A Ultima Chance
19 Capítulo - 19
Notas iniciais
Capítulo 19
Kanon trabalhava em seu projeto "Secreto", já era madrugada os cálculos e as plantas estavam prontos, e ele fazia questão de concluir a maquete, apresentaria o projeto aos demais na manhã seguinte, numa reunião marcada em seu apartamento.
Estava tão entretido em seu trabalho que não percebeu que o namorado havia acordado e o observava trabalhar.
Quando Kanon se virou levou um pequeno susto vendo que era observado.
— Ralf, você me assustou! — Comentou Kanon sorrindo.
— Você fica tão lindo trabalhando. — Falou Ralf apaixonado.
Kanon sorriu de lado, elogios do namorado faziam muito bem para o seu ego, era bom e muito diferente ter alguém que o amasse, a ele: Kanon, não a ele, uma cópia de Saga. E Ralf o amava assim, e Kanon também o amava da mesma forma.
Sentia-se abençoado em ter conhecido o amor nessa vida, um amor de verdade.
— Você deve estar sonolento. — Brincou Kanon.
Ralf foi até o namorado e o abraçou por trás. — Está muito bom esse seu projeto, e vejo que ele é bem importante pra você.
— Sim ele é importante, é algo que eu posso fazer e que pediram a mim, Kanon. — Comentou o grego pensativo.
Ralf sentou analisando o namorando. — É engraçado este negócio de gêmeos, não é?
— O que tem de engraçado? — Perguntou Kanon parando o que estava fazendo e encarando o namorado.
— Nada, deixe pra lá. — Respondeu Ralf, não querendo entrar num campo delicado.
— Me diga, o quem tem de engraçado? — Continuou Kanon, — Fale, senhor analista.
Ralf sorriu. Era engraçado fazer Kanon ficar bravo.
— Você tem um desejo enorme de mostrar o seu valor, de mostrar que é tão bom quanto o seu irmão ou até mesmo melhor que ele. — Falou Ralf fazendo Kanon se calar.
Kanon havia escutado a verdade, não podia ficar com raiva de Ralf por ter lhe dito a verdade. — Acha que sou assim?
O inglês sorriu antes de responder. — Seu irmão também é.
Kanon franziu as sobrancelhas, — Oi?
— Sim, seu irmão é tão inseguro quanto você, ele acha que tem a obrigação de acertar, de ser seu exemplo que algumas vezes esquece dele mesmo, ele tem admiração por este seu jeito descontraído e alegre, apesar de serem gêmeos vocês tem personalidades completamente diferentes, acho que tiveram algumas dificuldades na vida antes de se acertarem, não é?
Kanon, que olhava embasbacado para o namorado, perguntou: — Acaso é um mago ou feiticeiro?
Ralf sorriu.
— Não sou apenas um observador.
Kanon sentou no colo do namorado. — Eu amo meu irmão e hoje consigo dizer isso, mas nem sempre foi assim, contudo, o que você falou sobre ele faz sentido.
— Eu sei que faz. Conheço a alma das pessoas, esqueceu? — Ralf falou convencido.
— Você deve ser o melhor psicólogo que existe. — Kanon falou beijando seu namorado.
— Sou o melhor! — Tornou Ralf apertando a bunda de Kanon, mostrando ao geminiano o real motivo de ter acordado de madrugada.
Kanon não se fez de rogado a maquete ficaria para o dia seguinte.
ooooOoooo
— Que bom que está vindo, Camus, o yoga só vai te fazer bem. — Falava Mu ajudando o amigo a fazer alongamento.
Camus estava indo todos os domingos fazer a sessão de yoga com Mu e Shaka, assim que Saga liberou os exercícios.
Já haviam se passado seis meses desde o transplante, Camus se recuperava muito bem, já havia ganhado peso e fazia os exercícios com muito zelo e cuidado justamente para voltar a antiga forma.
— Sim, também estou gostando, pena que o Milo não se adaptou. — Comentou Camus enquanto Mu puxava seu braço de um lado e Shaka puxava sua perna de outro.
— Milo é muito inquieto, não conseguia ficar quieto, definitivamente yoga não é pra ele. — Comentou Shaka.
Feito o alongamento os amigos começaram a sessão de yoga, enquanto a duas quadras dali Milo, Aldebaran e Aioria corriam para manter a forma, após uma hora de corrida os amigos pararam em um bar próximo à praia e pediram uma cerveja gelada.
— Do que adianta correr uma hora inteira, e terminar com uma cerveja? — Perguntou Aioria.
— Podia ser pior, podíamos ter vindo correndo direto pra cá, pelo menos suamos, — Falou Aldebaran matando seu copo. – Sabe, isso lembra meu país, isso lembra muito o meu país.
— O quê? Correr ou tomar cerveja? — Perguntou Milo.
— Os dois, meu amigo! Cerveja em frente à praia! Um dia iremos para lá nas férias. — Comentou Aldebaran saudoso.
Os três beberam suas cervejas.
— Como andam as coisas com o Camus? — Perguntou Aioria.
Milo sorriu bobo antes de responder. — Eu acho que estou apaixonado por ele.
Aldebaran sorriu e Aioria girou os olhos.
— Estamos muito bem, Saga falou que a recuperação dele é invejável, e eu o amo mais a cada dia, mas agora é diferente. — Tornou Milo.
— Como assim? — Quis saber Aldebaran.
Milo ficou em silêncio olhando para o nada pensando antes de responder. — Meu amor estava doente e demorei a perceber isso.
— Como assim Milo? — Perguntou novamente Aldebaran.
— O amor não dói, não faz sofrer... quando ódio acontece há algo errado, e não percebi isso antes, meu amor doía em meu peito, me feria, me enlouquecia e eu fazia o Camus sofrer, o machucava... confesso que muitas vezes com prazer, pois queria que ele sofresse como eu sofria.
Aioria prestava atenção e após tomar um gole em sua cerveja comentou — A gente via isso, Milo. Já estava dando para perceber que a relação de vocês não era saudável.
