A Ultima Chance
8 Capítulo - 8
Notas iniciais

Capítulo — 8
Camus se soltou dos braços de Saga olhou para os dois a sua frente e os cumprimentou com um aceno de cabeça.
Kanon, que estava parado sem graça, respondeu o cumprimento com um sorriso amarelo enquanto observava a cena e as reações dos envolvidos tentando ficar alertar para alguma emergência.
Milo, contudo manteve sua cara de pouquíssimos amigos olhando para os dos a sua frente com certa raiva.
Camus ignorou o olhar do escopiano com seu típico olhar impassível e pegou suas coisas virando para Saga.
— Foi apenas uma queda de pressão, tá tudo bem. Obrigado!
O ruivo saiu sem olhar para trás, chegando ao ponto do ônibus ele pegou o coletivo que o deixaria na escola onde ele daria aula a noite.
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— Você não muda, não é, Saga? Sempre querendo as coisas que não te pertencem. — Provocou Milo.
— "Coisas?" — falou Saga olhando incrédulo o escorpiano, — não estava de olho em "coisa" alguma que te pertença. — respondeu Saga com olhar blasé, sentando em sua mesa.
Milo estreitou os olhos e sentou em uma cadeira na frente de Saga, ele ficou o observando enquanto tomava uma dose de whisky que havia pedido, Saga por sua vez passou a noite evitando discutir com Milo pois conhecia o jeito, e o ciúme do amigo, só ficou cismado com a saúde de Camus, o amigo estava abatido, visivelmente mais magro e por fim... este desmaio, alguma coisa não estava bem.
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Camus seguiu até a escola, ver Milo ao lado de Kanon não lhe fez bem. Sentia-se fraco, enjoado e tonto.
Chegou para dar a aula escreveu alguma coisa no quadro negro e sentou-se pensando em Milo.
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Shaka chegou no colégio, ainda eram nove e meia, Camus daria aula até às dez horas. O loiro ficou no carro, mas, como o local não era muito seguro, ele resolveu entrar na escola. Passeou pelo local, viu o pátio que estava bem acabado, era certo que o lugar precisava de uma boa reforma, começou a ter o amigo Camus em alta conta, visto que ele começou a dar aula ali como voluntário e hoje não recebia nem um terço do que receberia em uma universidade, e Camus tinha currículo que o colocaria em qualquer universidade mundo.
Shaka entrou nos corredores onde estavam as salas de aula. Todas as portas tinham uma janela na frente, e assim Shaka foi caminhando até que viu seu amigo explicando alguma coisa aos alunos, ele sorriu e passou a observar a aula.
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Milo estava com cara de poucos amigos e distante durante o encontro com os amigos.
— O que ele tem? — questionou Shura para Aioria, sussurrando.
— Não sei bem, mas ele anda assim desde que terminou com Camus, acho que naquela viagem que fizemos aconteceu algo grave, se bem me lembro eles terminarem logo depois. — respondeu Aioria também em sussurro.
Estavam presentes, além de Shura e Aioria, Kanon, Mu, Aldebaran, Afrodite e Matteu.
— E aí Saga, nos conte como anda sua vida, por acaso está namorando? — Perguntou Milo do nada, todos olharam pra ele, e depois pra Saga esperando a resposta.
Saga sabia que Milo tentaria provocá-lo, claro que o escorpiano jamais deixaria passar a cena que presenciou e o difícil era explicar que fora um mal entendido, especialmente pra Milo que sempre teve muito ciúmes, mas por outro lado também estava cansado das provocações do escorpiano e apenas respondeu — Estou sozinho, por enquanto.
Saga sabia que o “por enquanto” mataria Milo, e não estava enganado neste momento Milo fechou a cara e estreitou ainda mais os olhos.
— Só não se meta com pessoas comprometidas, pode ser perigoso pra você! — Aconselhou o escorpiano com um olhar assassino.
