Nos dias que se seguiram as mortes humanas sem nenhuma explicação aparente diminuíram. Pelo que Naruto acompanhava no noticiário, apenas crimes comuns eram cometidos. Nada de pessoas tendo pescoços mordidos ou sangue sugado.

Por outro lado ele encontrava animais mortos de forma estranha, como cachorros de rua com o pescoço ensanguentado ou pombos em que faltava penas, também no pescoço. Ninguém daria atenção para as mortes desses animais, mas Naruto sabia o que significava: Sasuke ainda devia estar fraco por causa da luta que tiveram e também por usar seus poderes para manipular as memórias de Sakura, tanto que sequer conseguia sair de seja lá onde estivesse para alimentar-se de humanos. Precisava encontrá-lo antes que se recuperasse totalmente.

Ele deu sorte naquela noite quando decidiu seguir uma trilha de gatos mortos. Ela o levou até o cemitério da cidade. Não demorou para Naruto avistar Sasuke sentado no galho de uma árvore devorando alguma coisa. Estava em sua forma original, a asa estava se recuperando devagar mas ele ainda evitava usar a mão que tinha se queimado com o crucifixo.

— Então era aqui que você estava se escondendo esse tempo todo? — Naruto anunciou sua presença.

— Não costuma vir muita gente aqui — Sasuke livrou-se do corpo do animal e Naruto precisou se abaixar para não ser atingido por outro gato morto — É falta de educação interromper a refeição dos outros, sabia?

— Está se alimentando de gatos e pombos agora? — Naruto riu — E pensar que o todo poderoso Drácula foi reduzido a isso.

— Posso me alimentar de você com prazer — Sasuke saltou da árvore, ficando de frente para ele — Você já está bem crescido para se defender sozinho, não é?

— Isso… não é possível… — Naruto recuou um passo quando o viu saltar da árvore. Imaginou que ele tivesse chegado até ali voando, mas como conseguia caminhar entre os túmulos tranquilamente?

— O que? Você se defender sozinho? — Sasuke indagou, alheio aos pensamentos dele — Bem, talvez seja demais pra você afinal, mas vamos tentar assim mesmo. Ah, e nada de surpresas dessa vez — ele avançou rápido e arrancou a corrente ao redor do pescoço de Naruto sem tocar no pingente. Arremessou o crucifixo que ele sempre carregava para longe — Minha mão ainda dói por causa dessa coisa — ele mostrou a palma da mão onde havia a marca de uma cruz, como se fosse uma cicatriz.

Naruto estava completamente desorientado. Ainda não compreendia como Sasuke conseguia caminhar em um cemitério, ainda mais naquele estado. E Sasuke estava tirando proveito disso… conseguiu deixá-lo sem o crucifixo. O que raios aquele vampiro tinha para conseguir desarmá-lo desse jeito? Céus, ele ainda não tinha se recuperado totalmente, essa era uma chance única e Naruto precisava aproveitá-la! Sabia que precisava, mas…

— O que há de errado com você? — Sasuke interrompeu seus pensamentos — Sequer está tentando lutar. Não me diga que veio aqui para eu te devorar de livre e espontânea vontade?

— Como consegue caminhar livremente pelo cemitério? — Naruto soltou a pergunta que tanto o incomodava — É solo sagrado.

— Ah, isso? — Sasuke olhou para os próprios pés — Parece que não te ensinaram muito bem. É verdade que eu tenho problemas com igrejas, mas cemitérios é território dos mortos. E, como você sabe, eu já morri. Séculos atrás.

— Mas continua sendo solo sagrado.

— Realmente, se eu transformasse uma pessoa em vampiro, ela não poderia pisar aqui. Mas essa regra não se aplica a mim, o vampiro original — Sasuke contou e riu da expressão confusa do rapaz — Sabe como me tornei o que sou hoje, Naruto? Sabe porque sou chamado de Conde Drácula? Bem, eu era um conde, obviamente, mas não apenas isso, eu era um guerreiro também. Vários anos atrás eu liderei soldados, venci incontáveis batalhas. Até que chegou a guerra contra o Império Otomano…

— Quem?

— O que vocês chamam de Turquia atualmente — Sasuke abanou a mão — Foi a minha primeira e única derrota. Não lembro de muita coisa, já que… bem, eu morri naquela batalha — ele forçou uma risada — Mas parecia ter sido um sonho. De repente acordei e estava em um caixão, com gente jogando terra em cima de mim… faz ideia de como é acordar no seu próprio funeral? É assustador, eu fiquei em estado de choque… as pessoas que estavam lá ficaram ainda mais chocadas. Todos passaram a fugir de mim. Minha família, meus amigos, meus soldados… então, já que todos me viraram as costas, decidi terminar o que me levou à morte. Retornei ao campo de batalha e venci a guerra. Sozinho. Pra que precisa de soldados quando você é imortal,não é?

— Então é por isso que você pode caminhar pelo cemitério… você foi enterrado vivo — Naruto falou mais para si mesmo.

— Não, eu com certeza morri.

— Mas então, derrotar esse Império “sei-lá-o-que” era o que te prendia a esse mundo? Se você os derrotou, já devia estar morto! Tipo, morto e enterrado, quietinho no seu túmulo, e não devorando pessoas por aí.

— Bem que eu gostaria que funcionasse assim — Sasuke suspirou — Nem sei porque estou te contando tudo isso. Acho que… nunca convivi tanto tempo com alguém que soubesse minha verdadeira identidade e não quisesse me matar. Ou que eu não pretendesse comer.

— Então não pretende mais me comer?

— Depende. Está falando em qual sentido? — Sasuke deu uma risada maldosa.

— Muito engraçado — Naruto bufou — Sabe que ainda preciso te matar.

— Por que? A Sakura sequer se lembra de mim, muito menos que te contratou. Ou seja, seu acordo com ela não existe mais — ele lembrou. Sasuke tinha razão. Com as memórias de Sakura alteradas Naruto não trabalhava mais para ela — Naruto… você disse que precisa me matar. Mas o que você realmente quer fazer?

Notas finais
A história da batalha do Drácula contra o Império Otomano foi levemente alterada para se adequar a fic. Eu acho que não vou conseguir terminar essa história só com 10k palavras socorro kkkkkkkkk