Notas iniciais
Gente, eu escrevi essa história tem um tempo já, e publiquei no meu blog. Na verdade, era pra ser uma história que eu escrevi em 2009, mas fiz MUITAS modificações, e acabou assim... Queria saber se continuava ou não... Então, está com vocês. Apresento-lhes Jéssica Adam.

“Oh, quem eu sou, porque eu estou aqui?” Odeio esse tipo de pessoa. Parecem que só gostam de lamentar a vida. A pessoa caí e fica lá, caindo cada vez mais, sem fazer o mínimo de força para se levantar. Oh, ele me largou, vou morrer. Cria vergonha nessa cara. Você nasceu sozinha, vai morrer sozinha, ninguém depende de absolutamente ninguém para ser feliz. Eu não compreendo isso, nunca compreendi. Meus amigos dizem que sou louca. Eles me chamam de Jeu-gélida, ou coração-de-pedra. As pessoas não podem ser felizes sozinhas, certo, mas não devem depender tanto das outras. Não sou religiosa, não sou nada romântica e nunca me apaixonei. Dizem que eu penso assim por isso e acham estranho, afinal eu tenho dezenove anos. Garotos sempre chegaram do mesmo jeito que foram embora – Sem nada especial que me fizesse desejá-los ou jurasse amor eterno. Quando eu morrer, nada disso irá comigo. No ensino médio inventavam inúmeros boatos sobre mim, porque teve uma época que eu estava querendo encontrar a fantasiosa ‘outra-metade’, que eu descobri que não existia. As merdas que você faz na puberdade podem acabar com sua reputação. Eu agradeço muito por nunca ter me apaixonado. As pessoas falam tão bem, mas ao mesmo tempo sofrem tanto, desejam morrer e algumas até se matam. Se amor fosse bom, isso não aconteceria. Alguns chamam de obsessão. Mas na verdade, eu acho que todo mundo é obcecado por algo. Uns por futebol, outros por artistas, e acaba acontecendo que alguns se fixam ao parceiro. Bem, eu sou obcecada por… Nada. Ainda não encontrei um sentido. Li muitos livros bons, mas não virei fã de nenhum. Conheço bandas boas, mas não faço questão de nenhum show. Em um questionamento parecido com a minha irmã mais velha, ela disse que eu gosto de criticar. Bem… Isso é verdade.

Jéssica fechou o caderno e deitou-se. Estava com sono, mas tinha dificuldade para começar a dormir. Se virou várias vezes, até conseguir pegar no sono. Jéssica estava sozinha ao acordar. Não havia ninguém. Nem nada. Foi até a cozinha e não tinha nada na geladeira e na dispensa. Andou mais um pouco, e percebeu que os móveis não estavam mais na sala. Foi para o quarto dos pais, e só havia a cama. Bateu no quarto da irmã. Ninguém responde. Um grito! De onde vem? Saiu em disparada seguindo o som. Mais uma vez. Vinha do quartinho. Chegou abrindo a porta e viu. Seu próprio corpo, morto, ensanguentado, e sua irmã ao lado, chorando e gritando.

– Jéssica, acorda! – Ana sacudiu a irmã

Jéssica estava gelada, suava frio e arregalou os olhos. Olhou para os braços e pernas. Tudo normal. Ela estava viva, foi só aquele pesadelo. Jéssica tem tido o mesmo sonho toda semana. Mas ele sempre terminava antes de entrar no quartinho.

Ana olhou para Jéssica de modo reprovador e disse:

– Olha, seu café está pronto. Não se atrase de novo, você vai perder o semestre desse jeito. É sempre assim, você sabe o quanto é difícil passar em uma faculdade boa. Eu vou indo, não quero isso pra mim. Beijos.

Beijou-a na bochecha e saiu apressada.

Jéssica levantou. Tomou banho e se aprontou em dez minutos. Comeu e saiu correndo de casa, com a escova de dentes e pasta já na bolsa, já que ultimamente ela tem feito isso na faculdade, por falta de tempo. Ainda estava perturbada por causa do pesadelo. Pegou o carro e saiu.

Já perto da faculdade, viu uma pequena livraria. Bem pequena e feita de madeira. Uma senhora estava tirando o pó da vitrine. Não parecia uma simples livraria, parecia um antiquário. Estacionei em uma das duas vagas do local. Abriu a porta da livraria, e tocou um sininho. Nossa! Ela nunca havia visto isso, um sino na porta, parecia coisa de filme, ou sei lá o que. Ficou abobalhada observando o sininho da porta, quando ouviu alguém falar por trás:

– Posso ajudar? – Jéssica se virou e viu a senhora com um grande sorriso.

– Sim… aqui tem algum livro sobre os sonhos? – Quase gaguejou com o susto

– Existem muitos tipos de sonhos, querida. Qual o seu nome mesmo? – Ela se moveu rapidamente para uma prateleira

– Jéssica – Ela respondeu sem perceber e acrescentou – Tenho tido o mesmo sonho toda semana. Não acredito nessas coisas de esoterismo, sou cética. Mas não aguento mais. Hoje eu me vi morta. Pela primeira vez.

