A Ultima Chance
14 Capítulo - 14
Notas iniciais
Capitulo – 14
— Radamanthys! — Disse Milo entre dentes, — O que faz aqui? seu despacho dos infernos?
Radamanthys deu uma pequena gargalhada pelo gracejo de Milo.
— Sabe como é Milo... os cavaleiros de Athena sempre terão lugar cativo no meu coração, mesmo quando não são mais cavaleiros sagrados, mesmo quando são apenas reles humanos normais, — o general de Hades piscou para Milo e continuou as provocações, — e pelo que eu saiba tem um pronto pra voltar ao mundo dos mortos!
— NÃO! — Berrou Milo, — Não ouse encostar no Camus... eu acabo com você seu desgraçado!
Radamanthys o olhou com desdém e tédio. — Não me faça rir Milo, você não conseguiu acabar comigo nem quando era cavaleiro de ouro e estava com dois amigos te ajudando, pra querer me ameaçar agora que não passa de um homem comum. Não seja ridículo!
Milo fitou Radamanthys com ódio. — Oras seu... — o namorado de Camus foi pra cima do general que sem o menor esforço se defendeu da tentativa de golpe de Milo e ainda acertou um soco em seu estômago.
Milo gemeu pela dor ao cair no chão.
— Puxa, como você é nervosinho! — Ironizou Radamanthys cínico.
— Vá embora Radamanthys, não tem nada pra você aqui. — Ordenou Milo se levantando.
— Tenho sim Milo, já disse que estou esperando um amigo seu, acho que o Sr. Camus não vai tardar a vir até mim.
— Deixe-o em paz! — Cuspiu Milo já ficando em pé novamente.
— Quem vai me impedir? Você? — perguntou rindo o general.
— Eu não vou deixar você levá-lo — Milo gritou e novamente tentou entrar numa luta com Radamanthys que, desta vez o golpeou no rosto fazendo uma fileira de sangue descer pelo seu supercílio, o general socou em várias partes do corpo de Milo o fazendo ir ao chão novamente.
Ciente de que não conseguiria sair vitorioso de uma luta corpo a corpo, Milo fez a única coisa que podia naquele momento. Tentou argumentar. — Deixe Camus em paz, ele é uma pessoa boa merece viver, ele não merecia estar passando por nada disso, — defendeu Milo emocionado, — leve a mim, deixe-o viver e leve a mim.
Uma luz passou nos olhos de Radamanthys que sorriu antes de começar a falar.
— Por que você faria isso? Por que se deixaria morrer para que ele vivesse? — Perguntou o general andando em volta de Milo que ainda tentava se levantar.
— Porque eu o amo, porque ele é uma pessoa melhor que eu, porque o Camus sempre pensou no bem-estar das pessoas a sua volta, sempre trabalhou para ajudar o próximo, ele merece viver, — falava emocionado o escorpiano de Athena, — eu vou no lugar dele, por favor, me leve e deixe-o viver em paz!
Radamanthys sorriu com desdém e voltou a falar provocando Milo. — Vai mesmo se sacrificar por seu namorado? Teria coragem de morrer para que ele vivesse?
— Sim! — Respondeu Milo sem pestanejar.
Ouviu-se a risada maligna do general de Hades.
— Milo, você deixaria aquele ruivo lindo assim de mão beijada para os outros? — Provocou Radamanthys no ponto fraco de Milo: o seu ciúme.
O escorpiano ficou paralisado com olhos confusos.
— Pense Milo, você vai estar morto e com certeza muitos virão consolar o seu ruivo que um dia vai deixar a vida dele seguir em frente sem você, hun? Já pensou nisso, seu ruivo sendo consolado por outros, nos braços de outros? — Radamanthys falava mansamente sabendo que estava no caminho certo para desestabilizar Milo.
O escorpiano gritou e tampou os ouvidos, agachando no chão, a imagem de Camus com outros doía em seu peito.
— Tá vendo? Eu não sou tão ruim como parece Milo... te abri os olhos há tempos.
Milo, chorando em seu desespero, ouvia as palavras de Radamanthys, mas ele não podia ser fraco assim, Camus merecia viver.
Secando as lágrimas e se recompondo, Milo olhou para Radamanthys e com a voz firme falou. — Não me importo, eu troco de lugar com ele, contando que Camus fique bem, que ele seja feliz.
