Com sua pilha de livros bagunçados Rogério; um garoto de cabelos desgrenhados de cor avelã apressava a arruma-los logo de baixo do braço na intenção que Gilherme — que por sua vez não havia aparecido ao portão- de tal modo que quando aparecesse pudesse dar logo o fora dali.

Rogério caminhava de um lado ao outro impaciente, provavelmente sua inspeção fora ao ralo; e ele sabia muito bem que quando chegasse á escola não seria nada fácil enfrentar uma rechonchuda e furiosa Sra. Mheire.

Parou diante da casa e consultava novamente o relógio quando Guilherme apareceu; seu rosto estava pálido e seus cabelos escorridos pingavam — provavelmente tinha saído às pressas do banho que mal enxugou-os — tinha uma expressão no rosto como pedindo desculpas. Depois de Rogério ter lhe dado um olhar de que tratariam do assunto mais tarde, os dois imediatamente sem trocarem nenhuma palavra desceram a descida da rua tortuoza em silêncio.

Ao passarem pela curva que dava acesso a rua da escola, os garotos se encontravam com os olhos transbordando em lágrimas, não porque perderam a inspeção e a Sra.Mheire faria questão de escolher o castigo pessoalmente para puni-los pois, semanas atrás eles haviam furtado o álbum de \"Criaturas Marinhas\" de Biologia do professor Luencio, mas realmente não era nada a ver com isso, mas sim ao fato de que à essa altura eles deveriam estar correndo muito rápido devido a pressa.

Ao se aproximarem mais da escola, Guilherme já cansado desacelerava os passos criando entre ele e Rogério um espaço- que á essa altura o amigo continuava a acelera-lo mais deixando assim; o amigo para trás.

Andando de má vontade e pesaroso Guilherme casualmente derá uma rápida olhada ao redor e no instante notou que havia uma van branca logo no começo de uma rua que se cruzava com aquela no fim. Atentado, Guilerme já ensaiando para dar uma olhada, checou se não havia ninguém por perto — provavelmente Rogério estaria tentando achar algum meio de entrar na escola pois as correntes ainda se penduravam ao portão- de modo que assim lhe daria alguns minutos a observar.

A van continuava estável, conforme o garoto ia a seu encontro pôde perceber que ela estava entreaberta pois havia uma pequena fresta aonde o garoto pode constata que só se enxergava escuridão ao fundo.

Com muita cautela, Guilherme continuava seguindo em sua direção, passo à passo com muito cuidado e concentração. A rua continuava vazia e silenciosa, era de deixar os cabelos em pé — e não só porque no exato momento passava uma brisa gélida que na circunstância fazia a parecer sinistra, mas porque algo no exato momento estava o alertando do perigo que estava correndo. Quando chegara a traseira do automóvel ele pôde notar que havia um cartaz em branco com os disseres em escuro:

A VAN DO SORVETE

Havia notas de sabor, foi quando foi apanhar uma particularmente em amarelo que ouviu um murmúrio baixo vindo de dentro da van.

Com o som de alerta, o coração de Guilherme disparava acelerado e o desespero começou a tomar conta de seu ser. \"Oque se podia fazer agora? Não dava para simplesmente correr! Que diabos Rogério está fazendo para não aparecer aqui agora?!

Guilherme fechou os olhos e respirou fundo e então com muita coragem espiou para mais perto da fecha escura da porta.

De repente a porta da van se abre.

***

Rogério vendo que já fizera de tudo e de todos os modos para entrar, viu que não adiantaria mais, depois de ter entrado pelos fundos aonde era a secretária, lá não havia ninguém, provavelmente era hora do almoço; só havia uma recepcionista — que de modo permanecia o tempo todo com o telefone pendurado no ouvido, e do mesmo jeito sabia que não consiguiria muita coisa dela pois não estava em horário de trabalho — o jeito era encontrar com Guilherme e lamentar juntos o sofrimento que se seguiria por vir.

Derrotado e sem forças o garoto retornara a rua transtornado, mirando a árvore notou os seus livros esparramados em sua raíz; havia os largado ai, apanhando-os e formando a pilha habitual foi que notara uma van branca pairada misteriosamente sobre o asfalto, uma brecha na porta brilhava com uma luz refletida que saia de dentro do carro.

O garoto derá alguns passos mais não avançará até o meio da rua, receoso andou mais um pouco mais parando subitamente quando algo se mexeu, ainda mantendo uma certa distância forçou um pouco a vista, horror se espalhara pela face agora muito pálida do rapaz. Havia uma cabeça escorrendo sangue no chão.

Era Guilherme.

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