A Verdade por trás desse Meu Jeito
9 Quadro branco
As tardes eram mais anestésicas
Manhãs floresciam mais dóceis
Noites, suavemente recaíam
Enterrando os ossos no quintal: fósseis
Cortinas cerradas, apenas sono
Sem sonho, pelo menos não os ruins
Um céu livre de obstáculos
Tinha todo o espaço para voar, mas ao pousar
Haviam sim, nuvens
Manipulado pela imaginação da mente ingênua
Solícito à conduta que pensava ser minha segurança
Tempo tinha tendo tempo
Ausente de mim mesmo na infância
A famosa "lâmpada da criatividade"
Quando foi que a deixei apagar?
Penso: será que soube demais fora do tempo?
Responsabilidades; males que fizeram eu me afogar
Desde o primeiro passeio no parque
Até aquela última festa de aniversário
Subversão da própria existência
O último "I" perdido: Inocência
A rotina não mudou muito, apenas evoluiu
Quando cresci, só arranjei mais problemas
Um diário cheio de páginas vazias, frias
Vazio por dentro estava eu; doce dilema
Chisme de lá, de cá... nem ligava
Só obtendo minha nota tava bom
Sem nota no bolso, sem ser notado
Quem não age pela razão, que sustente-se no seu próprio lado
Vivendo o mesmo ciclo dia após dia
Turno vicioso contra aquele que não queria se viciar
A bendita quebra do sistema
Mágoas passadas aprendi a desembrenhar
De que vale um terreno sem ter quem o capine?
De que vale um um arco sem sua flecha?
Incalculável método que zombaram dele
Quina, do seu jeitinho, a real alegria da festa
Quando ainda jazia niño
Saía a brincar alegre na rua
Depois do almoço gritavam-me na resenha
"Joca, vamos chutar pelota!"
Deixavam minha mãe maluca
Esfregando os olhos, reergo o rosto amassado
Voltei a triste realidade atual
Hoje é quarta, quinta?... Ah, tanto faz
Para dar início a um novo parágrafo, antes há de se botar o ponto final
Não tenho controle sobre as coisas que queria e hoje possuo
Mesmo assim, dominei a maneira com que lido com as tais
Afiando melhor as armas para o combate
Respirando fundo antes do longo mergulho
Abandono o fatalismo, desembarcando no cais
Tempo eu tenho, agora repenso
Fui de bom modo, orgulho de madre
Havia plantado; hoje colho desta árvore
E assim seguirá sendo
E apesar de tudo me sinto incompleto
Um bolo sem recheio, desgosto
Porém uma vez isso mudou
Cheirinho do café da manhã, saboroso
Me senti vivo novamente
Pra Minas eu fui
Não queria mais sair de lá
Ô terrinha boa pra se morar
Que saudade do pão de queijo, do cuscuz
Quebrando o cronograma; viajar
Por alguns dias, renovei meu espírito
Limpei as impurezas em Garcias, Pacau, Tabuleiro
Mais sublime que nuvens, eram suas águas
Calmaria da rua, os cochilos na rede
Coloriu-se minha vida num instante
Avivou o amor antes adormecido dentro de mim
Epifania
Tons na paleta, se transformaram audíveis
Melodia
Infelizmente em meu retorno, findou-se
Esse "despertar" que ocorreu
Porque por mais que o dia foi longo
A noite precisava aparecer; então sucedeu
No meio de tantos, fui um dos que percebi
Mas muitas vezes existem os que não percebem
Do comodismo entretanto, fugi
Pois não adianta tudo ter e não sentir-se bem
Refleti, refiz os passos, contei as semanas
Tudo voltou ao "normal"
Recuperando e digerindo tal compilado de informações
Isolado na bolha, percebi dos fatores externos: o mau
A vida é um quadro branco, sem cor nem sabor
O vazio estampado esperando ser preenchido
Não existe um jeito certo ou errado de pintar
Apenas a criatividade de poder se expressar
Felizmente... de volta ao lar.
As vezes as coisas simples, os momentos e experiências com pessoas que amamos, nos fazem lembrar quem nós realmente somos e, acho que isso é o mais importante.
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