— Não, não era. O Camus nunca me confrontou, ele achava que tudo se resolveria com o tempo, sozinho, e eu queria ver ele sentir o que eu sentia. Por Athena, eu quase perdi meu amor, quase perdi o amor da minha vida...
Milo se emocionou, mas os amigos sabiam que era bom ele desabafar.
— Mas, quando vi o Camus tão frágil naquele hospital, quando ele teve aquela parada cardíaca, quando vi que eu poderia ficar sem ele... alguma coisa em mim mudou. Percebi que só me importava com a felicidade dele, se ele ficasse bem pra mim seria o suficiente mesmo que ele não ficasse comigo.
— O Camus jamais seria feliz sem você, Milo. — Foi Aioria quem falou.
Milo sorriu ao ouvir o amigo.
— O importante foi que me curei, aprendi como o amor de verdade deve ser dar sem esperar nada em troca. Eu e o Camus reconstruímos nosso amor aos poucos e hoje sei que o amo ainda mais, só que é diferente, esse amor não dói. Aprendi a entender o jeito dele e não tenho dúvidas do seu amor por mim. — Completou Milo.
— Um brinde ao amor! — propôs Aldebaran e os três brindaram.
— Ao Amor!
oooOooo
— Como vocês estão? — Mu questionou a Camus enquanto tomavam refresco no jardim, a sessão de yoga já havia acabado e os três conversavam no lindo jardim de Mu.
— Está tudo perfeito, — Camus dizia, ele não era de falar sobre si, mas havia mudado muito nos últimos tempos e estava aprendendo a se abrir mais. — Às vezes penso que tudo valeu a pena se o resultado é ter minha vida como está agora: Milo, os meninos... tudo está perfeito.
— Que bom, meu amigo, fico muito feliz por isso. — Shaka falou.
— Mas Camus, você não é o único que está vivendo uma fase boa no amor. — Mu comentou e ele e Camus sorriram enquanto Shaka tentava em vão fazer cara de desdém.
— Fico muito feliz por vocês Shaka, os dois merecem ser muito felizes. — Falou Camus.
— É Camus... parece que sua doença serviu para ajustar mais de um namoro. — Continuou Mu travesso.
— Sim, é verdade. — Camus sorriu.
Shaka e Saga queriam manter seu romance em segredo, mas quando Milo descobriu sobre eles, acharam por bem revelar a verdade a todos e, numa reunião com os amigos chegaram de mãos dadas, claro que tiveram que aguentar todo o tipo de zoeira dos amigos, mas no final todos brindaram ao casal. Milo e Camus não foram neste encontro, mas Afrodite fez questão de ligar para eles e contar o novo acontecimento da turma.
Milo já sabia, mas fingiu surpresa ao ouvir as palavras do amigo pisciano.
ooOoo
"Acha mesmo que vai ser uma boa ideia? Isso é tão clichê!" — Camus perguntava à Hyoga pelo chat na internet, o ex-pupilo estava cursando a universidade em Tóquio, no início ele queria ficar com Camus, mas o ruivo o fez seguir o caminho que havia escolhido e Milo prometeu que cuidaria de Camus.
Após a conversa que tiveram onde o aquariano mais velho se abriu contando sobre seu problema sexual, sua relação com Hyoga mudou muito, pois o jovem russo foi aos poucos se tornando seu confidente e conselheiro no quesito amor e relacionamento, Camus achava que tudo que havia acontecido anteriormente fora porque não sabia se abrir e não tinha auxílio de ninguém nas questões amorosas, mas agora se consultava sempre com Hyoga, seu filho e seu melhor amigo, como deveria ser, desde sempre.
"O amor é clichê Camus... rs"— Respondeu Hyoga na janela do chat.
Camus viu que abriu outra janela de bate papo e identificou Isaak o chamando para uma conversa no vídeo, mas ele não aceitou e digitou " Isaak não estou composto para conversar no vídeo, como está?"— Camus estava apenas com sua boxer azul royal, no quarto e com o ar condicionado no máximo, estavam novamente no verão grego e naquela tarde de sábado ele estava traduzindo alguns documentos para um consultório de advocacia, mas o dia estava especialmente quente e assim decidiu ficar no quarto.
"Ok! Como foram os exames? O que o Saga disse?"— Perguntou Isaak, já haviam se passado um ano desde o transplante e Camus teria que fazer a cada ano de sua vida exames para descartar a possibilidade da volta de sua doença, infelizmente é comum alguns pacientes de leucemia terem novas recaídas mesmo após o transplante, mas este não foi o caso de Camus, seus exames estavam ok! Graças aos Deuses.
"Tudo ótimo Isaak, me fale de você. Como está indo o curso?". — Camus conversava com os dois e sempre perguntando sobre a vida acadêmica, certas coisas não mudam e Camus sempre seria rígido quanto a isso.
Milo que havia saído para resolver alguns problemas com Aioria chegou, e vendo o namorado conversando tão à vontade com o note ligado deitado de bruços, deitou em cima do namorado beijando sua nuca, — Está com calor, meu amor? — Milo perguntou dando uma olhada básica e conferindo com quem o ruivo conversava, "certas coisas não mudam nunca", quando viu que eram "filhos" Milo relaxou e beijou Camus na boca.
— Você está tão sexy, Camyu... deitado assim... só pra me provocar... — Milo falou levantando da cama e retirando as roupas que usava ficando também só com a roupa íntima e voltando a deitar sobre o ruivo.
— Milo, cuidado para não amassar meus papéis! — Pediu Camus retirando os papéis da cama, enquanto sentia Milo roçar o membro rijo em sua bunda.
— Camus... você está trabalhando demais, vou fazer uma massagem pra você relaxar um pouco. — Milo então sentou nas nádegas do namorado e começou uma massagem erótica.
Camus ainda tentava conversar com os ex-pupilos, porém a cada toque mais ousado de Milo, o aquariano gemia, assim, em determinado momento, Camus achou por bem interromper a conversa.
