A Verdade por trás desse Meu Jeito
16 Fratura exposta
Se chegasse até aqui, este eu lírico vos diria assim:
Me alimento do ódio, no fundo desse vagão
O qual, mesmo que eu tente, não consigo ir embora
Sua voz leve no áudio abafado
Dor silenciosa dentro daquele quarto
Aos prantos, uma nova aurora
Do centro à direita, encontro a mesa
Sem sala sem nada apenas um espaço linear
Aproveito essa refeição fria que parece que não acaba
Ao erguer o olhar, o que bloqueia minha visão é teu celular
Implicitamente, minha feição mudou
Nesse canto, te olhei, dormi e sonhei
Se o prato é raso, mais raso são seus sentimentos
Quanto mais me entrego, mais me ofendo
Sentimento voraz; amargura disfarça de paz
Não somente um aviso, mas uma sentença
A semente da verdade penetra na fenda da minha mente
Sua versão apegada num passado inexistente
Onde você era feliz com sua crenças
Fico preso em suas cordas vocais, seus timbres angelicais
Ao reproduzir no play o som de teus lábios carnais
Amanhã talvez, acabe esta minha agonia
Que por vezes já foi sua alegria
Estampada como máscara em meu rosto todos esses dias.
E se somos idênticos, tu mentes, pois não reconheço mais a tua anatomia
Nem químico, muito menos advogado
Apenas um cara qualquer jogado no meio do mato
Tentando parar de ser um otário querendo atender as expectativas de alguém que nem sequer consegue dar o próximo passo. Iludida por um cara que se chama-
Ah, deixa pra lá, você que me apresentou os fatos
Somente alguns centímetros, gritavam como quilômetros
Entre eu, ela, a escada e o amigo
Entreguei os pertences e fiquei indeciso
Mas mesmo assim pulei
Sem jeito nem medo
Assim como na água em que caiu Narciso
Figuras distorcidas: purgatório
Rostos em que o susto foi notório
Minha fratura exposta não me incomoda
O que me incomoda foi ter me apaixonado por alguém tão ignóbil
Quanto mais te enxergo, mais te vejo
Mais te noto, mais releio o teu beijo
Em minha mente, eu padeço
no teu desprezo
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