A Velocidade do Amor - Peter Maximoff
1 A Velocidade do Amor
Notas iniciais
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Mary Morelli havia chegado no Instituto Xavier há duas semanas. O começo foi tranquilo, já que é tímida em locais que nunca foi e pessoas que nunca conheceu, mas, ainda na primeira semana, ela conheceu um cara que começou a infernizar. Seu nome é Peter Maximoff, mas alguns o chamam de Mercúrio.
No começo até que eles amigaram, por assim dizer, mas quando descobriram que possuíam a mesma mutação acabaram criando uma rivalidade. Rivalidade essa que aumentava a cada dia que passava. A todo custo tentavam provar que eram melhor que o outro.
A maioria do Instituto já não aguentava mais aquela rivalidade, pois, de alguma forma, sempre sobrava para eles. Se houvesse alguma competição de quem comesse o bolo de aniversário mais rápido, com toda certeza eles competiriam. Afinal, isso aconteceu no aniversário do Charles Xavier. Todos ficaram sem comer um pedaço de bolo, até o próprio aniversariante. Esse feito só é possível graças a mutação deles, que acelera o metabolismo. Enquanto todos os xingavam, eles corriam para outra competição entre si: estourar todos os balões.
Foram só duas semanas, mas que se transformaram em um caos completo. Duas semanas e ninguém aguentava mais toda aquela rivalidade. A última competição deles foi a gota d’água para alguém fazer alguma coisa para pará-los.
Alguns minutos atrás, Peter e Mary competiram quem roubava mais carteiras do Instituto em um segundo. Todas as carteiras foram roubadas e todos do Instituto ficaram desesperados. O ganhador daquela vez foi Mary, que fez questão de esfregar na cara de seu rival.
— Lento demais. — provocou, jogando seus cabelos negros com mechas vermelhas para trás.
— Corremos na mesma velocidade! — exclamou Peter, inconformado pela derrota.
— Aceita que doi menos, platinado. — sorriu de forma debochada. — Já que eu venci, você vai devolver todas essas carteiras! — disse, entregando o seu saco cheio de carteiras.
— Você é abusada. — indignou-se, pegando o saco de jeito grosseiro.
— Olha só, que ironia.
Usando sua velocidade, Mary saiu e foi para o seu quarto comemorar a sua doce vitória em segundos. Para Peter, foram minutos. Parado, ele olhava a morena indo para o quarto em passos extremamente lentos. Nesse tempo, tentou pensar em diversas formas para se vingar. Afinal, ele era filho de Eric Magnus Lehnsherr. No fim, não conseguiu pensar em nada e voltou para a velocidade normal, com Mary sumindo de seu campo de visão.
Em poucos minutos, Peter devolveu todas as carteiras para os seus respectivos donos. Foi fácil, já que tinha as identidades de todos. Só não foi mais rápido pois teve que escutar todas as reclamações e xingamentos de todos.
“Onde vocês estavam com a cabeça para roubarem as nossas carteiras?!”, “É bom vocês não terem pegado um centavo!”, “Idiota!”, “Até quando vocês vão competir entre si?”.
Por último, havia entregado a carteira de Charles Xavier. Obviamente, ele não ficou nem um pouco contente com aquilo, mas, em comparação aos outros, sua reação foi a mais tranquila.
— Sabem muito bem que não foi nada legal fazerem isso, certo? — disse, ficando atrás de sua mesa. Ele pegou alguns papeis e colocou no lado.
Peter não disse nada, apenas abaixou sua cabeça. Já havia perdido uma competição, agora teria que escutar um sermão? Preferia ficar calado, pois sabia que assim aquela conversa acabaria mais rápido.
— Já tive muitos problemas com os alunos do Instituto, mas, às vezes, vocês dois conseguem superá-los. O pior disso tudo é que eles são adolescentes e vocês jovens adultos. Bem, ela. Mary tem 22 anos e você 28, já é um adulto.
— Foi mal?
— “Foi mal?”? — repetiu. Suas sobrancelhas se ergueram, desacreditado com aquilo. — Peter, passou da hora de vocês amadurecerem. Eu entendo que vocês tem um espírito rebelde, a alma de vocês é jovem… mas isso não é desculpa para fazer coisas de adolescente rebelde.
— Eu sei, eu tive essa conversa com a minha mãe… — disse, sentindo-se culpado pelo seu comportamento. A ficha que estava perto de fazer 30 anos não havia caído ainda, e não gostava nem um pouco dos números que viam depois.
— Sei que você faz isso para aproveitar a vida, que você gosta de cada momento. Não gosta da ideia de que daqui a um ano e meio fará 30 anos e parece que não aproveitou a sua juventude.
Peter arregalou os olhos e estremeceu. Odiava quando Charles lia a sua mente, não só odiava como tinha medo.
— Você sabe que me dá medo quando lê a minha mente, né? — disse constrangido.
— Sei, me desculpe por isso. — sorriu, tentando o tranquilizar. Suspirou fundo e voltou a falar. — Tudo bem aproveitar a vida, isso é muito bom. Só… não ultrapassa os limites como vocês dois fazem.
— Vou tentar… — abaixou a cabeça.
— Peter.
— Estou brincando. — levantou a cabeça e as mãos em rendição, sorrindo.
Charles colocou uma de suas mãos em sua cabeça e suspirou novamente. Não sabia lidar muito bem com engraçadinhos do tipo do Peter, e tinha vários como ele no Instituto. No entanto, era mais difícil com o velocista.
— Vai ter essa conversa com a Mary também? — perguntou, querendo que a morena também levasse um sermão.
— Óbvio. Ela pode ter ganhado de você, mas não vai fugir de mim. — disse, tirando a mão da cabeça.
O homem voltou a olhar para Peter, agora sorrindo de um jeito travesso. O rosto de Peter murchou, percebendo que Charles estava zoando ele pela derrota. Tentando não perder a cabeça, ele passou os olhos por toda a sala do professor.
— Ah, inclusive… — lembrou-se de um detalhe. O sorriso permanecia ali, o que não era um bom sinal para o platinado. — Por roubarem as carteiras de todos, estão de castigo.
— O quê?! — exclamou, indignado. — Não era você com esse papo que eu tinha que amadurecer? Castigo é coisa pra criança! — tentou argumentar.
— E vocês agem como se fossem crianças. — retrucou. — Vocês não vão para as montanhas junto com os outros. Ficarão aqui no Instituto enquanto o resto passa o final de semana lá. — declarou.
— Vai deixar a gente sozinho? — indagou confuso, deixando escapar uma risada.
— Nunca que vou deixar um homem e uma mulher sozinhos aqui.
— Não. Pera. — fez um sinal de pare com a mão e fechou os olhos, tentando não acreditar no que tinha escutado. — Você não quis dizer que…? — abriu os olhos, esperando uma resposta negativa.
Charles, sem expressar nenhuma reação, levantou e abaixou a cabeça devagar. Peter arregalou tanto os olhos que o professor, por um momento, pensou que saltariam do rosto do platinado.
— Ah! Eca! Não brinca assim comigo! — berrou, fazendo uma careta. Charles revirou os olhos com a cena.
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Passaram-se dois dias depois do ocorrido com as carteiras. Mary também conversou com o professor e também ficou indignada com o castigo. Ambos os corredores estavam ansiosos para irem para as montanhas e ficaram bem irritados com a decisão de Charles. Poderia ser qualquer coisa, menos tirar o nome deles da lista do acampamento.
Exceto eles e Charles, que ficaria de olho neles para não aprontarem mais alguma, todos iriam para as montanhas amanhã de manhã, por isso, todos estavam mais agitados que o habitual. Em todo lugar que você iria, havia vários alunos correndo de um lado para o outro. As conversas estavam mais altas, o que incomodava os mutantes que tinham a audição mais sensível. Hank e Raven tentavam controlar a situação, mas não podiam julgar os jovens. Na idade deles, com certeza estariam assim.
Um grupo em específico já tinha tudo preparado. Jean, Scott, Jubileu, Ororo e Kurt estavam no jardim aproveitando o tempo. O céu estava completamente azul e não havia uma nuvem sequer, o vento estava calmo, mas o suficiente para balançar levemente o cabelo. Jean estava lendo um livro encostada em uma árvore, Scott estava deitado ao lado dela, Jubileu pintando as unhas e Ororo e Kurt estavam jogando o jogo da velha.
— Ah! Eu não vejo a hora de chegar amanhã! — exclamou Jubileu, feliz e ansiosa para o acampamento.
— Falta muito? — perguntou Scott, olhando para a chinesa.
— Um dormir e um acordar. — respondeu , fazendo com que os outros rissem.
— Estou com pena do Peter e da Mary. — Kurt pronunciou-se, com o seu sotaque — Quero dizer, eles roubaram as nossas carteiras e mereciam um castigo, mas… Acho que foi demais tirar eles do acampamento. — declarou, sentindo pena dos amigos.
