A Ultima Chance
12 Capítulo - 12
Notas iniciais
Capítulo – 12

O fogo estava muito alto toda a escola estava sendo consumida em chamas, Camus gritava em desespero, tentava a todo custo queimar o cosmos, se fosse cavaleiro de gelo conseguiria apagar as chamas, mas foi em vão ele já não era um cavaleiro de ouro, nem ele, nem seus amigos que assistiam a tudo com o gosto amargo da impotência.
— FAÇAM ALGUMA COISA! NÃO DEIXEM A ESCOLA SE ACABAR ASSIM, POR FAVOR! — Berrou Camus dessa vez aos prantos.
Mu não saberia dizer o que era mais triste, ver a escola em chamas ou o desespero do amigo que se debatia nos braços de Aldebaran.
Os bombeiros estavam lá, Zima se aproximou em prantos e Aldebaran achou que era seguro soltar o amigo.
— Camus nossa escola... o que fizeram com ela? — A diretora perguntou soluçando abraçando o amigo que nada respondeu apenas manteve seu olhar perdido para as chamas.
— Ela está vazia? Tem alguém lá dentro? – Perguntou preocupado, e a mulher negou com a cabeça.
O ruivo se desvencilhou da diretora e correu mais pra perto da escola, o calor era intenso, as fuligens caíam por toda parte sujando seu rosto, seus cabelos, aproximou-se do portão os bombeiros não deixaram que se aproximasse mais, contudo de onde estava conseguiu ver seu novo laboratório explodindo com todo o material recém-adquirido.
Tudo estava ali seus equipamentos, seus sonhos, sua chance... e agora tudo havia acabado, Camus sentou na calçada do outro lado da rua com os olhos perdidos observando “sua” escola se acabar em chamas.
Quando os bombeiros conseguiram controlar as chamas não havia muito da escola para ser salvo.
Shaka observou o amigo que tinha passado do mais puro desespero ao estado catatônico. Ele só olhava para as chamas e os escombros com o olhar mais triste e perdido que Shaka já havia visto na vida.
— Camus, — chamou timidamente, — vamos, não tem mais nada pra fazer aqui, vamos embora.
Mu e Deba concordaram, mas Camus não se moveu os amigos se entreolharam preocupados.
Mu se aproximou do amigo tocando em seu braço. — Vamos amigo, venha.
Sem dizer nada, e com o olhar perdido, Camus se deixou ir, não disse nada no trajeto, era como se não estivesse ali.
*-*-*-*-*-*-*-*
Já no apartamento de Camus, Shaka e Mu guiaram o amigo até o quarto.
— Vamos Camus, precisa tomar um banho, tirar essa sujeira de cinzas e descansar um pouco, — pediu o doce Mu, mas Camus não respondia, de fato parecia que ele não estava ali.
Mu e Shaka se olharam e o loiro começou a despir o amigo.
— Você vai tomar um bom banho relaxante e tenho certeza de que vai se sentir melhor, — falava enquanto com a ajuda de Mu tiravam as roupas de Camus, levaram um choque ao ver o amigo nu, sua magreza antes disfarçada com as roupas ali ficou evidente. Mu não pode impedir algumas lágrimas de cair.
Shaka ligou o chuveiro fazendo a água morna rolar pelo corpo do amigo, não foi um banho demorado, lavaram seus cabelos curtos e seu corpo magro.
Mu foi providenciar algo para o outro vestir, mexeu nas gavetas e encontrou os pijamas, separou um de manga e calças de algodão azul claro.
Aldebaran na cozinha preparava um caldo e um chá.
Shaka saiu do banheiro com Camus, o amigo ainda estava em choque, não reagia a nada, não falava nada. Os amigos o vestiram, Mu penteou seus cabelos, Camus era como um boneco sem movimentos, logo Aldebaran entrou com o caldo.
— Camus precisa colocar algo no estômago, vamos... tome, experimente meu caldo de carne vai te fazer bem.
