A Viúva
1 Capítulo 1
Em uma casa antiga existe algo estranho, dentro dela vivia uma viúva rica, a mulher era muito bonita, vestia um longo vestido preto e usava um batom vermelho, no porão de sua casa havia uma funerária que era de seu falecido esposo, na mesma ela preparava corpos para o enterro, pintava-lhes as unhas, vestia-os adequadamente até mesmo retirava os fluidos corporais dos cadáveres.
Ultimamente uma onda de assassinatos vem ocorrendo na região, o assassino tem um gosto um tanto quanto peculiar, ele assassinava apenas homens de longos cabelos, poderia parecer piada no inicio, mas após a morte do barão da região a coisa começou a ficar muito seria, pior para eles melhor para ela, não? Os negócios iam aumentando cada vez mais isso a fazia ficar muito mais feliz, afinal de contas era o negocio não só do marido dela, mas também da família, algumas pessoas passam empresas, lojas ou até mesmo ações monetárias para suas crias, o pai de seu marido lhe deu essa casa funerária.
– pobre homem- ela disse enquanto limpava as unhas do morto — cortou-te os cabelos para fugir disto não? Mas parece que foi pior para ti. – quando terminou de dizer isso a campainha tocou.
Ela se levantou com delicadeza e foi-se até a porta de madeira rústica, a abriu devagar e viu quem era, um garoto na faixa de 17 anos, alto, um sorriso simpático e com um pequenino rabo de cavalo, ele segurava uma caixa.
– encomenda para a Senhora Brüggmann!- ele sorria cada vez mais.
– Coloque-a aqui, deves estar cansado não? – ela abriu a porta mais um pouco para que o jovem pudesse entrar.
Ele colocou a caixa sobre o tapete vermelho que vinha descendo desde a parte superior da grande escadaria.
– Queres algo? Chá, suco, água?- ela o encarava sorrindo.
– Um pouco de água, por favor... –ele tirou o boné e esfregou o rosto. – Estou tão cansado.
– Imagino- ela voltou com um copo de água na mão – Carregar caixas deve ser muito chato e exige muito de você. – ela entregou o copo ao menino – sente-se.
Os dois sentaram em uma cadeira e a viúva ficou o observando.
– meu marido também tomava água deste jeito. – ela sorriu.
– desculpa perguntar, mas ele...
– Meu marido? Já não pertence mais a este mundo. Foi mais uma vitima do assassino... – ela mostrou a foto do marido.
– Meus pêsames... – ele olhou a foto- ele parecia ser um homem bem serio.
– só no trabalho, ele era muito amoroso... – ela começou a chorar.
– sinto muito por ter te magoado... – ele se levantou. – eu odeio entra e sair, mas ainda tenho quatro caixas para entregar. Desculpe.
–Não! –ela limpou as lagrimas- eu que lhe fui um estorvo não? Podes ir. – a viúva sorriu e o acompanhou até a porta.
Quando o menino saiu um sorriso ainda maior se formou nos lábios da viúva, ela o observou partir dentro do caminhão e quando já longe a viúva ficou tomada por uma aura negra muito estranha e macabra, ela fechou a porta e voltou ao seu trabalho.
No outro dia mais um menino acabara de ser encontrado morto por perto do hospital onde ele trabalhava, o longo cabelo encaracolado dele estava sujo de sangue, um golpe fatal na cabeça.
– Marcos – disse um garoto ao lado do garoto da encomenda.
– Diga.
– Acho que não vamos mais ver o Rogério...
– Pois é... Quem o matou merece queimar no inferno. – ele bateu a mão no chão onde estava sentado.
– Marcos, não podemos ser como os outros? Você sabe isso me assusta, eu não quero morrer.
– Não se preocupa Bruno! Eu estou aqui! – ele se levantou o bagunçou o cabelo do outro menino – vou te proteger, você é meu irmão não? E se formos iguais aos outros iremos demonstrar medo, temos que ter coragem nessas horas.
Depois dessa pequena conversa os dois apagaram as luzes da casa e foram dormir esperando que amanhã o assassino fosse pego.
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