Notas iniciais
Este capítulo é muito especial para mim, porque acho que consegui passar toda a emoção que eu desejava. Um momento além da vida de nossos casais preferidos, e algo que cresceu em mim com um desejo grande. No capítulo há passagens do passado, lembranças, e elas estão em itálico para facilitar a leitura.

Quando ele fechou o último ferrolho da porta da loja, virou-se e se recostou contra a porta transparente, agora escondida sob uma enorme cortina roxa. Contemplou por alguns instantes tudo o que o cercava. Prateleiras e mais prateleiras com os mais diversos tipos de brincadeiras, logros... Objetos prontamente destinados a alegria de quem os comprassem. Tudo estava tão bem. A família ia bem, a vida ia bem, mas naquela noite, em especial, ele não estava bem.

Caminhou, aparentemente vencido, talvez apenas cansado, até o balcão e conferiu o caixa antes de lacrá-lo. Suspirou pesadamente e apoiou os cotovelos sobre o móvel, os dedos deslizando firmes entre os cabelos ruivos enquanto as mãos faziam uma leve pressão sobre a cabeça. Era final de junho, e uma época especial.

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– Cara, é muito dinheiro – Fred falava animado e incrédulo olhando para o irmão.

– Sim – Jorge sorria bobo – e agora poderemos dar início a nossa loja.

– Isso vai ser demais. Nem acredito que o Harry nos deu o dinheiro.

– Nem eu, mas já que ele deu, faremos muito bom proveito.

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O torneio tribruxo tinha acabado, Harry Potter era o vencedor, mas ele não se sentia como tal. Após ter presenciado a morte de Cedrico Diggory e ter enfrentado Lord Voldemort, tudo o que ele queria era se esquecer daquilo tudo.

O dinheiro que havia recebido por ter vencido também não lhe fazia bem, e após Amos Diggory ter rejeitado o prêmio que, de fato, deveria ser de seu filho, Harry o entregou para os gêmeos.

E foi ali que tudo melhorou para os irmãos Weasley.

Por dias eles planejaram onde poderiam abrir a loja, quais produtos produziriam inicialmente, se poderiam ter um funcionário para os ajudar e, o mais importante, o nome da loja.

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– Que tal "Bestialidades Geminianas"? — Fred sugeriu pensativo, jogado sobre sua cama.

– Acho que os pais não gostariam que os filhos gastassem em uma loja chamada "Bestialidades", mas posso dizer que gosto de "A Maravilhosa Loja dos Gêmeos Weasley" — falou Jorge sentado em uma cadeira, com os pés apoiados sobre a escrivaninha.

– Não seja tapado, Jorge. Quem vai querer comprar numa loja de nome tão grande?

– Eu compraria. — o outro se defendeu e recebeu uma almofadada.

– Tem que ser algo pequeno, algo que fale de nós... — começou Fred claramente pensativo.

– Algo que diga que é nosso, mas sem agredir... — continuou Jorge com a mesma cara que o outro.

– Um nome que faça jus ao que somos...

– Algo que envolva "gêmeos"...

– Algo que envolva "Weasley"...

E, de repente, como num passe de mágica, os dois riram um para o outro. Os olhos brilharam enquanto eles se encaravam e, em uníssono, falaram:

– "Gemialidades Weasley"!

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Jorge sorriu lembrando daquele momento. Sentia uma falta mortal do irmão, e por mais que soubesse que Rony se esforçara abrindo mão de seus sonhos para lhe ajudar a superar, nunca superou. A dor que sentia era algo próximo a lhe faltar uma parte da alma, como se tivesse sido furtado de sua própria vida e vivesse agora uma semi-vida.

– Papai.

Ele olhou para o chão próximo de onde estava e viu aquele menino de olhos tão brilhantes o encarando. Fred tinha quase três anos e era excepcionalmente lindo aos olhos do pai. Ele era muito parecido consigo mesmo, mas tinha os cabelos negros como os de Angelina, com cachos brilhantes que caiam sobre sua testa onde ele passava a mão impaciente os afastando, por mais que se negasse a cortá-los.