— Vou tomar cuidado, — tornou Saga virando o último gole de seu whisky e encarando o casal homenageado da noite. — Aioros, Shura! Podem contar comigo daqui há sete dias estarei lá no noivado de vocês, o que eu mais quero é vê-los felizes enfim.
— Peso na consciência — resmungou Milo baixo, mas não o suficiente para não ser ouvido.
Saga quis dizer "vá à merda, Milo", mas se conteve, olhou para os dois a sua frente, que estavam um tanto constrangidos, e se despediu com um aceno de cabeça.
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Camus estava dando sua aula alheio ao fato de estar sendo observado por Shaka, ter visto Milo o fez balançar, seu coração doía, ele sabia que não podia se entregar assim a um sentimento que estava fazendo mal, afinal ele era Camus, O Cavaleiro de Gelo, ele era o mestre em esconder seus sentimentos, não deveria sofrer por amor, mas... por que doía tanto?
"Eu estava indo tão bem, droga, Milo! Droga!"— pensava o ruivo.
Camus encostou-se na parede, observando a turma que fazia o exercício que ele passou, todos em silêncio. Neste momento os pensamentos do ruivo foram para longe, foram para as lembranças de quando seu namoro acabou...
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Algum tempo atrás...
— Praia?! Não acredito que vamos pra praia novamente! — Camus resmungava para Milo — Nós moramos na Grécia, temos as praias mais lindas do mundo e novamente, vamos para uma praia, não acredito nisso.
Milo escutava a bronca calado, já esperava por isso, ele sabia que Camus não gostava de praias.
— Ao menos você tentou dar a ideia de irmos para outro lugar? — Questionou o ruivo.
— Claro que sim, amor... eu fiz de tudo, — mentiu Milo a ideia da praia foi de Matteu que sugeriu uma praia no sul da Itália, sua terra natal, e Milo foi um dos que mais agitaram para que a ideia fosse aceita.
Camus olhou para Milo com se dissesse "não acredito que tenha tentado".
Milo, por sua vez defendeu- se dizendo: — Você sabia que iríamos nos reunir hoje às seis da tarde, por que não foi? Com você lá seria mais fácil convencê-los a irem a outro lugar, já que odeia praias.
— Eu tinha que dar aula, Milo, hoje é sexta esqueceu? Eu não odeio praias, só... olha como eu sou branco! Eu não fico bronzeado! Eu passo do branco de neve para o pimentão vermelho recheado.
Milo riu.
— Meu branco das neves... — Falou abraçando Camus por trás, havia esquecido os motivos de Camus, de fato o ruivo pouco aproveitava as viagens com a turma quando iam para o litoral, Camus raramente ia à praia, sempre ficava no hotel ou pousada, lendo algum livro, enquanto todos se divertiam ao sol. E quando ia para a praia sempre o fazia de roupas, forçando a memória, Milo não se lembrava de ter visto Camus de sunga alguma vez na vida.
A consciência de Milo doeu um pouco, e ainda abraçado a Camus, sugeriu beijando o pescoço do ruivo: — Não precisamos ir, se preferir podemos ficar aqui, ou irmos para outro lugar.
— Não, já marcou com todos, que seja praia então, quem sabe este ano eu, enfim, ponha uma sunga e tome banho de mar durante o dia? — Comentou Camus se afastando do abraço mais para irritar Milo que qualquer outra coisa. — Vou tomar banho.
O ruivo saiu e Milo ficou na sala um pouco, mas logo foi atrás de Camus um banho a dois não era nada mal.
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— Que música é essa? — Perguntou Milo, os dois estavam no carro que alugaram assim que chegaram na Itália, Camus havia gravado suas músicas favoritas no pen drive e estavam ouvindo uma seleção de músicas francesas.
— Gostou dela? — Indagou Camus, sabendo que não era o tipo de música que seu namorado gostava.
— Não sei, — Respondeu Milo, — não sei ainda o que sinto por essa música, ela me confunde.
