Notas iniciais
Mais um capitulo! Esou ficando mais rápida, agr vai ser o veredito, esse cap tá em primeira pessoa, me digam se preferem assim ou como era na parte 1. Boa leitura, espero que gostem

Aterrissamos. Onde? Não tenho ideia. Só sei que tinha acabado de acordar de uma lembrança muito querida pra mim e queria desesperadamente voltar pra ela e nunca mais acordar.

Eu tinha quase desistido de tudo. Newt ainda parecia ter esperanças em mim, já que me ajudou a descer do helicóptero e começamos a correr.

Eu estava em modo automático, não sabia o que estava acontecendo a nossa volta, e pra ser sincera como vocês nem queria.

Em algum momento as pessoas que tinham nos resgatado, ou ao menos é o que diziam, começaram a atirar e começamos a correr desesperadamente e de forma muito atrapalhada, pois o terreno era de areia. Tente correr em uma bacia enorme de areia quando pessoas que você nem conhece estão gritando com você.

Antes que entrássemos, acabei caindo e um pouco de areia entrou na minha boca. Newt foi arrastado pra dentro e não conseguiu me ajudar, ainda bem que Caçarola estava logo atrás, me levantou e praticamente me levou no colo pra dentro daquela “fortaleza”.

Lá dentro, Caçarola me ajudou a ficar de pé e eu tentei dar um jeito de tirar a areia de lugares indesejados, tipo a minha língua.

— Você tá bem?

Era Newt que vinha ao meu socorro. Eu só assenti com a cabeça e me agarrei ao seu braço para que andássemos juntos. Olhei para Caçarola dando um pequeno sorriso e agradecendo com o olhar. Ele entendeu meus gestos.

Eu não falava desde a hora em tinha dormido de exaustão de tanto chorar enquanto estávamos voando. Por enquanto, queria permanecer assim por um tempinho pra eu refletir.

Nossa paz não durou tanto. De repente já estávamos sendo arrastados para outra sala, ninguém falou conosco, ninguém se voluntariou para nos explicar nada. Já não tinha uma boa impressão dessas pessoas antes, agora estava pior ainda.

Com o ascender das luzes, fomos surpreendidos com uma mesa cheia de comida. Não era nada parecido com o que Caçarola fazia pra gente, havia pães, batatas, salada, arroz, carnes e o que mais chamou nossa atenção foi o enorme frango assado no meio de tudo.

— Eu vi o arroz primeiro! – disse Caçarola apressado

Todos correram para a mesa, estavam famintos. Pra dizer a verdade, eu estava tão anestesiada e perdida que nem sabia se estava com fome ou não. Deduzia que devia estar sim, já que minha última refeição foi... quando? Você consegue se lembrar? Acho que faz uns dois dias... mas mesmo assim minha barriga nem roncava.

Eu fiquei parada no mesmo lugar, com os braços em X, minhas mãos segurando os ombros, estava com o olhar perdido. Senti que alguém se aproximava, Newt me abraçou e levantou minha cabeça para fita-lo.

— Não está com fome?

Dei um levantar de ombros e franzi as sobrancelhas torcendo para que ele entendesse quem nem eu sabia, acho que deu certo.

— Já faz tempo que comemos a última gororoba do Caçarola. Vem cá.

Ele me levou pra um cantinho da sala, ainda perto da mesa, eu me sentei no chão. Ele trouxe um prato com alguns pedaços de carne, algumas batatas e metade de um pão, depois foi rapidamente até a mesa pegou um copo com água, pelo que vi depois que ele me deu.

— Tenta comer um pouco, tá bom?

Fiz que sim.

— Não quer sentar com a gente?

— Não, pode ir você. – eu sussurrei

Depois que Newt foi para junto dos outros, coloquei o copo ao meu lado e pra não fazer desfeita com a comida que ele me trouxe coloquei as carnes na metade do pão e comecei a comer bem devagar.

Enquanto comia, fiquei observando os outros na mesa. Eles tinham começado uma guerra de comida. Se eu estivesse no meu estado normal eu já teria batido em todos eles e feito com que comessem do chão, mas como tudo estava diferente agora, fiquei só observando.

Eles estavam se divertindo, depois de tantas perdas era bom ver que eles ainda conseguiam sorrir. Ao mesmo tempo, me senti ofendida, eu estava quase morta por dentro, perdi tantas pessoas... como eles podiam estar sorrindo enquanto eu estava destruída?

Eram sentimentos contraditórios, quero que eles fiquem bem, mas também quero que eles sintam como eu estou me sentindo, mas também não quero que ninguém sinta o mesmo porque é uma dor insuportável, e aí eu entro num loop infinito de pensamentos...já aconteceu isso com vocês?

Me lembrei dos últimos acontecimentos, da carinha do Chuck se despedindo, de Gally sendo acertado por um arpão jogado por Minho... podia ser paranoia da minha cabeça, mas tinha sentido ele suspirar, talvez fosse seu último suspiro...

Olhei de novo pra mesa e não aguentei... me levantei.

— Será que vocês não têm um pingo de sensibilidade?! – gritei – Já se esqueceram do que aconteceu?! – estava bufando — Nós somos os únicos que sobraram da clareira... como podem rir depois de tudo?! Como podem ficar se divertindo com uma guerra de comida?!?!?!

Meu ataque de fúria não durou muito, meu estômago me traiu.

Virando para o cantinho da parede deixei que o pouco que tinha comido saísse. Mesmo depois que não tinha mais nada, meu estômago insistia que queria expulsar mais coisas... só se fosse o próprio.