Radamanthys olhou Milo nos olhos e o ex-cavaleiro de escorpião sustentou seu olhar.
— Tudo bem, concordo em levar você no lugar dele.
Milo sorriu aliviado e algumas lágrimas voltaram a descer sobre seu rosto. — Obrigado. — Foi o que conseguiu responder.
Milo ficou bem parado esperando o General lhe dar um golpe, cortar seu pescoço ou algo do tipo, mas o outro apenas o observava, o analisava.
— Milo, eu sou uma pessoa boa, poderia te levar agora, mas com certeza depois você ficaria me torrando a paciência dizendo que o fiz agir por pressão, blá blá blá... — começou o astuto general com sua voz mansa. — Te darei cinco dias, sim cinco dias para pensar se você realmente estaria disposto a morrer e deixar o seu ruivo delicioso, frágil e carente para os abutres aqui do mundo dos vivos.
— Uma semana? — Milo não achava que mudaria de ideia quanto a se sacrificar pelo seu amor, mas ficou feliz, pois teria mais alguns dias com Camus.
— Ok! — Falou estendendo a mão e apertando a de Radamanthys selando o acordo entre eles.
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Milo saiu da capela e foi ao quarto de Camus, ele não podia entrar visto que o ruivo estava no isolamento pela imunidade baixa, então Milo se contentava em olhar para Camus através da parede de vidro, quando Milo olhou para dentro do quarto viu Saga sentado ao lado de Camus, o geminiano segurava uma das mãos do ruivo que permanecia desacordado, Saga conversava distraído e não percebeu a chegada do amigo.
"Era disso que Radamanthys estava falando?” — pensou Milo vendo seus sentimentos enfrentarem uma batalha dentro de si, uma parte pensava em entrar no quarto e socar cada parte do corpo de Saga e outra dizia que Saga era o melhor para Camus. O amigo era honrado, sério e dedicado ao trabalho, e parecia gostar de Camus. Milo trava esta luta dentro do peito, seu coração doía como se tivesse vários golpes de facas, não pôde evitar lágrimas silenciosas de rolarem em seu rosto.
Saga percebeu que Milo havia chegado e o observava, sem graça colocou a mão do amigo de volta na cama e saiu para ter com Milo.
— Milo eu... Pelos deuses o que houve com você? — Perguntou Saga assim que viu o estado do amigo.
O escorpiano reparou que estava ferido olhou para Saga sem saber o que responder.
— Eu... um assalto!
Milo respondeu por fim, — ...ou pelo menos tentaram me assaltar.
— Venha, venha eu vou te examinar e fazer um curativo no seu rosto.
— Não Saga, não precisa eu estou bem. — Tentou argumentar Milo, mas Saga o levou para a sala de sutura.
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— Pronto, só este último ponto aqui. — Saga falava enquanto dava pontos no supercílio de Milo, o escorpiano levou cinco pontos.
Milo estava quieto apenas observava o amigo trabalhar.
— Pronto! — Finalizou o amigo.
— Você é um bom médico, Saga. — Comentou Milo.
Saga sorriu antes de dizer: — Eu tento Milo, não é uma profissão fácil, sabe... lidar com vidas, muitas vezes nos sentimos incapazes, pois existem coisas que não dependem de nós.
— Ele vai conseguir Saga, sei que vai. — Milo falou se emocionando. — No que depender de mim ele vai conseguir.
— E de mim também meu amigo. — Completou Saga.
Milo, calado com os olhos fechados, somente ouvia o que o amigo dizia.
— Sabia que foi o Camus que me aconselhou a me tornar um médico?
Milo arqueou a sobrancelha e olhou para Saga. — Não, realmente não sabia disso.
Saga sorriu e sentou próximo a Milo antes de começar a contar mais sobre como Camus o influenciou a se tornar médico.
— Quando tivemos a chance de voltar, eu me sentia muito mal e envergonhado, sabe... por tudo que eu fiz, — começou Saga meio envergonhado ainda pelas lembranças...
Algum tempo atrás...
— Voltamos Saga! Agora viveremos como pessoas normais! Isso não é ótimo? — Camus falava nos jardins da mansão Kido, onde todos os ex-cavaleiros se reuniram a pedido da Srta. Kido.
