A Vida Como Ela É
30 Capitulo 30 - Uma nova Aventura.
Notas iniciais
Encarei o meu reflexo no espelho e respirei fundo. Hoje era o dia. Amarrei o meu cabelo em um rabo de cavalo, escovei os dentes e sai do banheiro. Entrei no quarto e vi as meninas todas arrumadas, Yoi estava vestindo o seu kimono e uma camisa regata preta, cabelos presos em um rabo de cavalo, olhou para mim e deu um sorriso. Retribui e fui até a minha mala, peguei a parte de cima do meu kimono e coloquei sobre o ombro.
Saya estava em um canto do quarto, vestia o kimono e uma camisa vermelha regata, o que combinava com os seus olhos castanhos vermelhos, fazendo-a parecer que estava pegando fogo, pegou a parte de cima do seu kimono e veio até mim.
— Pronta? — Perguntou para mim. Dei um sorriso de canto e levantei a sobrancelha.
— Claro — Respondi, eu estava vestindo uma camisa azul escura regata. Virei para as outras meninas e coloquei a mão na cintura. — E vocês?
Fugi olhou para Rieko e as outras e ficou de pé.
— A torcida está pronta — Disse e as outras se levantaram.
Saímos do quarto e nos encontramos com o resto do pessoal do lado de fora de casa. James deu um sorriso para mim e balançou a cabeça, Ichi que estava ao seu lado junto com Tony, deram um sorriso e respiraram fundo. Papai estava parado na porta do ônibus me encarando, balancei com a cabeça e ele sorriu.
— Vamos pessoal — Disse entrando no ônibus.
Embarcamos no ônibus e partimos rumo ao ginásio. Demoramos cerca de 15 minutos para chegar lá, o transito estava grande hoje e tivemos dificuldade para conseguir uma vaga no estacionamento. Descemos do ônibus e entramos no ginásio, havia muitos repórteres na entrada, olhei para Yoi e ela para mim.
— Acho que nos separamos aqui — Disse Fugi para mim com um balançar de ombros.
— Tudo bem — Falei dando-lhe um rápido abraço e bagunçando o seu cabelo. — Nós vemos depois.
— Pode deixar — Disse Sato sorrindo. Elas foram embora, ficando só a nossa equipe lá.
— Vamos por ali — Apontou o papai por onde havia muitas pessoas e nenhum repórter. Seguimos o que ele disse e passamos rapidamente pelas pessoas, entramos no corredor e destrancamos a porta da nossa sala. — Essa foi fácil.
— Ainda bem, seria um saco fazer uma entrevista agora — Disse Yoi se sentando no sofá.
— Concordo — Falei sentando ao seu lado.
— Falta quanto tempo para irmos para a quadra? — Perguntou Tony para o meu pai.
— 10 minutos, chegamos a tempo — Respondeu ele olhando no relógio. Estavamos todos sentados no sofá, papai ficou em pé a nossa frente e cruzou os braços. — Bem, pessoal, só tenho uma coisa para dizer — Olhamos para ele e eu cruzei os braços. — Estou feliz por terem conseguido chegar até aqui, vocês são uma equipe realmente boa e unida, apesar das brigas e das discussões, vocês conseguiram se manter firmes.
Olhei para Yoi e os outros ao meu lado e sorri, era verdade, tínhamos conseguido chegar até aqui, tivemos muitos problemas e brigas, principalmente por minha parte. E ainda estávamos firmes ali.
— Por isso só tenho que agradecer a cada um de vocês pelo seus esforços — Meu pai se curvou rapidamente com um sorriso, nunca tinha visto ele fazer isso nenhuma vez, Yoi me cutucou e eu concordei com a cabeça.
— Sem problemas senhor Tanaka — Disse Tony sorrindo e ficando de pé.
— Somos gratos ao senhor, que nos treinou — Falou Saya ficando de pé também.
— E nós guiou até aqui — Disse Ichi se levantando também. Olhei para James que estava surpreso também, olhou para mim e se levantou. Yoi me puxou e ficamos de pé.
— Muito obrigado! — Disse Tony se curvando, Yoi se curvou e eu engoli em seco, me curvei rapidamente em respeito.
“ A equipe do Dojo Tanaka, por favor comparecer a quadra”, ouvimos alguém falando no som da sala.
— É isso então — Tony colocou as mãos na cintura e sorriu.
— Vamos nessa — Yoi disse, vestimos nossos kimonos e saímos da sala. Andamos pelo corredor vazio e dobramos na porta que dava para a quadra.
— Pessoal — Falei, eles pararam de andar a minha frente e se viraram para mim. — Antes de entrarmos, tenho algo a dizer.
— Vou avisar que vocês já estão entrando — Disse meu pai abrindo a porta e entrando.
— Quero dizer, que foi bom lutar e treinar com vocês durante o ano, que graças a vocês e ao nosso esforço estamos aqui hoje, lutando a semifinal, vamos mostrar as pessoas como lutamos karate e como nós treinamos duro. Nós somos fortes, passamos por dificuldades durante o percurso, como por exemplo eu e o meu mau humor, mas estamos bem.
— E porque foi mesmo que você e o seu pai brigaram? — Perguntou James para mim.
— Problemas de família — Yoi respondeu rapidamente, dei uma piscada para ela e continuei.
— Enfim, acho que é isso, vamos entrar com tudo, sem hesitação e sem medo — Falei, eles concordaram com a cabeça, encaramos a porta e abrimos.
A primeira coisa a me atingir foi o barulho das pessoas conversando e depois os gritos quando entramos, a quadra estava lotada, vi flashes em todo o canto e limpei a garganta, olhei em volta e achei as meninas da minha escola, acenamos para elas e fomos para onde o meu pai estava. Sentamos no banco e entregaram a faixa azul para nós, colocamos a faixa e nos alongamos. Tinham arrumado a quadra de forma que desse dois tatames, nossa equipe lutaria com a escola Wataka em um tatame, e no outro lutariam a escola Choure contra a Dijang.
Olhei em volta e encontrei a equipe de Toku nos observando, ela olhou diretamente para mim e deu um sorriso de canto. Senti vontade de atravessar a quadra e estapear a cara dela, mas respirei fundo e olhei para outro canto, teria a minha oportunidade logo logo.
— Boa noite senhora e senhores, hoje estaremos realizando a semi-final e a final na modalidade de Karate, por favor os primeiros competidores subam no tatame — Disse um dos juízes no microfone.
Olhei para Ichi, ele deu um pulo e se sacudiu. Olhou para nós e fez um OK com o polegar.
— Me desejem sorte! — Disse subindo os degraus do tatame.
— Manda ver! — Yoi gritou. O adversário dele era um pouco mais alto que ele, magro, com os cabelos preto arrepiados. Os dois se cumprimentaram e o juiz apitou iniciando a partida, a torcida começou a gritar, Ichi se afastou e o adversário foi para cima dele, desviou de alguns golpes e atingiu na cintura com uma sequencia de socos, o juiz apitou e o placar marcou 2- 0, reiniciaram a luta, o rapaz defendeu um ataque de ichi e o derrubou no chão de costas, deu dois socos no abdômen de Ichi e o placar mudou para 2-2. Ichi se levantou do chão com uma cara nada feliz, ficou em posição de ataque e esperou o sinal para avançar.
Desviou do ataque dele, girou e o seu pé atingiu em cheio o rosto do adversário, fazendo o cair no chão. O juiz apitou finalizando a partida e o placar terminou com 5-2. Olhei para o placar da escola Dijang e estava 4-0. Tony se levantou do banco e alongou os braços, Ichi desceu do tatame com um sorriso, deu um tapa no ombro de Tony.
— Vai nessa parceiro — Disse.
— Pode deixar — Deu um sorriso para Ichi e foi para o tatame.
Tony cumprimentou o adversário, que era mais baixo que ele, e se afastou. O juiz apitou e Tony foi para cima dele, tentou atingir ele com uma sequencia de socos, porem o adversário desviara. Ele segurou Tony pelo kimono e o derrubou contra o chão, deu dói murros no peito de Tony e o juiz afastou os dois. Tony ficou de pé e olhou para o placar. 2-0. Encarou o adversário seriamente e cerrou os punhos. Esperou o adversário vim para cima dele e defendeu os seus ataques, deu um chute na altura do abdômen e depois um no rosto, o rapaz caiu no tatame com força e o juiz apitou. O adversário fez um sinal que estava legal e ficou de pé, o placar estava 3-2, Tony ficou em posição de defesa e esperou. O outro veio para cima dele e Tony apenas girou e atingiu novamente o rosto do rapaz. O juiz apitou finalizando a luta e Tony levantou as mãos. A torcida gritou e o placar marcou 5-2.
— Agora é a minha vez — Disse Saya apertando a faixa na cintura.
— Acabe com a raça do adversário — Falei colocando a mão no seu ombro.
— Pode deixar, capitã — Disse me dando um sorriso, bateu a mão com a de Tony no caminho e subiu no tatame.
