Notas iniciais
Ah sim! Tem referências também do livro Natal Mortal de J.D Robb (Nora Roberts)

Chovia lá fora do Hotel. Os vidros embaçados pela respiração das duas irmãs dificultava a visão lá de fora e lá de dentro. Lana mexia em seu inseparável laptop e Jhenny olhava pela janela.

Em Momentos como aquele, Jhenny se via sozinha e com o astral em baixa, ela se perguntava como foi que ela e Dean acabaram juntos.

Primeiro: o assassinato de sua mãe e a perseguição de Meg por ela. Segundo: Os dois eram almas perdidas seguindo rotas diferentes para sobreviver, porém, com um toque do destino, haviam encontrado um ao outro. Terceiro: o amor de sua irmã por Sam, irmão de Dean.

—Nossa. Sinto falta dele. É ridículo. —Zangada consigo mesma, girou-se, com a intenção de tomar banho e vestir-se. A luz do celular em cima da mesinha assinalou uma música do AC/DC. Sem duvidar sobre quem era, atendeu, depois de quase um ano, só aquela voz fazia seu "fogo" subir.

—Jhenny... Coração — Sua voz era como o forte uísque irlandês, era Dean—. Por que não está dormindo?

—Porque estou acordada.

Ela sabia o que ele via enquanto a escutava. Havia tão pouco dela que podia esconder dele. Veria as sombras de uma noite má dormida em seus olhos, a palidez de sua pele. Incômoda, encolheu-se de ombros e passou uma mão por seu cabelo loiro longo.

—Vou ir investigar um crime em Los Angeles.

Ele via mais do que ela chegava a compreender. Quando a ouviu, viu a força, a coragem, a dor. E lembrou de sua beleza -naqueles ossos afiados, a boca generosa, aqueles sérios olhos cor esverdeada — da que ele achava deliciosamente sexy. Como também viu o cansaço, trocou seus planos.

—Irei aí te ver hoje á noite.

—Pensei que necessitava mais dias para ficar aí em White River.

—Estarei aí esta noite — repetiu ele e lhe sorriu—. Sinto saudades, Gostosa.

—É?... —Embora considerasse uma tolice completa o calorzinho que sentiu ao ouvir isso, ela devolveu-lhe o sorriso—. Terei que te reservar um pouco de tempo quando chegar.

Dean soltou uma risada maliciosa.

—É por isso que me ligou?... Para me avisar que estaria de volta cedo?

—Só queria informar a minha namorada meus planos de viajem. Volte para cama Jhenny.

—Sim, talvez eu faça isso. — Apesar deles dois saberem que tal coisa não aconteceria. —Vejo você mais tarde. E... Dean?

—Sim?

—Eu também estou com saudades.

E assim desligou o telefone para evitar alguma falação de falta de respeito com as mulheres da parte de Dean Winchester... O garanhão.

—Já sei... Era o Dean. -Respondeu Lana encarando a irmã

—Como você sabe?

—Você fica com cara de idiota enquanto fala ao telefone quando é ele.

Jhenny revirou os olhos e falou:

—Tudo pronto?

Lana fez um movimento com a cabeça.

—Então vamos.

Elas não saíram exatamente de mansinho, mas tentaram não fazer ruídos. Ainda não eram nem 6:00 da manhã, mas sabiam que o departamento de polícia estava aberto.

Fecharam a porta atrás de si, Lana respirou fundo, inalando o ar frio de dezembro.

Jhenny havia deixado seu carro em frente ao quarto onde se hospedaram. A loira resmungou por não ter se lembrado de algo antes.

—Lana, pode ir até a recepção pagar a estagia? -Perguntou ela a irmã

—Não vamos ficar para você curtir o Dean?

—Eu ligo mais tarde para ele... Agora obedeça sua irmã mais velha.

Lana resmungou e entregou a mala do seu laptop para a outra, pegou o cheque da mão de Jhenny e foi até a recepção.

Jhenny guardou as malas no porta-malas e depois entrou no carro ligando o rádio na freqüência da polícia. Acima do Hotel já havia sido instalado um papai-noel gigante que repetia: ho-ho-ho Feliz Natal. Lana estava demorando muito, por isto a outra irmã teve que ficar escutando aquilo milhares e milhares de vezes.

—Tá, tá... Já ouvi! -Disse Jhenny estressada

Será que Lana estava sendo cantada pelo cara da recepção? Afinal... ele era um gato da parte dela e da parte de muitas mulheres.

Foi aí que uma mensagem de rádio chegou, ela tentou não prestar atenção. Afinal, estava atrás de outro caso.

Atenção unidades que estejam nas imediações: um código 1222 foi registrado na Sétima Avenida, número 6.843, apartamento 18-B. Ainda não há confirmação da ocorrência. Procurar o morador do apartamento 2-A. Atenção todas as unidades nas imediações da...

Jhenny atendeu antes mesmo de a emergência repetir o chamado.