Camus acabou fechando o note sem se despedir dos "meninos", neste instante Milo havia puxado sua boxer o deixando nu, o ruivo gemeu com mais alguns toques antes de falar. — Milo, espere, espere eu... preciso te mostrar uma coisa...
Milo, que a essa altura já distribuía beijos e mais beijos nas costas do namorado falou:. — Depois Camus... depois verei tudo que quiser... mas só depois.
— Não, Milo! Agora! É importante! — Devolveu Camus sério.
Usando todo o seu autocontrole, Milo sentou sobre os joelhos e falou. — OK, Camus. O que precisa me mostrar?
Camus que ainda estava de bruços na cama sorriu malicioso e se virou exibindo uma bela ereção, não foi a primeira depois do transplante, mas se passou algum tempo antes dele conseguir então... cada ereção era sempre comemorada, principalmente essa, que não precisou de muitos estímulos.
—Uau, Camyu... que disposição! — Falou um Milo ainda mais excitado, se abaixando e abocanhando o membro ereto do ruivo.
— Ah! Milo...! — Falou Camus jogando a cabeça para trás gemendo.
Milo caprichava na felação fazendo Camus gemer mais e mais, foi quando o ruivo puxou seu amor pelos cabelos o fazendo ficar na altura de seus olhos e o beijou com volúpia.
Findando o beijo, Camus jogou Milo contra a cama. – Hum... Camus! Que selvagem! — Exclamou o escorpiano.
Camus sem dizer uma só palavra engatinhou na cama subiu em Milo deixando uma perna de cada lado e beijou novamente seu namorado.
Milo massageava as costas de Camus enquanto o ruivo roçava do membro no de Milo trazendo aos dois a sensação de um choque elétrico de prazer, até que o ruivo estendeu a mão e pegou o lubrificante na gaveta do criado mudo, espalhou grande quantidade no membro de Milo se posicionou e desceu devagar sentindo o choque, um vibrar mais intenso dessa vez.
— Hnnng, Milo... que delícia! — Gemeu o ruivo.
Milo olhava seu namorado embasbacado, pois Camus nunca fora ousado assim, mas o escorpiano não poderia dizer que não estava gostando de ver esse lado de Camus, principalmente agora, vendo a expressão de prazer que o ruivo fazia ao cavalgar sobre seu membro.
— Ah!! Camus... você é tão gostoso, tão apertado... — Milo curtia os movimentos de seu ruivo e se segurou o quanto pôde, mas vendo que seu prazer se aproximava virou-se na cama mudando de posição ficando por cima. – Camus... eu não vou aguentar por muito tempo... — Avisou para que o ruivo deixasse vir seu prazer.
Milo puxou as pernas do namorado fazendo a conexão entre eles ficar mais firme, e assim passou a estocá-lo com força, Camus por sua vez passou a se masturbar sentindo Milo atingir seu ponto sensível, quase desfalecendo a cada nova investida.
Milo foi o primeiro a se derramar de prazer, mas continuou os movimentos até que Camus veio logo atrás, derramando sua semente no seu peito.
Após a letargia pós-orgasmo, Milo deitou ao lado de Camus e comentou. — Como é possível, Camus?
O aquariano por sua vez franziu a testa e perguntou. — Como é possível o quê, Milo?
— Como é possível que fazer amor com você seja sempre assim, tão especial? Digo... olha isso, uma tarde de sábado, um sexo casual, mas com você... tudo é sempre tão forte, intenso e especial... como é possível? — Respondeu o loiro, apoiando a cabeça na mão e olhando para o namorado.
— É o amor, Milo, nosso amor, sempre que você me toca é especial, porque eu te amo e você me ama. — Respondeu sabiamente o ruivo.
— Pelos Deuses, quem é você e o que você fez com a minha pedrinha de gelo? — Perguntou Milo sorrindo e beijando o namorado que também sorria.
ooOoo
— Camus, aceitei o acordo proposto pela universidade, na realidade melhorei a oferta que eles fizeram, o Tobias não é mais o reitor, o demitiram, me parece que este não foi o primeiro caso de assédio o envolvendo.
— O quê? Como assim não é o primeiro? — Perguntou Camus surpreso.
Ele estava no escritório do amigo que o tinha chamado para que lhe pudesse explicar sobre o desfecho do processo sobre o assédio que moverá contra o reitor.
— Me parece que houve outras duas queixas de alunos, aquele cara não presta, mas com sua queixa a dos alunos ganhou força e credibilidade, então ele não se segurou no cargo. — Explicou Aioria.
— Por Athena, eu não posso acreditar!! Aquele canalha teve coragem de assediar os alunos? Eu quero acabar com ele! — Falou Camus começando a achar que deveria ter levado o seu caso até as últimas instâncias, se fosse para salvar seus alunos.
— Não se preocupe, Camus. Ele foi punido com a demissão, e três casos de assédios na sua ficha, a universidade está pagando este valor de indenização, — Falou Aioria mostrando a Camus o cheque. — E ainda está oferecendo seu trabalho de volta.
— Voltar a lecionar! — Falou Camus sorrindo sem prestar atenção no cheque.
— Sim, vai voltar a lecionar, e com essa indenização. — Falou novamente Aioria mostrando o cheque.
— Uau! — Soltou Camus ao ver o valor do cheque. — Seiscentos mil euros? Aioria isso é...
— Isso é pouco se comparado com o que poderia ganhar se tornasse este caso público. — Respondeu o leonino.
— Eu não quis prejudicar a universidade. — Explicou Camus os seus motivos.
— Eu sei, e te entendo, mas agora vai poder quitar suas dívidas e acertar seu caminho. — Tornou Aioria.
— Sim, sim. — Falou Camus sorrindo.
ooOoo
— Nossa esse cara é o máximo, tão forte másculo. — Comentou uma moça loira.
— Charmoso e tão carismático... — Continuou outra moça com penteado afro, ao chegarem na cantina da academia. Mu, que estava tomando seu suco de abacaxi com gengibre, escutou a conversa das moças.
— Nossa..... ele é tudo de bom! Quero aquele homem pra mim! — Falou a loira.