Saya ia lutar contra uma garota da mesma altura que ela, tinha os cabelos curtos e com uma aparência de mal. Olhei para Saya e percebi que parecia haver uma aura vermelha em volta dela. Sorri para ela e cruzei os braços. As duas se cumprimentaram e começaram a luta.
Saya desviou dos golpes da adversária, conseguiu girar e se colocar atrás da adversária, deu dois socos na costa e depois um chute, fazendo a adversária cair no chão, o juiz apitou e o placar marcou 2-0. Saya ficou em posição de ataque e esperou, a adversária dela olhou para ela com raiva e Saya foi para cima, deferiu dois golpes no abdômen e depois a atingiu no rosto com um chute. 5-0. Saya olhou para mim e eu sorri abertamente para ela, Saya não tinha como perder mais. A adversária ficou na defensiva e Saya a atacou, percebi que ela estava deixando a guarda um pouco aberta e a adversária a atingiu no rosto com um chute, Saya cai no tatame com força. O chute tinha sido seguro, Saya se levantou devagar e olhou para o placar, 5-3, o juiz apitou e terminou a partida.
Tony se aproximou do tatame e ajudou Saya a descer, papai se aproximou e olhou o rosto dela. Estava intacto, porem estava vermelho.
— Se sente no banco — Disse papai. Saya se sentou no banco e colocou a cabeça para trás.
— Como você está?
— Um pouco tonta — Respondeu ela.
— Beba um pouco de água — Disse Ichi lhe entregando uma garrafa de água. Olhei para James e Yoi, eles estavam com uma aparência nada feliz.
— James.. — Comecei a falar.
— Pode deixar que eu sei o que fazer — Disse subindo no tatame.
James encarou o adversário dele e o cumprimentou, o Juiz apitou e James não deu espaço para ele se afastar, girou rapidamente e derrubou o adversário no chão. O juiz apitou e esperou o rapaz se levantar, ele se levantou devagar e encarou James com raiva. Ficou em posição de ataque e foi para cima de James, James defendeu os seus ataques com precisão, passou uma mão pela cintura do adversário e o derrubou no chão, deu dois socos no seu abdômen e o juiz apitou. James se afastou e esperou, olhei para Saya ao meu lado, papai colocou um pano molhado no seu rosto. Engoli em seco e voltei a prestar atenção para a luta. James atacou o adversário e o derrubou no chão novamente. O juiz finalizou a luta e James cumprimentou o adversário, desceu do tatame com um olhar de vingança e sorriu. O placar tinha ficado 7-0.
— Yoi — Falei colocando a mão no seu ombro. Ela olhou para mim e vi um brilho no seus olhos, conheci aquele olhar e sorri. — Mostre para eles do que você é capaz.
— Sim, capitã — Disse dando um sorriso de canto e subindo no tatame. As pessoas começaram a gritar mais alto e Yoi deu um sorriso para as arquibancadas. Cumprimentou o adversário e esperou o Juiz apitar.
Yoi pegou distancia do adversário e esperou ele vim atacar, assim o fez, Yoi desviou dos seus golpes, segurou o braço dele e o derrubou de costas no chão, antes de Yoi deferir um golpe nele, ele girou para o lado e se pós de pé rapidamente. Yoi olhou para ele surpreso e sorriu. Ele tava ferrado.
Yoi foi para cima dele e o atingiu na cintura com um soco, depois girou e tentou chutar o seu rosto, ele levantou os braços e defendeu o ataque, ao mesmo tempo Yoi girou novamente e deu uma sequencia de socos no peito dele. Ele cambaleou até sair da área segura e o juiz apitou. O placar mudou para 2-0. O adversário olhou para Yoi zangado e ela deu um sorriso cínico para ele. O juiz apitou novamente e Yoi foi para cima dele, deu uma sequencia de socos que foi defendidos, depois o atingiu no rosto o fazendo cair. O placar mudou para 5-0 e Yoi ficou em posição de ataque novamente. Ficou na defensiva e o adversário foi para cima dela, ela desviou dos golpes dele e viu uma brecha, o atingiu no peito com um soco e depois deu um chute na sua barriga, jogando-o para fora da área. O juiz apitou e sinalizou a vitória de Yoi, o placar marcou 7-0.
Yoi cumprimentou o adversário e desceu do tatame com um sorriso no rosto. Deu um abraço em mim e eu respirei fundo.
— Vai nessa, capitã — Disse Saya tirando o pano do rosto, dei um sorriso para ela e subi no tatame. Escutei a arquibancada fazendo barulho e fechei os meus olhos. Foco, há apenas eu e o adversário aqui. Abri os olhos e encarei o rapaz a minha frente, Ele tinha os cabelos vermelhos e olhos verdes, era um pouco mais alto do que eu, cumprimentei-o e me afastei.
— Esse olhar da Charlie — Disse Yoi dando um sorriso.
— Ela vai acabar com a raça dele — Disse James sorrindo.
— Vai mesmo, é impressão minha ou ela tem algo diferente? — Perguntou Saya.
— Também estou com essa sensação — Falou Tony colocando a mão no queixo.
— Eu acho que o que vocês estão vendo é a determinação dela — Disse Yoi olhando para Charlie.
Senti que Yoi estava olhando para mim e olhei para o lado, estava certa, eles provavelmente estavam falando de mim, dei uma piscada e sorri. Yoi sorriu de volta.
— Ela definitivamente vai acabar com a raça dele — Confirmou ele.
O juiz apitou e antes que ele tomasse distancia, girei rapidamente e atingi o rosto do adversário, ele caiu no chão com força e o juiz apitou surpreso, a torcida gritou e eu esperei o adversário se levantar. Ele se levantou devagar e o vi cerrando os punhos com raiva, dei um sorriso para ele e o juiz apitou. Ele veio para cima de mim e tentou me atingir com uma sequencia de socos, desviei rapidamente dos seus ataques e fiquei ao seu lado, segurei a sua cintura e chutei a sua perna, o fazendo cair de costas no chão, dei dois socos rápidos no seu abdômen e o juiz me afastou. Olhei para o placar 5-0. O rapaz sentou no chão com dificuldade e ficou de pé, olhei para ele séria e fiquei em posição de ataque. Ele levantou os punhos e partiu para cima de mim, defendi os seus golpes, e quando fui tentar dar-lhe um soco, recebi um seguro no estomago. Engoli em seco, senti a comida querendo sair, e cuidei de levantar a minha guarda, ele me atacou mais violentamente e consegui me esquivar, coloquei a mão no estomago e engoli em seco. Ele deu um sorriso de canto e eu levantei minhas sobrancelhas.
Fui para cima dele rapidamente, dei um golpe atrás do outro, até que ele estava cansado e o atingiu no peito com um chute, ele caiu fora da área e o juiz apitou finalizando a luta. 7-0 tinha terminado. Encarei o adversário e o cumprimentei rapidamente, a comida estava querendo sair, desci do tatame e fui diretamente para uma lixeira que tinha perto do banco.
— Aeh, para... — Escutei Tony começando a falar, me inclinei na lixeira e coloquei tudo para fora.
— Isso foi nojento — Disse James olhando para mim, Yoi jogou um lenço e uma garrafa de água para mim, fiz gargarejo com a água e enxuguei a boca no lenço.
— Desgraçado, me deu um soco no estomago — Falei me recuperando.
— Espero que não tenham filmado isso — Disse meu pai sorrindo.
— Muito engraçado — falei lhe dando um olhar bravo, eles sorriram e eu sentei no banco ao lado de Saya.
— Como está? — Perguntei.
— Estou bem — Disse me dando um sorriso.
— Ainda bem — Falei bagunçando o seu cabelo.
— Descansem um pouco, bebam água e vão ao banheiro — Disse um dos juízes passando por nós. — Iremos fazer um intervalo de 20 minutos.
Ficamos de pé e saímos da quadra, bebemos água e fomos ao banheiro, enquanto arrumavam a quadra ficamos esperando na nossa sala. Ficamos sentados no sofá, cada um respirando mais fundo do que o outro. Dijang tinha ganhando a luta, iríamos lutar com eles agora, iria finalmente lutar contra Toku.
— Bem... estamos na final — Disse Saya, como se não acreditasse.
— É — Disse Tony.
“ Por favor os competidores compareçam a quadra”, ouvimos falarem no som.
Ficamos de pé, respiramos fundo e saímos da sala, o corredor estava vazio, caminhamos rumo a quadra e quando nos aproximamos comecei a escutar um barulho enorme de palmas e batidas de pés. Olhei para os outros e James riu alto.
— Não acredito que estão cantando isso!
— WE WILL, WE WILL ROCK YOU!! — Cantou Ichi batendo as mãos .
Papai abriu a porta da quadra e o barulho nos atingiu fortemente. Olhei para Yoi e ela sorriu, entramos correndo na quadra e cantando junto com a torcida. Subimos no tatame e acompanhamos o ritmo da torcida, a equipe Dijang olhou para gente com indiferença e sorrimos para a torcida.
Olhei para a torcida e sorri, fazer aquilo era muito massa, levantei as mãos e eles fizeram um barulho mais alto.
