Notas iniciais
Muito obrigada a quem comentou o último capítulo, fiquei boba de tão feliz ♥ Bem, vocês vão perceber por si só, mas nesse capítulo os dois ainda não estão juntos - já dá pra perceber que os capítulos não seguem uma ordem cronológica, certo? hehehe' Nos vemos lá embaixo o/

Era uma pálida manhã de dezembro. A neve caia, suave do lado de fora. A cidade estava branca pelo inverno, mas as luzes natalinas piscavam de maneira tímida pela luz da manhã, contrastando com a branquidão da rua Baker. As luzes coloridas traziam calor em meio a brisa gélida que soprava em quem ousasse se aventurar por ali. Tudo estava enfeitado pela data e, John tinha certeza, todas as casas e apartamentos estavam decorados para o natal. Todas menos uma. O 221b.

John pulou, habilmente, por sobre uma caixa de papelão amarrotada de enfeites coloridos, em direção da mesa de centro. Contornou sua poltrona, que estava servindo de ponto de apoio para algumas guirlandas, e, empurrando mais uma outra caixa, conseguiu chegar até a árvore no canto da sala.

Tudo estava uma bagunça – ao menos mais do que o comum. – Havia enfeites espalhados pelo chão. Laços e fitas coloridas se misturavam com papéis de casos sobre a mesa. A árvore não tinha um enfeite se quer dependurado em seus galhos e havia um Sherlock, em suas roupas de dormir, esparramado no sofá.

–Sherlock, será que você pode, por favor, me ajudar com a árvore? – John pediu, pela quinta vez, naquela manhã. – É véspera de natal e não temos nada pronto ainda.

O loiro sentia as pálpebras pesarem levemente. Estava cansado e ansioso para se deitar – mesmo que por poucos minutos. – em sua cama de cobertas quentes e confortáveis. Sherlock tivera a sorte de conseguir um caso “interessante demais para se deixar de lado” poucas semanas antes do natal, e ambos haviam passado esse tempo percorrendo Londres, correndo atrás de pistas, investigando locais e toda essa loucura que era uma vida com o mais alto. Conseguiram concluir o caso umas 18 horas atrás e quando John finalmente havia se refugiado em sua poltrona favorita, havia se dado conta que esquecera de toda a decoração natalina daquele ano.

Em resposta, o moreno encolheu o corpo contra o sofá, virando-se de costas para John em um movimento desdenhoso, resmungando como um velho rabugento.

–Me recuso a fazer parte desse ritual inútil e sem sentindo – grunhiu com a voz rouca. – É você quem insiste nessas baboseiras de datas festivas, você que arque com as devidas consequências.

–Por Deus, Sherlock, é natal! – exclamou John, enquanto fitava as costas da figura emburrada do amigo. – Como pode ser tão fechado com essas coisas?!

John quase pode ver a careta de Sherlock à suas palavras, antes dele virar o corpo de frente pra si, focando seus olhos exageradamente claros nos seus. O loiro sentiu o corpo estremecer ante aquele olhar e, por muito pouco, não suspirara languidamente.

–Me diga você por que eu deveria me importar com tais trivialidades – respondeu de forma seca. – O que tem de tão importante em colocar bolas coloridas em uma árvore sem graça, e de comemorar o suposto nascimento de uma criança?

John suspirou submisso ante toda aquela hostilidade. Havia desistido de discutir com o moreno, mas quando se virou novamente para a árvore continuou sentindo o olhar claro de Sherlock queimar em sua nuca.

–O quê? – o loiro perguntou virando-se para o mais alto.

–Não foi uma pergunta retórica, John – o moreno respondeu. – Seu apreço por essas tradições inúteis poderia ser interessante se não fosse tão patético.

John o olhou irritado, mas não conseguiu ignorar o comentário insensível.

–Ora, é natal! – exclamou, mesmo sabendo que aquele argumento não era valido se tratando de Sherlock. – É uma desculpa pra ser gentil com os outros, pra receber presentes, pra passar um tempo com quem se gosta...