— É melhor para eles. — disse Jean, sem tirar os olhos do livro. — Eles vão aprender a não ultrapassar os limites e, quem sabe, se tornem amigos.
Jubileu fez um biquinho e concordou com a cabeça. Scott começou a rir.
— Nesse final de semana, ou eles vão se tornar inimigos mortais, ou outra coisa. Se é que vocês me entendem. — abriu um sorriso. Todos riram, menos Kurt.
— Eu não entendi. — disse Kurt, confuso.
— Você é muito inocente. — brincou Ororo.
O rosto de Kurt ficou um azul mais escuro que o normal, envergonhado com o comentário da garota à sua frente. Ororo marcou um círculo no canto do jogo da velha e Kurt no outro, ganhando dela.
— Mas inteligente. — confessou Ororo. Kurt não pode deixar de sorrir com o elogio.
— Obrigado. — agradeceu, evitando de olhar nos olhos da garota.
— Se eles fossem amigos, acho que eles não ficariam fazendo essas competições bobas. — murmurou Jean, mostrando que não gostava nem um pouco das atitudes dos corredores.
Scott se sentou de repente, chamando a atenção dos seus amigos. Ele abriu um sorriso travesso, olhando para os seus amigos e depois para Jean.
— Você é um gênio! — exclamou, a alegria era evidente em sua voz.
— Aposto que é um plano. — disse Jubileu, fechando o esmalte e balançando as mãos para que o esmalte em suas unhas secasse mais rápido.
— Apostou certo! — mostrou o dedo indicador para Jubileu , que sorriu vitoriosa. — E se chegássemos para Peter e Mary e sugeríssemos uma competição?
— Mais uma competição não! — exclamou Ororo, pondo suas mãos sobre o rosto.
— Não lamente antes de ouvir ele. — disse Jean, fechando o seu livro e olhando para a amiga. — Talvez a gente goste da ideia. — revelou com um pequeno sorriso.
— Leu minha mente. Não é, ruivinha? — abraçou Jean com um braço, fazendo um carinho no ombro dela. — Ouçam bem. E se sugeríssemos que eles ficassem juntos durante esse final de semana inteiro? O primeiro que não suportar mais a presença do outro e desistir, perde! Isso pode aproximar os dois ou afastá-los ainda mais! No entanto, em ambos os casos, há a chance deles pararem de competir entre si!
— Essa ideia é boa… — revelou Kurt. — Acho que pode dar certo.
— Mas e se por acaso acabar fazendo com que eles compitam mais? — Ororo estremeceu com as próprias palavras.
— Bem… — começou Jubileu. — Normalmente, quando duas pessoas não suportam a presença uma da outra, elas ficam bem longe. Não conversam, ignoram…
— É… Tem um ponto. — Ororo balançou a cabeça.
Naquela tarde, o grupo planejou tudo com muito cuidado para que o plano funcionasse. Os velocistas não poderiam nem sonhar que aquela competição era uma fachada só para eles darem um sossego para todos da Instituição. O plano seria colocado em prática no dia seguinte, antes de todos irem para as montanhas.
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Mary acordou desejando não ter acordado. Era o tão ansiado dia do acampamento e ela não poderia ir. Para a sua alegria, Peter estava no mesmo barco que ela. Imaginava como tinha sido a reação do platinado quando recebeu o castigo, o que dava uma certa vontade de rir. Não falava com ele desde o ocorrido com as carteiras e preferia que continuasse assim, não queria ter que lidar com o incômodo na barriga ao falar com ele.
Se sentou na cama e abriu os olhos lentamente, se espreguiçando. Cuidou de sua higiene e vestiu sua roupa habitual de rockeira, não deixando de lado a sua amada jaqueta de couro preto com chamas. Olhou pela janela de seu quarto e viu todos do Instituto do lado de fora, prestes a irem embora.
Mary estalou os dedos e correu rapidamente para o lado de fora. Quando pôs os pés no lado de fora, se esbarrou com alguém.
— Ei! — gritou, quase caindo no chão.
— Opa! Espera, você acordou tarde também? — disse com a voz sonolenta.
Mary se virou e viu Peter, que brincava com uma bola de beisebol parada no ar. A morena bufou irritada, já sentindo o incômodo na barriga.
— É. — respondeu seca.
- Hum… Está de mal humor? — brincou Peter, colocando a bola de beisebol em seu próprio nariz, fingindo ser um nariz de palhaço.
— Não me enche. — disse, saindo de perto dele e voltando para a velocidade normal.
Peter continuou usando sua super velocidade, olhando Mary caminhar lentamente. Passava a bola de uma mão para a outra, tentando controlar um certo nervosismo que consumiu ele de repente. Balançou a cabeça em um movimento extremamente rápido, como se a ação fosse atirar para longe aquela sensação.
Correu e parou ao lado do professor, que olhava os alunos entrando no ônibus. Scott, Jean, Jubileu, Kurt e Ororo eram um dos últimos. Quando viram que Peter e Mary haviam chegado, eles se aproximaram.
— É uma pena que vocês não vão poder ir… — começou Scott, olhando para um de seus pés. Para não parecer que estava aprontando, levantou o olhar.
— Pois é, a culpa é do Peter que deu ideia de roubar as carteiras. — reclamou Mary, batendo os pés freneticamente.
— Se você concordou é porque tinha gostado da ideia. — sorriu olhando para a morena.
— Bem… O lado positivo dessa história é que eu ganhei. — devolveu o sorriso. Peter fechou a cara no mesmo instante e desviou o olhar.
Scott olhou para os seus amigos, levantando as sobrancelhas. Era a vez de Kurt.
— Nossa… Vocês… Er… Não gostam um do outro, né? — disse nervoso, olhando para todos ao mesmo tempo.
Jubileu bateu sua mão na testa. Em sua cabeça, Peter e Mary perceberam que eles estavam aprontando alguma. Jean colocou uma mão em seu ombro e falou na mente da asiática.
“Não se preocupe, eles estão um pouco avoados para perceberem algo”.
Ororo continuou com a conversa, olhando para Kurt.
— Talvez eles se gostam e não querem admitir. — disse sorrindo.
Peter e Mary olharam um para o outro e fizeram uma expressão de nojo.
— Eu duvido que vocês aguentam ficar próximos sem reclamar. — disse Jean, olhando para Peter e Mary, que contorceram os rostos, indignados com o que ouviram.
— Dúvida? É óbvio que eles não conseguem! — disse Jubileu.
Ali estava a chave que faria Peter e Mary fazerem exatamente o que eles planejavam. Eles eram orgulhosos demais para fugir de uma aposta, uma competição. Apenas a palavra “duvido” faria com que eles fizessem o que eles diriam.
— Ei! Conseguimos sim! — Peter e Mary disseram ao mesmo tempo. Eles se entreolharam assustados. Mary sentiu suas bochechas queimarem levemente e abaixou a cabeça.
O grupo teve dificuldade para não rir com a cena. Como poderia duas pessoas serem tão diferentes e ao mesmo tempo tão parecidas? Com sorte, eles conseguiram se controlar e continuar com o plano.
— Então nos prove! — disse Scott. — Durante esses dois dias, vocês vão ficar colados como se fossem melhores amigos! Se um de vocês desistir no meio do caminho a gente ganha, e a pessoa que não desistiu também. — acrescentou. — O professor Xavier vai ser a testemunha.
— Vocês tinham que me colocar nessa situação, não é? — cruzou os braços e arqueando as sobrancelhas.
O grupo olhou para ele como se fossem filhotes de cachorrinhos, o que fez Charles se render. Ele suspirou, derrotado, e concordou com a ideia.
— E aí? Vocês, corredores, vão aguentar a companhia um do outro? — perguntou Scott, já sabendo a resposta.
— É claro que sim. — disse Peter. — Eu tenho duas irmãs que conseguem ser mais insuportáveis que a emo aqui. — apontou para Mary sem olhar para ela, que estreitou os olhos.
— Tá se achando demais pra alguém que perdeu a última aposta. — disse Mary, que se sentiu minimamente ofendida ao ser chamada de insuportável.
— Eu já ganhei outras apostas, perdedora. — lembrou.
— Mas nenhuma que envolvesse uma mulher. — mencionou, com um sorriso debochado se formando em seu rosto. — Admite, Peter Maximoff, você tem medo de mulheres e sabe que vai perder. — se aproximou com os braços cruzados.
— Primeiro, eu vou ganhar. — se aproximou. — Segundo, eu converso com você de boa e não tenho medo de você. Isso prova que está errada. — sorriu.
O grupo olhava a discussão dos dois velocistas como se fosse uma novela mexicana. De fato, a interação dos dois era bem interessante, quando não envolvia os outros.
— Mas isso é porque você não gosta de mim.
— Ninguém gosta de você! — exclamou, ficando um pouco irritado com a garota.
Mary ficou surpresa com a fala do platinado, não escondendo também a sua indignação. Jubileu entrou na conversa, tentando amenizar a situação.