— We Will, we Will rock you!! — Cantei, o solo da guitarra começou a tocar e as batidas foram reduzindo até a musica acabar, todo mundo bateu palmas e nos descemos do tatame.
— Isso foi muito massa — Disse Yoi sentando no banco sorrindo.
— Concordo — Falei sentando ao seu lado.
— Bem, agora a diversão acaba — Disse meu pai ficando serio, engoli em seco, ele tinha razão. — Concentração total agora pessoal. Não podemos dar o luxo de nós desconcentrarmos agora.
— Você tem razão — Disse Ichi respirando fundo e bebendo um gole de água logo em seguida. Nos alongamos rapidamente e esperamos o juiz anunciar a primeira luta, o que não demorou muito.
Ichi ficou de pé quando chamaram o seu nome, deu um pulo rapidamente e respirou fundo. Demos um sorriso para ele e ele subiu no tatame. Ele iria lutar contra Aika Kubo, ela tinha os cabelos pretos e olhos castanhos, era mais baixa que ele alguns centímetros, porem ela era feroz. Os dois se cumprimentaram e o juiz apitou iniciando a luta, a torcida começou a gritar e pude ouvir ao fundo a musica Iron do Nicky Romero ft Calvin Harris tocando. A luta começou e Ichi pegou distancia. Aika foi para cima dele e ele desviou de alguns golpes seus. Tentou acerta-la, mas ela era mais rápida, desviava de todos os golpes dele.
O total de tempo de luta eram de 5 minutos, Ichi estava apenas na defensiva, não conseguia atacar, percebi que ele já estava ficando cansado e Aika apertou o ataque contra ele, e nos últimos segundos de luta ela o derrubou no chão com um chute nas costas. O juiz apitou finalizando a luta e o placar terminou com 0-2. Engoli em seco, Ichi se levantou devagar e desceu do tatame.
— Me desculpem — Disse limpando uma lágrima que tinha escorrido pela sua bochecha.
— Calma, ainda temos como recuperar — Yoi disse o fazendo sentar no banco.
— Me desejem sorte — Disse Tony ficando de pé e indo para o tatame.
— Boa sorte — Falei e cruzei os braços.
Mitsuko Ueno, subiu no tatame e encarou Tony, ele tinha os cabelos castanhos e olhos cor de mel, era mais alto que Tony. Tony engoliu em seco e o cumprimentou, o juiz apitou e Tony se afastou. Mitsuko foi para cima dele, deu uma sequencia de socos e chutes que Tony conseguiu defender com dificuldade. Tony foi para cima dele, deu uma sequencia de socos sem resultados e encarou o adversário. Mitsuko deu um sorriso de canto e atacou rapidamente Tony, Tony recebeu um soco e um chute nas costas. O Juiz apitou e o placar mudou para 2-0. Tony se levantou do chão rapidamente e apertou a faixa da cintura.
Ficou em posição de ataque e foi para cima de Mitsuko, ele defendeu os ataques de Tony sem nenhum problema e tentou o atingir, porém Tony reagiu rapidamente e defendeu os seus golpes. Olhei para o cronometro e engoli em seco faltavam poucos segundos e Tony não tinha feito nenhum ponto. Olhei para o tatame e vi Tony tentando chutar as costas do adversário, o chute atingiu o nada e Tony recebeu um soco no braço, ele se equilibrou para não cair e o Juiz apitou finalizando a luta.
Olhei nervosa para Yoi e mordi a boca, aquilo não era bom. Saya ficou de pé e esperou Tony descer do tatame, deu uma batidinha no seu ombro e foi para o tatame.
— Saya, tome cuidado — Falei, ela fez que sim com a cabeça e subiu no tatame. Cumprimentou o seu adversário que tinhas os olhos escuros e cabelos pretos, na luta que assistimos deles, pudemos ver que ele era rápido e que se chamava Quon Yokoyama. Saya se afastou dele e ficou em posição de defesa. Quon foi para cima dela rapidamente e ela desviou com dificuldade para o lado, ele continuou a atacando, deu um chute na direção do seu abdômen e logo em seguida um nas suas costas, Saya caiu no tatame de costas. O juiz apitou e foi ver se ela estava bem, ela balançou a cabeça e se levantou com dificuldade, o placar mudou para 0-2. Cruzei os braços preocupada e comecei a andar de um lado para o outro nervosa.
Saya encarou o adversário e tentou acerta-lo, porem ele era mais rápido que ela. Os dois ficaram nessa de atacar e se defender até o final do tempo, Saya cumprimentou o adversário e desceu do tatame de cabeça baixa, estava exausta e sua roupa estava ensopada de suor. Sentou no banco e colocou a mão no rosto. O placar total estava 6 á 0. Olhei para os três no banco e engoli em seco, puxei James e Yoi para perto.
— Temos que recuperar esses pontos e rápido — Falei.
— Aham — Disse James, ele passou as mãos no cabelo e respirou fundo. A adversária de James subiu no tatame e nos deu um sorriso de canto. Ela tinha os olhos cinzas e cabelos castanhos claros, seu nome era Mika Hara. James lambeu os lábios e olhou com raiva para ela. — Vou recuperar os pontos que puder.
— Acabe com a raça dela — Disse Yoi dando um tapa de leve no braço dele. Ele subiu no tatame e a torcida gritou. A musica Professional Grifes do DeadMau5 ft Gerard Way começou a tocar, James cumprimentou a adversário e o Juiz apitou. James foi para cima dela e começou a dar uma sequencia de chutes e socos, ela defendeu com dificuldade os ataques dele e ele começou a pressiona-la mais ainda. Deu um soco no seu abdômen e se pós atrás dela, deu um chute nas suas costas e ela caiu no chão. O juiz apitou e o placar mudou para 2-0, Mika se levantou do chão com raiva e ficou em posição de ataque, James se defendeu dos ataques dela, girou e deu um soco, sem querer a atingindo no rosto, ela caiu fora da área e o Juiz apitou, o placar mudou para 3-0. Mika tocou o seu nariz para ver se estava saindo sangue e não viu nada. Ficou de pé e tentou atingir James. James ficou na defensiva até o tempo acabar. O juiz finalizou a luta, os dois se cumprimentaram e James desceu do tatame.
— Foi bem — Disse papai apertando o seu ombro, James se sentou cansado no banco e olhei para Yoi.
— Yoi, mostre para eles do que a dupla de ouro é capaz de fazer — Falei, ela me deu um sorriso e levantou as sobrancelhas.
— Não sei se acho estranho o fato de você falar que somos a dupla de ouro ou não, mas considerando a situação — Deu de ombros e me deu um abraço. — Pode deixar que vou ganhar para nós.
Yoi se afastou e subiu no tatame, a galera gritou alto e eu engoli em seco. Yoi cumprimentou o seu adversário, Daisuke Ren, e o juiz anunciou o inicio da partida. Yoi foi para cima dele rapidamente, deu uma serie de socos sem efeitos e se defendeu de um chute, Ren foi para cima dela, Yoi desviou rapidamente dos golpes dele e quase saiu da área segura, girou e voltou para o centro. Deu uma sequencia de socos e chutes, que fizeram Ren recuar e aumentar a sua defesa. O tempo foi passando e nenhum dos dois fizeram pontos, mordi minha boca com força e senti o gosto de sangue na boca.
— Vamos Yoi! — Gritei.
Yoi apertou o passo e foi para cima de Ren, deu uma sequencia de socos no seu peito, girou rapidamente e deu um chute no seu rosto, ele cambaleou e caiu no chão. O juiz apitou e o placar mudou para 3-0. Yoi olhou para mim e eu balancei a cabeça. Ren se levantou e foi para cima de Yoi, ela se defendeu de seu chute e logo em seguida tentou dar um chute nas suas costas, ele previu o golpe dela e quase a acertou com um soco no rosto. Yoi conseguiu dar um passo para o lado bem a tempo. Yoi estava tensa, ela avançou contra ele, deu uma serie de socos no vento e tentou acertar ele com um chute, ele defendeu o chute, Yoi colocou a mão no chão e na hora que ela conseguiu chutar o peito dele o juiz apitou para o fim da luta. O placar tinha terminado 3-0, estava tudo empatado.
Yoi olhou para mim preocupada e exausta, desceu do tatame e parou na minha frente. Olhei diretamente para os seus olhos castanhos e engoli em seco, agora tudo dependia de mim. Ela me abraçou com força e eu me apoiei nela. Fechei meus olhos por um momento e quando os abri vi Toku subindo no tatame com um sorriso no rosto. Me afastei de Yoi e respirei fundo.
— Charlie.
— Hã? — Olhei para meu pai, ele estava me olhando preocupado. — Não perda o controle.
— Pode deixar — Falei, dei as costas para ele e subi no tatame, fiquei de frente para Toku, escutei todos fazendo barulho, uma musica do fall out boy tocava no fundo. Fechei os meus olhos e respirei fundo, fechei os meus punhos com força e encarei Toku. Ela me deu um sorriso cínico e senti a minha raiva aumentando.