Saori Kido a reencarnação da Deusa Athena também era a herdeira da fundação Kido, sendo assim todos ganharam como uma “indenização trabalhista” uma boa quantia em dinheiro e apoio para poderem se estruturar, a fundação arcaria com os aluguéis e as despesas com o curso superior que cada um escolhesse seguir, não foi difícil para nenhum ex-cavaleiro acompanhar as aulas na universidade, pois todos sem exceção tinham uma inteligência acima do normal.
— Não sei Camus, não acho que eu mereça essa chance, não fui honrado como vocês, eu sou o responsável pelas vidas perdidas Camus, inclusive a sua. — Falou Saga cabisbaixo.
Camus observou o amigo por alguns segundos, depois colocou a mão em seu ombro e falou alegre, sim, Camus estava absurdamente feliz com a nova chance que teve.
— Saga se em outra vida você tirou vidas, nesta nova chance salve vidas, trabalhe com isso faça deste o seu sacerdócio!
Saga olhou para o amigo que sorria, e era uma coisa rara de se ver Camus sorrindo, e não era qualquer sorriso era um sorriso de alegria que iluminava tudo a sua volta.
— Você está mesmo feliz, não é? — Perguntou Saga sorrindo para o amigo.
—Sim meu amigo, estou muito feliz! Athena agraciou Issak, meu ex-pupilo com a vida também, e eu e Milo, bom você sabe... — Falou Camus corando um pouco, — Nós nos acertamos, e Saga... vou ter uma família, eu sempre quis uma família, já tenho tudo em mente vou alugar um apartamento, o Issak e o Hyoga irão morar comigo, assim que nos formarmos eu e o Milo nos casaremos e vou ter uma família! Uma família, Saga! Isso é tudo que eu sempre quis e acho que seremos uma família feliz eu, o Milo e os meninos.
Saga sorriu para Camus. — Eles sabem dos seus planos? Os planos de uma família feliz?
— Não, não sabem, mas o que poderia sair errado? — Perguntou Camus com os olhos cheios de esperança.
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— Aquela conversa fez com que, de alguma forma, eu pudesse reparar o mal que fiz e por isso resolvi seguir a medicina. — Falou Saga terminando seu relato.
Milo, que ouvia a tudo quieto, se emocionou novamente.
— Uma família? Era o que ele queria, mas nada foi como o planejado, Issak ficou mais rebelde a cada dia, o Hyoga se recusou a morar com ele e eu... Por mim moraria com ele, na realidade depois de vencida a barreira para poder dormir lá na casa dele eu teria me mudado de vez, mas nós brigávamos muito e eu sempre quis manter meu apartamento para poder voltar quando brigávamos, o que ultimamente nós fazíamos muito.
— Milo, o Camus é o cara mais careta que eu conheço, talvez ele esperasse um pedido de casamento? Ou o momento certo para te pedir em casamento. — Arriscou Saga.
— Casar? Mas Saga... nós éramos praticamente casados. — Disse Milo se justificando.
— Praticamente casado, não é ser casado, vocês são namorados, não casados. — Tentava explicar o óbvio Saga, — Milo pra alguém como o Camus isso faz sim toda a diferença.
— Se era tão importante assim, por que ele nunca me pediu? Por que ele nunca tocou neste assunto? — Questionou Milo que aos poucos foi se lembrando de situações em que o seu ruivo falava sobre casamentos, sobre uma união oficial e como ele, Milo, sempre dizia que aquelas formalidades eram bobagens.
— Nunca consegui enxergar os desejos dele Saga, acho que nunca consegui fazer ele feliz de fato. — Lamentou Milo.
— Milo... — Saga queria dizer que sentia muito, mas falar isso era como se estivesse sentenciando o ruivo à morte, então apenas continuou brandamente. — Ele vai ficar bom, e você vai poder ser mais atento do futuro.
Milo olhou para Saga e perguntou. — Você vai cuidar dele não vai? Promete-me isso, que vai cuidar dele.
— Claro que vou Milo, nós vamos! — Saga falou tentando acalmar o amigo sem entender o que Milo tentava dizer nas entrelinhas.
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— Pelos Deuses, ainda não acredito nisso! — Falou Aioria, estavam todos reunidos na casa de Aioros, o irmão viajou apenas para assinar os papéis que oficializava sua união com Shura e já estavam de volta.
— Tudo assim, tão de repente, — Comentou Aioros, — muito triste isso.