Camus teve a primeira reação desde que saíram da escola, fechou os olhos e virou o rosto, estava enjoado e não queria comer nada.
Shaka entendeu e fez sinal para Aldebaran não insistir, junto com Mu arrumou a cama e ajudou Camus a se deitar, o cobriram, apagaram a luz e foram para a sala.
— Temos que fazer alguma coisa nosso amigo está morrendo não podemos ficar aqui de braços cruzados esperando, nossos amigos têm que saber o estado dele, o Milo, os meninos... eles têm o direito de saber. — Mu falou triste ao ver o estado do amigo.
— Tem razão Mu, não temos como manter a promessa que fizemos a ele, — concordou Shaka, — e alguma coisa me diz que ele vai piorar, depois de hoje, acho que a escola o ajudava a se manter de pé.
Estaremos todos reunidos no casamento do Aioros e do Shura é depois de amanhã, estarão todos lá, acho que o Camus não vai querer ir, assim juntamos todos e revelamos. — Sugeriu sabiamente Aldebaran.
*_*_*_*_*_*_*_*
Milo estava em casa, mas um aperto em seu peito o incomodava. Ele conhecia aquela dor, era a dor de amor, a dor da saudade.
Pegou uma foto de Camus e deitou no chão abraçado a ela.
— Ah! Camus, como eu te amo, meu amor volta pra mim. — Emotivo deixou alguma lágrimas rolarem. — Eu vou mudar... vou melhorar, vou merecer você de volta.
Profetizou o loiro abraçado à foto do ex-namorado.
*_*_*_*_*_*_*_*_*
Hyoga estava inquieto, foi para a janela e voltou algumas vezes até que Issak reclamou.
— O que você tem Hyoga? Que não para quieto no canto.
Hyoga olhou o namorado e falou, — Não sei, estou angustiado como se alguma coisa ruim estivesse para acontecer.
— Que coisa? Do que está falando, Hyoga?
— Não sei, não sei, — Hyoga suspirou e continuou, — fui no Camus hoje e ele não estava lá, não consigo falar com ele pelo celular, não sei Issak... tem alguma coisa errada! Amanhã vou procurar o Milo, ele deve saber de algo.
— Acho que dessa vez ele ficou chateado mesmo, né? — perguntou Issak já sabendo a resposta, era estranho, Issak sempre quis que seu ex-mestre se afastasse, mas sentiu um aperto no coração ao imaginar que enfim tenha afastado Camus de vez.
— Vamos dormir, ele deve estar bem, o Camus sabe se cuidar, — pediu Issak deitando no sofá cama.
— Eu não quero ele magoado com a gente, precisamos vê-lo. – falou Hyoga angustiado
Issak pensou um pouco antes de responder, — Vamos vê-lo no casamento! Acalme-se, daqui a dois dias você vai ver seu mestre.
Hyoga sorriu e colocou a mão na testa, — sim, o casamento eu tinha esquecido.
Mais tranquilo com isso Hyoga foi se deitar ao lado do namorado, mas ainda assim sentia uma angústia grande em seu peito.
*_*_*_*_*_*_*_*
Shaka ligou para o Dr. Rorbert contando sobre o ocorrido e do estado do atônito do amigo.
O médico foi até o apartamento de Camus, examinou o professor que continuava catatônico.
— Está em choque, acho que ele devia gostar muito daquele lugar. — Ponderou o médico.
— Sim, acho que a escola de certa forma o ajuda a ficar bem — Comentou o observador Shaka.
— O que vai ser dele agora? — Perguntou Mu preocupado.
— Ele está sem febre, isso é bom, mas ele está muito fraco, por mim o internaria para que ele recebesse os cuidados no hospital, — o médico olhou sério os homens ali presentes, — ele precisa de cuidados, o tratamento não está surtindo efeito, se ele sentir febre levem-no para o hospital, se ele não se alimentar, levem para o hospital, essa é uma fase crítica, não podemos brincar, ok?