Mu com toda elegância que lhe era característica, se aproximou e perguntou: — De quem estão falando?
As garotas deram risadinhas antes de responder. — Do professor Debas, ele é uma delícia.
— Hum, mas ele não é bonito, é? — Perguntou Mu sondando.
— Quem liga pra homens com cara de boneca? Homem tem que ser como ele, forte, másculo que exala virilidade. — Respondeu a moça com penteado afro.
— Sim, ele tem tudo o que um homem precisa ter, é charmoso, ai, ai... — Suspirou a loira sorrindo.
Mu não estava achando nada engraçado e comentou. — Ele é gay vocês sabem, não?!
— NÃO! — Gritaram as moças em uníssono. — Não pode ser!
— Não, ele não tem nada de gay, digo... ele não tem trejeitos e nem tamanho de gay! — Elas protestaram.
— E existe um padrão que um gay deva seguir? — Questionou Mu.
— Ah, sim! É claro que existe um padrão: Os gays são molinhos, tem trejeitos, ou são bem delicados.
— Hum... entendo... então Aldebaran fugiu totalmente dos padrões gays, não é? — Voltou a afirmar Mu.
— Tem certeza que ele é gay?
— Sim, ele é gay. — Falou Mu, para em seguida dar o golpe final: — E também, é casado!
— CASADO? — Repetiram novamente juntas.
— Sim, muito bem casado. Tem um filho inclusive.
— Meu Deus! Como sabe tudo isso? — Perguntou a loira incrédula.
— Sei porque ele é casado comigo, e eu não quero ver mais nenhuma das duas aqui novamente ou não respondo por mim! — Falou Mu com cara de pouquíssimos amigos.
As garotas ficaram sem graça e sem palavras e começaram a se desculpar, mas Mu foi categórico. — Caíam fora! AGORA!
Elas não esperaram uma terceira ordem, saíram rápido, esbarrando em Aldebaran que as cumprimentou e foi ignorado completamente por elas, que acharam por bem não falar com o professor.
— O que houve, Mu? — Aldebaran já imaginava, era quase comum o ariano colocar alguns alunos ou alunas pra correr.
— Elas decidiram não malhar mais aqui. — Respondeu calmo o ariano voltando a tomar seu suco tranquilamente.
Aldebaran somente balançou a cabeça sorrindo, conhecia o marido. — O Aioria ligou está tudo pronto pra próxima semana, estou ansioso.
— Nossa, que ótimo! Mal posso esperar para ver a cara do Camus! — Falou Mu.
— Sim, acho importante estarmos lá, tudo que aconteceu foi horrível e fomos testemunhas daquela noite fatídica. — Comentou Aldebaran.
OoooO
Camus e Milo estavam num restaurante francês cinco estrelas, Camus convidou Milo para jantar fora para comemorar a vitória na causa sobre o assédio, e por conseguir seu trabalho na universidade de volta, mas Camus tinha outros planos para essa noite...
— Um brinde a você, meu amor, não tinha dúvidas que ganharia, mas ainda acho que eu deveria dar uma surra maior naquele homem que ousou encostar em você. — Tentou brindar Milo ficando bravo, como sempre ficava quando tocavam neste assunto.
— Um brinde a nós, Milo, se você não estivesse comigo... eu nem aqui estaria. — Brindou Camus consolador.
— Não fale isso, Camus, nem de brincadeira, não sei viver sem você. — Confessou Milo.
— Eu também não, minha vida, meu amor... e é por isso que quero... É por isso que quero saber se você aceita se casar comigo, Milo. — Pediu Camus pegando um caixa com as alianças do bolso de seu blazer. — Sabe que sou uma pessoa antiquada e quero fazer tudo do jeito certo, com todas as formalidades e também porque meu maior sonho é casar com você.
Milo estava em silêncio, lembrou-se da conversa com Saga, de como era importante para Camus todo este negócio de casamento e formalidades, sentiu-se mal por não ter tomado a iniciativa de propor o casamento em primeiro lugar.
Pegando na mão do namorado, Milo respondeu: — Meu amor tudo que eu mais quero nessa vida é me casar com você, e passar todos os dias da minha vida ao seu lado... eu aceito!
Camus respirou aliviado ao ouvir a confirmação ao seu pedido de casamento e fez sinal para o garçom que trouxe champanhe para o casal comemorar.
Felizes, eles brindaram ao casamento.
OooooO
Uma semana depois...
— Camus, vamos dar uma volta? — Pediu Milo pegando a chave do carro.
— Pra onde quer me levar, Milo? — Perguntou Camus se levantando. — Preciso de uma roupa especial ou esta é adequada?
Milo olhou seu namorado que trajava uma blusa de gola polo rosa claro e uma calça jeans preta. — Você está deliciosamente arrumado, vamos!
Já no carro, Camus questionou. – Milo, não deveria estar no trabalho a essa hora?
— Sim, é pra lá que eu vou te levar. — Respondeu Milo.
— Pro escritório do Aioria? — Perguntou o ruivo estranhando.
— Não, você verá Camus. — Respondeu Milo.
Camus ficou pensando se aquela era uma data especial, pois Milo estava com aquele jeito típico de quem está aprontando alguma coisa.
Quando entraram em algumas ruas que Camus conhecia, o coração do aquariano apertou — Milo, o que está fazendo, pra onde está me levando?
— Relaxe, Camus você vai gostar. — Foi a resposta de Milo.
— Milo eu não sei se estou pronto pra voltar lá e vê tudo destruído, aquilo me doeu muito, foi muito duro pra mim. — Falou o ruivo tentando mostrar ao namorado que aquilo não era uma boa idéia.
— Não se preocupe Camus, confie e mim, hum?! — Tranquilizou Milo.
Quando entraram no quarteirão da escola Camus viu que a mesma estava toda murada e os muros estavam pintados como novos.
— Milo! Veja, acho que compraram o terreno da escola, o que será que fizeram ali? — Perguntou Camus.
— Vamos descobrir isso agora mesmo! — Respondeu Milo sorrindo e parando o carro na frente da escola.