— Charlie não está com uma cara muito agradável — Disse Tony ficando de pé.
— Isso não é bom — Disse meu pai e Yoi ao mesmo tempo.
O juiz apitou e a luta começou, me afastei de Toku e nos duas ficamos em posição de defesa, ficamos rodeando uma e a outra.
— O que você fez com Amanda? — Perguntei a encarando com raiva.
— Eu? Nada — Disse dando de ombros.
— Fale logo o que você fez — Falei cerrando os dentes.
Ela deu de ombros e eu parti para cima dela. Minha raiva estava me consumindo, mas eu estava sobre o controle. Dei um sequencia de socos em direção ao seu abdômen, ela desviou facilmente e ficou longe de mim.
— Ta com raivinha? — Disse levantando as mãos e sorrindo.
Engoli em seco e respirei fundo.
— Espero que esteja pronta para beijar o tatame — Falei e fui para cima dela.
Dei um chute em direção ao seu rosto ela defendeu o chute sem nenhuma dificuldade, coloquei minha mão no chão e chutei a sua barriga com a outra perna, fiquei de pé rapidamente, enquanto ela cambaleava para trás e girei, meu pé atingiu o seu rosto com força e ela caiu no chão. Escutei a arquibancada gritando e encarei Toku de cara para o tatame. O juiz foi até ela e ela o afastou, ficou de pé e me encarou com raiva.
— Eu disse que ia faze -la beijar o tatame — Fiquei em posição de defesa, pois sabia que ela ia vim com tudo para cima de mim.
— Você vai pagar por isso — Disse se levantando e vindo para cima de mim. Desviei de um chute seu na barriga e logo em seguida de um soco no rosto, vi o seu pé vindo na direção do meu rosto e me abaixei, na hora que fiz isso vi o seu outro pé veio na minha direção pela direita, não tive tempo de me defender e fui atingida com força no rosto. Senti a minha boca se cortar por dentro e cai no tatame. Minha vista ficou embaçada por alguns segundos, o Juiz se aproximou de mim e eu aceitei a sua ajuda para me levantar.
— Quem foi que disse que ia beijar o tatame? — Disse ela me dando um sorriso maligno.
Limpei minha boca com a blusa de dentro e engoli o sangue que estava na minha boca. Olhei para o placar, 3-3, faltava 2 minutos para a luta acabar. Fechei os meus olhos e respirei fundo, me concentrei e olhei para o juiz, ele apitou reiniciando a luta. Toku avançou sobre mim e eu me defendi dos seus socos, tentei a atingir com uma serie de socos, porém a defesa dela estava muito forte. Foi então que pensei em uma estratégia. Fui para cima dela tentando acertar o seu abdômen, deixei a guarda um pouco aberta e ela viu aquilo como uma abertura. Ela se aproximou de mim, fingi que ia me defender e recebi um soco no abdômen com força, ignorei a dor e segurei o seu braço com força, passei minha perna pelas as suas e a derrubei com força contra o tatame, me abaixei e dei dois socos rápidos no seu abdômen, ela ficou caída no chão e o juiz apitou. Finalizou a luta e eu olhei para o placar 5-3, a pontuação final tinha ficado 11 á 9. Tínhamos ganhado por 2 pontos de diferença.
Alguém me abraçou com força por trás e virei, era Yoi, a abracei com força e escutei todos gritando. Yoi se afastou e James me abraçou com força, comecei a sorrir e abracei cada um deles.
— Nós ganhamos! — Disse Saya segurando o meu rosto. — Charlie nós ganhamos!
Dei um sorriso para ela e olhei em volta, Toku estava parada no tatame, me aproximei e a cumprimentei, cumprimentou- me de volta e saiu do tatame. Papai subiu no tatame e me deu um abraço apertado, fechei os olhos e senti o meu rosto doendo.
— Você está bem? — Perguntou olhando para o meu rosto.
— Estou, estou — Menti, me afastei deles e desci do tatame, peguei uma garrafa de água e sal, que o papai sempre carregava em sua bolsa, para casos como esse, misturei os dois em um copo e fiz gargarejo, cuspi a água com sangue no lixo e repeti aquilo mais 5 vezes. Não percebi que Yoi estava ao meu lado me observando. Ela me entregou uma garrafa de água lacrada e a abri, bebi metade da garrafa e respirei fundo. — Obrigada.
— De nada — Disse dando um sorriso, sentou no banco e eu a acompanhei. — Finalmente conseguimos.
— Pois é — Falei cruzando as minhas mãos e dando um sorriso fraco.
— Charlie?
— Hum? — Olhei para Yoi.
— Você está bem? — Perguntou me olhando nos olhos.
— Só estou cansada. Tirei um peso das minhas costas que estava carregando por um bom tempo — Respondi dando um suspiro. — Acho que é por isso que estou cansada.
— Entendo — Disse se aproximando de mim, apoiei a minha cabeça no seu ombro e fechei os olhos. — Descanse um pouco, enquanto eles arrumam o pódio.
Não descansei muito para dizer a verdade. O fato é que os japoneses são pontuais e eficientes, não demorou nem 5 minutos e o pódio já estava montado. Ficamos de pé esperando a nossa vez, chamaram a escola Wataka para o terceiro lugar, eles subiram no pódio, receberam as suas medalhas e as palmas do público. Depois chamaram a escola de Toku, eles subiram no segundo lugar do pódio devagar, mas no fim deram um sorriso para o público e receberam as suas medalhas. E por fim, chamaram a gente.
Yoi segurou a minha mão e eu sorri, entramos no tatame e todos começaram a aplaudir, Subimos no pódio, os juízes entregaram as medalhas para a gente e a torcida fez barulho. Levantei as mãos e acenei para eles, vi Fugi, Rieko e o resto das meninas na arquibancada gritando. Dei um sorriso para eles e me curvei, minha equipe e as outras fizeram o mesmo.
15 minutos depois eu estava sentada no banco do ônibus a caminho da pousada. Estávamos todos exaustos, Ichi, Saya e Tony estavam dormindo nos bancos de trás, James estava conversando com Rieko, e Yoi estava dormindo ao meu lado. Encostei meu rosto na janela e fechei os olhos. Amanda não tinha aparecido para a minha luta. Será que ela voltou a trás e resolveu ficar longe de mim? Suspirei e esfreguei os meus olhos. Mas ainda tinha tempo de ela aparecer, depois de amanhã iriam ser as lutas individuais de karate.
Vi que estávamos entrando no estacionamento da pousada e cutuquei Yoi, ela esfregou os olhos e bochechou, sentou direito no banco e olhou para mim.
— Chegamos — falei dando-lhe um sorriso.
Acordamos o resto do pessoal e descemos do ônibus. A primeira coisa que minha equipe fez foi tomar banho e ir direto para as termas. Fiquei lá por dez minutos, relaxando e vesti roupas limpas, uma calça de tactel preta e uma camisa folgada branca. Olhei no espelho e vi que iria ficar com um hematoma no rosto, peguei um pouco de gelo e coloquei dentro de uma bolsa, fiz um sanduiche e suco de laranja. Comi rapidamente e fui para a cama, me cobri e coloquei a bolsa de gelo no rosto. Vi que Yoi e Saya estavam com uma bolsa de gelo também, sorri com aquilo e fui dormir.
Acordei no outro dia as 3 horas da tarde. Me levantei e tomei um banho rápido, não tinha ficado nenhum hematoma no meu corpo, escovei os dentes de penteei os cabelos, fui até a cozinha e preparei um lanche para mim, lavei a louça quando terminei e fui para a sala. Estavam todos assistindo um filme.
— Boa tarde — Falei me sentando no chão.
— Boa tarde — Disse Sato com um sorriso.
— Demorou para acordar, hein? — Disse Rieko, dei um sorriso para ela.
— E acordar cedo para quê? — Respondi dando de ombros.
Ficamos o resto do dia assistindo filmes e jogando conversa fora, liguei para Amanda e Anne sem nenhum resultado e fui dormir. Acordei com Fugi me cutucando.
— Humm? — Resmunguei puxando o lençol para mais perto.
— Não vai se arrumar para ir para o ginásio? — Perguntou.
— Vou — falei virando para o outro lado.
— Seu pai disse que você tem 15 minutos para se arrumar e tomar o café — Disse Fugi.
Dei um pulo da cama, ela começou a rir de mim, peguei minhas roupas e fui para o banheiro. Tomei um banho rápido para despertar, enxuguei o cabelo, vesti um short preto, a parte de baixo do kimono, uma camisa regata verde, uma jaqueta de couro por cima, prendi o cabelo em um rabo de cavalo e sai correndo para a cozinha, encontrei um sanduiche e um copo de suco de laranja em cima da mesa, e tomei café rapidamente. Voltei para o meu quarto e arrumei minha bolsa, coloquei os dois kimonos que eu tinha nela e o meu celular, e sai do quarto. Me encontrei com o pessoal no ônibus, Fugi sorriu para mim quando entrei e eu sentei no banco ao lado de Yoi.