— É um clássico Milo, a letra é linda e essa versão, na minha opinião é a mais bonita, é a voz de uma brasileira. — Explicou Camus paciente. — É sobre alguém que está desesperado e implorando para a pessoa amada que não a deixe.
Milo pensou mais um pouco, voltou ao início da música, e pediu: — Traduz? Traduz ela pra mim.
Camus paciente sorriu o trecho que a música estava.
me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
À savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
À coups de pourquoi
Le coeur du bonheure
Não me deixe
Devemos esquecer
Tudo pode ser esquecido
Que já tenha passado
Esquecer o tempo
Dos mal-entendidos
E o tempo perdido
Tentando saber como
Esquecer as horas
Que as vezes matavam
Com golpes de porquê
O coração da felicidade
Milo olhava a paisagem da janela enquanto Camus traduzia a música, sentindo cada palavra tocar fundo em seu coração.
Ne me quite pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
À te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Não me deixe
Não vou mais chorar
Não vou mais falar
Me esconderei aqui
Para te contemplar
Dançar e sorrir
E para te ouvir
Cantar e depois rir
Deixe que eu me torne
A sombra da sua sombra
A sombra da sua mão
A sombra do seu cão
A música acabou e Camus olhou para Milo quando percebeu que este estava chorando. — Milo, por favor! Você é patético! — Caçoou o ruivo. — Chorando por causa de uma música?
Milo tentava secar as lágrimas, mas o sentimento da música tocou fundo em seu peito e a paisagem belíssima em que se encontravam não ajudava muito, olhando para seu amado pediu. — Pare o carro Camus, por favor!
Camus preocupado encostou o carro num acostamento. — O que foi está sentido algo, Milo?
— Camus eu me vi nessa música, eu sou esta pessoa desesperada. Camy... meu amor, sei que há alguma coisa errada entre nós, só não sei o que eu fiz, mas me perdoa? Vamos tentar esquecer o que está errado entre nós, vamos fazer desta viagem uma lua de mel? — Pediu Milo emocionado segurando nas mãos de Camus e olhando nos olhos de seu ruivo.
Camus foi pego de surpresa com a atitude de Milo, não podia negar que as palavras do seu loiro mexeram com ele, " será?", ele pensou, mas olhando nos olhos azuis celestes de seu amado, não pôde negar, amava aquele homem, amava-o com todo seu coração e toda a sua alma. Amava tanto que não tocou no assunto das mensagens trocadas entre Milo e Paul e no fundo Camus sabia que não o fez por medo de perder seu amor, por medo que Milo o deixasse, que preferisse ficar com o chamativo Paul.
Perdido nos orbes azuis, concordou confirmando com a cabeça, sim, daria uma chance ao amor.
Milo abriu um sorriso que iluminou o dia de Camus, e eles se beijaram.
O Beijo começou calmo, mas lentamente foi ficando quente, Milo abraçado a Camus beijava seu pescoço, enquanto suas mãos trabalhavam com agilidade, contudo Camus se afastou.
— Milo, não podemos estamos dentro de um carro num país estranho, vamos esperar até que cheguemos ao hotel. — Falou sensato, o aquariano.
— Camy, vamos fazer no carro, hum? Para inovar... vamos, vamos fazer loucuras? Vamos? — Pedia Milo com a voz rouca dando uma nova investida.
— Na pousada, seu safado, na pousada. — respondeu Camus sorrindo.
Milo ficou "bolinando" seu ruivo até chegarem na pousada.
O lugar era bem aconchegante, e estava praticamente fechada para os amigos, sempre faziam isso quando viajavam em grupo, assim evitariam contatos desagradáveis com algum homofóbico desavisado que correria sérios riscos se tentasse falar alguma bobagem para algum ex-cavaleiro esquentadinho, como Matteu, que quase matou um idiota que ousou destratar seu belo Afrodite. Não fosse Camus e Shaka estarem próximos o tal não estaria vivo para contar sua história.