— Isso é mentira. — disse, mas foi completamente ignorada.
— E ninguém gosta de você! — exclamou Mary do mesmo tom.
— Isso também é mentira. — disse Kurt, tentando ajudar também.
— Cala a boca! — disseram Peter e Mary ao mesmo tempo.
— Foi mal… — se encolheu. Ororo colocou uma mão em seu ombro, tentando o consolar, mas fez com que ele ficasse mais encolhido.
Charles, querendo que aquela discussão terminasse logo, interrompeu todos e mandou o restante entrar no ônibus. Peter e Mary se despediram dos amigos, mas não olharam para a cara do outro, pois sabiam que iniciaria outra briga ali mesmo.
Depois que todos se acomodaram no ônibus, abriram as janelas e todos se despediram uma última vez para os três que ficariam para trás. Hank, que dirigia o ônibus, apertou a buzina duas vezes.
— Muito bem pessoal, agora fiquem todos sentados! A viagem vai ser longa! — Hank exclamou para os alunos, que se acomodaram no mesmo instante.
— Acha que Charles vai aguentar ficar com aqueles dois? — disse Raven, se sentando ao lado dele.
— Queria estar no lugar dele? — brincou.
— Não. — riu. — Só espero que eles peguem leve com ele.
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— Vamos comer hambúrguer! — exclamou Peter.
— Não! vamos comer pizza! — exclamou Mary no mesmo tom.
Quando começou a se aproximar a hora do almoço, o professor Xavier sugeriu para os dois corredores para comer o que ele chamava de “besteira”. A intenção era que, com uma comida que eles gostassem, eles acabassem ficando à vontade com a presença um do outro. Charles tinha lido em algumas revistas o quanto a comida aproximava as pessoas e pensou em testar isso com Peter e Mary.
Infelizmente, o tiro tinha saído pela culatra.
Eles estavam naquele momento na cozinha, quando Charles chegou e deu a ideia. Peter queria comer hambúrguer, enquanto Mary queria comer pizza, influenciada pelos costumes de sua descendência italiana. Os dois estavam a mais de 10 minutos discutindo e Charles estava prestes a explodir de tanto estresse. Para pôr fim naquela discussão, ele bateu na mesa com tamanha força que assustou os dois velocistas.
— Não é possível que até com comida vocês discutam… — disse Charles, tentando controlar a raiva.
- Olha aqui, a culpa é dela de não querer hambúrguer. — Peter apontou para Mary.
— O quê?! — exclamou.
— É verdade! Você tá sempre comendo pizza que eu sei, você fede a orégano. — a olhou de cima para baixo.
Mary fez um perfeito “O” com a boca, desacreditada com o que ouviu. A reação da garota fez arrancar um sorriso de lado do platinado.
— Eu não como pizza toda hora e eu não fedo a orégano! … — um pequeno sentimento de insegurança atingiu Mary e olhou para o professor. — Eu fedo? — perguntou na esperança que ele dissesse “não”.
— Sim, fede. — disse sem rodeio, enquanto passava as mão na cabeça.
— Eu disse. — Peter disse pausadamente e deu um pequeno peteleco no nariz de Mary.
— Mas você comeu hamburguer ontem mesmo! — bateu na mão de Peter.
— Ei! Como sabe disso? — perguntou curioso.
— Eu passei em frente ao seu quarto ontem e tava fedendo a hamburger! — respondeu, ainda com uma certa raiva em sua voz.
— Não é verdade. — cruzou os braços.
— É verdade sim. — disse Xavier, que pegou uma maçã em um dos balcões.
— Você não tá ajudando muito. — disse Peter.
— Não, vocês não estão se ajudando. — retrucou o professor.
Após dizer essa frase, que ficou martelando na cabeça dos corredores por um tempo, ele saiu. Mas, antes que saísse, ele alertou que o almoço seria comida chinesa, já que eles não haviam decidido nada. Mary ficou extremamente descontente, não gostava nem um pouco. Peter, por sua vez, não achou ruim, apesar de que ficaria muito mais feliz com um hambúrguer.
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Peter e Mary estavam novamente na cozinha, agora com comida em mãos. O professor havia pedido yakisoba e a entrega foi rápida, apesar de ter sido bem demorado para os mutantes corredores. Ele não fez questão de ficar com os alunos, não que não gostasse deles, mas eles brigavam tanto que sugava toda a sua energia. Decidiu que almoçaria sozinho, eles não aprontariam nada. No máximo só destruiriam a cozinha.
Peter estava se deliciando com a comida, nem parecia que estava quase fazendo um barraco a poucas horas. Infelizmente, Mary não havia comido nada e nem estava com o humor parecido com ele. Achava ofensivo ao extremo pedir macarrão sem ser no estilo italiano. Peter notou que a garota não havia comido nada e decidiu perguntar.
— Por que você não comeu nada até agora? — perguntou com a boca cheia.
— Primeiro, esse prato é ofensivo para nós italianos. Segundo, isso é um prato JAPONÊS e não CHINÊS. — aumentou o tom de voz, indignada. — Esse povo é burro?
— Você é esquisita. — disse, tombando a cabeça de lado. — Mas tem um ponto ele em relação a isso ser um prato japonês. — apontou com os hashis.
— Eu não sou esquisita. — cruzou os braços.
— É sim, e se não é eu também não sou. — Mary franziu a testa. — Ué, eu pinto o meu cabelo de cinza e uso uma jaqueta da mesma cor. Me fale duas pessoas com o mesmo estilo que eu. — desafiou.
— Hum… — pensou. — Não tem nenhuma, a não ser você.
— Viu. Agora você, — apontou para a garota. — além da personalidade “adorável”, usa uma jaqueta preta com desenho de chamas. Sabe quem usa isso? Motoqueiros! E eles são doidos!
— Tá me chamando de doida? — indagou já se estressando, ameaçando se levantar da cadeira.
— Todo esquisito é doido.
— Então você também é. — apontou.
— É, pelo jeito. — deu de ombros, voltando a comer.
Mary observou Peter comer a macarronada japonesa um pouco rápido e olhou para o seu prato. Seus costumes italianos falavam alto demais e não conseguia nem pensar em comer. “Eu me recuso a comer isso”, pensou. Peter não era tão íntimo com Mary, mas não gostava de ver ela sem comer. Incomodado com isso, decidiu dar um pequeno empurrão.
— Não vai experimentar? Não é ruim.
— Isso vai contra os meus princípios. — disse, ainda olhando para a comida.
— Ninguém vai saber.
— Você vai falar. — olhou para ele.
— Olha… Normalmente eu falaria sim. — sorriu, Mary fechou a cara. — Mas desta vez não.
— Por que? — perguntou desconfiada.
— Eu não sei. — respondeu sincero.
— Hum... — murmurou.
Mary pegou os hashis e ficou cutucando a comida. Peter olhava para ela, esperando que ela comesse. Como nunca havia comido comida asiática, não sabia como manusear um hashi. Com muita dificuldade, ele conseguiu pegar um pouco de macarrão e levou à boca, com o rosto contorcido, esperando um sabor ruim.
— Gostou? — perguntou Peter.
— Hum… Não é ruim. — respondeu com a boca cheia. Seu rosto agora estava suavizado.
— Você gostou. Eu sabia que iria gostar. — sorriu de orelha a orelha, Mary sentiu aquele desconforto na barriga novamente, agora mais forte, vendo o sorriso.
— Lá vai você se exibir. — desviou o olhar, tentando disfarçar o desconforto.
Charles estava na sua sala. Já havia acabado de comer e tinha pegado um livro para ler. Durante todo o tempo que estava afastado, ele leu a mente dos dois velocistas para saber se aprontariam alguma ou não. Felizmente, não aconteceu nada até aquele ponto e parecia que eles estavam se dando bem. Decidiu que ficaria afastado por um tempo indeterminado, com receio de que atrapalhasse a relação dos dois que nunca esteve tão melhor como naquele momento.
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Depois de almoçarem, os velocistas foram para fora do Instituto e sentaram na grama. Ambos encostaram as costas em uma árvore e ficaram olhando a vista por alguns minutos. Peter, que estava extremamente entediado, resolveu falar.
— O que quer fazer? — perguntou.
— Bem… — começou Mary. — Eu gostaria de ficar sozinha no meu quarto ouvindo música, mas como eu estou no meio de uma aposta onde eu preciso ficar grudada em você, infelizmente, não vou poder fazer isso. — respondeu mal humorada.
— Você fala como se você me odiasse. — disse, com um sorriso no rosto.
Mary revirou os olhos e ficou de costas para ele. Ela não odiava ele, odiava ficar perto dele. O incomodo que sentia toda vez que ficava perto dele era esquisito demais para ela. Não havia se passado um dia e ela já não aguentava mais ficar ao lado dele.
— Você me odeia? — perguntou Peter, sua voz tinha um tom de brincadeira.