— Milo!? — Tentou Camus uma última vez, mas o escorpiano tirou as chaves e saiu do carro, não dando a Camus alternativa de não o acompanhar.
— Venha, Camus! — Chamou Milo pegando no braço do namorado e o levando para dentro.
Quando Camus entrou, não conseguia acreditar no que estava vendo, tudo estava como novo, muito melhor do que antes do incêndio, ele seguia Milo a passos lentos admirando tudo no caminho: as salas de aula novas, com novas mobílias e pintadas, e com um "quê" de modernidade, que não existia antes, Milo seguiu até o laboratório de química, Camus estava achando difícil segurar a emoção, pois suas lágrimas teimavam em cair.
— Milo, o que significa tudo isso? — Perguntou Camus emocionado.
— Significa... seu sonho, meu amor! — Respondeu Milo abrindo a porta e Camus pôde ver seu laboratório de química completamente equipado, com materiais muito melhores do que ele havia comprado anteriormente.
Camus abraçou Milo completamente emocionado. — Como?
Neste momento os amigos foram entrando para a surpresa de Camus, Mu, Shaka, Aldebaran, Saga, Shura, Afrodite, Aioria, Aioros, Matheu, também estavam Hyoga e Isaak além de Zima e Ralf, o namorado de Kanon.
Camus tentava secar as lágrimas, não estava tão acostumado a ser visto como uma manteiga derretida na frente dos amigos, não assim... ele olhou para Milo buscando uma explicação.
— Meu amor, quando você estava no hospital o Shaka e Mu tiveram essa ideia e começamos a pensar, a elaborar... — Começou Milo também emocionado com a reação de Camus, e tocado por poder ver enfim, como aquilo era importante para o noivo.
Shaka, vendo que Milo não conseguiria prosseguir, tomou a palavra. – Camus, pensamos nisso pouco depois do incêndio, de como isso era importante pra você e principalmente para as crianças da região, enquanto você estava hospitalizado conversamos e tudo foi tomando corpo, cada um de nós ajudou com o que tinha de melhor e continuaremos ajudando.
— Como assim... como conseguiriam dinheiro? — Questionou Camus.
— Camus, nós fizemos um caminho que tínhamos feito antes, — Aioria tomou a palavras. — Eu e Milo fizemos nossas peregrinações atrás de verbas, fundamos uma ONG, onde arrecadamos verbas, contatos com outras ONG's a fundação Kido nos ajudou muito com doações e com indicações, assim conseguimos comprar este terreno da prefeitura e reformar tudo.
— E também, cada um de nós vai ajudar no que de melhor sabemos fazer. — Mu falou. — Aldebaran vai dar aulas de educação física, Afrodite vai dar aulas de arte, o Saga vai atender os alunos uma vez na semana, o Ralf vai atender também uma vez por semana, sabe que ele é psicólogo, não sabe?
Camus negou com a cabeça, não tinha noção da profissão do namorado do amigo.
— Eu, Shura, Aioros e Aioria daremos aula para os adultos à noite, tanto alfabetização quanto profissionalizante, já fizemos cursos nos preparando para isso, e o Kanon desenhou todo o projeto, com as salas de aula novas. Bom, você precisa conhecer a escola. — Continuou Mu.
Camus foi levado pelos amigos onde conheceu todas as instalações e os projetos, sempre trocando olhares com Milo.
— ... E aqui será o refeitório. Veja que temos um espaço aqui e em todas as salas que deixa a luz solar entrar, usei ainda placas de led onde captaremos a luz solar e as transformaremos em energia elétrica e assim economizaremos na conta. — Kanon explicava cada item a Camus.
— Eu... não sei o que dizer... só que... obrigado por tudo... vocês não fazem ideia do que isso significa pra mim... — Camus dizia com a voz tremula voltando se emocionar, Milo o abraçou beijando sua cabeça.
— Fazemos ideia sim, me empenhei ao máximo para tornar tudo isso possível. — Milo falou olhando nos olhos de Camus.
— E você, vai trabalhar aqui também? — Perguntou Camus sorrindo ao ver que o noivo não tinha se manifestado ainda.
— Eu vou administrar tudo isso, Camus, trabalharei na diretoria, você é um excelente cientista, um excepcional professor, mas é um péssimo administrador. — Milo falou sorrindo abraçando o ruivo. — Foi à falência em pouco tempo sem mim.
Camus sorriu e olhou para os seus "filhos" e perguntou. — E vocês?
— Camus, hoje só viemos porque queríamos estar com você neste momento, mas quem sabe no futuro? — Respondeu Isaak, e Hyoga concordou.
Os dois abraçaram Camus junto com Milo, hoje eles eram uma família, sem dúvida nenhuma.
— Obrigado a todos! Não sei como agradecer pelo que fizeram aqui, por mim e pela escola. — Agradeceu Camus.
— Meu amor, eu sei como você vai me agradecer, não se preocupe. — Respondeu Milo malicioso, roubando um beijo do seu ruivo e o deixando mais vermelho que seus cabelos.
Todos riram da cara que Camus fez completamente envergonhado.
ooOoo
Dois meses depois...
As aulas já tinham começado há dez dias e Camus estava da secretaria verificando algumas fichas de alunos quando notou que uma pessoa havia entrado. — Bom dia em que posso ajudar? — Disse tirando os olhos do papel e olhando para a pessoa que chegou.
Ele manteve a expressão séria ao ver que na sua frente estava o homem que o ameaçou no dia em que sua escola incendiou, mesmo os bombeiros afirmando que o fogo foi ocasionado por um curto circuito, Camus ainda não esquecera as palavras daquele homem. — Em que posso ajudá-lo?
— Sr. Camus sou pai do Nicolas, seu aluno, sei que o senhor deve ter uma péssima impressão a meu respeito, mas quero que saiba que não tive nada a ver com o incêndio, fico grato que não tenha falado nada para a polícia ou para os bombeiros, eu teria sido preso, mesmo sendo inocente.