Todos concordaram.
— Eu dei um forte calmante a ele, provavelmente vai dormir até amanhã à tarde, quando ele acordar me avisem, vamos ver como ele estará, em caso de febre vamos interná-lo.
O médico foi embora e os amigos ficaram na sala conversando.
— Está resolvido, vamos falar com todos no casamento, sei que vai ser triste pro Aioros e pro Shura, mas não podemos esperar mais, acho que o Camus não vai querer ir, o que vai nos dar a oportunidade de falar com os outros. — Aldebaran falou sério.
— Pelos deuses, o Kiki! — Mu falou dando um pulo do sofá.
— Acalme-se Mu, eu liguei para os pais do amigo dele pedindo para que ficassem com o nosso pequeno, fiz isso enquanto vocês estavam cuidando do Camus.
Mu sorriu e abraçou seu marido. — O que seria de mim sem você, Aldebaran?
— Bom, como faremos? Um de nós tem que ficar com o Camus, não podemos deixá-lo sozinho, não mais.
— Eu fico hoje, amanhã um de vocês troca comigo. — Ofereceu Aldebaran.
Todos concordaram ficariam revezando até que Camus estivesse melhor.
*_*_*_*_*_*_*
Milo não dormiu bem aquela noite, teve sonhos confusos e por várias vezes teve ímpetos de ir até a casa do seu amado, mas continha-se, pois sabia que teria que se tratar antes de tentar falar com Camus novamente.
Foi trabalhar ainda se sentindo mal.
*_*_*_*_*_*_*_*
Camus acordou, já passavam das duas horas da tarde do dia seguinte, meio zonzo, sentia o corpo pesado, sentia-se fraco.
Ficou imóvel olhando para o teto quando as lembranças do incêndio vieram a sua mente, "está tudo acabado" — pensou o ruivo.
Com o semblante triste ele virou-se na cama e pegou um porta-retratos que estava virado para baixo ao lado de sua cama, ali havia duas fotos: uma dele com Milo e outra dos quatro, os dois namorados e os meninos que sorriam para ele.
Camus lembrou-se de quando aquelas fotos foram tiradas.
Suas lembranças viajaram para aquele dia.
Algum tempo atrás, aniversário de Camus...
Camus vinha pelo corredor da universidade acompanhado de Tobias, o reitor.
— Meus parabéns pelo seu aniversário, Camus! — Cumprimentou.
—Hã... Obrigado. — Respondeu Camus sem graça.
— Podemos almoçar juntos, assim continuamos a conversa sobre a captação de verbas, — sugeriu o reitor.
— Desculpe Tobias, mas hoje tenho um compromisso no horário do almoço.
— Entendo, vai almoçar com aquele seu amigo? — Falou com certo desdém na voz Tobias.
— Não, não vou almoçar com meu namorado hoje e sim com um possível investidor. — Respondeu Camus corrigindo o reitor, não ia permitir que ninguém tratasse seu amor por Milo como algo feio ou errado.
Por falar em Milo essa manhã tiveram uma briga daquelas, pois Milo queria almoçar com o namorado para comemorarem o aniversário de Camus, contudo a secretária do professor havia marcado um almoço com o possível investidor o que fez Camus abdicar do convite de Milo, que logo fez uma birra imensa.
— Entendo... boa sorte então, e volte com um cheque. — Ordenou Tobias antes de se despedir.
— Bom dia Sr. Du Versau, tem um senhor o esperando na sua sala. — Avisou a secretária assim que avistou o ruivo.
— Ok, obrigado Marie.
Camus agradeceu antes de entrar na sala e dar de cara com o amigo.
— Aioria? Pelos Deuses que surpresa! — Cumprimentou o amigo com um abraço. — Lamento dizer, mas estou de saída tenho um almoço com...
