A Vida De Yura

37 Senti a Sua Falta


Eu ouvi passos ao longe, mas que vinham de dentro da casa. De repente, a porta se abre, e eu não vejo ninguém. Como eu sou uma baita duma curiosa (como foi mostrado num dos capítulos), eu não podia deixar de entrar na casa, né?

Eu fui adentrando a casa, subi as escadas, e vi uma porta fechada; tentei abrí-la. Notei que ela estava trancada. Olhei para os lados, não vi ninguém, olhei para o primeiro andar, mas também não vi ninguém. Voltei pra frente daquela porta e me ajoelhei. Motivo? Para tentar abri a porta (reitrei do meu cabelo um grampo). Que sorte ! Eu consegui abrí-la. Entrei no cômodo.

Era, acho que um quarto. Mas ele era escuro, que até me trouxe uma certa angústia. As cortinas encontravam-se fechadas e eram na cor vinho-escuro; os móveis eram da cor natural da madeira; a colcha da cama era preta. Essa combinação de tons escuros não me agradou. Eu estava quase passando mal por conta daquele ambiente pesado que cheguei a dar uns passos pra trás. Quando me virei pra sair daquele quarto, dei de cara com alguém que parecia querer me ajudar na hora que caí:

- Está tudo bem contigo?

- E-estou... — eu estava um pouco dolorida. — Y-Yuki-kun, é você? É você mesmo?

- S-sim... Há quanto tempo, não, Yura? — ele estava sorrindo. Pela primeira vez ele sorriu pra mim

- S-sim... — eu sorri de volta, mas permiti que uma lágrima escorresse em meu rosto.

Nós ficamos conversando na sala e eu pedi para passar uma temporada lá, com ele. Não queria voltar para os braços do Conde, aquele homem fúnebre que não respeita ninguém. Quem é que merece uma pessoa assim? Sinceramente, eu acho que a sua primeira esposa o largara por conta dessa falta de educação. E meu pai não me ouviria, pois sabia que eu era contra esse casamento desde que soube dele.

Foi tão bom conversar com o Yuki-kun. Acho que todo aquele tempo em que fiquei sem vê-lo, serviu para eu perceber que meu lugar é ao seu lado, e não ao lado de alguém que não me ama, e que eu não amo. Eu estava com sono, e, o Yuki-kun percebendo meu estado, perguntou se eu não queria dormir. Eu disse que sim, mas que naquele quarto escuro e sombrio não. Aquele cômodo trazia em mim um sentimento horrível, como a tristeza, ou até mesmo a solidão. Nem mesmo eu, quando era pequena, que não tinha amigos, pernoitava em ambientes daquele nível. Meus quartos sempre foram ou brancos ou vermelhos.

Ele disse que aquele era seu quarto, pois expressava todos os sentimentos que o mesmo possuía após ver-me casar com aquele treco (não, porque gente ele não pode ser !). Ele me conduziu à um outro cômodo, ao lado daquele quarto deprimente. Era um quarto na cor branca, com os móveis beje e a colcha e as cortinas na cor salmão. Está certo que eu amo vermelho, mas salmão, por ser uma mistura de rosa com vermelho (mais ou menos), combinava com a minha pessoa. Eu agradeci pelo abrigo, me deitei na cama, e ali mesmo eu dormi.

Que bom que lhe reencontrei. Estava sentindo tanto a sua falta. Agora, espero que possamos ficar juntos eternamente.