A Vida
15 CODE: Perseida (Parte II)
Notas iniciais
(2° dia após o pico das Perseidas, 13:30, na sala espirrando/na floresta suando)
Estávamos os três encostados àquela árvore outra vez, depois de um almoço saboroso, mas rápido.
A Catarina tentava fazer conversa com o Jace que não lhe respondia. Olhei para ele já fartinha daquilo. Estava pasmado, sem piscar os olhos a fitar o que estava por detrás dos pés dos guardas, ou seja, a cratera (não dava para ver a Perseida dali).
Passei-lhe a mão em frente à cara. Ele despasmou e virou-se para mim.
J- O que foi?
B- Era para ver se o calor te tinha dado uma paralisia temporária dos músculos das pálpebras ou se era mesmo deficiência...
Sorriu e encostou a cabeça ao tronco. Depois suspirou.
J- Porque é que temos de estar aqui?
B- Os guardas podem precisar de ajuda, de vez em quando não confio muito nas suas capacidades.
C- Isso e não temos nada que fazer... — olhou para nós ambos a fitar os sapatos — Certo?
J- Hum... pois... acho que sim...
B- Pode esperar... se esperou por mim cerca de quinze anos...
O Perzys tinha estado embrenhado na floresta até aquele momento em que saltou e esparramou-se no chão ao meu lado. Assustámo-nos todos.
Depois começou a rastejar, parecendo farejar alguma coisa, até ficar a três metros dos guardas, que começaram todos a olhar para ele. Levantei-me.
B- Perzys...
Ele olhou para mim e continuou com aquelas figuras, cada vez mais perto. Alguns começaram a pôr as mãos às armas.
B- PERZYS! Aqui! Já!
Ele parou e fez-me cara de ofendido e preocupado. Também lhe fiz uma cara... um pouco mais assustadora. Ele levantou-se e veio até mim de cabeça baixa a grunhir qualquer coisa.
Ia para me sentar quando o vi a esticar o pescoço outra vez para a pedra.
B- Pronto! Vai ter que ser! Caverna, agora! Já que não consegues interagir como deve ser.
Fez beicinho... não resultou. Ouvi o estômago dele e ele também olhou para a barriga. Lançou-me mais um ar de ódio e foi-se devagarinho.
Ia para me sentar outra vez quando vi alguma coisa no céu. Parecia uma nave. "Oh não, já começaram as visitas!"
C- Vamos?
O Jace levantou-se e ela a seguir. Eu nem me mexi.
A Catarina começou a andar. O Jace ia pouco mais atrás e eu mais ainda. Então ele deu uma grande passada para ao pé da Cat e deu-lhe uma palmada na perna.
C- JACE! Mas que...?
J- Aranha... preta enorme...
C- AAAAHHHHH!!!
E começou aos pulos e aos gritos. Largámo-nos à gargalhada.A nave estava a preparar a aterragem e parei com o espetáculo de riso que durara mais de cinco minutos. Continuámos a andar até que a Cat vem-se com esta:
C- Não tinha piada...
Tentei conter-me, mas escapou um risinho. Ela começou a andar mais depressa amuada. Dei uma corridinha e toquei no ombro do Jace.
B- Havia mesmo uma aranha?
J- Sim... só que minúscula.
Finámo-nos outra vez. Enxuguei as lágrimas e olhei para a nave (parecia-me ser do planeta vizinho) que estava a aterrar. Então materializou-se uma caixa que continha habitantes do continente oposto. Tanta gente... Saíram ambas as cortes dos respetivos transportes quando estava para chegar mais uma nave. Lá se desviaram para os habitantes do outro planeta vizinho aterrar.
Mal pousou, saíram de lá uma jornalista e um cameraman a correr até ao pé os guardas.
— Foi aqui que se acredita ter aterrado um bocado do cometa Swift-Shuffle, ou seja, uma das Perseidas.
Os guardas começaram a ficar tensos e o Jace foi tentar impedi-los. Agarrou a mulher, mas esta deu -lhe um pontapé nas partes baixas. Ele caiu para o lado. O cameraman aproximava-se... A jornalista não se calava...
Saltei para as costas do homem que se ia desequilibrando. Tentava arrancar-lhe a câmara. Começámos ambos às voltas. A outra juntou-se ao bailarico tentando puxar-me de lá para fora. O Jace lá se aproximou e conseguiu fazer com que o homem largasse a câmara, mesmo em cima do pé dele. Desequilibrou-se em cima dele, o que levou a um efeito dominó que acabou com nós todos no chão.
O Imperador excêntrico dono daqueles estapafúrdios saiu da nave.
I — Perdoem-me... não os consigo controlar. Bem os avisei.
O cameraman tentou murmurar:
— Mas o senhor é que disse para nós...
A mulher deu-lhe uma cotovelada e ele calou-se.
Os recém-chegados eram os que falavam mais, os primeiros falavam pouco. Foram todos para o castelo instalarem-se. A Cat ia e vinha, mas nós os dois não saíamos daquela zona, não fosse alguém ter ideias.
Depois de horas de puro aborrecimento, decidi ir devolver as botas.Teletransportei-me, procurei a zona dos armários especiais, cheguei e pus o código, arrumei-as e apercebi-me de que ia ficar descalça. Andor para a gruta, tentar encontrar sapatos com a luz fundida, calçá-los, de caminho mandar o Perzy pôr o seu lanche mais longe de casa e voltar para a zona.
Aterrei mesmo em frente a um velhinho desconhecido que começou aos gritos. Tinha chegado mais gente. Tinha uma criatura de nove anos aos pulinhos para o pai.
— Quero ver! Quero ver! Quero ver a estrela!
— Os senhores não deixam...
— MAS EU QUERO!
Após mais uns minutos, chegou a Rainha.
R- Já vais poder ver, vamos levar a Perseida para a câmara especial.
Tiraram-na (e parecia mais brilhante), puseram-na numa caixa com guardas à volta e foram todos em procissão para o tal quarto dentro do palácio.
Depois de muita gente, anoiteceu completamente e apenas ficaram dois guardas. Também me fui.
Estava a tirar a roupa para o duche no preciso momento em que o meu altifalante ligado ao castelo começou a emitir sons de alarme. "Porra!" pensei eu reenfiando as calças.
B- PERZYS! Castelo, o mais rápido possível! — ele ia levantar voo — NÃO! Mas espera por miim!
Fui calçando um sapato enquanto subia-lhe para as costas. Chegámos e comecei a correr. A Catarina tinha acabado de chegar lá em pijama. Os guardas estavam ao pé da porta juntamente com mais gente a cercar alguém. Estava lá uma rapariga estrangeira mais velha do que nós a juntar um cão das escadas.
— Foi... foi ele... Ele entrou lá dentro... Desculpem...
"Com que então um cão conseguiu entrar lá dentro e enganar os guardas sozinho sem ajuda? Bendito alarme..."Pelo que ouvi, uma outra rapariga tinha começado a falar com os guardas sobre a relíquia quando o alarme soou no andar de baixo. O cão estava dentro da câmara quando um dos lasers lhe tocou no pelo e disparou o barulho. Lá apareceu a dona e a gaja conversadora desapareceu.
Redobraram a vigilância de noite, depois daquele "acidente".
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