Na recepção Camus tentava manter a seriedade enquanto Milo o abraçava e beijava sua nuca sem se importar com a moça da recepção.
— Milo contenha-se! — Pediu Camus sussurrando, já vermelho de vergonha.
Quando pegaram a chave do quarto e estavam seguindo para lá ouviram a inconfundível voz do italiano.
— Ma Dio Santo! Que demora hein! Estamos todos lá em baixo na piscina! Se troquem e vão para lá! — Ordenou com seu jeito fanfarrão.
— Estamos cansados Matteu, vai dormir um pouco não espere por nós. — Falou Milo querendo se livrar logo do amigo.
Matteu, sacana que era, entendeu o "fogo" do amigo, então sorriu. — Reservamos um quarto afastado para vocês, ainda vou descobrir por que pedem sempre o quarto mais afastado!
Nenhum dos dois respondeu, ao invés disso, foram aos beijos até o quarto reservado para eles, e entraram.
Uma vez lá dentro, um ajudava o outro a ser despir.
Já nu, e complemente duro, Camus ajoelhou-se na frente de Milo pegando o membro do loiro lambendo toda sua extensão e o colocando na boca, arrancando suspiros de seu amado.
— Oh! Camy... Hnng...
Milo gemia rouco, há tempos não faziam amor, em geral quando transavam nos últimos meses era sempre depois de uma briga, depois de Milo muito insistir e Camus nunca tomava a iniciativa. O ruivo agia como se fosse errado tocar o loiro, mas hoje não. Hoje fizeram um acordo, iam tentar, eles se entenderiam.
Milo puxou seu ruivo pelos cabelos o fazendo ficar de pé e tomou sua boca desesperado.
O escorpiano pegou o ruivo nos braços fazendo com que ele cruzasse as pernas em sua cintura.
— Eu te amo Camus, amo muito. — declarou-se o escorpiano.
Camus nada respondeu, apenas tomou a boca de Milo apaixonado.
Milo procurou não se importar com isso, deitou seu ruivo na cama, a saudade que sentia de ter seu Camus assim, quente e tão seu... superava qualquer coisa.
Milo olhou para o criado mudo e viu um frasco de lubrificante, provavelmente um mimo de boas vindas de Matteu. Milo sorriu, pegando o frasco e passando em seus dedos.
Assim lambuzou a entrada de seu ruivo, e seu próprio membro se posicionando entre suas pernas o penetrou de uma única e lenta vez.
— Hnng... Milo!
Camus gemia alto. Sim este era o motivo de sempre pegarem os quartos distantes, Milo sabia que Camus ficava "travado", temendo que os amigos escutassem seus gemidos, por isso sempre frisava "quero um quarto bem afastado".
Assim que o ruivo se acostumou com o intruso, Milo começou a movimentar-se lentamente, gemendo, sussurrando no ouvido como seu ruivo era apertado e quente.
Os movimentos foram ficando mais fortes e intensos Milo arqueou o corpo passando a língua nos mamilos de Camus, arrancando mais gemidos do ruivo, e Milo amava ouvir esses gemidos.
Tomado de tesão, Milo alcançou a boca do ruivo o estocando cada vez mais fundo.
Quando Milo atingiu o ponto sensível de Camus, este gemeu alto novamente.
Milo mirou o rosto de Camus, e lá estava seu ruivo... com o rosto afogueado, tentando com uma mão conter seus gemidos e com a outra apertando os lençóis.
— Milo... mais rápido... Assim... Assim!
Camus pedia, e descontrolado segurou a bunda do loiro a apertando de encontro ao seu corpo.
— Milo... eu vou... vou... Milo... ahhh...
Camus não terminou a frase, pois explodiu em um orgasmo intenso.
— Milo ainda deu mais algumas coisas estocadas antes de se derramar dentro do ruivo que depois de meses e meses não exigiu a camisinha.
Mais tarde tomaram banho e e se perderam em beijos e carícias, namorando e se amando até o dia amanhecer.