— Aioros, se eu soubesse que isso ia acontecer... que ele iria passar mal... eu teria ido com ele direto ao hospital, não tinham estragado sua festa e talvez ele estivesse melhor, mas não percebi sua febre... — suspirou Shaka se sentindo culpado. — Estava tão óbvio, os casacos, ele estava com frio, me sinto péssimo com isso...
— Não se culpe Shaka, não pela festa, a vida do nosso amigo não tem preço. — Shura tentou confortar o amigo.
— E nem da febre você tinha como saber, acho que nem o Camus percebeu isso. — Falou Aldebaran.
Hyoga e Issak estavam calados, haviam aceitado o convite de Aioros para tentarem se distrair e comerem alguma coisa.
— Que fase difícil nosso amigo passou e está passando. — Novamente falou Aioria.
— Má Dio santo, o francês não merecia isso... — Comentou realmente sentido Matteu, o italiano era assim canastrão, mas de um bom coração no final das contas.
— Mas me conta mais sobre este caso do reitor que o assediou e sobre essa demissão ou desligamento da universidade. — Pediu Aioria com olhos estreitos seu lado de advogado trabalhando em sua mente.
Quem contou tudo foi Mu, de como Camus foi assediado e como foi desligado sem aviso do seu antigo emprego.
Aioros conhecia o irmão, e se ele estivesse certo o tal Tobias iria se arrepender muito de seus atos.
No outro canto, Aldebaran conversava com os ex-pupilos de Camus.
— ...Então foi assim Debas, ele nos procurou, mas briguei com ele por ele ter visto o Hyoga lá comigo, não tínhamos contado sobre o namoro. — Confessava Issak com pesar.
— Você sempre foi duro com ele Issak, isso o magoou muito. – Lembrou o taurino.
— Eu sei Debas, e me arrependo disso, das vezes que tentei o afastar de mim, hoje daria tudo pra ter ele aqui, ralhando comigo por eu ter feito alguma escolha que não visasse o meu futuro. — Comentou Issak e Hyoga sorriu triste ao lembrar-se do jeito sempre responsável de seu mestre.
— Ele vai melhorar e vocês vão ter a chance de se entenderem com ele.
— É só o que eu quero Debas. — Declarou Hyoga triste.
Neste momento o telefone da residência de Aiorios tocou, uma empregada foi atender, e logo a moça o chamou. – Sr. Aiorios, é do Hospital.
Todos se calaram.
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Saga acabou de sutura o supercílio de Milo e ambos foram até o quarto do ruivo, Camus estava no isolamento, mas Saga como médico do hospital deixava Milo ficar um pouco com seu amado. Quando chegaram ao quarto viram pela parede de vidro o Dr. Robert examinando Camus os dois então decidiram esperar do lado de fora até que o médico terminasse.
Alguns minutos depois o médico deixou o quarto com uma expressão suave, Milo percebeu.
— Tenho boas notícias: Ele parece estar começando a reagir, isso é muito bom! E tenho outra boa notícia, encontramos o doador.
— O quê?!? — Falaram Saga e Milo quase que em conjunto. — Quem?!? — Tornaram a perguntar juntos.
Dr. Robert sorriu para os dois, mas acrescentou sério, — Não quero me precipitar, ele está muito fraco ainda e não resistiria ao transplante se o fizéssemos hoje, um dos seus amigos tem o sangue compatível, mas temos que esperar até que o Camus melhore.
— Me diga quem é o doador, temos que mantê-lo por perto. — Pediu Saga sensato.
— Claro, claro, — concordou o médico, — eu deixei a ficha dele na minha mesa, vamos até minha sala.
— Doutor, por favor, será que Milo pode ficar um pouco com o Camus. — Pediu Saga.
— Saga, ele está no isolamento... — Começou o médico.
— Por favor, doutor, eu... Só um pouco. — Milo pediu suplicante.
O médico bufou e concordou, não antes de ditar as regras, — Tem que se higienizar, prender os seus cabelos, colocar a máscara e a roupa especial, Milo entenda que ele está com a imunidade baixa, muito baixa, uma gripe, por mais fraca que seja pode matá-lo, então seja cuidadoso, sim?
Milo concordou com a cabeça e foi para a higienização.