Camus não chegou a dizer com quem almoçaria, pois foi cortado pelo amigo.
— Comigo, fui eu quem agendou com sua secretária há quatro meses. — Avisou Aioria firme, mas com um meio sorriso no rosto.
Camus estreitou os olhos para o amigo o analisando. – Aioria, se isso for alguma ideia estapafúrdia do Milo eu...
O professor não terminou de falar, pois foi cortado pelo advogado novamente, — Camus sabe quanto custa uma hora do meu dia? Estamos perdendo tempo aqui, e tempo é dinheiro, então vamos.
Camus colocou seu terno caqui e seguiu o advogado, pensando “se isso foi armação de Milo, aquele escorpiano vai se arrepender”.
Seguiram no carro de Aioria até o porto.
— Vamos, é por aqui. — Indicou o caminho Aioria saindo do carro e entrando num barco.
— Um barco? — Camus perguntou surpreso, aquilo estava ficando cada vez pior, ele pensava em várias maneiras de matar Milo.
*_*_*_*_*_*_*
— Acho que o Camus vai pirar. — Comentou Issak rindo e foi acompanhado por Hyoga.
— Acho que ele vai se segurar, por que estão todos aqui, mas depois ele vai matar o Milo, sabe como ele odeia estas coisas. — Tornou Hyoga ainda rindo.
— Então está tudo certo? Por que eles estão demorando tanto? Será que o Aioria não conseguiu trazer ele? – Perguntava Milo que estava um poço de nervos, havia planejado aquilo há muito tempo e conseguira enganar Camus naquela manhã para que o namorado não desconfiasse de nada.
— Acalme — se Milo, eles logo estarão aqui. — Falou Kanon dando uma bebida para o amigo.
— São eles, estão chegando! — Falou Mu, olhando pela janela.
Todos tomaram seus lugares à espera do ruivo.
Quando estavam se aproximando da pequena ilha, Camus viu uma deslumbrante mansão branca no alto dela, tudo perecia ser muito luxuoso.
Assim que desembarcaram Camus precisou de todo seu autocontrole para não ter um acesso de fúria, ele realmente estava irritado, dessa vez Milo havia passado de todos os limites.
Aioria usando seu Ray Ban clássico seguiu na frente e tentava não rir do jeito sisudo de seu amigo.
Subiram um caminho com pedras brancas, apesar de não haver muros em volta da mansão e sua frente e lateral ser toda em vidro fumê quem subia não conseguia ver o que se passava dentro dela, assim que chegaram na porta ouviram os gritos.
— SURPRESA!!!
Camus olhou em volta todos seus amigos estavam ali, além é claro de seus pupilos e os amigos deles, o aquariano teve vontade de virar e sair correndo, talvez tivesse feito isso se não estivesse em uma ilha, precisando de todo seu autocontrole, ficou parado na porta com seu rosto impassível.
Milo se aproximou e foi dar um beijo em seu namorado, mas Camus desviou o rosto, por dois motivos, primeiro porque não gostava deste tipo de coisa em público e segundo por estar muito bravo com o namorado.
Assim desviou de Milo e foi cumprimentar os seus amigos que ali estavam.
Milo sorriu de canto, já esperava por isso, era sempre assim, Camus sempre ficava bravo no início, mas depois relaxava e se divertia.
Os amigos vieram cumprimentar o aniversariante, que apesar de estar bravo com Milo foi educado com cada um, afinal todos haviam deixado seus afazeres para estarem ali o prestigiando e não seria educado da parte de Camus não reconhecer isto.
Após falar com os convidados Camus sentou-se próximo aos pupilos e logo Milo foi sentar ao seu lado.
— Camy, não fica bravo, foi uma surpresa, hum? Chamei todos nossos amigos, é pra ser uma tarde feliz. — Falou Milo com cara de cachorro que caiu da mudança.