A pele tinha um tom amendoado e os olhos eram castanhos claros, lembrando os olhos da avó. Parecia um anjo, seu anjinho, mas o que mais lhe chamava a atenção era o sorriso, o sorriso era idêntico ao seu. Idêntico ao de Fred, como todos diziam.

– Diga, Fred – falou se abaixando, ficando mais fácil de olhar nos olhos do filho.

– Vim ver o que o senhor está fazendo – o pequeno respondeu. Ainda falava com dificuldade, mas era inteligente e as palavras saiam quase todas com perfeição.

– Estava fechando o caixa e já ia subir – Jorge sorriu, mas o pequeno franziu a testa curioso, numa expressão engraçada.

– Está chorando, papai? — o menino indicou uma lágrima solitária escorrendo no rosto do pai. Nem mesmo Jorge havia percebido, e num gesto de carinho, Fred colocou a mãozinha sobre ela e a enxugou. Jorge apenas fechou os olhos sentindo o toque de seu menino. — Homens não choram, papai.

– E quem disse isto para você? — Jorge riu lembrando das brincadeiras que fazia com o irmão.

– O tio Fred. — o menino falou e Jorge se assustou por um momento.

– O tio Fred? Quando?

– Uma vez, em meu sonho.

– Sonhou com seu tio? — Jorge sentou sobre o chão, encostando as costas no balcão. Alcançou o menino e o sentou sobre seu colo.

– Sim. Na verdade foi hoje. – Fred sorriu, embora estivesse acanhado.

– E como foi?

– Foi legal. Era como se estivesse na casa da vovó, e ele chegava fazendo umas caretas bobas pra mim porque eu havia caído em meu sonho. Então ele me dava um abraço apertado e dizia que deveria ser forte, que homens não choram.

– E como sabe que não era eu em seu sonho?

– Porque eu conheço o senhor, papai. — o menino falou como se aquilo fosse óbvio — Sei que o senhor não é o tio Fred.

– E o que você disse ao seu tio, em seu sonho? — perguntou Jorge realmente interessado.

– Eu disse pra ele que não era feio chorar e que a mamãe falou que todos choram quando estão tristes ou muito felizes. Que eu não deveria ter medo de chorar então ele sorriu e falou "Só podia vir da Angelina mesmo" e falou que eu poderia chorar, mas não por ter caído. Que deveria ser forte quando era preciso. Ele disse que chorar nos faz pessoas melhores quando as lágrimas são pelo motivo certo.

– E o que você acha disso tudo?

– Acho que o tio Fred tem razão.

– Por quê?

– Pra ser da Grifinória, eu preciso ser forte e corajoso. Como vou entrar na Grifinória se chorar porque caí e machuquei o joelho? — ele explicava como se aquilo fosse ainda mais óbvio.

– Então está bem assim, mas não esqueça que não é feio mostrar o que sente. Feio é fazer mal, entristecer as pessoas.

– Sim, eu sei. — Fred sorriu e levantou abraçando o pai que o olhou em seguida – Preciso te dar outro abraço – sorriu novamente e abraçou o pai por um longo instante.

Jorge sentiu uma quentura agradável percorrer seu corpo e encher seu peito. A sensação de tristeza se esvaindo.

– Que abraço gostoso, Fred – sorriu bobamente para o filho.

– O tio Fred me pediu. — o pequeno falou sorrindo.

– Pediu? — Jorge parecia espantado.

– Sim. Ele disse que sempre que visse o senhor triste, que te abracasse, porque você estava precisando e que hoje seria assim.

– De verdade? — Jorge ria encantado.

– Sim, disse pra te dizer que sente sua falta, papai. Que é muito bom onde ele está, mas a comida não é tão gostosa como a da vovó. — Jorge abraçou novamente o pequeno. Os olhos queimavam, mas agora estava feliz. Se sentia reconfortado.

– E ele disse outra coisa. — o pequeno continuou.

– O que? — Jorge o observava tentando formar as palavras.

– Disse que ainda acha que Besti... Bestia... — ele não tinha certeza da pronúncia, mas falou o mais próximo do que lembrava – disse que "Bestidades Gemianas" seria melhor.