Mary respirou fundo e não respondeu. Peter, percebendo que ela estava começando a se estressar, resolveu a estressar ainda mais. Não entendia muito bem, mas ele adorava ver ela estressada. Ela ficava com tanta raiva, que ficava vermelha, e isso era algo muito engraçado, e até fofo, para Peter.
— O que mais você odeia em mim?
— A sua insistência. — respondeu por fim, virando-se para ele.
— Nossa… Só isso? Eu pensava que você odiasse mais coisas em mim…
— Sabe o que eu odeio em você?! — exclamou, já irritada. — É o fato de você sempre ficar me enchendo o saco, nunca levar nada a sério e sempre levar tudo na brincadeira!
— Uou! A gatinha está irritada! — riu.
— Não me chame de gatinha!
— Hum… Devido a sua reação, acho que vou continuar chamando você de… gatinha. — sorriu mais ainda.
O coração de Mary parecia que tinha errado uma batida e o desconforto na barriga só aumentou ao ouvir aquelas palavras. Aquilo era demais para ela e já estava cogitando em desistir da aposta, só para ter um pouco de paz.
— Grrr! Palhaço! — virou o rosto, que a essa altura já estava completamente vermelho.
— Não quer ficar perto de mim? É só desistir da aposta!
— Nunca! Eu não vou perder! — se virou para ele, o orgulho falando por si.
— E nem eu! Então se quiser vencer, vai ter que ficar perto de mim e aguentar todas as coisas que eu falar!
— Você é tão irritante, Maximoff!
— Só para você. — piscou para ela.
Mary corou mais ainda e virou o rosto rapidamente.
“Por que ele me deixa desse jeito? Será que eu o odeio tanto que me faz sentir essas coisas?”, pensou.
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Após algumas horas, eles estavam de volta na cozinha procurando algo para comer. Mary já tinha algo. Ela tinha guardado um pedaço de bolo de chocolate na geladeira e estava ansiosa para comê-lo. No momento em que abriu a geladeira, ela sentiu um vento em seu lado e o bolo que deveria estar ali havia sumido, restando apenas um bilhete com o seu nome.
Mary se virou lentamente em direção a Peter, que fingia estar distraído com algo em cima do balcão. Mary notou que havia uma sujeira de chocolate no canto da boca do platinado.
— Peter… Você comeu o meu bolo?! — perguntou com o tom de voz elevado.
— Eu? — apontou para si mesmo. — Claro que não!
— Comeu sim! Sua boca está suja! — o acusou, apontando para ele.
— Então por que perguntou se já sabia? — cruzou os braços.
— Desgraçado! Era o meu bolo, seu imundo! — o xingou, começando a ficar vermelha.
— Não é mais. — disse com um sorriso no rosto ao notar a vermelhidão no rosto da garota.
— Grrr! Você vai me pagar! — gritou.
— Acha que esses seis chiliques vão me assustar? Não me assustam. — ele disse, colocando as mãos no bolso. — Repito: não me as-sus-tam! — disse pausadamente. — Gatinha. — piscou.
Maru estava vermelha de raiva. Seus pensamentos eram bagunçados e rápidos, procurando algo para atacá-lo. Não podia deixar ser humilhada por ele, justo por ele. Seus olhos eram inquietos naquele momento, o que era divertido para Peter. De repente, a expressão de Mary suavizou e um largo sorriso maldoso surgiu. O rosto de Peter murchou, sabendo que algo de bom não viria. Sentiu um frio na espinha ao ver aquele sorriso.
— O que vai fazer? — perguntou Peter.
— Ora… Nada. — mentiu, enrolando uma mecha de cabelo nos dedos.
— Você tá mentindo. — disse.
— Nossa… que esperto. — revirou os olhos.
Mary começou a se afastar, indo para a saída. Peter sentiu um pequeno desespero e começou a se arrepender de ter comido o bolo.
— Ei! O que você vai fazer?! — correu para se aproximar dela.
No entanto, Mary não respondeu e usou a sua super velocidade para correr mais rápido. Peter começou a correr no mesmo ritmo, mas em dado momento acabou a perdendo de vista. Ele parou em um corredor e pôs as mãos na cabeça, desesperado.
“O que essa garota vai aprontar? Cara, eu tô ferrado!”, pensou.
Um barulho de porta se abrindo chama a atenção de Peter, que se vira em direção ao barulho. Era Charles Xavier, saindo de seu escritório. Ele olhou para o platinado e deu um suspiro pesado.
— Já pensou em olhar o seu quarto? — perguntou o professor.
Peter arregalou os olhos e vários pensamentos surgiram ao mesmo tempo. “Por que ela foi no meu quarto?”, “O que ela vai fazer?”, “Ela vai quebrar alguma coisa?”, “Maldito bolo”, “Será que eu deixei alguma coisa à vista?”.
— Ai cara… Obrigado, professor. — agradeceu, correndo rapidamente até o seu quarto.
Em questão de segundos Peter sumiu do campo de visão de Charles. Ele pôs a mão na cabeça e começou a coçar.
“Meu Deus, eu só quero um pouco de paz.”
Quando Peter finalmente chegou no seu quarto, notou que Mary não estava mais ali. Ele olhou para todos os cantos, mas nada estava fora do lugar. Foi então que ele se aproximou da cama e se abaixou, levantando o lençol que escondia o que havia embaixo da cama. Notou que as caixas de Twinkies que ele tinha roubado haviam sumido. Peter fechou as mãos, irritado.
“Aquela emozinha…”
Mary estava em seu quarto, comendo o último Twinkie de uma das quatro caixas que havia roubado de Peter. Seu sorriso ia de orelha a orelha, se sentindo vitoriosa. Ela sabia que Peter era viciado naquele tipo de bolo. De repente, alguém bateu em sua porta e a abriu. Peter apareceu e viu Mary deitada em sua cama comendo um de seus Twinkies. Ele fechou a cara e apontou para ela.
— Você vai ver.
— Você não me dá medo. — disse pausadamente, no mesmo tom em que Peter havia dito há alguns minutos atrás. Ele cerrou os olhos e saiu em passos pesados.
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Já estava anoitecendo, Peter e Mary ficaram o restante da tarde na biblioteca. Era um dos cômodos mais grandes da Instituição. As estantes iam até o teto, e por isso tinha dois andares para poder alcançá-los, mas mesmo assim havia várias escadas deslizantes. No meio da biblioteca ficava várias mesas e cadeiras. Obviamente, como toda a biblioteca, no meio do teto havia um lustre.
Mary estava lendo um livro, que fez questão de não deixar que Peter lesse o título, enquanto Peter lia alguns quadrinhos de super-herois. Ambos estavam sentados na mesma mesa, mas um em cada canto dela.
O silêncio reinava em todo lugar da Instituição, mas na biblioteca conseguia ser maior. Para Mary, aquilo era reconfortante. Apesar de gostar da agitação, amava os momentos de quietude. Entretanto, Peter não gostava disso. Em alguns momentos, ele suspirava de insatisfação e toda vez que fazia isso Mary sorria. Os quadrinhos já não estavam entretendo ele, aquilo estava sendo um castigo.
Suspirou novamente e olhou para Mary, que tinha acabado de sorrir. Quando olhou para ela sorrindo, parecia que o mundo havia ficado um pouco mais devagar, mesmo não utilizando o seu poder. Era esquisto, aquela garota, de pouco a pouco, fazia ele se sentir mais estranho. Para se livrar dos pensamentos confusos, decidiu perguntar que livro Mary estava lendo. Não só para se livrar daqueles pensamentos, mas também para matar a curiosidade, já que ela não deixou ele ver o título.
— Que livro você está lendo? — perguntou, olhando para ela.
— Não é da sua conta. — respondeu seca, continuando a ler.
— Você é muito grossa. — colocou a mão no peito, fazendo um drama.
— Por que quer saber o que eu estou lendo? — perguntou, finalmente olhando para ele.
— Hum… Não é da sua conta. — respondeu, utilizando as mesmas palavras que Mary disse.
Mary respirou fundo, voltando a ler. Ela definitivamente não o entendia, há poucas horas atrás ele estava irritadíssimo por ela ter roubado os Twinkies dele e agora ele estava agindo como se nada tivesse acontecido.
Quando Peter percebeu que tinha conseguido a irritar novamente, um sorriso surgiu em seu rosto.
— É que eu tô curioso, sabe. Você não deixou eu ver nem o título do livro… É coisa errada, né? Violência? Se bem que não é nada demais até… Espera… Você não…?
— Eu o quê? … — Mary analisou a reação de Peter e notou que ele havia ficado um pouco corado. Seus olhos se arregalaram, entendendo o que ele estava querendo dizer. — Espera, eu não leio esse tipo de coisa! — exclamou na defensiva, constrangida.
— Pois está parecendo, com esse suspense todo!
— Eu só não quero que você saiba o que eu estou lendo! — disse, olhando para o livro.
