A Vida Dupla de Claer
26 XXIV - Algemados
Quando deu alguns passos rumo a Sandro senti uma arma na minha cabeça.
-Não me mova – disse uma voz autoritária
Permaneci imóvel.
-Largue a arma – ordenou ele
Coloquei minha automática no chão, notei Luzt ser pego e ser trazido para o meu rumo.
-Caminhe – ordenou a voz
Comecei a caminhar com a louca vontade de tomar a arma do cara atrás de mim e acabar com aquele convencimento. Mais ainda não era hora.
Luzt usava uma roupa comum, mais notei o macacão por baixo e claro sua calma.
-Por que fez isso? – perguntou ele num quase sussurro
Não respondi, não tive vontade. Eu precisava ter foco agora.
-Sandro – disse o cara atrás de mim quando nos aproximamos dele
Sandro era um cara de certa forma bonito, olhos azuis, cabelo curto meio liso, ombros largos. As feições eram fortes e ao mesmo tempo meio animalescas, o que confirmei ao vê-los me analisando de cima abaixo.
-O que fazemos com eles? – perguntou um nanico que estava ao lado dele
-Algeme-os e os coloque naquele canto – Sandro apontou para direita – Não quero parar a festa por conta desses dois idiotas.
Ele se voltou para uma mulher e a beijou enquanto uma outra o acariciava.
Me deu vontade de vomitar.
Bruscamente fui algemada num canto junto com Luzt. Eu mereço.
-Por que fez isso? – repetiu ele
-Você sabe – respondi enquanto ajeitava meu braço para me sentar
-Não, não sei – disse ele se sentando ao meu lado.
Senti ele suspirar.
Voltei minha atenção para Sandro que se pegava com duas mulheres.
Fala serio.
Esperei mais alguns minutos quieta, precisava que eles se embriagassem muito para que eu tivesse uma chance.
Logo o nanico me olhou malicioso e comentou algo com Sandro que assentiu junto á um sorriso. Tinha que agir.
Tirei o arame que havia no meu pulso por dentro da manga do macacão.
Já não podia mais esperar.
-O que você tá fazendo? – perguntou Luzt aos sussurros
-Não é obvio – respondi ríspida enquanto tentava abrir a algema
-Você se deixou prender não foi? – indagou ele
-Não cheguei ao cargo que ocupo em tão pouco tempo á toa – disse amarga enquanto me concentrava em abrir a bendita algema.
Meu olhar estava preso ao nanico que conversava ao pé do ouvido com Sandro, ao que parecia falavam de mim.
Mantinha a calma como emoção dominante, não poderia ficar nervosa ou com medo, isso seria um erro.
Ouvi o clique da algema ao cair.
Estava livre e pronta para matar.
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