Apenas Yoi, James e eu, iríamos participar dos individuais. Seria um dia e meio de luta se não desse tempo. O ônibus saiu do estacionamento da pousada e entrou na rua, o transito não estava muito grande hoje, de forma que demoramos 10 minutos para chegar no ginásio. Estacionaram o ônibus e nos descemos. Nós nos despedimos do resto do pessoal e entramos no ginásio, e a primeira coisa que me atingi é o flash de uma câmera, olhou para o lado e me dou conta que estávamos cercados de fotógrafos e entrevistadores.
— Com licença! Tanaka Charlie! — Gritou um entrevistador do canal 132. Me virei para ele. — Poderia dar uma entrevista para a gente?
— Hã — Olhei para o meu pai e ele fez que sim, o que queria dizer que tínhamos tempo. — Pode ser.
— Oba, obrigado — Disse se aproximando, ele tinha os cabelos pretos e olhos verdes, vestia uma calça jeans preta, uma blusa de manga branca, por cima uma jaqueta de couro e um cachecol preto em volta do pescoço. — Eu me chamo Tsuyo Ryco. Prazer conhecê-la.
— Prazer é meu — Menti dando um sorriso para ele.
— Bem, bom dia, estamos aqui no ginásio de Toquio, fazendo a cobertura das lutas de karate, e estamos aqui com a capitã da escola Tanaka, Tanaka Charlie, que venceu ontem a competição de karate em equipes.
— Bom dia — Falei dando um sorriso para a câmera.
— Então Sra.Tanaka como se sente após ter vencido sua concorrente Watanabe Toku, ontem? — Ele apontou o microfone para mim.
— Ah, eu me sinto feliz, afinal minha equipe trabalhou duro para chegarmos e vencemos as finais.
— E como você se sente sabendo que poderá enfrentar ela novamente no individual? — Perguntou me olhando. Engoli em seco.
— Bem, acho que o que melhor define isso, seria nervosismo — Falei dando um risinho tímido. — Afinal, Toku é uma concorrente muito forte.
— Assim como você — Disse me interrompendo.
— Eu faço o meu melhor — Dei de ombros e continuei. — Toku é uma adversária forte e difícil, porem ela também não pode subestimar a mim e aos outros adversários.
— Isso é verdade — Disse Ryco dando um sorriso para a câmera, virou-se para mim — Mas diga a verdade, o que você sentiu quando fez Toku beijar o tatame?
— Hã, acho que não posso falar isso — Olhei para o meu pai e a câmera virou para ele. Sorri com aquilo.
—Matsumoto e Ryuu estão com você por aqui?
— Sim — Acenei para os dois e eles se aproximaram de mim. — Oh eles aqui.
— Oiii — Disse James e Yoi dando um sorriso para a câmera. — Tudo bem?
— Tudo ótimo — Respondeu Ryco com um sorriso. — Então Ryuu, como se sente estando na mesma equipe que a dupla de ouro?
— Ah, eu me sinto ótimo, elas duas são ótimas em trabalho de equipe, apoiamos sempre uns aos outros — Respondeu dando um sorriso para nós duas.
— Elas não implicam com você? — Perguntou ele brincando.
— Não, não — James riu da pergunta dele. — Só a Charlie que me dá medo as vezes, principalmente quando ela está estressada.
— Ei! — Falei e dei um tapa no braço dele.
— Viu? — Disse ele dando uma piscadinha para mim.
— A relação de vocês em equipe é admirável — Disse Ryco sorrindo. Virou-se para Yoi. — E você Matsumoto, como se sente a respeito das lutas de hoje?
— Acho que me sinto positiva e um pouco nervosa — Yoi colocou a mão no queixo. — Lutar em equipes é diferente do individual, porque temos mais ou menos uma ideia de onde as equipes vieram e como é o estilo de lutas delas. No individual é mais complicado, porque vem pessoas de todas as partes do país e que competem somente nesta modalidade, então sempre vemos novos rostos e tipos diferentes de luta.
— Mas não é tudo karate? — Perguntou, olhei para ele sem entender. Belo repórter você, hein.
— Sim — Yoi deu um riso disfarçado de explicou. — Mas cada pessoa tem um jeito diferente de lutar karate, um estilo diferente.
— Compreendo — Disse dando um sorriso para ela, o câmera-men bateu no relógio dele, dizendo que o tempo estava terminando. — Bem, ficamos por aqui. Obrigado Sra. Tanaka, Sra. Matsumoto e Sr. Ryuu pela entrevista, boa sorte na competição e bom dia.
Demos um sorriso para a câmera e o câmera-men desligou a câmera. Batemos algumas fotos com os fotógrafos e fomos para a quadra. Havia pouca gente nas arquibancadas e muitas na quadra, percebi que todos que estavam na quadra eram lutadores, engoli em seco, vimos nossos amigos na arquibancada e nos aproximamos de lá. Aquele lugar não tinha muitas pessoas, colocamos nossas coisas no banco, tirei minha jaqueta e a guardei na bolsa, peguei o meu kimono e o vesti. Sentei no banco e esperamos começar.
As lutas se iniciaram as 9 horas da manhã, haviam 4 tatames, 8 lutadores lutando, 4 vencedores por partida. Ao todo tinham 200 participantes. Começamos a lutar, James, Yoi e eu. Só nos encontrávamos quando estávamos sentados no banco. As lutas eram mata-mata, quem perdesse era eliminado, tinham alguns ali que eram fáceis de derrotar, agora tinha outros que tinham o estilo de luta totalmente diferente, alguns saltavam, outros davam golpes traiçoeiros. A hora do almoço chegou e nos três nos juntamos com o resto do pessoal, tomamos um banho antes e depois que almoçamos.
O individual tinha um lado bom, porque os que eram da mesma escola não lutavam entre sim. Ou seja, James, Yoi e eu não éramos adversários. Deitei sobre a grama do campo do ginásio e respirei fundo.
— Ei Yoi e James — Senti os dois olhando para mim. — Perceberam que não é proibido dá saltos ?
— Sim — Disse Yoi.
— Podemos usar isso ao nosso favor — Falei, os dois concordaram com a cabeça. — Sabem dizer se o pessoal da equipe da Toku está ganhando.
— Sim, eles estão vencendo até agora — Disse James.
— Era de se esperar — Yoi disse soltando um suspiro. Estávamos nós três deitados sobre a grama, observando o céu.
— Aham — Concordei. Fechei os olhos e tirei um cochilo. Senti alguém me cutucando e me sentei, olhei para o lado e vi Yoi sorrindo. — Boa tarde.
— Boa, agora levanta — Disse ficando em pé. A acompanhei e fomos para o vestiário, trocamos de roupa pelos nossos kimonos e voltamos para a quadra.
As lutas se reiniciaram e fomos para o tatame. Eram 4 horas da tarde, perdi a conta de quantas pessoas tinha lutado até agora, meu kimono estava ensopado de suor e meu cabelo estava grudado no meu pescoço. Peguei meu outro kimono na bolsa e tirei o que eu estava vestindo. Molhei minha cabeça com água gelada e enxuguei com uma toalha, vesti o kimono limpo e prendi os meus cabelos novamente. Chamaram o meu nome e novamente fui para o tatame lutar.
Eram 7 horas da noite e o numero de lutadores tinha diminuído consideravelmente para 20, entre eles estavam, James, Yoi, Toku, Ren e eu. Anunciaram que as lutas estariam encerradas por hoje e que terminaríamos amanhã de manhã. Eu estava morta, sentei no ultimo banco do ônibus e dormir. Acordei com o barulho do ônibus parando, descemos todos e fui para o meu quarto,e coloquei minhas roupas para lavar. Papai disse que ia preparar um banho para nós três e mandou ficarmos acordados.
Quando terminou de preparar o banho, pediu para irmos até o banheiro da casinha perto das termas, quando Yoi e eu entramos, vimos James só de sunga olhando para a mine piscina no banheiro, ela estava cheia de gelo, olhamos para piscina e suspiramos
— Se bem que eu tava com a impressão que ele ia fazer isso — Resmunguei começando a tirar a roupa e ficando só de biquíni.
— Eu não — Disse Yoi tirando a roupa. Olhou para a piscina — Então, quem vai entrar primeiro?
— Eu não — Disse James rapidamente.
— Eu também não — Yoi disse cruzando os braços.
— Ok, eu entro primeiro — Falei, coloquei o meu pé na água e tremi, estava terrivelmente gelada, entrei rapidamente e cobri o meu corpo todo. Os dois logo entraram na piscina também. Senti o meu corpo ficar dormente e a dor muscular sumindo, aguentamos ficar ali por 5 minutos no Maximo, nos enrolamos na toalha e fomos nos trocar batendo o queixo de frio. Vesti uma calça de tactel vermelha e uma blusa de manga comprida preta. Deitei na cama e me cobri com dois lençóis. O resultado foi que passei a noite tremendo de frio.