Camus sem querer fazer alarde do quanto estava zangado virou-se para Milo e começou a falar entredentes. — Você passou dos limites Milo, envolveu meu trabalho nisso, envolveu Aioria! Eu tinha marcado uma reunião com investidores, mas terei que chegar mais tarde dizendo que foi um engano. O que meu chefe vai pensar de mim? Que sou um irresponsável, um moleque.
Camus despejou o que mais o estava irritando, não era do seu perfil agir com irresponsabilidade, mentir no seu trabalho era inaceitável, aceitaria uma festa surpresa, afinal não era a primeira que Milo fazia isso, mas envolver seu trabalho, isso já era demais.
— Ah! É isso? — Respondeu Milo cínico, afinal ele sabia muito bem que Camus se zangaria.
Hyoga e Issak deram um jeito de saírem sem serem notados para que não presenciassem a discussão.
— Você não vai relaxar, não é mesmo? — Perguntou Milo tentando parecer sério, — Ok! Eu ia fazer isso mais tarde, mas quero que você relaxe e aproveite a festa, então...
Milo procurou alguém com o olhar e assim que o avistou o chamou, — Aioria, por favor, podemos começar?
— Mas já? — O leonino respondeu, mas percebendo a cara de Camus entendeu. — Ok, ok vamos começar então.
O leonino foi para frente do salão e pediu a atenção de todos.
— Boa tarde, meu amigos! Como sabem sou advogado.
— O melhor de todos! — Gritou Aioros coruja.
Aioria sorriu apontou os dedos para o irmão e piscando, concordando com o que o outro tinha dito e isso arrancou algumas risadas dos presentes.
— Obrigado, irmão! — Aioria falou convencido ainda brincando. — Mas voltando ao assunto, algum tempo atrás nosso amigo Milo me procurou pedindo que eu o ajudasse em uma tarefa: conseguir arrecadar verbas para as pesquisas de Camus na universidade.
Neste momento Camus virou-se para o Milo com seus lindos olhos cor de mel avermelhados, que demostravam surpresa, e neste mesmo momento um vídeo começou a passar num telão.
Camus reconheceu o vídeo era o mesmo que ele usava nas apresentações e palestras onde tentava conseguir investimentos, no vídeo estava sendo explicado o projeto "Laser Vida", era sobre um laser que estava sendo desenvolvido que seria capaz de fazer cirurgias em recém-nascidos, crianças e até mesmo em fetos, onde não haveria cortes e a recuperação seria menos dolorida e muito mais rápida.
Todos estavam encantados com o projeto, Saga procurou os olhos de Camus e sorriu, o ruivo o sorriu de volta. Camus havia tido a idéia do laser após uma conversa com o amigo médico que relatou o quão sofrido era a recuperação e a baixíssimas chances de vida dos prematuros.
Após o termino do vídeo todos aplaudiram Camus pela iniciativa e pelo trabalho.
— Muito bem, palmas ao nosso amigo, pois ele merece, — Incentivava Aioria sorrindo, — Então incumbido da tarefa de consegui verbas eu e Milo começamos a visitar possíveis doadores e hoje após quase cinco meses de labuta estamos aqui para comemorar as nossas conquistas.
Camus estava literalmente boquiaberto e olhava de Aioria para Milo que lhe sorria seu sorriso mais bonito.
— Camus! Aqui estão as empresas que aceitaram fazer uma doação e, é claro, será interessante colocar o nome delas nos agradecimentos sempre que for palestrar, — falava Aioria com a desenvoltura que sua profissão exigia, o leonino se aproximou e entregou um envelope ao ruivo.
Camus ainda estava estupefato com os acontecimentos pegou o envelope com as mãos trêmulas, quando abriu vou um extrato bancário em nome de sua pesquisa com o valor de quinhentos mil dólares, o ruivo arregalou ainda mais os olhos e olhou para Milo.
— Você fez isso? Cinco meses? Milo! — Camus dizia ainda de forma atropelada.