— Eu não consigo pensar em nada mais pesado que duas coisas e não são elas! Você vai me matar de curiosidade! — exclamou, colocando as mãos no rosto e se jogando um pouco para trás.
— Então vão ser três coelhos numa cajadada só. Você não vai saber o que eu tô lendo e você vai sumir da minha vida. E aí, eu vou ganhar a aposta! — abriu um sorriso, debochando de Peter.
— Ah… Você consegue ser irritante às vezes. — disse, olhando para ela.
— Mais que você? — perguntou com um sorriso debochado, arqueando uma de suas sobrancelhas.
Peter não respondeu, estava focado nos olhos da garota. Eram cheios de mistério, um pouco de perigo e encantadores. Ele queria desviar o olhar, focar em outra coisa, mas aqueles olhos o puxavam como um imã. Ele não conseguia tirar os olhos deles nem por um segundo.
Mary notou que Peter não parava de olhá-la, então retribuiu o olhar. Mas aquela sensação que ele causava nela voltou e sentiu um leve tremor por todo o corpo. Ele a olhava diferente, ela sabia, mas não sabia o que ele estava sentindo com isso. Tentando decifrar, ele continuou a olhar para os olhos do platinado. E ela só percebeu o quão profundos eles eram. Eram profundos, inquietantes e estranhamente doces.
Eles continuaram a se encararem, sem saber quanto tempo havia se passado, quando de repente Mary fechou os olhos com força e se encolheu. A conexão havia sido cortada e com ela trouxe a Peter a realidade. Ele piscou algumas vezes e notou que a garota à sua frente estava sentindo dor.
Ele se levantou e em um segundo estava ao lado dela.
— Ei, o que está acontecendo com você? — perguntou, era notável a preocupação em sua voz.
— …Cólica… — respondeu baixo, sentindo muita dor.
Sua menstruação já havia chegado há algumas horas antes. Normalmente, Mary não é de sentir muita cólica, mas quando tinha era bem forte.
Peter a pegou no colo e usou a sua velocidade para levá-la até ao seu quarto. Em um segundo, ele passou pelos corredores, subiu as escadas e chegou no quarto de Mary. Ele abriu a porta e entrou, a colocando na cama. Ela se encolheu mais, ficando em posição fetal. Peter saiu do quarto e voltou rapidamente com uma caixa de chocolates e uma bolsa térmica de compressa com água quente.
Ele colocou a caixa na mesa ao lado da cama e entregou a bolsa para Mary, que pegou no mesmo instante e pôs abaixo da barriga.
- Você… entende muito de mulher… para alguém que nunca beijou uma. — disse com um pequeno sorriso, mas a sua expressão ainda era de dor.
Peter revirou os olhos e sorriu, decidido que aquele não era um bom momento para brigar, e sentou-se na cama.
— Eu tenho uma irmã adolecente e uma mãe em casa. Se eu não entender as necessidades delas eu sou um idiota. — explicou.
— É… Você tem razão… Apesar de ainda ser um idiota. — riu.
— Não tire sarro de mim, estou te ajudando. — disse, fazendo uma expressão de raiva, mas não aguentou e sorriu.
— Espera… Você não tinha duas irmãs? — perguntou.
— Tenho. A mais velha saiu de casa já tem uns nove anos e a mais nova continua lá.
Mary pegou um chocolate da caixa e começou a comer. Peter a olhava em silêncio, estranhamente incomodado por ela estar sentindo dor. Olhou ao redor do quarto, procurando algo para poder usar para poder conversar. No lado da cama, havia vários posters de bandas coladas na parede. Black Sabbath, KISS, Bon Jovi, Guns N’ Roses, Metallica, AC/DC e, o que mais chamou a atenção dele, Buffalo Springfield.
— Você também gosta de Buffalo Springfield? — perguntou, em um tom animado.
— Você gosta? — perguntou surpresa.
— Claro!
— Você não parece gostar desse estilo…
— E nem você.
Mary não respondeu, apenas sorriu. Nunca admitiria em voz alta, mas Mary gostou de ter algo em comum com Peter. E ele também pensava o mesmo. O que mais eles tinham em comum e nem sabiam?
— Peter… — o platinado se virou e olhou para ela. — Obrigada.
— Não me agradeça ainda, eu ainda não me vinguei de você ter roubado os meus Twinkies, gatinha. — disse com um pequeno sorriso em seu rosto.
Aquele cuidado todo que Peter estava tendo com ela, fazia com que Mary ficasse pensativa. Ela não entendia o que sentia com todo aquele cuidado, não sabia o que Peter pensava com toda aquela situação. Se sentia vulnerável, mas ao mesmo tempo protegida. E aquele sorriso só fazia piorar a confusão de Mary.
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— Vamos assistir algum filme. — sugeriu Peter.
— Depende. — disse Mary.
Os dois estavam na sala da Instituição. Depois de um tempo conversando no quarto de Mary, decidiram que era melhor ficar em outro lugar. Peter achou melhor irem para a sala e assim foram.
Como o Instituto abrigava vários alunos, a sala era maior do que o normal. O sofá, a estante e a televisão eram grandes. Algumas poltronas estavam espalhadas pela sala e o número de almofadas era grande. Na estante havia várias videocassetes na ordem de gênero, como: ação, animação, comédia, drama, fantasia, faroeste, ficção-científica, guerra, musical, romance, suspense, terror, etc.
Peter analisou cada um dos filmes, usando a sua mutação, para indicar alguns filmes para Mary. A morena quase fez a mesma coisa, mas viu que Peter estava na frente. Ela estava prestes a iniciar mais uma competição entre eles. No entanto, ela ficou parada, observando todos os movimentos do platinado. Ficou surpresa pelo trabalho que ele estava tendo para encontrar um filme para assistir com ela. Mais surpresa ainda, vendo que, os filmes, que ele escolheu, eram todos dos gêneros que ele poderia estar julgando que ela gostaria. E ela realmente gostava.
— Bem… — começou Peter, voltando a velocidade normal. — Temos “Rambo”, “Scarface”, “Mad Max”, “O Franco Atirador”, “O Poderoso Chefão”, “Rocky Balboa”, “Tubarão”...
— Que filme você quer assistir? — perguntou Mary, pressionando a bolsa um pouco mais forte contra a barriga.
— Eu? — indagou, confuso com a pergunta da morena.
— É né. — disse, olhando para baixo.
Para Mary, parecia que Peter estava fazendo mais por ela do que ela por ele. É claro que ela não estava muito bem, mas se sentia muito estranha por ele estar pensando nela até na escolha de um filme. Não que ela se importava com ele, é o que pensava.
— Hum… Eu nunca assisti Rambo. — disse Peter, olhando a capa do videocassete.
— Nunca? Está vivendo errado então. — Mary sorriu, voltando a olhar para ele. Estava desacreditada que ele não havia assistido aquele filme.
— Eu vivendo errado? — apontou para si mesmo. — Até parece. — sorriu também.
— Rambo é um dos melhores filmes de todos os tempos! — exclamou. — Eu não estou acreditando que você não assistiu esse filme!
Peter riu pelo nariz, vendo uma certa indignação vindo de Mary, mas não deixando de sorrir mesmo assim. Desejou mentalmente que aquele sorriso permanecesse por mais tempo, pois assim indicaria que ela não estaria sofrendo tanto assim com a cólica.
E também porque achava lindo.
— Muito bem, vamos assistir Rambo então! — declarou Peter.
Mary foi em direção ao sofá e se sentou. Peter guardou o resto dos filmes nos lugares corretos e colocou o videocassete do Rambo para rodar. Enquanto se ajeitavam, o professor Xavier apareceu.
— Pelo jeito vocês estão se dando muito bem. — disse, com um sorriso. Os corredores se entreolharam, mas não responderam. — Muito bem, está quase na hora da janta. Como não sei cozinhar, muito menos vocês dois… — Peter riu e Mary deu um tapa em seu ombro. Xavier revirou os olhos, continuando. — Vou pedir uma marmita para nós. Querem algo em específico?
— Não, obrigado. — disse Peter, se espreguiçando.
— Macarrão… — disse Mary, jogando a cabeça para trás.
— Certo, vou ligar para o restaurante. Já volto, quero assistir esse filme também. É muito bom. — disse, se virando.
— Viu? Até o Charles assistiu e você não! — Mary olhou para Peter, que revirou os olhos e bufou.
— Peter nunca assistiu? Está bem atrasado para alguém que é rápido. — riu.
— Vocês estão zoando com a minha cara só porque eu faço o mesmo com vocês. — Peters apontou para os dois.
— Exato. — disse Charles, saindo.
Após alguns minutos, Charles retornou e iniciaram o filme. Eles passaram a maior parte do tempo em silêncio, mas sempre surgia algum comentário de Peter, que achava o filme muito interessante. Sempre que ele falava algo, Mary ou Charles riam. Depois de quarenta minutos de filme, a campainha toca e Peter sai correndo para atender. No mesmo segundo em que ele havia saído ele tinha voltado.