Assim que entrou segurou a mão de seu amado, não pôde evitar as lágrimas de caírem, Milo chorou de tristeza por ver Camus naquele estado tão frágil, “como é duro ver alguém que amamos numa situação assim”, de alguma forma Milo sentia-se responsável pelo estado do namorado.
— Camy... será que um dia você vai me perdoar por ter sido tão idiota com você?
Milo conversava sozinho, visto que seu namorado estava inconsciente. — Eu te amo tanto, não sei nem definir, mensurar o quanto, quero que seja feliz, mesmo não sendo ao meu lado.
Novamente a voz ficou embargada.
— Você tem que ser feliz Camus, tem a obrigação de ser feliz... de refazer sua vida.
Milo beijava a mão de seu amado quando Saga entrou no quarto. O escorpiano olhou para o amigo secando os olhos e sorriu. — Me promete que vai cuidar dele Saga, prometa que não vai o desamparar.
— Claro que prometo Milo, já disse isso vamos cuidar dele. — Respondeu o geminiano novamente sem perceber o significado daquelas palavras.
Milo levantou e começou a falar sobre o jeito de Camus, — Tem que ser firme com ele Saga, o Camus vive para o trabalho ou para os meninos, tem que ser firme ou ele não descansa.
Milo voltou a olhar o rosto do seu ruivo e continuou, — Se não bater o pé pra sair, ele sempre vai preferir ficar em casa, mas quando sai sempre se diverte, vai ver que ele está sempre preocupado se estamos nos alimentando bem, mas ele mesmo mal come... talvez se eu tivesse prestado atenção nisso o Camus estivesse bem, se eu não fosse tão egoísta teria percebido os sinais dessa maldita doença.
— Não se culpe, Milo – Pediu Saga.
Milo voltou a se sentar ao lado de Camus, acariciou seu rosto e falou com a voz terna. — Dormir ao lado dele é um presente dos deuses, olhar seu rosto despertando é tão lindo, o cheiro dele é tão inebriante, a pele é tão alva que a um toque mais firme a deixa marcada, e o sorriso que ele sempre me dá pela manhã, antes de se levantar para cuidar de mim...
Saga nada disse, apenas observava o amigo triste.
Algumas lágrimas de Milo caíram nas mãos de Camus.
O ruivo ouviu de longe a voz de Milo e fez o possível para chegar até onde estava o dono da voz, seus olhos estavam pesados, mas sentiu o toque de Milo em sua mão, então se forçou a abrir os olhos.
Primeiro um grande borrão em sua frente, tudo estava fora do foco, até que, aos poucos a figura do seu amor começou a tomar forma.
"Por que Milo estava usando aquelas coisas? Onde eu estou?"— perguntava-se o ruivo.
Milo ainda chorando segurava a mão do amado e não viu que estava sendo observado, até que uma mão secou suas lágrimas o assustando.
Olhou na direção do ruivo e seus olhos se encontram, Milo sentiu o coração acelerar, uma alegria que parecia querer explodir em seu peito.
— Camy... Camy, que susto meu amor, nunca mais faça isso comigo! Camy eu... — Milo não conseguiu terminar de falar, pois Camus colocou a mão em sua boca o silenciando.
— Ele quer te dizer algo Milo, chegue mais perto. — Disse Saga que tinha acompanhado a cena.
— Mas, o quê? — Milo começou e logo silenciou abaixando a cabeça para poder escutar a voz de Camus que estava muito fraco e sua voz não saia mais que um sussurro.
— Eu te amo Milo, te amo muito. — Conseguiu sussurrar Camus usando toda a energia que possuía.
Milo ao ouvir as palavras do amado soluçou emocionado. — Eu te amo, Camus.
Respondeu o loiro se inclinando e tocando a boca de seu amado ainda que por cima da máscara que usava.
— Camus que bom que acordou, você está no hospital, passou mal na festa e o trouxemos para cá. Você se lembra disso? — Começou Saga que como médico tinha que examinar o amigo e situá-lo do ocorrido.
Camus apenas confirmou com a cabeça.
— Meu amigo, estamos cientes do seu estado de saúde, já temos um doador e agora só cabe a você melhorar para que possa dar prosseguimento ao tratamento. — Saga informava vendo Camus olhar para Milo, talvez procurando algum sinal de pena ou rejeição, mas Milo emocionado falou.
— Por que passou por isso sozinho Camus? Por que escondeu de mim? Meu amor não sabe que você é minha vida, que sem você eu não sou nada?
