinhara as lesmas quando um silvo alto e nuvens de fumaça ocre e verde invadiram a masmorra.

- Bichas loucas protegem umas ás outras – comentou Sammy em voz baixa, enquanto descontava sua raiva numa raiz.

Neville conseguira derreter o caldeirão de Simas transformando-o numa bolha retorcida e a poção dos dois estava vazando pelo chão de pedra, fazendo furos nos sapatos dos garotos. Em segundos, a classe toda estava trepada nos banquinhos enquanto Neville, que se encharcara de poção quando o caldeirão derreteu, tinha os braços e as pernas cobertos de furúnculos vermelhos que o faziam gemer de dor.

- Ah, coitado – disse em voz baixa, enquanto fazia a poção (que não passava de água) sumir com um movimento da mão.

— Menino idiota! — vociferou Snape. — Suponho que tenham adicionado as cerdas de porco-espinho antes de tirar o caldeirão do fogo?

Neville choramingou quando os furúnculos começaram a pipocar em seu nariz.

— Levem-no para a ala do hospital — Snape ordenou a Simas.

Em seguida voltou-se zangado para Harry, Sammy, eu e Rony.

— Você, Potter, por que não disse a ele para não adicionar as cerdas? Achou que você pareceria melhor se ele errasse, não foi? Mais um ponto que você perdeu para Grifinória. E Seary, tinha que se mostrar, não? Mais outro ponto da Grifinória.

A injustiça foi tão grande que eu estava pronta para xingar toda a família de Snape, mas Sammy cochichou:

- Briga errada, cara de concha.

- Carol, Sammy – chamou Harry – Querem ir também a casa de Hagrid?

- Claro – disse Sammy – Melhor do que ficar aqui estudando.

Ás cinco para as três, fomos para a casa de Hagrid. Ele morava numa casinha de madeira na orla da floresta proibida. Um par de galochas estava à porta da casa.

Quando Harry bateu à porta, ouvimos latidos ferozes. Depois a voz de Hagrid dizendo:

— Para trás, Canino para trás.

A cara barbuda de Hagrid apareceu na fresta quando a porta se abriu.

— Espere aí. Para trás, Canino.

Ele nos fez entrar, lutando para segurar com firmeza a coleira de um enorme cão de caçar javalis. Sammy olhou com raiva para o cachorro e ele colocou o rabinho entre as pernas e deitou num canto.

— Estejam à vontade — falou Hagrid.

— Este é o Rony e essas são Carol e Sammy — Harry disse a Hagrid, que fora despejar água fervendo num grande bule de chá e arrumar biscoitos num prato.

— Mais um Weasley, hein? — exclamou Hagrid vendo as sardas de Rony — Passei metade da vida expulsando seus irmãos da floresta. E... Você é Seary?

- Sim, senhor – respondi.

Ele arregalou os olhos, mas disfarçou. Os biscoitos quase quebraram meus dentes, mas como somos muito educados, fingimos que gostamos.

Fiquei contente de ouvir Hagrid chamar Filch de guitarra velha.

— Quanto àquela gata, Madame Nor-r-ra, às vezes eu tenho vontade de apresentar o Canino a ela. Sabe que todas as vezes que vou até a escola ela me segue por toda parte? Não consigo me livrar da gata. É Filch que a manda fazer isso.

Harry contou a Hagrid a aula de Snape. Hagrid disse a Harry que não se preocupasse, que Snape não gostava praticamente de nenhum aluno.

— Mas ele parecia que realmente me odiava.

— Bobagem! Por que o odiaria?

- Ele deve ser igual ao Sr. D – disse Sammy – Um velho chato que gosta de infernizar pobres crianças.

- Concordo – disse – Mas pelo menos Snape não pode nos transformar em vieras... Pode?

— Como vai seu irmão Carlinhos? — perguntou Hagrid a Rony, mudando de assunto. — Eu gostava muito dele. Tinha muito jeito com animais.

Voltamos para o castelo. De uma coisa eu tenho certeza, agora que há duas semideusas em Hogwarts, esse castelo nunca mais terá sossego.

Notas finais
Gente, o próximo capítulo vai ser já elas no quinto ano, que é onde começam as maiores loucuras.