A Unificação Greco-romana

7 Sexto Capítulo: Somos semideuses.


Notas iniciais
Argo, Duda, Olive, Miku, Kaito e Garruk são personagens de minha autoria, portanto peço para que não os use em suas histórias.

O cochicho “há alguns meses” significava na verdade “semideuses”.

Acordei ainda dentro da aeronave, que não mais era sustentada por água, e todos os galhos que haviam esmagado as górgonas não mais ali estavam. Olhei para todos os lados e a única pessoa que encontrei que não era uma estátua e que não estava desmaiado era Garruk. Se bem alguém – ou algo – que tenha tronco de ser humano e pernas de bode não poderia ser considerado uma pessoa.

–- O que é isso Garruk? – perguntei, abismado – Anda esquecendo-se de depilar a perna por quantos séculos?

–- Pare de brincar, Argo! – respondeu Garruk, parecendo seriamente ofendido – Sou um sátiro, está bem?

Sátiro. Tentei lembrar-me dos livros de mitologia grega de Piper e Jason. Eram criaturas que serviam Pã, o deus dos bosques. Também buscavam...

–- Garruk – disse com a voz trêmula.

–- O que foi Argo? – disse Garruk.

–- Somos...? – travei.

–- Semideuses? – disse Garruk, naturalmente – Infelizmente sim...

Meu coração parou de bater por um pequeno espaço de tempo. Não sabia se sorria ou se chorava, se agarrava o pescoço de Garruk e quebrava ou se agarrava o pescoço de Garruk e abraçava até que seus olhos saíssem de suas órbitas. Agora tudo fazia sentido: o minotauro, as górgonas, o bumbum peludo de Garruk, tudo.

Ouvi um barulho e um “Ugh!” atrás de mim. Virei para trás e lá estava Duda, sentado.

–- O que aconteceu depois que eu desmaiei? – perguntou Duda.

–- Não sei, também desmaiei – respondi.

–- Diga-me que sobraram passageiros vivos, me diz! – Duda parecia muito nervoso – Por que só agora os monstros decidiram nos atacar? Por que eles não apareciam antes, e por que...

–- Duda, primeiramente acalme-se – disse Garruk, com a voz e o corpo trêmulos – Não sei como te contar isso se você não se acalmar...

–- Certo – disse Duda, respirando fundo – Pronto, podemos prosseguir.

–- Certo – uma lágrima escorreu dos olhos de Garruk – Há muito tempo atrás, os deuses gregos nasceram. E esses deuses governavam o mundo. E às vezes os deuses tinham filhos com humanos. E...

–- Então quer dizer que... – interrompeu Duda, assustado – Quer dizer que somos...

–- Sim – disse Garruk, ainda chorando – Sim, vocês são sim.

Duda desatou a chorar. Não demorou algum tempo para que Olive acordasse também.

–- Você disse a ele? – perguntou Olive para Garruk.

–- Sim – respondeu Garruk.

–- Certo – disse Olive, com a cabeça baixa – E para Argo, você disse algo?

–- Ouvi antes de Duda acordar – eu disse, interrompendo a conversa dos dois.

–- Certo – repetiu novamente Olive, que deu uma longa aspirada – Enfim... Acho que seria melhor se viéssemos a sair daqui. Garruk, procure algo que venha a calhar para a viagem nas malas dos “estatuetados”. Argo, desça até a cabine das aeromoças e pegue um pouco de comida. Duda, procure sobreviventes no andar de baixo. Eu vou procurar algum lugar para passar a noite. Agora vão. Garruk, fique aqui um pouquinho... Precisamos conversar.

E assim eu e Duda saímos daquela cabine, com interesse de saber de que Olive e Garruk estavam falando.

Cheguei à cabine das aeromoças, e creio que aquilo era pouco mais organizado antes do ataque. Caixas de suco estavam jogadas por toda a cabine, e vários saquinhos de amendoim com casca estavam dentro da pia, embaixo do caixote de metal/geladeira (aquela geladeira era menor do que um freezer), em cima do armário, e em lugares que seria melhor não imaginar. Tudo estava em uma imundice tremenda, cheia de farelos e líquidos jogados ao chão, juntos as três pobres aeromoças que ali jaziam feito pedras. Literalmente feito pedras.

Recolhi tudo: saquinhos de amendoim, caixas de suco, saches de chá, pó especial para sopas, garrafas com água quente e várias outras coisas industrializadas e subi. Olive não mais lá estava, apenas Duda, que trazia consigo duas crianças. Na verdade, um casal. Um deles aparentava meia idade, e cabelos azuis. E quando digo azuis, digo naturais cabelos azuis. Ele vestia uma jaqueta com o triplo do tamanho dele, o que, se as mangas não fossem tão irregulares, me pareceria uma capa. A menina aparentava ser muito mais jovem, lá pelos seus doze anos. Com seus extremamente longos cabelos estilo “Maria-chiquinha”, seu cabelo chegava até seus joelhos. Não era lá muita coisa, mais para o tamanho dela, era demais. A menina estava acordada, mas o menino não.

–- Quais os nomes Duda? – perguntei.

–- Esse aqui – Duda apontou para o menino de meia idade que ainda dormia – é Kaito. Ele ainda não acordou, mas consegui sentir sua respiração e batimentos cardíacos. Ah, e essa fofura aqui – Duda passou a mão pelos longos cabelos de... – Miku. Ela não é maravilhosa?

Miku corou.

–- Não se sinta envergonhada, Miku! – disse, tentando ser o mais amigável o possível – Você conhece esse menino ao seu lado?

–- S, sisi, sisisim – disse Miku, ficando tão vermelha que parecia um morango febril – Ele, ele, ele, ele é meu ir,irmã, mão.

–- Ah, sim! – disse – Olha, não precisa temer, certo?

De longe, ouviam-se passos e discussões. Miku congelou de medo. Seu rosto ficou momentaneamente pálido e frio, assim como o tempo lá fora.

–- Quem são? – perguntei a Duda.

–- Provavelmente Olive e Garruk – respondeu Duda.

–- Desçam! – ouviu-se a esganiçada voz de Garruk – Não iremos subir! Rápido! Vai começar a chover em breve!

Nesse momento, ouviu-se Kaito bem atrás de nós.

–- Onde estou?

Notas finais
Gostou? Não gostou? Comente! Críticas são totalmente bem-vindas!