—Agente Kelly Truthscot falando. —Disse Jhenny pegando uma identidade falsa do FBI — Estou a vinte minutos do local da ocorrência e respondendo chamado.

Positivo tenente Kelly Truthscot. Favor informar-nos assim que chegar ao local.

—Afirmativo. Câmbio final.

Lana chegou ao carro no mesmo minuto.

—Mudança de planos. —Disse Jhenny — Vamos seguir com outro caso.

Lana olhou assustada para a irmã e a mesma sorriu ligando o som. Sheryl Crow.

Depois de 20 minutos, estavam olhando para o prédio acinzentado. Notaram que o oitavo andar estava todo apagado. Código 1222 significava denúncia anônima relatando briga doméstica.

As duas saíram do carro , subiram com agilidade o pequeno lance de escadas e tocaram o apartamento 2-A.

Exibiram seus distintivos quando um homem atendeu pela fresta da porta.

-Algum problema por aqui? -Perguntou Jhenny

-Não sei. A polícia ligou para cá. Sou o síndico, mas não sei de nada.

-Dá pra notar. -Sussurrou Lana fazendo cara de nojo.

-O senhor poderia nos levar até o apartamento 18-B? -Perguntou Jhenny

-Para quê?

-Tudo bem. -Jhenny não queria insistir -Então pelo menos me dê dicas a respeito de quem vive lá.

-Mora só uma mulher lá. Mulher, solteira. Divorciada ou algo parecido. Discreta, está sempre na dela.

-São todas assim. -Sussurrou Lana

-Sabe o nome da moradora? -Perguntou Jhenny

-Marianna Hawley. Tem uns trinta anos. Muito bonita. Mora aqui há seis anos. Nunca deu problema. Escute, eu não vi e ouvi nada, não sei de nada.

-Certo. -Jhenny nem teve tempo de dizer algo, a porta se fechou na sua cara. -Volte para sua toca, seu rato de esgoto.

-É uma ofensa aos ratos. -Lana disse guardando o distintivo.

Chegaram ao apartamento 18-B. Sairam da frente da porta e apertaram a campainha.Não ouviram nenhum som abafado ou algo parecido. Como ninguém atendeu, Lana tentou girar a maçaneta, mas não foi preciso, a porta já estava aberta.

—É... eu não pensei nisso. -Disse Jhenny sem graça

A sala era bem arrumada e colorida. Tinha cheiro de amora e pinho. E enfeites de natal inundavam a sala. Tocava uma música de Natal monótona que dizia "Tenha um natal feliz" bilhares de vezes consecutivas. Havia uma tela plana da sala que nela rodava o filme "Titanic".

Foi quando elas sentiram o cheiro da morte recente se misturar com o da amora. Um aroma amargo vinha do quarto. Jhenny abriu a porta bem devagar. Lana tapou o nariz ao ver o sangue esparramado no chão e Jhenny verificou o closet, olhou por de trás das cortinas e se agachou. Um ornamento estava preso em seu cabelo castanho: uma arvorezinha brilhante com um pássaro dourado em um dos galhos.

O síndico do 2-A tinha razão, a mulher era muito atraente.

-Que jeito terrível de começar o dia. -Disse Jhenny

-Que jeito terrível de terminar o dia. Segundo a consistência do sangue, a morte parece ter sido ocorrida à meia-noite. Acho que foi estrangulamento, e depois assassinato.

-Não vi nenhum sinal de luta na sala. Acho que ela deixou a pessoa ou coisa entrar por pura vontade.

-Bom olho o seu! Tudo bem... Vamos pegar as fitas de segurança deste andar com o cara chato do 2-A. Vamos ver quem veio visitá-la.

Havia uma tatuagem no lado da cintura de Marianna.

-Meu verdadeiro Amor. -Leu Lana

-Acho que é temporária.

-Uma perdiz numa pereira.

-O quê? -Perguntou Jhenny franzindo a testa

-No cabelo dela... o prendedor. Primeiro dia de natal. -Disse Lana dando dicas para Jhenny tentar adivinhar ou se lembrar, mas como nada resultou ela continuou:

-É uma velha canção de natal. O nome é "Os doze dias de natal". O autor envia ao seu verdadeiro amor um presente para cada dia, começando com uma perdiz numa pereira.

-Nossa... Que idiotice. Vamos torcer para que esta seja o único amor da coisa ou pessoa que a matou.

As duas levantaram-se, Jhenny leu umas mensagens do celular de Marianna que estava em cima da mesa de centro da sala, um tal de Jer escreveu assim:

Oi amor, quero te ver,

Beijos

Eu te amo

-Hum... Jer. -Falou Jhenny alto

-Hum? -Perguntou Lana se aproximando

-Nada. -Disse Jhenny colocando o celular de volta na mesa. -Vamos?

Assim que Jhenny passou pelo rádio, desligou-o. Lana lhe lançou um olhar de reprovação.

-O que é?

-Parece que seu espírito de Natal foi embora.

-Ele nunca existiu.

Notas finais
Continuo a postar ou não? :S