Se chegasse até aqui, este eu lírico vos diria assim:


Me alimento do ódio, no fundo desse vagão

O qual, mesmo que eu tente, não consigo ir embora

Sua voz leve no áudio abafado

Dor silenciosa dentro daquele quarto

Aos prantos, uma nova aurora


Do centro à direita, encontro a mesa

Sem sala sem nada apenas um espaço linear

Aproveito essa refeição fria que parece que não acaba

Ao erguer o olhar, o que bloqueia minha visão é teu celular

Implicitamente, minha feição mudou


Nesse canto, te olhei, dormi e sonhei

Se o prato é raso, mais raso são seus sentimentos

Quanto mais me entrego, mais me ofendo

Sentimento voraz; amargura disfarça de paz


Não somente um aviso, mas uma sentença

A semente da verdade penetra na fenda da minha mente

Sua versão apegada num passado inexistente

Onde você era feliz com sua crenças


Fico preso em suas cordas vocais, seus timbres angelicais

Ao reproduzir no play o som de teus lábios carnais


Amanhã talvez, acabe esta minha agonia

Que por vezes já foi sua alegria

Estampada como máscara em meu rosto todos esses dias.

E se somos idênticos, tu mentes, pois não reconheço mais a tua anatomia


Nem químico, muito menos advogado

Apenas um cara qualquer jogado no meio do mato

Tentando parar de ser um otário querendo atender as expectativas de alguém que nem sequer consegue dar o próximo passo. Iludida por um cara que se chama-

Ah, deixa pra lá, você que me apresentou os fatos


Somente alguns centímetros, gritavam como quilômetros

Entre eu, ela, a escada e o amigo

Entreguei os pertences e fiquei indeciso

Mas mesmo assim pulei

Sem jeito nem medo

Assim como na água em que caiu Narciso


Figuras distorcidas: purgatório

Rostos em que o susto foi notório

Minha fratura exposta não me incomoda

O que me incomoda foi ter me apaixonado por alguém tão ignóbil


Quanto mais te enxergo, mais te vejo

Mais te noto, mais releio o teu beijo

Em minha mente, eu padeço

no teu desprezo

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.