Quando acordei vi que alguém tinha me dado um lençol extra. O dobrei e deixei em cima da minha cama. Fui para o banheiro, tomei um banho de água quente e me enxuguei. Vesti um short vermelho, uma camisa preta regata e o kimono, penteei o cabelo e sai do banheiro. Encontrei com a minha mãe na cozinha, ela preparou o meu café da manhã e eu comi de bom grado.
Arrumei minhas coisas na mochila e esperei o resto do pessoal ficar pronto. 10 minutos depois estávamos saindo da pousada e 15 minutos depois estávamos estacionando o ônibus no ginásio. Nos fomos para a quadra e diferente de ontem, a arquibancada estava lotada. Me despedi do pessoal e sentei no mesmo banco de ontem. Esperamos os juízes anunciarem o inicio das partidas e nos alongamos.
Haviam 20 lutadores, reduziram o numero de tatames para 2 e iniciaram as lutas. Yoi e eu entramos em um tatame e ficamos em posição de ataque. Nossos adversários eram desconhecidos para a gente. Atacamos eles rapidamente e fizemos o que sabíamos de melhor, vencer. James foi logo em seguida, derrotou o adversário rapidamente. Depois de 5 minutos chamaram James e Yoi para o tatame, Yoi ia lutar contra um carinha que dava saltos e James contra Ren. Vi James respirando fundo e ficando em modo de defesa. Ren foi para cima dele com força, a luta deles foi consideravelmente tensa e só terminou quando James foi atingido nas costas por um chute, sendo eliminado da competição.
Yoi tinha vencido a luta e se sentou ao meu lado. James se despediu da gente com um sorriso triste e foi se juntar com o pessoal na arquibancada. Deram um intervalo de 15 minutos, eu estava coberta de suor, tirei o meu kimono e troquei pelo o seco. Yoi fez o mesmo ao meu lado.
— Está quente! — Reclamou.
— Concordo, acho que já perdi uns dois quilos de ontem para hoje — Falei olhando para minha barriga que estava seca. Ela sorriu e jogou uma garrafa de água para mim.
Derramei um pouco de água na minha cabeça e bebi o resto. Tinham apenas 8 lutadores agora, Yoi e eu estávamos nas semifinais, Toku e Ren também. Respirei fundo e fechei os olhos, estava cansada. Yoi suspirou do meu lado e sorri, não era a única. Anunciaram que recomeçaríamos as lutas e chamaram o nome de Yoi, ela foi para o tatame e cumprimentou o adversário dela. No outro tatame estava Ren contra uma garota. Em menos de 3 minutos ele tinha vencido ela. Olhei para o placar de Yoi que marcava 5-0 e sorri, o juiz anunciou o fim da partida e Yoi se sentou ao meu lado.
Chamaram o meu nome e eu fui para o segundo tatame, no outro tatame estava Toku. O meu adversário subiu no tatame, ele era mais alto do que eu. O cumprimentei e nos afastamos. O juiz apitou e iniciamos a luta. Fui para cima dele e dei uma sequencia de socos no seu abdômen, depois um chute nas suas costas. 2-0. Depois consegui me defender de um chute seu e devolvi na mesma moeda, atingindo-o no rosto com um chute. 5-0, o resto da partida apenas fiquei desviando dos golpes dele. O juiz apitou e a partida acabou, olhei para o placar de Toku, 5-0.
Saí do tatame e me sentei no banco ao lado de Yoi. Restavam apenas nós quatro, retiraram um dos tatames, deixando apenas um. Olhei em volta e vi que as arquibancadas estavam lotadas, virei o olhar para a placa de jogadores e os nossos nomes apareceram lá, depois houve um brilho e os nossos nomes começaram a girar, estavam sorteando quem lutaria contra quem. O nome de Yoi foi o primeiro a sair, em seguida foi o de Toku. Depois o meu e o de Ren.
Olhei para Yoi e apertei a sua mão. Ela olhou para mim e sorriu.
— Irei recompensar Toku pelo chute que ela deu em você — Disse ficando de pé.
— Lembre-se, use os saltos como uma carta na manga — Falei a puxando para um abraço.
— Pode deixar — Disse me abraçando de volta e se afastando. Yoi subiu no tatame, cumprimentou Toku e se afastou. Iniciaram a luta e Toku foi para cima de Yoi, desviou do chute de Toku e tentou acerta-la com um soco no abdômen, Toku se afastou e girou, o seu pé fui em direção ao rosto de Yoi, ela se abaixou e vi o mesmo golpe que tinha me pegado acontecendo. O outro pé de Toku foi em direção ao rosto de Yoi, Yoi colocou as duas mãos no chão e jogou o corpo para trás, dando um salto. Ficou em posição de ataque e girou, o seu pé atingiu Toku no rosto, ela caiu no chão de lado. O placar mudou para 3-0.
Toku se levantou e encarou Yoi surpresa, deu um sorriso de canto e ficou em modo de ataque. O juiz apitou e Yoi foi para cima dela. Toku desviou do seu golpe e a segurou pela cintura, derrubou Yoi de costas no chão e deu um soco com força no abdômen de Yoi. O juiz apitou e Toku se afastou, o placar mudou para 3-2. Yoi se levantou com dificuldade e ficou na defensiva. Toku avançou contra ela com uma sequencia de socos no rosto e no abdômen, Yoi encontrou dificuldade para se defender e acabou deixando a guarda um pouco aberta. Toku deu um soco no seu abdômen e depois um chute no seu peito. Yoi caiu de costas no tatame. O juiz apitou o fim da luta e ajudou Yoi a ficar de pé. As duas se cumprimentaram e Yoi sentou no banco exausta. O placar tinha terminado 4-3. Coloquei minhas mãos no ombro de Yoi e a puxei para um abraço. Agora não tinha como, dois da escola Dijang iriam ganhar medalhas.
— Ganhe isso por mim — Disse ela me dando um beijo na testa. Olhei nos seus olhos castanhos cheio de lágrimas e sorri.
— Pode deixar — Me afastei dela e fui para o tatame. Olhei para o lado e vi Ren e Toku conversando, Ren não parecia nada feliz com a conversa, ele olhou para mim e engoliu em seco. Subiu os degraus do tatame e ficou a minha frente. Se ele vencesse, Toku iria ficar em 1 lugar, se eu vencesse poderia lutar contra Toku e tentar ganhar o 1 lugar. Nos cumprimentamos e o juiz apitou, me afastei dele rapidamente e ele ficou no mesmo lugar. Olhei para ele sem entender e ele veio para cima de mim com um chute no rosto. Levantei os meus braços e defendi o ataque dele, o pé dele atingiu o meu braço com força, desviei de um soco dele no abdômen e fui para cima dele.
Dei um soco nas suas costas e depois um no abdômen, ele cambaleou para trás, avancei e girei, meu pé o atingiu no rosto com força, ele caiu no chão e o juiz apitou. 3-0. Ren se levantou, respirou fundo e vi o maxilar dele se contraindo. Veio para cima de mim, e desviei do seu chute, logo em seguida defendi o seu soco no rosto e ele deu um no meu estomago, senti uma falta de ar repentina e recebi um chute na cara. Cai no tatame com força, engoli em seco e fiquei de pé, olhei para o placar, 3-3. Fiquei em posição de defesa e ele veio para cima de mim, defendi o seu soco e dei um chute no seu peito, ele cambaleou e avançou contra mim, desviei do seu chute no rosto e depois do chute no peito. Ele era rápido, vi-o olhando para Toku ao lado do tatame e ele mudou de expressão. Defendi o seu soco do meu abdômen e recebi um no rosto, cambaleei para trás e ele veio para cima de mim com um chute, levantei os meus braços para defender o meu rosto. Foi então que eu vi que o chute não ia em direção ao meu rosto, mas ia em direção a minha costela, pena que eu percebi tarde demais. O seu pé atingiu com força as minhas costelas, senti um estralo vindo delas e uma dor dilacerante percorreu o meu corpo, soltei um grito de dor e cai no tatame.
O juiz apitou e veio para cima de mim, coloquei minha mão sobre a minha costela, lágrimas escorriam pelo meu rosto, aquilo doía muito. Chamaram a equipe de emergência e me colocaram em uma maca, me levaram para a enfermaria e o médico lá tirou a minha roupa. Senti minha visão escurecer e a ultima coisa que vi foi meu pai entrando pela porta.
— Ela quebrou duas costelas — Escutei a voz de alguém, Abri os olhos devagar e vi que estava em um quarto, Papai estava conversando com um homem alto de cabelos pretos.
— Ei — Escutei a voz de Yoi ao meu lado e olhei para ela. Ela estava segurando a minha mão, a apertei e dei um sorriso. — Como se sente?
— Dolorida — Respondi, sentindo uma dor passando pela minha costelas. — O que houve?
— Ren chutou você na costelas — Respondeu.
— Você quebrou duas costelas, mocinha — Disse o homem de cabelos pretos. — Sou o médico de plantão.
— Humm — Resmunguei, papai se aproximou de mim. — Isso não é bom, não é?
— Não, mas está tudo bem — Respondeu dando um sorriso triste para mim.