Senti que alguém tinha vindo até mim e acariciava minhas costas. Tossi muito, estava enojada, estava com raiva... não deles, mas de mim mesma, por ser tão egoísta... que ódio! Senti as lágrimas saindo.

— Kathy... – era Newt (que novidade)

— Me desculpa...

Meu corpo tremia, eu estava exausta, faminta e arrependida.

— Me desculpa...eu não devia ter dito isso...

— Tá tudo bem Kathy. – disse Minho

— Não! Não tá tudo bem, que droga!!! – gritei de novo e mais uma vez me arrependi, respirei fundo antes de voltar a falar – Nada está bem Min, acabamos de sair de um pesadelo e vocês já confiam nas primeiras pessoas que aparecem na nossa frente.

— Fugimos do C.R.U.E.L. Kathy, estamos mais seguros agora... – disse Teresa

— Eu não vou confiar em ninguém...eu só confio na minha família...

Com dificuldade me levantei do chão, sem me importar tirei minha blusa para limpar minha boca e fiquei só com a regata preta. Me afastei dali e fui para o fundo da sala.

— Kathy... – Caçarola tentou me parar encostando no meu braço

— Quero ficar sozinha! Por favor...

Depois do meu ataque de raiva misturado com crise de nervoso, fique quietinha no fundo da sala. Estava sentada abraçando meus joelhos, já tinha chorado bastante, acho que por hoje as lágrimas já tinham acabado seu estoque.

Já tinha me martirizado o bastante, mesmo com vergonha voltei para junto do grupo que tinham acabado de comer, fui chegando devagarinho, todos se viraram pra mim.

— Desculpa... – eu olhava para os meus pés e torcendo os dedos

— Não tem problema Kit Kat. – Caçarola me estendeu a mão

Ele me puxou para um abraço, aproveitei essa demonstração de carinho e abracei o mais forte que pude. Ele percebeu que eu precisava daquilo e me devolveu o abraço de urso.

Lembra que falei que as lágrimas do dia tinham acabado? Acho que já tinha passado da meia-noite porque mais algumas caíram...

Me afastei um pouco do abraço e funguei o nariz, Caçarola limpou minhas lágrimas.

— Vai ficar tudo bem. A gente podia ter sido um pouco mais sensível, mas o meu estômago falou mais alto.

Ele sempre me animou na clareira, não seria diferente agora.

— Imagino como esteja se sentindo Kathy, mas você ainda tem a gente... – disse Minho se aproximando e acariciando minha bochecha – Pode contar conosco.

Antes que eu pudesse responder a porta abriu. Continuei perto de Caçarola e Minho se colocou ao meu lado.

O homem que ficou no caminho da porta começou a falar.

— Vocês estão bem?

Por que as pessoas faziam essa pergunta em momentos que claramente, não, nada estava bem?

Quando nos aproximamos consegui ver melhor o rosto dele. Não me passou uma boa primeira impressão, algo com ele estava errado, definitivamente não confiaria nele.

— Peço desculpas pela confusão, tivemos um... enxame. – continuou ele

— Quem é você? – disse Thomas

— É por minha causa que estão vivos, e eu pretendo mantê-los assim. – ele disse isso olhando pra mim, não gostei daquele olhar – Agora, venham comigo, nós vamos ajeitar vocês.

Com muita relutância seguimos ele, o qual se identificou pelo nome Jason, a cada segundo eu me sentia pior perto dele, algo estava extremamente errado e minha intuição nunca falha. Muito do que ele falou eu não prestei a atenção, até Thomas, como sempre o mais curioso, se pronunciar.

— Vai levar a gente pra casa?

— Por assim dizer. Pena não ter sobrado muito de onde tenham vindo. Mas, nós temos um lugar pra vocês, um refúgio, fora do deserto. Onde o C.R.U.E.L. nunca mais vai acha-los, gostam da ideia?

— Como podemos ter certeza de que vocês são quem dizem que são? – perguntei

— Nós salvamos vocês, não foi? – disse ele

— O C.R.U.E.L. também acreditou que estava fazendo isso, então não me venha com respostas superficiais.

Ele olhou pra mim do mesmo jeito de antes, como se me conhecesse e não estava certa se ele estava feliz ou raivoso por isso.

— Digamos que o mundo lá fora está numa situação muito precária, estamos todos pendurados por um fio muito fino, o fato de crianças serem imunes àquele vírus maldito faz de vocês a maior chance de sobrevivência da humanidade. Infelizmente, isso torna vocês alvos, como sem dúvida já notaram.

— E coincidentemente vocês, os heróis da última salvação da humanidade, nos encontrou justo no momento em que saíamos da nossa prisão. – comentei pra mim mesma

— Atrás dessa porta, está o começo da nova vida de vocês. – ele abriu uma portão com seu cartão, dava para um enorme corredor branco – Mas, pra iniciar, vamos dar um jeito nesse cheiro.

Essa foi a única coisa em que concordei com ele, eu estava suja de poeira, areia, suor, sangue (que não era meu) e até um pouco do meu vômito. Mesmo assim, me desesperei em pensar ficar longe dos meninos.

Depois de muita discussão, ficou decidido que eu esperaria do lado de fora enquanto os meninos tomavam banho, assim que eles terminassem eu entraria e tomaria o meu banho.

Foi entediante? Foi. Eu estava exausta e louca pra me sentir limpa? Com certeza. Mas pelo menos assim eu saberia onde os garotos estavam e não perderia ninguém da minha vista. Bom... menos enquanto eles estavam lá dentro é claro, não iria tentar espiar.

Notas finais
Mais um capitulo! Esou ficando mais rápida, agr vai ser o veredito, esse cap tá em primeira pessoa, me digam se preferem assim ou como era na parte 1.