John não pode evitar olhar o amigo largado no sofá, sentindo-se idiota quando sentiu o coração acelerar e as bochechas esquentarem. Percebera, tarde demais, a dualidade de sua fala com os próprios gestos inconscientes.

Sherlock o olhou com os olhos claros cerrados, um olhar analítico digno do quebra-cabeça mais interessante. O moreno entortou os lábios em um sorriso de lado e John engoliu em seco, enquanto desviava daquele olhar perfurador.

–Interessante – o detetive sussurrou pra si mesmo sem parecer se importar se o loiro ouvia o que dizia.

O silencio que se fez durante aquela conversa se estendeu durante toda a manhã. John continuou a decorar o apartamento com os enfeites coloridos, enquanto Sherlock permanecia no sofá, agora sentado, as mãos postas em frente aos lábios e os olhos felinos seguindo a figura loira de John pelo lugar. O doutor sentia todo o corpo queimar e um nervosismo desconhecido crescer em seu estomago. Derrubara coisas durante toda a manhã, evitara olhar, ou tocar, em Sherlock e acabou por dar graças a Deus quando Mrs. Hudson aparecera para ajudá-lo com a ceia da noite.

E apesar de Sherlock o observando como um predador e dos comentários de duplo sentido de Mrs. Hudson, o apartamento estava completamente decorado e o odor quente da comida para aquela noite enchia todo o cômodo.

O loiro suspirou aliviado e sorriu ao ver a neve caindo lá fora e todo o conforto que seu lar transmitia. A lareira fora acesa e faltava pouco para que os convidados chegassem. John já tomara banho e se trocara. Estava tudo perfeito e o loiro imaginou se poderia se dar ao luxo de deitar em sua cama confortável por alguns minutos.

Porém, antes de conseguir, de fato, pegar no sono, alguém batera na porta aberta do quarto. A figura esguia do detetive o olhava do batente de maneira quase iluminada, como se houvesse descoberto o mistério de um grande caso.

–Sim? – John perguntou, embora tivesse uma certeza fervorosa do assunto que o moreno iria abordar.

–Preciso falar com você – ele disse adentrando no cômodo com passos firmes. – E como sei qual será a sua reação, seria mais adequado que conversássemos antes de seus convidados chegarem.

–Nossos convidados, Sherlock – corrigiu o loiro sentando-se na cama. – É sua família também.

John procurou esconder o nervosismo que todo aquele suspense o fazia sentir, torcendo para que alguém tocasse a campainha o mais breve possível.

–Sim, sim, claro que é – disse depressa. – Mas isso não vem ao caso.

–E qual seria o caso?

–Você.

John engoliu em seco, sem coragem para questionar alguma coisa.

–Você passou o dia inteiro evitando me olhar, ou me tocar – citou como uma lista de evidencias criminosas. – Engole em seco toda vez que eu olho pra você. Suas pupilas estão dilatadas e não preciso tocar no seu pulso pra saber o quanto seu coração está acelerado, ou mesmo saber que perderia o controle caso eu chegasse mais perto.

Sherlock pontuou o final de sua frase dando mais três passos em direção a cama de John. O loiro o olhou em desafio, irritado por aquele homem o ler tão bem e nervoso pelo simples fato de tudo aquilo ser verdade.

–E o que deduziu a partir de todas essas coisas? – questionou o doutor sentindo as bochechas esquentarem de forma patética.

–Deduzi, meu caro John – quase ronronou com a voz intensa. –, que as coisas vão ficar muito mais interessantes a partir desse natal.

E John não podia imaginar o quanto ele estava certo.

Notas finais
Próximo capítulo é o último e, creio eu, será o mais bobo de todos uhasuahsuhas' Gostaram? Não gostaram? Eu gostaria muito de saber, então comentem e deixe essa pequena Hobbit feliz ♥