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Uma lua de mel era uma ótima ideia, contudo, isso fica impossível quando se viaja com seus amigos, e pior ainda quando Matteu é o anfitrião.
— Porca Miséria! Deixem para fazer isso em casa, parem um pouco vocês tem que se alimentar, caspita! — Chamou o Italiano, batendo na porta do quarto, o casal estava se trocando para descer e tomar o café da manhã.
— Não enche, seu italiano de merda — gritou Milo do quarto rindo.
Camus colocou uma sunga branca, e por cima uma bermuda da mesma cor e uma regata nadador preta, calçou uma sandália de couro, Milo por sua vez vestia uma sunga vermelha e uma bermuda preta com uma regata verde musgo, ambos estavam com os cabelos molhados, saíram do quarto a caminho do refeitório. Chegando lá tiveram que aguentar as provocações e gozações dos amigos, os perturbando pelo fato de não terem dado as caras desde que chegaram na tarde do dia anterior.
Milo estava faminto como sempre, e não se importava com as provocações dos amigos.
Fizeram seus pratos e sentaram na grande mesa, junto dos outros.
— Pelos Deuses, achei que vocês não iriam aparecer. — Começou Aioria.
— Demoraram mais que Aioros e o Shura, e olha que estes estão na fase água com açúcar que enche o saco! — Comentou Kanon aproveitando o gancho do leonino.
— Vá à merda, Kanon! — respondeu Shura enquanto Aioros ria.
— É alguma comemoração especial, ou foi só o ar italiano que os deixou assim? — perguntou Afrodite malicioso.
— Ma! É claro que foi o ar italiano, não é à toa que a Itália é o berço do mundo — Começou Matteu querendo provocar os gregos presentes.
— Berço do mundo? Vocês deram o quê pra ele beber enquanto eu estava no quarto? — Retrucou Milo se manifestando pela primeira vez desde que desceram.
Começaram assim a discutir como Grécia era superior a Itália, e Matteu era tão insuportável quando entravam neste assunto que conseguia tirar do sério os gregos presentes, até Saga e Aioros por vezes entravam nas discussões.
— Às vezes me sinto no jardim de infância nestas viagens. — Falou Shaka se sentando próximo a Camus que riu e concordou com o amigo.
— Eu também, mas está descendo agora? Achei que fôssemos os últimos. — Comentou Camus.
— Fui dormir tarde. — Limitou-se a dizer o loiro indiano.
Camus apenas sorriu, não era invasivo como Milo, nem rei da indiscrição como Matteu.
Na turma havia alguns casais oficiais, Camus e Milo, Mu e Aldebaran, Afrodite e Matteu, e o recém-casal Shura e Aioros, recém em termos, pois os dois tiveram um tempo juntos se separaram quando Shura se deixou envolver num triângulo amoroso com Dite e Matteu, todos sabiam que o relacionamento entre o canceriano e o pisciano era aberto, muitos desavisados caiam em suas lábias.
Shaka era o misterioso da turma ninguém sabia com quem o indiano se relacionava, alguns achavam que era com Saga e outros torciam pelo Aioria, era sabido que o indiano tinha se envolvido com Ikki, e Camus nunca gostou deste relacionamento, achava que o ex-defensor da armadura de fênix muito novo, ele tinha quase a mesma idade de seus pupilos, e não conseguia conceber um de seus amigos colocando as garras em seus "filhos".
Os amigos ficaram naquela bagunça durante o tempo em que tomavam o café da manhã, Matteu terminou de comer e foi seguindo para a saída parou em frente a Camus e Milo dando um tapa na cabeça do escorpiano. — Ma é um insensível mesmo, vai deixar o Camus comer só isso? Belo, tem que por mais substância aí no seu café da manhã.
—Ai! — Resmungou Milo colocando a mão na cabeça.
— Olha tem cereja, morangos, amora, mandei providenciar tudo tô numa fase de querer comer só frutas vermelhas! — Falou o italiano piscando para o Dite e saiu.