— Fiz! E acho que eu mereço um beijo! — Dizendo isso Milo roubou um beijo do seu ruivo que cedeu por ter sido pego de surpresa, todos deram vivas e aplaudiram, findando o beijo, os enamorados ficaram com as testas coladas.
— Obrigado Milo. — Camus agradeceu.
— Hum acho que eu mereço ser bem tratado hoje! — Milo cochichou no ouvido de Camus.
Levantando a sobrancelha Camus perguntou: — Que tipo de agradecimento você está pensando?
— Não sei, mas algo que envolva algemas, látex e um chicote! — Sugeriu Milo rindo, e foi acompanhado por um Camus ruborizado.
Após a apresentação de Aioria alguns amigos foram cumprimentar Camus, outros queriam saber como poderiam contribuir com doações, passando este momento Camus se via muito mais relaxado e feliz de fato, pôde então perceber a decoração da festa, haviam cartazes espalhados pelo salão, "Nós te amamos Camus, mas o Milo te ama mais" — Camus não pôde deixar de rir com aqueles cartazes, aquilo era típico do seu namorado.
A festa seguiu animada, foi servido o almoço, camarões ao molho de quatro queijos, um dos pratos prediletos de Camus, por volta das dezessete horas um dos trabalhadores da ilha avisou que os barcos deixariam a ilha em alguns minutos. Todos se levantaram para irem embora e vieram se despedir de Camus e Milo, contudo o aquariano não estava entendendo por que vinham se despedir deles, afinal eles também iriam embora, não iriam?
— Milo, vamos... — Começou Camus vendo que o namorado continuava sentado.
— Nós vamos ficar, Camy... nossa comemoração está só começando.
— Ficar? Como assim, Milo? Eu não trouxe roupas e têm os meninos eles vão ficar sozinhos...
Milo girou os olhos antes de falar. — Acho que eles já estão bem crescidinhos, Camus, e além do mais, eu pedi que Kanon cuidasse deles.
— O Kanon? Ele é um depravado Milo! — Ralhou o ruivo.
— Eu disse Kanon? Não, não eu quis dizer Shaka, eu falei para o Shaka cuidar deles. — Mentiu Milo. Camus olhava em volta e pelas luxuosas paredes de vidro viu seus amigos partindo nos barcos.
— Milo, isso deve ter custado uma fortuna, digo, este lugar, essa festa e ainda vamos passar a noite aqui? — Camus falava preocupado.
— Camus, não está pensando que eu mexi no seu dinheiro está? — Perguntou Milo se ofendendo.
— Não Milo, claro que não estou pensando isso. — Esclareceu Camus.
— Ainda bem, hunf! — Bufou Milo. — Camus eu recebi alguns prêmios na empresa, consegui dobrar o faturamento nos últimos meses, sabe que sou bom no que faço.
— Eu sei Milo, eu sei, mas gastar seu dinheiro assim, numa festa, num final de semana? -Camus tentava colocar algum juízo na cabeça do namorado.
— Eu acho que este é o melhor jeito de se gastar dinheiro. — Contrapôs Milo.
— Milo, você poderia ter dado entrada em um apartamento ou num carro com o que deve ter gasto aqui.
Eles conversavam andando pela grande mansão e Milo abriu uma porta e um luxuoso quarto se fez presente, Camus olhava para tudo nervoso, o quarto era decorado com o mobiliário em carvalho contrastando com cortinas e tecidos brancos, o quarto era bem amplo, Camus poderia jurar que metade de seu apartamento caberia ali, uma parede era decorada com um grande espelho, a cama grande estilo king size suspensa por tablados na cor carvalho, algumas luminárias davam a ideia de meia-luz, trazendo um clima erótico ao ambiente.
— Está vendo? Quanto isso deve ter custado Milo?
O escorpiano sentou em uma cadeira e puxou o ruivo para o seu colo e o olhou no fundo dos seus olhos.
