A Um Passo da Escuridão
2 Capítulo II
Quinze anos depois
Depois de uma cansativa viagem de navio, Naruto finalmente chegou à capital. Ele havia recebido um telefonema de uma moça contando sobre como o comportamento do seu marido estava estranho ultimamente. Que ele passava boa parte da noite fora, às vezes voltava para casa com manchas de sangue na roupa e andava muito agressivo. Inicialmente pensou ser um caso de violência doméstica, mas descartou a possibilidade quando ela contou que teve vários “pesadelos” em que ele se transformava em um mostro alado com presas e saía voando de casa pela janela do quarto.
A mulher podia até pensar que eram apenas pesadelos, e talvez fosse melhor que continuasse achando isso, mas Naruto sabia muito bem do que ela realmente estava falando. A pobre moça estava casada com um vampiro.
Desde que todas as pessoas da cidadezinha do interior em que ele nasceu foram atacadas por um vampiro em uma única noite, ele deixou o lugar jurando encontrar o monstro que acabou com as vidas de seus amigos e destruí-lo. Viajou bastante e descobriu que, assim como existem vampiros, também existem caçadores de vampiros. Eles lhe contaram sobre o folclore local, de um vampiro conhecido como Conde Drácula. Alguns diziam que ele vivia na Transilvânia, outros na França, mas ninguém sabia ao certo aonde ele estava atualmente. Tudo o que sabiam é que ele foi o primeiro dos vampiros a caminhar por estas terras há mais de quatrocentos anos, escondendo-se entre as pessoas normais ao assumir uma aparência humana e só revelando sua verdadeira forma quando atacava alguém. Ele se alimentava do sangue de pessoas inocentes e recrutava servos ocasionalmente ao transformá-los em vampiros também.
Naruto ficou ainda mais horrorizado ao saber disso. Como se não bastasse matar inocentes ele ainda transformava outras pessoas em vampiros para servi-lo? Isso só aumentaria o número de vítimas! Era mais um motivo para detê-lo o quanto antes.
Naruto recebeu treinamento, tanto teórico quanto prático. Aprendeu a fazer contas que sequer sabia que existia, a desenhar com o compasso, e também a fazer misturas de ervas e a atirar. Adquiriu experiência e destruiu vários vampiros nos últimos dois anos. Mas ainda não encontrou o que procurava. E torcia para que fosse esse.
Depois de pedir informação algumas vezes finalmente chegou na casa de sua cliente. Bateu na porta, que foi aberta de imediato.
— Boa noite. A senhora é a Sakura?
— Sim. Sim, sou eu mesma — ela o segurou pelo pulso e o puxou para dentro da casa — Ainda bem que chegou… ah, pode me chamar só de você.
— Certo — ele acenou a cabeça — Sakura, eu sou Uzumaki Naruto, caçador de vampiros.
— Acha que é esse mesmo o caso? — ela levou as mãos à boca.
— Só vendo para saber. Onde está seu marido?
— Trabalhando. Pelo menos é o que ele diz… ele é policial e decidiu de repente que preferia ficar com o turno da noite.
— Então ele sempre dorme durante o dia, não é? Que conveniente — Naruto deixou escapar uma risada. Tirou canena e um bloco de papel do bolso para fazer anotações — Quando exatamente ele decidiu trabalhar no turno da noite?
— Já tem quase um ano.
— E você demorou todo esse tempo para entrar em contato comigo? — Naruto perguntou abismado.
— Eu não sabia o que fazer! — ela defendeu-se — Jamais cogitei a possibilidade de ele ser… um… — a voz dela falhou.
— Se o seu marido de fato for um vampiro, sabe que terei que acabar com ele, não é?
— Não tem outro jeito de salvá-lo?
— Bem…
— Sakura? — ouviu-se uma voz masculina à porta — Você está aí? Por que deixou a porta aberta?
— É ele — Sakura falou baixinho.
— Certo, vamos dar uma olhada no seu marido — Naruto adiantou-se, sendo seguido de perto por Sakura.
— Olá, Sasuke. Chegou cedo — Sakura comentou.
— A noite foi calma — ele respondeu. Lançou um longo olhar para Naruto e passou direto por ele ao se dirigir até outro cômodo. Retornou segundos depois trazendo uma jaqueta preta — Sabia que tinha esquecido isso aqui. Não largue a porta aberta, Sakura — virou-se em direção à porta.
— Espere — Naruto chamou — Não vai perguntar quem sou eu?
— Eu deveria?
— Como assim? Você chega em casa, vê sua esposa na companhia de um estranho e não quer saber quem é? — ele exclamou. Certo, aquilo não tinha nada a ver com o caso dos vampiros, mas o estava incomodando.
— Minha esposa? Foi isso que ela te disse? — Sasuke riu. E então virou-se para encará-lo melhor — Nós não somos casados.
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