— Toku ganhou o primeiro lugar? — Perguntei.
— Ainda não. Os juízes estão discutindo o que vão fazer agora — Disse papai.
— Daqui a pouco vão anunciar alguma coisa — Falou Yoi.
— Humm — Fechei os meus olhos e respirei fundo, meu peito ruiu de dor e eu gemi.
— Eu enfaixei as suas costelas, mas é o Maximo que posso fazer por ela aqui, o melhor a se fazer é leva-la para um hospital — Disse o médico.
— Ok, obrigado Doutor — Disse meu pai se curvando para ele, o médico saiu do quarto, nós deixando a sós.
— Pai o senhor pode ligar a TV? — Pedi, papai confirmou com a cabeça e procurou o controle da televisão, ligou-a e colocou no canal 132. E estavam passando repetidamente o golpe que eu levei. — Isso é humilhante.
— Não tem nada de humilhante nisso — Disse meu pai segurando o meu rosto. — Ele deu um golpe ilegal.
— Não era para isso ter acontecido — Yoi disse.
“Agora os juízes irão dizer o que foi decidiu a respeito da luta de Tanaka”, disse o rapaz que estava cobrindo a luta, olhei para a TV e papai aumentou o volume.
“ Decidimos que Daisuke Ren será desclassificado da competição, por deferir um golpe ilegal contra Tanaka Charlie. Srta. Tanaka poderá ficar em segundo lugar na competição se não estiver disposta a lutar pelo primeiro lugar contra Watanabe Toku. E em terceiro lugar ficará a Srta. Matsumoto Yoi”.
— Não acredito nisso — Disse Yoi ao meu lado, sorri para ela e papai deu-lhe um abraço.
— Então você ficará em 2ºlugar? — Perguntou Yoi para mim.
— Não — Respondi, os dois olharam para mim sem entender.
— Como assim, não? — Papai perguntou.
— Eu vou lutar contra Toku — Respondi e tentei me sentar na cama, minhas costelas ruíram de dor e eu mordi minha boca com força.
— E você acha que eu vou deixar? — Disse o meu pai, segurando o meu ombro. Forcei minhas pernas a sair da cama e meu corpo gritou de dor. — Pare! O que você está fazendo? O que você quer provar?
— Eu quero provar que consigo! — Gritei para ele, senti lágrimas escorrendo pelo meu rosto. — Quero provar para Toku que o golpe baixo dela não deu certo, quero provar para o senhor que sou capaz de vencer isso. Quero provar que sou digna de confiança para os meus amigos! Então calem a boca vocês dois e me ajudem a chegar até aquele tatame!
Os dois olharam para mim perplexos, vi lágrimas escorrerem pelo rosto de Yoi e meu pai engoliu em seco. Os dois respiraram fundo e me ajudaram a ficar de pé, minha vista escureceu com a dor e os dois me seguraram.
— O que vocês estão fazendo? — Disse o médico entrando de repente no quarto. — Ela não tem condições para lutar.
Abri os meus olhos e forcei o meu corpo a continuar, me apoiei no ombro de Yoi e dei o meu primeiro passo e depois outro. E fomos assim até chegar a porta que dava para a quadra. Yoi abriu a porta e papai me ajudou a entrar. Olhei em volta e vi que todos estavam me observando surpresos, foi então que começaram a bater palmas e a gritar o meu nome. Yoi me ajudou a vestir o kimono, amarrou a faixa na minha cintura e eu subi com dificuldade no tatame. Toku olhou para mim chocada.
— Iai? — Perguntei, engolindo em seco e a encarando. O juiz subiu no tatame e olhou bem para mim.
— Tem certeza que quer continuar?
— Sim — Respondi, cumprimentei Toku e ele apitou com receio o apito. Me afastei de Toku e fiquei em posição de defesa. Ela veio para cima de mim, desviei dos seus golpes com dificuldade, minhas costelas chiavam de dor. Ela deu dois socos na direção do meu abdômen e os defendi, respirei fundo e juntei a minha coragem, sai da defesa e fui para o ataque. Dei uma sequencia de socos do qual ela defendeu sem nenhum problema, era obvio que eu estava sem forças. Apertei o meu passo e avancei rapidamente contra ela, dei um soco no seu abdômen, ela deu um passo para trás e eu girei, botei minha força no chute e meu pé atingiu o seu rosto.
Toku caiu no tatame e eu quase vou junto, me equilibrei de mau jeito e meu corpo rangeu, olhei para o relógio ainda tinha mais 3 minutos. Toku se levantou devagar e me encarou, vi que ela não estava entendendo a situação, ela estava hesitando. Engoliu em seco e flexionou o maxilar. Agora ela estava seria. O juiz apitou e ela veio para cima de mim, desviei do seu chute com um salto de costas, e ela continuou em cima, defendi o seu soco e depois o seu chute novamente. Dei um passo para trás quando ela girou e seu pé veio na minha direção, senti o pé dela passando no lugar que eu estava e pisquei. Ela levantou o outro pé e me deu um chute no abdômen antes que eu pudesse defender.
Senti um choque percorrer todo o meu corpo e cai no chão, meu corpo estava doendo muito, senti minhas mãos tremendo, lágrimas escorriam pelo meu rosto, não consegui respirar e minha visão foi escurecendo cada vez mais.
Chega... Estou cansada... Cansada de lutar sempre... Cansei disso... Porque eu decidi mesmo voltar ao tatame? Ah, foi mesmo... Para provar que consigo... Ilusão... Isso dói... Estou cansada.
— Charlie!!! — Escutei alguém gritando ao longe.
Apenas me deixe. Aqui. Na escuridão. Me deixe... Descansar.
—Charlie!!! — Essa voz é familiar. Forcei minha vista e olhei em volta. — Charlie!!
Vamos apareça.
Olhei para todos os cantos, foi então que vi quem estava gritando. Não havia nenhum olho azul comparado aos seus. Amanda estava ali me encarando, usava uma calça jeans, uma camisa vermelha e uma jaqueta de couro preta, cabelos soltos ao vento.
Vento? Provavelmente eu estava morrendo... Como... Você?
— Levante Charlie!! — Gritou ela. — Levante e vença essa luta! Levante!
Pisquei os meus olhos e coloquei minha mão no chão, meu corpo rangeu, mas continuei. Coloquei um pé no chão e depois outro, forcei minhas pernas e elas me obedeceram. Meu corpo doía loucamente e implorava para ficar quieto. Lágrimas escorreram pelo meu rosto, olhei na direção de Amanda e vi que ela era real, que não era coisa da minha cabeça. Lágrimas corriam pelo seu rosto.
Não chore. Por favor...
Levantei os braços em posição de defesa e encarei Toku. Ela olhou para mim e engoliu em seco.
— Vamos acabar com isso — Falei. E fui para cima dela. Dei um soco na direção do seu rosto ela deu um passo para trás. Depois dei um no seu abdômen e ela defendeu, girei e tentei chutar o seu rosto, ela se abaixou desviando do meu golpe. Usei o meu outro pé para atingir o seu peito e ela deu um salto para trás. Eu não sabia que ela podia fazer isso. Ela deu um sorriso para mim e veio para cima. Desviei dos seus golpes e olhei para o cronometro, faltava menos de um minuto. Ela avançou contra mim, seu pé veio em direção ao meu peito, defendi o seu chute e vi o seu pé vindo na minha direção, me curvei rapidamente e senti o pé dela passando por cima da minha cabeça. Foi então que vi que ela estava perto o suficiente, segurei o seu braço e a sua cintura com força, e a derrubei de costas no chão. Usei o resto de forças que me sobravam e dei dois socos contra o seu abdômen.
O juiz apitou, o tempo acabou. Olhei para o placar, 5-3. Eu tinha vencido. Caí de joelhos no tatame, minha visão escureceu, antes que eu caísse de vez, senti braços me envolvendo e me segurando. Apoiei minha cabeça no ombro dessa pessoa e suspirei, reconheci o cheiro daquela pessoa e sorri.
— Você está realmente aqui — Sussurrei.
— Estou. Eu estou aqui — Disse ela me abraçando, deu um beijo na minha testa e eu desmaiei nos braços da pessoa que amava.
Senti uma mão tocando o meu rosto e abri lentamente os olhos, estava em um quarto de hospital. Olhei para o lado e me encontrei com os olhos azuis de Amanda. Ela me deu um sorriso lindo e beijou a minha testa. Fiquei- a observando com medo dela desaparecer, segurou a minha mão e eu engoli em seco.
— Você, realmente está aqui — Sussurrei.
— Eu disse que estava — Disse me dando um sorriso triste.
— Isso é bom — Falei olhando para o teto, fechei os meus olhos. — Isso é bom.
Abri os olhos e me deparei com os olhos castanhos de Yoi, ela me deu um sorriso e beijou a minha testa.
— Finalmente você acordou — Disse ela sorrindo.
— Hã? — Resmunguei.
— Você ficou dormindo por alguns dias, efeitos dos remédios — Disse ela.