A senhora fechou o sorriso que fazia questão de mostrar, subiu em uma escada de madeira e pegou um livro lá no fundo. Desceu e o entregou dizendo:

– Agora saia daqui. O livro é seu.

O livro tinha uma capa grossa, parecia couro. Mensagens Mortas. Odiei o titulo. Agradeceu a senhora e saiu as pressas. Chegou atrasada na aula de geometria molecular. Sentou no fundo e abriu o livro. Era antigo e as páginas estavam amareladas. Olhou o sumário e achou Sonhos com morte Procurou a página e achou uma subseção: Sonhos com a própria morte. O coração estava acelerado e ela sabia que não importava o quanto cética ela tinha sido. Uma coisa que ela nunca havia sentido antes está se manifestando. Medo. Além de amor, Jéssica nunca teve medo de nada. Até se ver morta e uma livraria de filme que tinha uma senhora que quase morreu do coração quando conteu do seu sonho.

O Sonho com morte em geral, significa que algo está para ser terminado. Sonho com sua própria morte. Se o sonho for repetitivo, apenas preocupe-se. Algo que pode mudar a sua vida vai acontecer, algo que você vai terminar descobrindo em pouco tempo(…)

Jéssica fechou o livro na hora. Não queria mais ler nada e começou a copiar a matéria. Absurdo. Jéssica agradeceu por não ter dado um centavo no livro, foi a coisa mais ridícula que ela foi obrigada a ler.

No intervalo entre as aulas Jéssica se levantou e foi até uma cantina. Comprou um queijo quente e um refrigerante, quando um homem – que ela nunca viu – derrubou toda a sua comida.

– Me desculpe – ele disse com um tom meio culpado

– Tudo bem – ela tentou ser educada – Só tome mais cuidado da próxima!

O homem se desculpou de novo e saiu. Ela comprou outro refrigerante e correu para a sala, morta de raiva por não ter tempo para esperar o queijo quente.

Prestou atenção nas aulas, copiou tudo, mas sentia a reprovação dos professores em seus olhos. Ela não ligava, tirava ótimas notas mesmo com os atrasos – Que se tornaram mais frequentes com os pesadelos. Pesadelos. Ela se lembrou. A Idosa, a morte, o livro. Sua aula terminou e ela saiu correndo para o carro, enfiando tudo na bolsa as pressas. Enfiou a bolsa no banco do carona e girou a chave. O carro ligou, mas quando ela foi sair com ele, percebeu. O Pneu estourou.

– Merda! – Jéssica percebeu que o dia não era dos melhores e saiu do carro para examinar o estrago. Ela usou o step na semana anterior, e não tinha um novo.

– Algum problema? – Uma voz masculina surgiu e Jéssica se virou. Era o homem de mais cedo. Ele examinou o pneu – Olha, como eu te devo uma, posso te dar uma carona ou te levar para almoçar. Não sei.

– Não precisa, eu ligo para o seguro – Jéssica respondeu rapidamente

– Essas coisas demoram, e você não tem cara de quem gosta de esperar.

Ele acertou. Jéssica é impaciente.

– Vou aceitar. Meu nome é Jéssica, e o seu?

– Jéssica… bonito nome. Me chame de Tiago.

Tiago pegou o carro – que estava perto da vaga de Jéssica, e abriu a porta para ela.

Quando Jéssica entrou, lembrou da bolsa e voltou para buscar. Quando ela entra novamente no carro – agora com a bolsa. Ela abre para pegar o celular e Tiago vê o livro.

– Mensagens Mortas? Você acredita nessas coisas? – Tiago estava pegando um caminho desconhecido para Jéssica. Que resolveu relaxar pensando ‘ele vai me levar para almoçar’

– Não. Eu só fiquei receosa. Uns sonhos estranhos… Enfim, aquelas coisas que a gente faz quando está com medo. Mas é besteira.

– Nunca diga que nada é besteira – Ele riu no canto de boca – Um dia essa besteira vai se tornar importante.

– EI CUIDADO – Jéssica gritou e tomou o volante. Mas era tarde. O caminhão bateu na contra-mão e foi assim que Jéssica pensou que morreu. Tiago estava desacordado, com ferimentos na cabeça, jogado na pista. Ela estava morta. Morta. Quando a própria viu seu corpo ensanguentado, do mesmo jeito que estava no sonho. Vidros no braço, testa sangrando. E o livro ali, ao lado dela. Como isso era possível? Que seja outro pesadelo. Pensava Jéssica. Mas ela sabia que não era, e que o real estava apenas começando.

Notas finais
Gostaram? Reviews são quase obrigatórias, quero saber se é uma boa história, e se devo continuar. No próximo cap, contarei o que Jéssica já viveu, antes disso, depois vou voltar para a cena final.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.