A Viagem

4 Isto é real?


Por que isso aconteceu? Não sabia ao certo. Esta foi uma das minhas últimas lembranças antes dessa tragédia. Eu fiquei longe de casa por tanto tempo que quase perdi a esperança de voltar. Eu tinha tantas perguntas a serem respondidas. Onde estavam meus amigos? Eu tinha medo de que eles não sobrevivessem. Estávamos separados e destinados à derrota. Não havia chances de sucesso, muito menos de voltar para casa. Seria tudo isto uma ilusão? Um sonho talvez? Se for, então é o pior pesadelo que já tive. Foi longo demais para ser um simples sonho. Não havia um propósito nisto. Não fazia o menor sentido. As leis da física, que explicam algum eventos em nosso universo não seriam o suficiente para explicar como aquilo foi possível. Algum tempo depois, percebi que o lugar para o qual fui enviado parecia familiar. Na verdade, todas as dimensões nas quais meus meus amigos estavam tinham algo de familiar. Pareciam os mesmos cenários dos videogames que eu conhecia. Alguma coincidência? Eu me perguntava isso. Estaríamos, por acaso, dentro de um jogo? Então tudo faria sentido. Nada daquilo seria real. Mas e se algum de nós morresse? Voltaria ao mundo real vivo? Esperava que fosse assim. Como que ninguém sabe realmente o que aconteceu? Então me lembrei do filme Tron: O Legado. Me lembrei de como o protagonista do filme e seu pai escaparam do jogo: Um portal bem distante, ativado por alguém fora do jogo. Não pode ser. Não parece ser isso. Descartei esta teoria e pensei de novo no sonho. Também em outro filme, A Origem, era possível passar anos sonhando dentro de outro sonho, sob o efeito de sedativos. Para acordar, era necessário morrer. Não parecia uma boa opção. Zathura era outro filme que poderia explicar este evento. Mas, a casa teria de ser transportada até a outra dimensão. E tampouco havia um jogo de tabuleiro. Nem vou falar sobre Crônicas de Nárnia, pois seria necessário um armário mágico. Chega de filmes por ora. O que aconteceu, seja lá por qual motivo, teria de terminar mais cedo ou mais tarde. Se há um jeito de ir para lá, deve haver um jeito de voltar.