A comida do restaurante era magnífica, todos estavam bastante satisfeitos com a janta. Quando terminaram de jantar, retornaram a assistir o filme. Desta vez, não houve nenhum comentário vindo de Peter. Com o fim do filme se aproximando, Mary passou a observar Peter. Ele estava concentrado no filme, por isso nenhum comentário. Totalmente deslumbrado com a história e força de vontade do personagem. Mary, sem pensar, deixou escapar um sorriso. Era a primeira vez que via ele tão focado em algo, não era como nas competições. No fim, voltou a olhar para a televisão.
Charles assistia o filme, mas a sua real atenção era em seus alunos. Na manhã daquele dia, estava sendo insuportável ficar perto deles por estarem sempre brigando. Mas naquele momento e em outros na parte da tarde, era um tanto interessante para ele. Eles estavam começando a se darem bem e Charles estava realmente feliz com isso. No fundo, ele sabia que aquilo não seria apenas uma amizade para os dois corredores.
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Peter voltou para a biblioteca para arrumar a bagunça que eles haviam deixado. Guardou o monte de gibis que havia pegado em seus respectivos lugares, ajeitou as cadeiras e, por fim, foi pegar o livro que Mary estava lendo para guardar. Entretanto, uma frase naquele livro o pegou desprevenido e o deixou travado.
“Em vão tenho lutado, mas de nada serve. Os meus sentimentos não podem ser reprimidos e permita-me dizer-lhe que a admiro e a amo ardentemente.”
Fechou o livro e não sabia o que pensar direito, mas sabia exatamente da onde era aquela frase e não precisava consultar a capa do livro para saber. Sua irmã mais velha era uma fanática pelos livros de Jane Austen e, quando morava na casa da mãe, recitava em voz alta alguns livros. Já sabia de cór várias frases dos livros da autora e aquela era a principal, pois Orgulho e Preconceito era o livro favorito da irmã.
Guardou o livro em seu devido lugar e saiu da biblioteca em passos lentos. Afinal de contas, Mary não era uma esquentadinha sem coração como ele julgava ser. Ela estava com vergonha de que ele descobrisse que ela gostava daquele tipo de livro, até porque não tinha nada a ver com ela.
Peter riu com a descoberta. Ficou pensando no que mais ele não sabia sobre ela. E com o passar da noite, a garota ficou rondando a cabeça do platinado até os raios de sol surgirem pela janela.
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A manhã de sábado havia chegado e com ela mais sentimentos confusos rondando as mentes de Peter e Mary. Era o último dia da aposta e até que estava dando tudo certo. Já não estava aquele tormento que nem nas primeiras horas do dia anterior. O que martelava na cabeça deles é: O que fariam depois daquela aposta?
Com certeza não seria que nem antes, sentiam que a relação deles estava mais “tranquila”, mas não sabiam ligar com essa mudança. Não sabiam ligar com o que estavam sentindo. Mary teve dificuldade para dormir por causa desses pensamentos, mas conseguiu dormir. Entretanto, Peter não conseguiu dormir nem por um estante.
Ele tinha uma ideia do que seriam esses sentimentos que ele estava tendo, mas não queria admitir de maneira alguma. Passou a noite toda tentando provar a si mesmo que estava enganado, procurando outras respostas. Quando amanheceu, percebeu que não importava o quanto ele se esforçasse para encontrar outra explicação. Só havia uma, mesmo que não quisesse que fosse verdade.
Depois daquela aposta ele não sabia o que faria. Como se aproximar dela sem parecer um idiota?
“O que estou pensando? Ela me odeia!”, pensou irritado. “Ela não me quer perto.”
Assim que todos terminaram de se arrumarem, Peter e Mary voltaram a ficarem juntos. Eles tomaram o café da manhã, mas não haviam dito uma palavra sequer. Mesmo não querendo, eles continuam a pensar no que aconteceria após a aposta.
Mary achava Peter insistente e extremamente irritante, mas ainda assim o achava divertido e muito cuidadoso. Depois da noite passada, ela tinha que admitir que gostava da companhia do platinado. Mas não sabia como o manter perto, sem parecer estranha. Suas amigas, Jean, Ororo e Jubileu, insistiam na ideia de que ela gostava de Peter. Se ela mostrasse que gostaria dele por perto, elas a irritariam mais do que já irritavam.
Eles decidiram passar a manhã na biblioteca novamente. Mary retornou a sua leitura, já sabendo que Peter sabia que ela estava lendo Orgulho e Preconceito. Sabia disso pois o livro não estava na mesa como havia deixado antes de ser levada pelo platinado para o seu quarto. Se perguntava o que ele pensava sobre isso. Achava que ela era aquela garota melosa que ama livros de romance? Ou achava ela idiota?
Peter, no entanto, não pensava nisso. Ele fingia estar lendo um gibi, que foi o primeiro que pegou na estante, mas não conseguia se concentrar nas palavras que estavam nas páginas. Sua mente gritava, só conseguia pensar na garota a sua frente, que ficava mais radiante quando lia.
Em alguns momentos, Mary pegava Peter a olhando de relance. Aquilo fazia com que o incômodo em sua barriga ficasse maior e ela não sabia lidar com isso. Estava ficando cada vez mais difícil de disfarçar, quando o professor Xavier apareceu na biblioteca.
— Peter, posso falar a sós com você na minha sala? — perguntou Charles.
Peter olhou para Mary, que olhou para ele. Eles não podiam se separar por causa da aposta. O professor, notando o problema, arranjou uma solução para os dois ficarem mais tranquilos.
— Vou falar para os seus amigos que vocês não se separam. Para Jean eu vou explicar um pouco a situação, já que ela é telepata. — explicou.
— É tão importante? — perguntou Peter, desconfiado.
— Nesse momento, eu acredito que sim. — respondeu.
Peter se levantou e seguiu Charles, que o levou até a sua sala. Aquela conversa levantou uma curiosidade avassaladora dentro de Mary, que tentava se controlar. Por fim, não aguentou e saiu da biblioteca de fininho.
Quando chegaram na sala, Charles foi para a sua mesa e Peter encostou a porta. Um vento passou pelo corredor e abriu um pouco a porta. Peter sentou na cadeira e se acomodou.
— Você não vai me dar outra bronca, né? — perguntou, tentando lembrar de algo que tinha feito.
— Não, você está se comportando bem, por incrível que pareça. — respondeu Charles.
— Vou ganhar uma estrelinha? — brincou.
— É uma conversa de homem para homem. — disse, ignorando a brincadeira de Peter. — Não dá pra ignorar essa confusão que está tendo na mente de vocês dois. Parece um aparelho de som…
— Ah não… — murmurou Peter, sabendo do que se tratava aquela conversa.
— Eu só peço que tenha cuidado com o que vai fazer e falar para ela. Foi muito gentil ter ajudado ela quando ela estava sentindo cólica, continue sendo assim. Só quero que você seja um pouco devagar. Mary não tem experiência nenhuma, ela pode se assustar. — disse.
— Calma, professor. — Peter o interrompeu. — Eu acho que você está se enganando… Espera, como assim ela não tem experiência nenhuma? — perguntou franzindo a testa, confuso. Charles revirou os olhos.
Mary finalmente encontrou os dois e ficou atrás da porta, tentando escutar algo. Manteve sua mente limpa, para não correr o risco de Xavier a notar ali.
— Peter, eu vou fazer uma pergunta bem direta para você… — se ajeitou, colocando as mãos na mesa. — Você ama a Mary?
Mary se afastou um pouco da porta, atordoada com o que escutou. Sentiu os batimentos cardíacos aumentarem, suas mãos começaram a suar e um sentimento esquisito surgiu em seu peito. Começou a se perguntar do por que Charles tinha feito aquela pergunta para Peter.
“Será que ele…”
Não conseguiu terminar o seu pensamento, se aproximou novamente da porta tentando ouvir a resposta Peter. Ela precisava saber a resposta.
Peter ficou abatido com a pergunta, mal conseguia respirar direito. Ele tentou se ajeitar na cadeira, tentando disfarçar o nervosismo. Xavier esperava pacientemente pela resposta.
— Não… Claro que não! — exclamou nervoso. — Eu… Eu não sei por que você acha isso… Assim, a gente se aproximou, mas foi por causa da aposta. É só isso. — deu de ombros, evitando olhar nos olhos do professor. — Eu não gosto dela.
Um sentimento de raiva tomou conta de Mary, não só isso como outros sentimentos, mas que ela não soube distinguir o que eram. Só sabia identificar um: raiva. Ela não gostou da forma que Peter respondeu, do que ouviu. Estava furiosa com ele e ficar assim fazia ela sentir mais raiva ainda.
“Por que estou com raiva?! Por que eu estou me importando com isso?!”, pensou. “Eu odeio Peter Maximoff! Odeio, odeio!”