Ao saber que o tal homem era pai de um aluno Camus baixou a guarda, após analisar o tal homem. — Seu filho é um aluno brilhante, por que quis tirá-lo da escola? Por que queria que saíssemos daqui? Seu filho seria um dos maiores prejudicados, já que ele possui imenso talento — Questionou o professor, mas algo que Camus não esperava aconteceu o pegando desprevenido, o homem de quase dois metros de altura, que mais parecia irmão do Aldebaran, começou a chorar na frente dele.
Camus saberia reagir a gritos, ofensas, até mesmo contra violência física, mas com sentimentos? Não! O ruivo ficou sem ação por alguns minutos antes de consolar. — Não, o que está fazendo? Não...
O homenzarrão apenas soluçava, até que começou a fala: — Eu estava desesperado, estava e ainda estou, não tenho trabalho e na minha casa estamos em dificuldades, mas fico muito grato por vocês deixarem meu filho estudar aqui. De verdade, só vim me desculpar. — O homem falou em meio às lágrimas.
— Qual o seu nome? — Perguntou Camus.
— Nicolas, como meu filho, ele é o Nicolas II. — Respondeu o Sr. Nicolas sorrindo.
— Sr. Nicolas, eu sou gay. — Falou Camus analisando as reações do homem a sua frente, — E o meu noivo também trabalha aqui.
O homem o olhou sem entender, — Por que está me dizendo isso?
— Quero saber se tem algum problema quanto a isso. — Apontou Camus.
— Senhor, o que faz da sua vida privada é um problema seu, e pelo que sei nunca ninguém reclamou de sua conduta. — Respondeu o homem.
Camus sorriu e falou: — Sr. Nicolas estamos precisando de uma pessoa para ser segurança, olhar os alunos, que faça pequenos reparos, enfim, um faz-tudo, tem interesse?
O homem o olhou com alegria, e com simplicidade pegou a mão de Camus para beijá-la em agradecimento, mas o professor o impediu.
— Obrigado, obrigado! Pelos Deuses obrigado! – O homem disse secando as lágrimas com a manga da camisa.
— Venha amanhã e fale com Milo, ele irá acertar tudo com o senhor. — Pediu Camus.
O homem saiu feliz e Camus suspirou, teria que falar com Milo primeiro, assim, deixando paradas as coisas que estava fazendo, foi até a sala do administrador.
— Milo, posso entrar? — Perguntou batendo na porta, para Camus não importava a intimidade que tinham, trabalho era trabalho e eles teriam que respeitar o espaço um do outro se quisessem que funcionasse essa rotina de trabalharem juntos.
— Oi, Camus, entre. — Respondeu Milo tirando os olhos da tela do computador e olhando para o seu ruivo. — Acabei de fechar uma turma para o curso profissionalizante, sabe o curso de jardinagem e paisagismo que o Afrodite vai ministrar.
— É mesmo? Excelente notícia, Milo! — Felicitou Camus.
Milo levantou e trancou a porta da sala, puxando seu noivo pela cintura, e fazendo-o virar para si, o beijou.
Camus o empurrou. — Milo! Contenha-se! Já imaginou se os pais dos alunos nos pegam assim? Eles poderiam fechar a escola! Por favor, Milo, vamos manter a disciplina. — Ralhou.
— Camus... a culpa é sua por ser tão lindo e sedutor... não deveria nem entrar na minha sala sozinho. — Falou Milo malicioso.
— Eu te processo por assédio, Sr. Bartinik. — Falou Camus dando alguns passos para trás.
Milo sorriu e desistiu de avançar sobre o amado. — À noite eu mato minha saudade. Mas diga, meu amor, o que te traz aqui?
Camus sentou-se na cadeira de frente ao noivo e começou a falar. — Lembra que conversamos sobre contratar um segurança, que cuide da manutenção entre outras coisas?
— Sim, lembro. Eu separei alguns currículos e... — Começou Milo, mas foi corrido por Camus.
— Eu contratei uma pessoa pra essa vaga. — Camus soltou e ficou olhando a reação de Milo.
— Você... o quê? Camus, achei que tinha deixado bem claro quem faria as contratações aqui! Você não pode fazer essas coisas! — Bronqueou Milo.
— Eu sei, eu sei... e eu juro que não faço mais, mas este homem é pai de um dos meus mais brilhantes alunos... — Começou Camus pedindo com manha.
— Ser pai de um aluno não o qualifica para a vaga. — Tornou Milo.
— Não, claro que não! Mas, Milo... ele está sem trabalho há mais de um ano. — Revelou Camus.
— Ele pode estar desempregado há tanto tempo por não ser um bom profissional, já pensou nisso? — Tornou Milo sério.
Camus não tinha pensado sobre isso, mas não voltaria atrás. – Milo, uma chance, por favor!
— Se esse cara for bonito eu o ponho pra correr daqui! — Falou Milo olhando para Camus que sorriu. — E essa noite você vai ter que me recompensar por isso.
— Como quiser, Sr. Bartinik! — Camus respondeu rouco e se afastando de Milo evitando uma nova investida do noivo. — À noite, em casa terá sua compensação...!
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— Achei que não era permitido casamento gay aqui na Grécia — Comentou Shun que estava com a mão entrelaçada com a de Argol, seu namorado, o grego foi capaz de ter com Ikki e pedir permissão ao mais velho para poder sair com o jovem Shun. E Ikki permitiu o namoro, não sem antes ameaçar devidamente Argol, caso seu irmão sofresse.
— Eles vão assinar um termo de união estável aqui, logo que puderem irão para a França e se casarão legalmente lá também, mas a festa é mais pela formalidade do ato, sabe como o Camus é careta, não é? — Respondeu Hyoga levando Shun até o seu lugar e se retirando, precisava ir ao encontro de seu ex-mestre para ajudá-lo com a preparação da cerimônia.
— Quem será que vai entrar de noiva? — Comentou Matheu com Afrodite, que sorriu e respondeu: — No nosso casamento será você meu querido! Respondeu perspicaz. Ambos riram.
Kanon estava com Ralf e Shaka no mesmo banco, Saga foi convidado pelos noivos para ser mestre de cerimônia.