— Entendo — Falei, lambi os lábios. — Tem água?
— Sim — ela colocou em um copo de água e me deu um pouco para beber. Engoli devagar e não senti o meu peito doendo. — Quanto... tempo fiquei aqui?
— Três dias — Respondeu mostrando três dedos para mim.
— O que eu perdi? — Falei passando a mão no meu rosto.
— Bem, você perdeu a competição de kendo e Kyudo.
— Vocês conseguiram?
— Claro — Disse sorrindo. — Ganhamos todos os lugares em 1ºlugar. Ganhamos por você.
— Hum, me sinto feliz com isso — Falei dando um sorriso fraco e fechando os olhos. — Yoi.
— Hum?
— O que aconteceu com a minha luta? — Perguntei.
— Você ganhou — Disse ela sorrindo. — Seu pai recebeu a medalha por você, Toku ficou em 2º lugar e eu em 3º.
— Entendo — Respirei devagar e olhei para o teto. — Me diz, a Amanda realmente estava lá?
— Sim — Disse ela. — Não se lembra?
— Eu me lembro, só que havia muitas coisas passando pela minha cabeça naquela hora.
— Sei.
Escutei a porta se abrindo e olhei para o lado, vi meus pais parados na porta e dei um sorriso para eles. Os dois vieram correndo em minha direção, beijaram o meu rosto e eu sorri.
— Assim você vão me fazer ficar dengosa — Falei rindo e colocando a mão no meu peito para não doer nada.
— Vamos não — Disse minha mãe segurando a minha mão e dando um sorriso para mim.
— Como você está? — Perguntou o meu pai segurando a minha outra mão.
— Estou bem, só um pouco chapada por causa dos remédios — Respondi.
— Quer dizer que eles estão fazendo efeito — Disse meu pai sorrindo. Ri daquilo e engoli em seco.
— Então finalmente acabou? — Perguntei. Eles concordaram com a cabeça, fechei os meus olhos e respirei fundo. Senti o peso que restava sobre as minhas costas desaparecendo e sorri. — Acabou. Finalmente.
— Charlie? — Ouvi minha mãe dizer, olhei para os seus olhos azuis. — Tem alguém que quer falar com você.
Olhei para a porta e vi Amanda me observando, senti um sorriso surgir no meu rosto e ela se aproximou de mim. Olhei em seus olhos e comecei a chorar, senti algo dentro de mim rompendo e chorei ainda mais, meu peito começou a doer e eu tremi.
— Charlie, o que houve? — Disse meu pai.
— Nada não. Eu estou bem — Respondi, segurei a mão de Amanda e ela limpou o meu rosto com o seu lenço. — Eu estou bem, só preciso de um tempo com essa idiota aqui.
Yoi ficou de pé e sorriu para Amanda.
— Boa sorte com essa daí — Disse antes de sair acompanhada pelos meus pais.
Encarei Amanda e os seus incríveis olhos azuis, toquei o seu rosto e trouxe os seus lábios contra os meus. Ela me beijou lentamente e me olhou nos olhos, deu um sorriso e se afastou.
— Então, o que loirinha queria falar com a idiota? — Disse ela sentando na beira da cama.
— Quero saber por onde que a Idiota andou andando — Falei.
— Bem, eu estava resolvendo as coisas do meu pai, documentos do apartamento, tratamento, clinica, conta bancaria, essas coisas. Era papel que não acabava mais.
— Humm.
— É serio! — Ela se aproximou e me beijou novamente. — Agora se você quiser passar as férias lá em Berlim, saiba que tenho um apartamento todo para nós.
— Serio? — Olhei para ela levantando as sobrancelhas. Ela confirmou com a cabeça. Limpei a garganta e olhei seria para ela. — Mas isso não responde porque não retornou as minhas ligações.
— Bem, para começar, eu perdi o meu celular e eu não sabia o seu numero de co — Olhei para ela sem acreditar. — Não me culpe, a tecnologia hoje faz tudo por você! Depois o chip do celular da minha mãe queimou, perdemos todos os contatos.
— Humm.
— Sei você, não está acreditando em mim — Disse ela desistindo. — Vamos me faça alguma outra pergunta então. Depois você pode confirmar essa historia com a minha mãe.
— Quero que você me responda apenas duas perguntas — Falei.
— Tudo bem.
— Primeiro, Toku ou alguém da sua equipe fez alguma coisa a você? — Olhei diretamente para os seus olhos.
— Toku? Aquela louca que você lutou? Não claro que não — Respondeu chocada. — Não entendi porque diabos ela falou a respeito de mim em uma de suas entrevistas.
— Para me irritar, aquela maldita — Fechei minha mão em punhos.
— Calma, está tudo bem agora — Disse tocando a minha mão, a relaxei e ela entrelaçou nossas mãos. — Agora, qual é a outra pergunta?
— Durante esse tempo, você não me traiu, né? — Perguntei de uma vez. Amanda olhou para mim meio chocada e se afastou.
— O que, vai me dizer que não confia em mim? — Perguntou levantando as mãos.
— Eu confio, mas você não me deu sinal de vida por mais de duas semanas, o que diabos você queria que eu pensasse? — Falei aumentando o tom de voz.
— Affes — Chiou, se aproximou de mim e segurou a minha mão. — Olha, guarde bem o que vou dizer. Não, eu não te trai com ninguém e não irei trair você nunca. Eu sou sua de coração, corpo e alma. Pertenço a você e somente a você. Como você pertence a mim. Certo?
— Certo — Sorri enquanto que uma lágrima escorria pelo meu rosto.
— Por que diabos você está chorona, hoje?
— Não foi você que apanhou e lutou por vários dias, que ficou doente, com febre de 40 graus, tudo porque a pessoa que amava não retornava a sua ligação. Então, não me julgue por estar feliz — Respondi.
Amanda riu da minha resposta e eu acompanhei ela. Ela era linda de todas as maneiras. Se aproximou de mim e me beijou carinhosamente, colocou o seu rosto no meu ombro e senti pingos molhados na minha roupa. Olhei para ela e vi que ela estava chorando.
— Amanda.
— Humm?
— Não chore — Falei colocando o meu braço em volta dela.
— Você pode, mas eu não? — Perguntou entre as lágrimas.
— Você não sabe o quanto me dói ver você chorando — Respondi, limpei o seu rosto e beijei a sua testa.
— Eu digo o mesmo para você — Disse.
— Então, vamos fazer um trato — Falei. Amanda olhou para mim. — Sempre que uma de nós chora é porque nós nos afastamos.
— Tenho que concordar.
— Então, o trato é o seguinte: Nunca mais saí de perto de mim.
— E você de mim — disse ela.
— Trato feito, então — Beijei-a novamente e fechei os olhos. Nos outros dias, recebi visitas de várias pessoas, amigos do colégio e do Dojo. Alguns fans apareceram, o que foi uma surpresa, já que eu achava que não existiu nenhum doido a ponto de me ver como um ídolo. Repórteres apareceram também, conversei com eles normalmente, o que foi uma surpresa, pois eu odiava dar entrevistas, acho que ter Amanda ao meu lado foi o que me manteve bem.
Uma semana depois que eu pude deixar o Hospital, fui para a pousada, onde estavam todo esperando. Quando chegamos lá, fizeram uma festa de boas vindas, tinha até bolo e tudo. Amanda se misturou com a galera rapidamente, como se nunca tivesse se afastado. Brincamos, rimos e nos divertimos juntos.
Depois de dois dias se divertindo em Tóquio, voltamos para Okinawa, para a nossa cidade. Quando desembarcamos do avião, encontramos o aeroporto lotado de pessoas, bateram palmas para a gente e cumprimentaram cada um de nós, depois de 1 hora que finalmente saímos do aeroporto, cada um foi para as suas casas. Em exceção de Amanda que foi para a minha.
Chegando lá, encontrei Anne sentada em um dos bancos do pátio. Ela olhou para mim e veio me abraçar.
— Oh Deuses — Me abraçou com força e eu retribui o abraço com força.
Conversamos horas a fio, a respeito de tudo, como Amanda estava louca para vim ver as minhas lutas e não podia. Como perderam o celular e os contatos, sobre o que tiveram dificuldade de resolver quando estavam na Alemanha. Fiquei feliz por estar tudo bem.
Finalmente. Tudo acabou. As lutas, as brigas, a raiva e tristeza acabaram.
Abracei a cintura de Amanda e coloquei o meu rosto no seu pescoço. Estávamos deitadas na minha cama.
— Eu te amo — Sussurrei. Ela se virou para mim e me deu o sorriso mais lindo que uma pessoa podia receber.
— Eu também te amo.
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Beijei Amanda e olhei para as nossas mãos, dois anéis de prata e ouro em volta dos nossos dedos anulares direito. Ela beijou minha mão e eu sorri.
— Então — Olhei para a grande placa “Competição de dança em duplas” na frente do prédio. — Pronta para começar?
— Claro — Disse dando um sorriso de canto. — Vamos bater alguns recordes.
E partimos para a nossa nova Aventura.
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