Ela usou a sua velocidade e saiu correndo para longe. Ela ainda permaneceu dentro do Instituto, mas quis ficar o mais longe possível de Peter e Charles. Ela tinha desistido da aposta, desistido de vencer… Desistindo dele. Ela pensava que aquela aposta veio apenas para confundir e estragar a vida dela.
Charles leu acidentalmente a mente de Mary, impossível não notar uma mente agitada. Ele fechou os olhos com força, aquilo era um grande problema. Respirou fundo e resolveu contar para Peter, que estava mais nervoso por causa da reação de Charles.
— Acho que vamos ter que parar a nossa conversa aqui… Mary escutou uma parte atrás da porta. — disse, se afastando da mesa.
— O quê? O que ela escutou? — perguntou rápido.
— Que você não gosta dela. — respondeu, olhando para Peter.
— Espera! O quê?! — se levantou. — Não! Eu… Eu…
— Peter… — Charles chamou a atenção de Peter. — Tenha calma e seja sincero com ela. Não esconda seus sentimentos. Você pode negar para mim, para os seus amigos… mas não para ela. Agora vá atrás dela. — mandou.
— Certo… Eu… Eu vou atrás dela! — disse, saindo da sala com a sua super velocidade.
Peter procurou Mary por todo o Instituto e não a achava. Pedia a ajuda de Charles, que dizia onde ela estava, mas quando chegava perto ela sumia e o ciclo se repetia novamente. Ele a procurou o dia todo, não parando nem para comer. O tempo já estava ficando ruim, nuvens cinzas cobriam todo o céu e o vento estava mais gelado.
De repente, as primeiras gotas de chuva caíram sobre o rosto de Peter, que estava do lado de fora, e então começou a chover, mas nem a chuva foi capaz de pará-lo. Ele continuou a procurar Mary.
Mary, no entanto, já não aguentava mais ficar fugindo do platinado. Ela estava cansada de fugir e de sentir aquela raiva e aqueles sentimentos estranhos. Ela queria gritar, jogar tudo para fora e dizer o que sentia, mas nem isso ela sabia dizer ao certo.
Ela estava do lado de fora, não se importando em se molhar na chuva. Peter tinha voltado novamente para dentro da Instituição quando a viu parada no meio da chuva olhando para as árvores. Ele ficou ali parado, pensando se realmente era uma boa ideia ir atrás dela. Ela fugiu dele o dia todo, ela não queria falar com ele. Ele respirou fundo, juntando um pouco mais de coragem. Ele não iria desistir.
Ele foi até ela em passos lentos, temendo que ela corresse novamente. A chuva e o vento fizeram com que Peter ficasse arrepiado. Ele esperava que Mary sumisse a qualquer momento, mas ela não ameaçou tal ação em nenhum momento. Começou a se perguntar se ela havia visto ele. Ela estava de lado, ela poderia vê-lo pelo canto do olho.
Finalmente ele estava perto o suficiente para poder falar com ela, entretanto, ele ficou travado. Ele mexia os lábios, mas a voz não saia. Uma sensação de medo começou a crescer dentro de Peter. Ele ficou tão preocupado em chegar até ela que não havia pensado no que iria falar.
Antes que pensasse em algo para falar, Mary se virou para ele. Os olhos estavam marejados e sua expressão era de raiva. Aquilo fez com que Peter ficasse totalmente desmontado, sem rumo.
— O que você quer? — ela perguntou, sua voz era fria. — Eu desisti da aposta, não percebeu?
— Eu… Por quê? — perguntou Peter, ele estava perdido, sem saber ao certo o que falar.
— Por que?! — repetiu, aumentado o volume de sua voz. — Não é você que me odeia?! Eu só facilitei as coisas para você! Você não queria ganhar?!
— O quê?! Não! Eu… Sim, eu queria ganhar, mas junto com você! E… eu não te odeio! — tentou se explicar, as mãos tremiam de nervosismo.
— Corta essa! Eu ouvi a sua conversa com o professor! — exclamou Mary, não querendo acreditar em Peter.
— Não! Você entendeu errado! — balançou a cabeça e tentou se aproximar um pouco mais. — E eu pensava que era você que me odiasse!
— Antes não, mas agora sim! — disse ficando perto dele. Ela podia sentir a respiração acelerada de Peter. — Cretino! — o xingou, dando um soco no braço dele.
Peter nem sentiu dor, mesmo que o soco tenha sido forte. Ele não sabia o que fazer, Mary olhava para ele com os olhos fervendo de ódio. Aquele ódio todo era para ele e isso fazia com que ele ficasse mais perdido, sem saber o que fazer para Mary acreditar nele.
— Mary… — começou, ficando mais nervoso.
Olhando para ela, para aqueles olhos, ele sabia que tinha que falar o que sentia. Homens normalmente não falam o que sentem, por onde ele iria começar? Quanto mais olhava para aqueles olhos, mais perdido ele ficava. Ele olhava os detalhes do rosto dela, a forma dos olhos, da boca, as gotas da chuva escorrendo pelos cabelos escuros e pela pele pálida. Ele respirou fundo, tentando controlar o nervosismo.
— Eu não te odeio… Eu não queria responder o professor aquela pergunta. Eu me senti… muito exposto.
— O que… quer dizer com isso? — perguntou Mary com um tom mais baixo.
— Eu… Eu te amo, Mary. — respondeu por fim, fechando os olhos.
Mary não disse nada, ela não sabia o que dizer. Ficou chocada com a declaração do platinado. Sentia o seu rosto esquentar e as pernas tremerem um pouco. Ela estava se perguntando como quatro palavras a fizeram ficar assim. E então as coisas pioraram quando Peter continuou a falar.
— Eu não sei o que vou fazer se eu ficar sem você. — disse engolindo o seco. — Você tá quase o dia todo me ignorando e isso tá me deixando louco! Quem dirá uma semana ou um mês! — abriu os olhos, encontrando os olhos que, até pouco tempo, estavam cheios de ódio, agora confusos e inquietos. — Eu não ligo de perder a amizade de Scott, Ororo, Kurt, Jean, Jubileu… Não me importo de que percam a confiança sobre mim… Mas eu não quero te perder. Não quero que você não confie mais em mim, que não me queira mais por perto. Eu não me importo se não você não sinta o mesmo, só deixe que eu fique perto de você. — ele comprimiu os lábios, olhando para baixo, envergonhado. — Ficar perto de você me faz bem, me faz mais feliz…
Mary piscou várias vezes, desacreditada com aquela confissão. Peter estava na sua frente implorando para que ela não o ignorasse mais. Ela era importante para ele, mas ela não queria acreditar. Era absurdo.
— Isso… Isso é mentira! — exclamou, se afastando dele. — Como… Como poderia me amar? A gente tá sempre brigando por algo estupido! Eu… me estresso atoa, pareço um cara com as roupas que uso, não sou tão feminina como a Jean ou a Jubileu…
— Eu não me importo com isso… Pra ser sincero, é o seu jeito que me faz te amar. — disse, um pequeno sorriso sincero surgiu e aquilo mexeu com Mary.
— O que você tá fazendo comigo? — disse ela, com a voz baixa. — Você me deixa confusa… Toda vez que te vejo me causa um incômodo na barriga, me sinto estranha… Por que você me causa essas coisas?
— Eu tenho um palpite… — ele disse, se aproximando.
Peter pôs suas mãos nas laterais do rosto de Mary com calma, para não assustá-la. Lentamente, ele inclinou-se e puxou o rosto da garota para si, a beijando. Mary não ficou assustada, e sim surpresa. Nunca havia imaginado que esse tipo de situação aconteceria em sua vida, principalmente quando o homem que estava a beijando era Peter.
O beijo era calmo, lento, intenso... Peter a beijava lentamente para ela entender como aquilo funcionava. Mary não sabia bem o que estava sentindo, mas ela adorava. Os dois não se importam com o frio e a chuva, que até aquele momento, havia os deixado totalmente encharcados. O beijo, os sentimentos, não permitiam que sentissem frio.
Com a falta de ar, eles afastaram os lábios, ofegantes. Peter colou sua testa na garota, permanecendo com os olhos fechados. Em todos aqueles anos de vida, ele nunca tinha se sentido tão feliz e tão vivo. A felicidade era tanta que não pode deixar de escapar um pequeno sorriso.
Mary comprimiu os lábios, memorizando tudo aquilo. Ela se sentia em um sonho, daqueles em que você não quer acordar. Ela se sentia bem, tranquila… A raiva que a pouco tempo sentia não existia mais, não havia nem rastro. Ela deixou suas emoções a controlarem e abraçou Peter. Era um abraço apertado, urgente. Peter ficou surpresa, mas retribuiu o abraço com muita felicidade.
Longe dali, Charles observava tudo pela janela de seu escritório. Um sorriso se formou em seu rosto, satisfeito com aquilo. Ele sabia que a partir daquele dia as coisas melhorariam, tanto para o novo casal quanto para ele, que não precisaria mais se preocupar com apostas e confusões dos dois.