— Milo, não é hora para cobranças, ele tem que descansar, só esclareça os maus entendidos recentes para que ele fique em paz, sem pensamentos negativos. — Pediu o médico sensato.
Milo concordou com a cabeça e começou a falar. — Meu amor! Me perdoe, eu não... Eu sou um idiota, Camus, nunca estive com o Kanon, o pobre só me ajudou a fazer ciúmes para você, sei que fui idiota, babaca, infantil e... — mais uma vez Camus colocou os dedos nos lábios no namorado o impedindo de continuar.
— Eu te amo... — Sussurrou novamente o ruivo com a voz fraca.
Milo segurou a mão do namorado e beijou, fazendo Camus sorrir. O ruivo tentou afastar a máscara que o namorado usava, mas foi Saga quem impediu e informou.
— Camus seu estado é grave, muito grave. Sua febre cedeu há pouco, sua imunidade está muito baixa, por este motivo você está no isolamento, você não pode sair do quarto e não pode ter contato físico com ninguém. O Milo está aqui porque é um teimoso desobediente, mas ele tem que usar a máscara e essa roupa assim como eu e qualquer médico que venha aqui. — Explicou o amigo.
—Assim que você estiver mais forte vamos fazer o transplante, mas pra isso você tem que se fortalecer, precisa descansar. — Saga olhou para Milo e continuou — Milo eu vou falar com o Dr. Robert que é o médico dele, por favor, não o deixe se esforçar, não o deixe ficar nervoso ou emocionado.
Saga sorriu para eles antes de sair.
Assim que Saga saiu Camus e Milo se olhavam intensamente.
Camus pensava que com Milo ao seu Lado não iria sucumbir ao desafio imposto por Radamanthys, pois já sentia todo seu corpo vibrar com a vontade de viver, com a felicidade de saber que seu Milo o amava e estaria para sempre ao seu lado.
Já Milo olhava seu amado com a certeza de que morreria feliz, se isso significasse livrar seu Camus da morte, se fosse para ver seu amor bem e saudável ele morreria em seu lugar de bom grado.
— Meu amor, vai me prometer que vai ser muito feliz, quando sair desse hospital, vai lutar sempre para ser feliz. — Pediu Milo beijando a mão do seu amado ruivo.
Camus sorriu fraco, estava muito debilitado para que pudesse falar em voz alta que sua felicidade estava ligada a Milo, então se limitou a apertar a mão de Milo.
*_*_*_*_*
Sentado com um copo de whisky na mão, Radamanthys observava as almas ao longe, seguindo o caminho de condenadas para a Colina do Yomotsu, com Hades "dormindo" novamente talvez aqueles condenados tivessem alguma chance.
Sentiu a presença de seu irmão que sentou ao seu lado e como Radamanthys passou a observar as almas, após um tempo perguntou. — Acha que vai dar certo?
— Sim, tenho certeza, eu fiz uma boa escolha. — Respondeu o loiro.
Minos sorriu.
— Está se arriscando demais, por que não o traz logo de uma vez? — Questionou.
— Porque não pode ser assim, sabe disso "livre arbítrio" e "sacrifício" não pode ser de outro jeito. — Respondeu Radamanthys, — e além do mais não é aqui... Você sabe o que eu quero.
— Você realmente gosta dele não é? Ele conseguiu te impressionar, para você ter todo este trabalho. — Perguntou Minos sorrindo torto.
— Assim como você gosta da sua rosa veneno. — Respondeu o loiro devolvendo o sorriso.
— Então é sério, porquê eu amo o meu Al. — Respondeu firme Minos.
— Eu sei que é sério quase duzentos anos juntos, pra mim é mais do que sério. – Falou sacana o loiro escorpiano.
— Acha que ele vai te aceitar? Que vai ficar com você assim? — Perguntou Minos.
— Não foi fácil pra você, não vai ser fácil pra mim, mas confio no meu taco, eu sei o que quero e eu quero uma vida com ele e eu vou conseguir você vai ver. — Profetizou Radamanthys com os olhos brilhando.
Ambos se calaram e passaram a observar as almas novamente.
De uma coisa Radamanthys tinha certeza: escolhera certo e agora faltava pouco para que seu objetivo fosse concluído, tomou outro gole de seu whisky e sorriu.
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