A Vida
9 Caça ao Ovos (Parte II)
Notas iniciais
A Cat e a Maria chegaram ao portão onde eu já estava com o Perzys.
C- O Jace? Ele disse que vinha e nós até já chegámos atrasadas.
B- Ele, no outro dia, queixou-se que a bateria do seu walkie-talkie estava a acabar... Talvez a tenha ido trocar e atrasou-se.
M- Não podemos esperar por ele, vamos. Pelo caminho revemos o plano.
Começámos a ir até ao que chamámos de Ponto.
B- Maria, tu vais pelo caminho do Jace, eu e a Cat continuamos com os mesmos, pode ser?
M- Mas era suposto eu ir mais a Cat, para protegê-la!
B- Ela leva o Perzys.
C- Ele não ia contigo?
B- Não me importo, era só para ele esticar as asas.
M- Então eu vou pela clareira do Sul, tu pela do Noroeste e a Princesa pela do Nordeste, certo?
C- Acho que sim...
Chegámos lá, dei ordens ao Perzys e separámo-nos. Antes, olhámos umas para as outras como que a dizer "Boa sorte".
Lá fui eu, pelo meio da floresta, a prestar atenção aos pés a ver se não tropeçava nalguma pedra. Olhei para a frente, porque o mapa apontava um pinheiro enorme no meu caminho (porém, alguns tinham sido cortados, pois o mapa estava desatualizado), quando vi uma aranha preta e amarela enorme a cerca de vinte centímetros da minha cara. Virei devagarinho e dei uma volta de três metros por causa dela. Eu estava no meu modo silencioso e com a cabeça a andar às voltas de tanto olhar para a frente e para baixo ao mesmo tempo.
Avistei a clareira e, mal pus um pé a ceu aberto, desatou a chover a potes. Suspirei encharcada e tirei a minha Klingos do cinto. Abri-lhe a parte de trás e tirei de lá uma bolinha. Atirei-a ao ar e apanhei-a a seguir. Era um protótipo da Organização que me mostrava se tinha alguma coisa suspeita nos arredores. Nada. Só uma toca de coelhos. Tinha acabado de chover quando amassei o mapinha e o enfiei no bolso.
Dei meia volta para entrar outra vez na floresta. Desviei uma folha enorme de uma planta rara que me despejou litros de água fria em cima.
B- Fiz-te algum mal, mãe Natureza?
Em resposta uma mosca chocou contra mim. Continuei caminho. Estava molhada, com as solas cheias de lama, despenteada, com frio e preocupada. Precisava de sorte. Nada se ouvia além de uns pingos de água a cair das árvores e o crocitar de um corvo, outro bicho que não viu a minha prioridade na estrada. Afaguei o meu amuleto.
Nessa altura, ouvi uma voz a vir da minha direita. De acordo com o mapa estava lá uma ribanceira, eu lembrava-me desse pormenor. Aproximei-me, a voz parecia familiar. E pedia ajuda. Suspirei e comecei a descer. Cheguei lá abaixo, andei um pouco e vi o Jace... Tinha deixado o meu localizador ligado para ele nos encontrar quando chegasse.
J- Escorreguei dali abaixo e fiquei com a perna presa neste ramo!
B- Tudo bem?
J- Sim, mas cuidadinho. A Catarina?
B- Está por aí...
J- Devem ter mudado os planos quando eu... me atrasei. Para que clareira foi ela?
Naquele segundo, tive mil pensamentos. Lá me decidi... "Desculpa-me, Maria." murmurei para mim mesma.
B- Foi para a clareira do Sul.
Ele já estava de pé, então começamos a subida. Estava nervosíssima, mas consegui conceber um plano, estava era demasiado dependente da minha sorte. Ele ia à minha frente, daí ter chegado primeiro. Mal saí da ribanceira, localizei uma pedra. "Tem de ser rápido..."
Tropecei nela, e caí em cima dele, atirando-o ao chão. Nesses movimentos, tirei-lhe o relógio do pulso. Levantámo-nos sem uma palavra sequer, ele juntando o relógio e eu observando-o de perto. Ele colocou o relógio no pulso.
B- Porque não o ligas?
J- Humm... eu... esqueci-me de como se liga... sabes? É que já nem sei como trabalhar nisto com tantas opções.
B- O teu ship?
J- Devo tê-lo deixado nas outras calças.
Emprestei-lhe o meu e o relógio ligou-se, ele continuou a andar, sem pôr o código de ativação. Dei-lhe uma vista de olhos pormenorizada e vi que o seu auricular estava ligado... Ainda bem que tinha visto isso antes de fazer porcaria. Desliguei o meu localizador, tinha esquecido isso. Lá tive uma ideia.
Aproximei-me de uma daquelas plantas raras com uma mão na Klingos. "Rápido, tenho de ser rápida..." Virei a folha em cima dele, dando-lhe uma chuveirada. Desliguei-lhe o auricular com a ponta da lâmina. "Desta maneira não devem desconfiar dele se ter desligado." Empurrei-o contra uma árvore com o punhal ao pescoço.
B- Onde está o verdadeiro Jace e o Vítor?
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