Marin estava deslumbrante em um vestido preto com os cabelos presos em um coque com uma bela tiara na ponta, vinha de mãos dadas ao namorado Aioria, foram convidados muitos ex. cavaleiros que agora tinham uma vida normal, mas todos mantinham contato e fizeram questão de vir prestigiar os noivos, principalmente depois de tudo que passaram.
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— Ele já chegou? Não sei por que eu pensei nisso tudo, poderia ter algo mais simples. — Camus falava nervoso. — Ele já está aí?
Camus perguntava a Issak que o acompanhava no quarto, Camus decidiu ficar as duas semanas que antecederia o casamento longe de Milo para que eles pudessem "aproveitar" a noite de núpcias, para que sentissem saudades um do outro, "Como se isso fosse necessário" , — dizia Milo, mas Camus insistiu, e no dia do casamento eles só se veriam na cerimônia, Camus não abriu mão disso, mas agora estava com medo de que Milo tivesse desistido de tudo.
— Camus se acalme o Milo está aí e ele vai casar com você. — Respondeu Issak tentando tranquilizar o ex-mestre.
— Os convidados já chegaram? O rapaz das bebidas eu acho que esqueci de falar com ele... e se faltar alguma coisa? — Camus falava apertando as mãos nervoso.
Hyoga entrou no quarto, ele e Isaak trocaram olhares e num acordo mudo trocaram de lugar: Isaak ficaria com Milo e Hyoga com Camus.
— Camus, as bebidas já foram entregues, está tudo lindo como você planejou, fique calmo. — Pediu Hyoga.
Camus se olhou no espelho checando mais uma vez sua aparência, fraque branco, gravata prateada, seus cabelos ainda curtos, mais por opção do que qualquer outra coisa.
— O buffet! Pelos Deuses! Eu não vi se está tudo bem, e o Saga, ele já chegou? — Camus voltou a perguntar ainda nervoso.
— Camus, Camus acalme-se! — Falou Hyoga olhando para seu ex-mestre. — Se continuar nervoso assim terei de pedir ao Saga para lhe aplicar um calmante.
— Eu não vou tomar calmante no dia do meu casamento! — Reclamou Camus.
— Certo, sem calmantes, mas tome essa água gelada e fique calmo, já está quase na hora. — Tornou o jovem loiro.
— Esse é um sonho antigo Hyoga, e eu queria que tudo fosse impecável. — Comentou Camus para surpresa de Hyoga que nunca imaginou que seu ex-mestre tivesse tal desejo.
— Eu não sabia. — Disse Hyoga.
Camus sorriu de leve antes de dizer: — Eu sou um tolo romântico no final das contas e tudo que sempre quis foi ter uma família... agora eu tenho você, o Isaak e o Milo, não somos uma família tradicional, mas somos uma família.
Então Camus e Hyoga se abraçaram emocionados.
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— O Camus tá bem? Ele tá pronto? — Perguntou Milo assim que Issak entrou no quarto.
O aquariano mais jovem girou os olhos antes de responder sarcástico: — O Camus vai casar com você, só não me pergunte o motivo.
Milo fez uma careta antes de falar. — Tranque as saídas Isaak, vai que o Camus recobre a razão.
Ambos riram.
— Ele está nervoso achando que você vai desistir de casar, que ele não deveria ter ficado longe, blá blá blá. — Comentou Isaak.
— Eu nunca desistiria dele, hunf! Mas, me manter duas semanas longe na seca foi demais não vejo a hora de começarmos a lua de mel, to subindo pelas paredes! — Comentou Milo se olhando no espelho e conferindo o visual, ele havia escolhido um fraque branco, como o de Camus com a gravata azul escuro, que fazia uma bela combinação com seus olhos.
— Hey! Me poupe dos desses detalhes, tem coisas que prefiro não saber. — Falou Isaak como um filho ciumento que era, e Milo o olhou através do espelho.
— Eu amo o Camus, e saiba que eu daria minha vida para fazê-lo feliz. — Falou Milo.
— Ele merece ser feliz, acho que... Eu o fiz sofrer muito, Milo... não tinha noção de como o amava, ele é meu pai, o único que conheci e demorei pra enxergar isso. — Comentou Isaak.
Milo foi até o jovem e segurou em suas mãos. — Quero que me veja como um pai também, quero que sejamos uma família. Sei que já são adultos, você e o Hyoga, mas eu gostaria muito se me dessem a chance de fazer parte dessa família.
Isaak assentiu com a cabeça e ele se abraçaram.
— Vou tentar Milo, mas não prometo te chamar de pai, mal consigo fazer isso com o Camus, sabe como é... “aquarianos”. — Respondeu Isaak, e Milo sorriu.
— Oh! Por Athena, estou entrando para uma família com três aquarianos! Destranque as portas, Isaak acho que vou fugir! — Brincou Milo.
— Tarde demais, meu caro! – Falou Isaak sorrindo.
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O casamento seria realizado numa chácara alugada pelo casal, Milo e Camus decidiram quase tudo juntos, ou, a bem da verdade, Camus decidiu quase tudo sozinho, Milo apenas concordava com seu noivo.
Os convidados já haviam chegado, Saga seria o mestre de cerimônia, os amigos estavam nas primeiras fileiras, Mu e Aldebaran seriam os padrinhos de Camus, enquanto Aioria e Marin eram os de Milo.
A marcha nupcial começou a tocar, Camus entrou pela direita enquanto Milo entrou pela esquerda, ambos se encontraram no centro, Camus ainda com o coração acelerado olhou Milo, o loiro sorriu e pegou a mão de Camus, eles fizeram o caminho até o altar juntos e de mãos dadas.
— Você está lindo... estava morrendo de saudade.... — Cochichou Milo no ouvido de Camus que sorriu.
— A intensão era essa. — Respondeu Camus.
Chegaram no altar e Saga sorriu para eles antes de começar a falar.
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Após a cerimonia em que Saga conseguiu emocionar a todos com suas palavras, os noivos abriram a pista de dança, para o espanto dos amigos mais próximos que viram Camus dançando pela primeira vez.