— Camy, eu já tenho um apartamento, já tenho um carro e o investimento que fiz hoje vai ser eterno, pois vai ficar para sempre guardado aqui e aqui, — explicou Milo levando a mão à cabeça e ao coração.
Sorriu para o seu ruivo e continuou. — Sendo assim eu peço que pare de reclamar, pois está estragando meu investimento, hum!
Milo usou sua voz rouca e sedutora beijando seu ruivo, que vencido correspondeu ao beijo.
O amor que Camus sentia por Milo era intenso. Milo tinha o dom de quebrar todas as barreiras de Camus, com o seu calor abrasador derretia a pedra de gelo fazendo o ruivo mergulhar na imensidão dos seus sentimentos.
— Milo.
— Hum?
— Eu não trouxe roupas como vou ficar aqui, assim de terno?
Milo sorriu malicioso. — Por mim poderia ficar nu até partimos.
Ao ouvir isso Camus fez menção de se levantar, mas foi impedido por Milo que ria abertamente. — Estou brincando, seu bobo.
Milo seguiu com Camus mostrando as peças de roupas em cima da cama.
— Vá tomar banho Camy, vou verificar algumas coisas e já volto. — Sugeriu Milo indo em direção à porta.
Camus viu seu namorado saindo pela porta e olhou em volta, "guardar na memória, francamente!" — pensou descrente, pegou a roupa e foi tomar seu banho.
O aquariano estava na varanda do quarto apreciando a vista, uma coisa era certa, o lugar era lindo, um verdadeiro paraíso. Camus vestia uma calça de algodão branca estilo praia, uma bata branca com detalhes em azul e uma sandália masculina de couro.
O ruivo estava distraído e se sobressaltou quando o escorpiano se aproximou, Milo havia acabado de tomar banho seus cabelos estavam molhados, vestia uma calça de algodão branca como a de Camus, mas tinha seu peito nu, estava extremamente sexy na visão de Camus que engoliu seco quando viu seu namorado, sentia todo seu corpo reagir àquela visão.
— Lindo aqui não é? — Perguntou Milo se aproximando de Camus olhando para a paisagem.
— Hunhum... — Respondeu o ruivo se voltando para a paisagem.
Uma música começou a tocar ao fundo, e Milo olhou para Camus sorrindo. — Vou realizar todas as minhas vontades hoje, e a primeira é dançar com você.
Camus arqueou a sobrancelha antes de responder. — Eu não sei dançar Milo.
— Eu te ensino, não se preocupe, aqui estamos só nós dois. — Dizendo isso Milo entrelaçou Camus pela cintura e começou o movimento simples.
— Siga a música meu amor, dois pra não lá e dois pra cá. — Pediu rouco o escorpiano ao ouvido do seu namorado beijando seu pescoço.
"Dois pra lá e dois pra cá", Camus repetia em sua mente seguindo Milo e se deixando levar pelo ritmo da música, ouviram três batidas na porta e Camus se afastou olhando Milo inquisitivo.
— Calma... deve ser o empregado, — Milo tranquilizou seu namorado, — entre!
Um rapaz entrou no quarto trazendo alguns champanhes em um balde de gelo e uma tábua de frios.
Camus olhava tudo surpreso, — Mon Dieu! Você cuidou de todos os detalhes Sr. Batinik.
Milo riu, e enchendo duas taças de champanhe sugeriu um brinde. — A você Camus, feliz aniversário!
Camus pegou a taça e replicou — As nossas memórias!
Assim selaram o brinde com um beijo quente e apaixonado.
*_*_*_*_*_*_*_*
O Aquariano lembrava daqueles momentos como se tivessem acabado de acontecer.
— Vai estar pra sempre na minha memória Milo! – Camus falou e logo adormeceu novamente abraçado ao porta-retrato, sussurrando o nome do seu amor.
Fale com o autor