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A segunda-feira finalmente havia chegado. O céu estava limpo, sem nenhuma nuvem, e os pássaros cantavam suas canções como em qualquer dia comum. Charles, Peter e Mary esperavam no lado de fora o ônibus com os alunos retornarem.
Peter havia envolvido um de seus braços na cintura de Mary, que fingia não ligar para o toque, mas estava um turbilhão de sentimentos por dentro. Charles estava tranquilo e, então, sua expressão mudou. Parecia segurar uma risada.
— Muito bem, eles estão chegando. — avisou Charles.
— Acha que eles vão surtar quando virem a gente assim colado? — perguntou Peter para Mary, com um sorriso travesso.
— Do jeito que eles são, com certeza. — respondeu, tentando não demonstrar nenhuma emoção.
O ônibus apareceu e vários alunos estavam com a cabeça para fora da janela, acenando alegremente para o professor e os dois velocistas. Havia muito barulho feito pelos alunos, vários gritavam e alguns cantavam músicas típicas de passeio. O ônibus estacionou em um canto e abriu as portas, saindo vários adolescentes.
Alguns saíram e ficaram conversando perto da fonte, outros saíram correndo para vomitar em um mato, e o restante foram entrando para a Instituição, comprimentando Charles, Peter e Mary pelo caminho. A maioria tinha reparado na aproximação de Peter e Mary, e lançavam para eles olhares maliciosos.
— Eu acho que eles gostaram… — comentou Peter brincando.
— Cala a boca. — disse Mary, deixando escapar um pequeno sorriso.
— Seja mais delicada comigo… gatinha. — sussurrou no ouvido de Mary, que se arrepiou.
— Peter. — repreendeu Mary, envergonhada.
Scott, Jean, Kurt, Ororo e Jubileu saíram do ônibus sem notarem em nenhum momento Peter e Mary, distraídos com a viagem que tiveram. Eles estavam rindo, relembrando os dois dias, o quanto sentiam saudades, do quão foi divertido, quando eles olharam em direção a entrada do Instituto. Todos eles arregalaram os olhos no mesmo instante.
— Não acredito… — disse Ororo.
— Gente! Eles estão juntos ou é loucura da minha cabeça? — exclamou Jubileu.
— Eles estão juntos. — disse Jean. — Romanticamente. — deu ênfase, olhando para os amigos.
— Eu sabia que o plano tinha potencial. — disse Scott triunfante, pondo uma de suas mãos em volta de Jean.
— Que plano? — uma voz masculina disse atrás deles.
Todos se assustaram e olharam para trás, encontrando Peter e Mary olhando para eles desconfiados.
— Plano? Que plano? — disse Scott, disfarçando o nervosismo, pondo as mãos no bolso da calça.
“Eles não perceberam que é sobre eles, né?”, pensou Jubileu, um pouco esperançosa.
“Eles estão bem desconfiados e a gente vai cantar bonitinho.”, respondeu Jean mentalmente, com os ombros caídos.
“Ah, cara…” lamentou, já temendo o pior.
— É melhor explicarem essa história… — disse Mary, com a voz ameaçadora.
Todos ficaram calados. Então Mary se aproximou de Kurt.
— Você vai falar…- disse, apontando para o azulado.
— Não posso, vão ficar bravos com a gente. — gaguejou.
— Se não falar… eu vou contar de quem você gosta… — ameaçou, com a voz baixa para apenas ele ouvir.
— A gente fez um plano para fazer vocês pararem de ficar apostando! A aposta que a gente fez para vocês era uma farsa! — confessou.
— Como é?! — exclamou Mary, irritada.
Kurt se teleportou e apareceu atrás de Ororo. Todos estavam com uma expressão de medo, enquanto os velocistas começaram a ficar irritados.
— Ah! Ferrou! — murmurou Ororo.
— Tenham piedade! — gritou Jubileu, juntando as mãos em prece.
— Por que fizeram isso?! — perguntou Peter, irritado.
— Porque vocês ficavam atrapalhando os outros. — respondeu Jean com calma.
— Essa aposta, ou juntaria vocês ou afastariam. De qualquer forma teríamos paz. — disse Scott, com um sorriso envergonhado.
— Paz?! — Peter se aproximou de Scott com passos pesados e o segurou pelo colarinho. — Vocês tem noção do que a gente passou?! — exclamou, uma veia saltando de seu pescoço.
— Foi tão ruim assim?! — perguntou com medo.
— Vocês têm sorte de ter dado tudo certo! Porque se eu tivesse perdido ela eu mataria vocês! — soltou Scott, que arrumou a camisa amassada.
— Calma! — Scott levantou as mãos, em forma de redenção.
— Somem daqui! — apontou para o Instituto.
Os amigos se seguraram em Kurt, que teleportou para dentro do Instituto. Peter olhou para Mary e abriu um sorriso.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Eu me saí bem? — perguntou, a agarrando pela cintura.
— Nunca imaginei que veria você assim. — declarou, colocando as mãos em volta do pescoço de Peter.
— Se mexerem com você eu faço coisa pior. Você me deixa louco. — sussurrou, dando vários beijos nos lábios da morena e depois afastando o rosto.
— O sentimento é mútuo. — disse, com os olhos brilhando.
Eles se afastaram e caminharam em direção ao carro de Charles. Eles abriram a porta e entraram.
— Enfim, onde vai ser o encontro que você prometeu? — perguntou Mary, curiosa.
— É surpresa. — piscou para ela, ligando o carro.
O carro começou a se mover e eles saíram em direção a estrada. Peter ligou o som e colocou uma fita cassete para tocar. Nos primeiros acordes Mary identificou a música e olhou para Peter surpresa.
— Buffalo Springfield? Peter…
— Nada melhor que ouvir uma banda que a gente gosta no nosso primeiro encontro. — disse com um sorriso.
Mary mordeu o lábio e não pôde deixar de sorrir. Ela já tinha total certeza do que sentia pelo platinado, e era muito forte.
— É… Eu amo você. — disse com a voz baixa, os olhos vidrados na estrada.
— Você disse que me ama?! — exclamou Peter, com os olhos arregalados.
Mary não teve tempo para dizer nada, pois Peter soltou um pequeno grito de vitória e se aproximou dela, dando diversos beijos apaixonados nela.
— Peter! Carro, estrada! — disse em meio aos beijos.
— Desculpa, gatinha. — voltou a olhar para a estrada, agora com um sorriso de orelha a orelha.
— Xavier vai ficar bem irritado quando perceber que roubamos o carro dele. — comentou Mary, imaginando a reação do professor.
— Não roubamos, pegamos o carro dele emprestado. — a corrigiu, seu sorriso agora era travesso.
— Sem pedir. — acrescentou, com uma de suas sobrancelhas levantadas.
— E sim, ele vai ficar bem irritado. Mas é tudo para um bem maior. — Peter levou uma de suas mãos para o rosto de Mary e fez um carinho em sua bochecha.
No Instituto, Charles conversava com Raven e Hank sobre como havia sido a semana deles no escritório dele. Hank estava explicando o quão difícil foi controlar os alunos durante o final de semana.
— Tinha alunos que ficavam toda hora brigando, puxando os cabelos um do outro. Teve dois alunos que se perderam no meio da mata… Não me pergunte o por que… — coçou a cabeça.
— Eu imagino… — riu Charles.
— Teve guerra de comida na hora do almoço. — acrescentou Raven, irritada só de lembrar do ocorrido. — Muita comida desperdiçada atoa, mas a gente não deixou barato. — olhou para Hank, sorrindo.
— Deixamos eles sem comida até a hora da janta. — riu.
— Acho que vocês pegaram um pouco pesado. — disse rindo.
— Se pegamos ou não, eles gostaram da viagem de qualquer jeito. — assegurou Raven. — Foi bem difícil para a gente, mas acredito que foi bem mais para você. — riu em deboche.
— Na verdade, foi bem tranquilo. — disse, como se não fosse importante.
— O quê? — tossiu, desacreditada.
— Sim, eles se comportaram muito bem. Viram como eles estão próximos?
— Tá de brincadeira… — reclamou Hank, se levantando e indo para a janela.
— Se eu soubesse teria ficado aqui. — lamentou a loira.
— Bem, que tal sairmos para refrescar a cabeça? — sugeriu Xavier, em um tom animado.
— Seria legal, se o seu carro estivesse aqui. — disse Hank, olhando para a janela.
Charles e Raven se olharam e foram até a janela, olhando para onde deveria estar o carro. Charles suspirou pesado, já sabendo quem havia pegado o carro. Hank e Raven seguravam o riso, olhando a situação.
— Tem coisas que nunca mudam. — disse Charles, pensando no próximo castigo que iria dar para Peter e Mary.
- ⊗ THE END ⊗ -
『 Amor é quando você não consegue explicaro porquê de querer tanto e tão bem uma pessoa.É quando você olha para ela e não sabe os motivos,só entende que precisa dela na vida 』- Pâmela Marques
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