A Via Láctea
1 A Via Láctea
A VIA LÁCTEA
"Acho que vou ligar para ele Haroldo." Dizia Calvin ao seu tigre de pelúcia — e seu melhor amigo — Haroldo. "Será que no planeta dele tem telefone?" Pensou o tigre com o dedo no queixo, enquanto Calvin trazia um aparelho celular. "Qual será o número dele Haroldo?" "Toda vez que fico triste, acabo lembrando dele."Calvin discou todos os números do teclado, mais um asterisco e um oito deitado, pois uma ligação intergaláctica certamente devia precisar de todos os números vezes o infinito. O universo é muito grande!Calvin apontou o celular em direção a estrela que ele tinha dito que morava antes de ir embora e desejou muito forte que ele atendesse.Em muito tempo, aquela foi a primeira vez que soou a campainha do telefone naquele pequeno planetóide. O rosto do pequeno menino se iluminou. "quem será Rosa?" Perguntou segurando a redoma que protegia sua preciosa rosa. Ela, que foi o mais próximo que o pequeno príncipe loiro desse planetinha tinha experimentado do amor antes que conhecesse Calvin. Desde que partiu da terra da ultima vez, o principezinho não conseguia se concentrar nos seus afazeres. Não conseguia cuidar da Rosa sem se espetar, nem revolver os vulcões sem esquecer algum. Já estava pensando em voltar para a terra, reencontrar a pessoa responsável pela sua distração. Reencontrar ele, que insistia em aparecer nos seus sonhos toda noite. Reencontrar esse, que ele desejava que fosse a causa desse som de campainha, o Calvin."Alô!" Dizia uma voz doce do outro lado da linha. Calvin deu um pulo. "Ele atendeu Haroldo!" disse ao tigre com os olhos brilhando. "Alo, aqui é o Calvin!" " Eu sabia! Tinha de ser!" respondeu o pequeno príncipe com um largo sorriso no rosto. "É muito bom poder falar com você...eu não sei se ia agüentar mais tempo sem isso." A expressão de Calvin ia se modificando a medida que falava. "Sabe...eu tenho estado tão triste depois que você foi embora." Os olhos de Calvin brilhavam cada vez mais, enquanto marejavam em lágrimas. "Eu também fico triste às vezes, mas eu lembro das coisas boas que fiz quando estava com você e passa." O rosto do Pequeno Príncipe também ficava menos alegre."hoje a tristeza não é passageira, hoje eu fiquei com febre a tarde inteira." Enquanto Calvin falava, o principezinho ouvia tentando se manter sereno, mas não podia deixar de lembrar os muitos pores-do-sol em que também ficava triste."e quando a noite chegar, cada estrela parecerá uma lagrima." Desabafou o príncipe.Calvin entendeu que o pequeno príncipe se sentia como ele e isso o fazia gostar mais e mais do príncipe. "Queria ser como os outros e rir das desgraças alheias." Dizia, tentando parecer mais alegre. "Ou fingir estar sempre bem." "ver a leveza das coisas comuns..." Completou o Pequeno Príncipe."...Mas não me diga isso. É só hoje e isso passa." "Só me deixe aqui quieto, isso passa. Amanhã é um outro dia, não é?" Calvin limpava as lágrimas com a manga da camiseta e esboçava um quase sorriso."eu nem sei por que me sinto assim." O Pequeno Príncipe ia falando com sua voz doce cada vez mais embargada, sentado com os joelhos entre os braços." Tem de repente um anjo triste perto de mim.".Calvin notou que estava piorando a saudade no distante príncipe. "e essa febre que não passa..." tentava Mudar o rumo da conversa. "E meu sorriso sem graça..." Respondia com a inocência mais inteligente e delicada que só ele, o príncipe menino, podia terCalvin viu que não adiantava se desviar. Ele tinha ligado somente por um motivo. Ele tinha saudades do seu pequeno príncipe encantado." Não me dê atenção" Dizia sem jeito, com o rosto corado."Mas obrigado por pensar em mim!""quando tudo está perdido, sempre existe uma luz, sempre existe um caminho." O rosto do príncipe voltava aos poucos a se iluminar enquanto falava, se levantando."quando tudo está perdido, eu me sinto tão sozinho, eu não quero mais ser quem eu sou." Respondia Calvin do fundo do coração."Não me diga isso!..." Disse o príncipe com a voz suave, porém com firmeza."não me dê atenção." O aperto no peito de Calvin ia finalmente sumindo e o nó na garganta aos poucos se desfazia. Ele sentia um conforto muito grande."...E obrigado por pensar em mim!" O pequeno príncipe encantado sorria, com uma felicidade que nem ele , nem Calvin sentiam há tempos."Te amo"
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