— Quero que o próximo seja o nosso. – Comentou Saga dançando com seu namorado.
— Acaso está me pedindo em casamento? – Perguntou o virginiano sorrindo.
— Não, ainda não, só estou te preparando, sou um homem sério Shaka, não sou um desfrutável que você vai ficar levando para cama . – Saga respondeu sorrindo.
Afrodite e Mattheu davam um show a parte na pista de dança, seguidos de Marin e Aioria.
Camus achou estranho o fato de que Isaak estava dando muita atenção ao seu colega Sorrento e Hyoga não desgrudava do irmão de seu melhor amigo, o tal Ikki, mas não quis questionar os rapazes naquela noite, essa era a noite dele e de Milo.
Olhou na direção do marido que agora conversava animadamente com Mu e Aldebaran, Camus percebeu que falavam de Kiki visto que olhavam na direção do menino, Mu estava pensando em colocar o filho na nossa escola, mas o aquariano disse que isso só seria bom se o garoto aprovasse uma vez que ele já tinha seu ciclo de amizade na escola atual.
Milo olhou na direção de Camus que sorriu sedutor, então o escopiano se aproximou e falou no ouvido do marido enquanto distribuía beijos em seu pescoço. – Acho que eu quero ir pra nossa lua de mel, hum? O que acha podemos sair “À francesa”.
Camus concordou beijando o marido e seguindo com ele para carro onde estavam suas malas.
— Os noivos partiram. – Comentou Ralf.
— Eu vi, que Athena os abençoe. — Respondeu Kanon abraçado ao namorado, eles estavam afastados da festa sentados num muro observando a festa.
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Camus estava sentado num banco na varanda do chalé falando ao celular quando Milo chegou por trás e o abraçou, o escorpiano pôde perceber que Camus estava chateado.
Quando desligou o telefone Camus ficou pensativo e um tanto triste. — O que houve, meu amor? — Questionou Milo.
— Hyoga e Isaak não estão mais juntos, você acredita? — Revelou Camus.
Milo acreditava, e tinha visto Isaak beijando o amigo Sorento enquanto Hyoga estava muito próximo do irmão de Shun, mas preferiu não comentar nada.
— Quem te contou isso? — Perguntou tentando ganhar tempo pensando em algo para dizer.
— Os dois, fizeram uma conferência aqui para me falar isso, não consigo acreditar, me esconderam o relacionamento deles por tanto tempo e agora eles falaram que terminaram há alguns meses. — Contava Camus sem acreditar.
— Camus, — Começou Milo sentando atrás do marido e o abraçando. — Acho que eles só transavam porque era escondido de você. Sabe aquela coisa perigosa que sabemos ser errado, e só por isso fazemos?
Camus não respondeu.
— Acho que quando você descobriu sobre eles, a sensação de "proibido" que eles tinham se perdeu e eles perceberam que não tinham muito a ver um com o outro. — Completou Milo.
Camus se recostou no peito de Milo pensativo. — Achei que fosse de verdade, como nós!
— Meu amor, foi de verdade enquanto durou, eles não estão agindo como estranhos um com o outro, pelo contrário, a amizade prevaleceu e é isso que importa. — Tornou Milo.
Camus concordou e ficaram juntos curtindo o frio da tarde no chalé.
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— Rápido Isaak, já vai começar! — Pediu Hyoga da sala.
Milo vinha da cozinha trazendo dois potes de pipocas, enquanto Isaak trazia uma jarra com os sucos que tinha acabado de preparar. — Já estou aqui agora, podemos começar.
Era uma tarde de domingo, Camus e Milo chegaram da lua de mel e os meninos foram visitá-los, iriam passar a tarde lá quando decidiram fazer uma maratona assistindo Senhor dos Anéis, a Saga preferida de Camus.
Milo sentou com Camus no sofá, enquanto Isaak e Hyoga sentaram no tapete de sala, cada dupla com seu balde de pipocas e Isaak preparou um dos seus deliciosos sucos.
Camus ajeitou a cabeça no ombro de Milo enquanto assistiam ao filme, ele parou para olhar em volta, Isaak e Hyoga amigos a sua frente comendo a pipoca e rindo de algumas cenas do filme, Milo ao seu lado, acariciando-o terna e distraidamente enquanto olhava para a tela.
Camus não pôde deixar de pensar em como estava feliz, se sentia pleno. Seus olhos lacrimejaram e quando se deu conta estava chorando de felicidade, chorava e sorria pensando em como havia se transformado num patético homem chorão.
Milo percebendo as lágrimas de seu marido se ajeitou no sofá assustado. — Camus meu amor, está tudo bem? Você tá sentindo alguma coisa?
Os rapazes ao ouvirem a pergunta de Milo se viraram para o antigo mestre e ao verem as lágrimas se assustaram também. – Camus, o que houve? Pelos Deuses! — Hyoga perguntou.
Camus envergonhado cobria o rosto com as mãos e tentava secar as lágrimas inutilmente. — Não... Foi... Nada... — Falou entre soluços.
— Ninguém chora por nada, Camus, diga o que está sentindo. — Pediu Milo sério.
Isaak trouxe um copo de água e Camus tomou, logo depois olhou envergonhado para todos. — Não se preocupem apenas percebi como estou feliz, com vocês aqui comigo, e quando vi eu já estava chorando, mas é só porque amo vocês.
Os três se olharam sem acreditar que o sempre tão distante e reservado Camus estava ali dizendo aquelas coisas.
— Nós também te amamos, Camus... muito mesmo, — Falou Hyoga emocionado abraçando Camus.
— Sim, meu amor... sua família te ama muito. — Declarou Milo.
— Ah! Eu sabia que as células tronco do Hyoga iam afetar o Camus! — Brincou Isaak fazendo Camus e Milo sorrir e Hyoga lhe fazer uma careta.
— Eu te amo pai. — Declarou Isaak se juntando ao abraço coletivo.
Camus agradecia a chance de ser feliz, plenamente feliz.
FIM
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