— Cerejas, hum! — Falou Camus para si levantando e indo de servir da fruta sem prestar atenção a frase dúbia do italiano.
Milo ficou olhando para a porta por onde Matteu saiu sem saber ao certo se o italiano tinha cantado seu ruivo.
Terminado o café da manhã, alguns voltaram para o quarto a fim de se arrumarem, já outros, como Camus e Milo, ficaram esperando na recepção da pousada, assim que todos desceram seguiram para a praia. Camus não gostava deste tipo de passeio, mas por hora foi com a turma, tinha passado protetor solar fator cinquenta no corpo todo, e chegando lá ficou numa tenda com Mu, Afrodite e Shaka que também não curtiam o sol por terem peles sensíveis.
Logo Saga se juntou a eles. — Tem uma cidade próxima poderíamos ir lá, conhecer o que acham? — Sugeriu o geminiano.
— Acho ótima ideia, vamos! — Concordou Mu que sempre curtia conhecer novas culturas.
— Sim! Disseram que há algumas lojinhas de artesanato local, e que são lindas! — Concordou Shaka.
— Hum... vamos chamar os outros para irem conosco? — Pediu o ruivo prevendo que Milo se zangaria se fosse sem ele.
Camus seguiu para onde estavam os outros a fim de chamar seu namorado, os encontrou jogando uma partida de vôlei.
— SEGURA ESSA, SEUS GREGOS FILHOS DA PUTA! — Gritou Matteu dando uma cortada contra o time de Milo, Kanon e Aioros, no time de Matteu estavam além dele, também Debas e Shura.
— PEGA, PORRA! — Gritaram Kanon e Milo, se chocando no chão ao tentarem defender a bola.
Camus se segurou para não rir.
— Milo, estamos indo para a cidadezinha local, quer vir com a gente? — Perguntou.
— Camy, estou ocupado agora! Preciso dar uma lição nestes gringos! — Respondeu Milo sem olhar para o ruivo.
— Vá indo Belo, a surra que vamos dar nestes gregos safados não demora e encontraremos vocês lá. — Gritou Matteu, do outro lado da quadra.
— Quem vai? — Perguntou Deba.
— Todo mundo que não está aqui. — Limitou-se a dizer o ruivo, virando para sair, o sol estava bem quente ali.
Seguiram os cinco amigos para a cidadezinha vizinha, o local era agradável, típicas casas do sul italiano, e muito artesanato de artistas locais. Afrodite comprou vários acessórios para roupas, ele adorava customizar a suas, Camus e Shaka compraram alguns objetos de decoração, Mu comprou alguns mimos para Kiki e Saga não comprou nada, ou melhor, comprou uma camisa de linho bonita e leve para o clima local. Não tardou a outra turma os encontrou, Matteu e Deba vinham comemorando tinham vencido três jogos seguidos.
— Bando de frango grego — Caçoava Matteu.
— Culpa sua, Aioros, que não cortava forte no Shura! Saga, amanhã você entrar no time no lugar do Aioros. — Resmungou Kanon cansado da gozação dos amigos.
Aldebaran viu seu pequeno saindo de uma loja acompanhado de Shaka, então foi até ele e o abraçou. — Demos uma lição nestes gregos.
— Onde está o Camus? — Quis saber Milo, não avistando o seu ruivo quando se aproximou.
— Está ali com Saga, foram tomar um suco, aliás, vamos pra lá, pelo cardápio acho que os sucos deles são fabulosos! — Respondeu Mu comentando sobre o lugar, contudo, Milo parou de ouvir assim que Mu disse "ali com o Saga" e, fechando a cara, foi para onde o ariano indicou sendo seguido pelos outros que não perceberam a tempestade em seus olhos.
— Sim Saga, é sobre isso a minha pesquisa, estamos trabalhando neste laser, seria ótimo se pudesse palestrar para a turma, pontuando os benefícios para a medicina se conseguirmos estabilizar o laser.- Dizia Camus para o geminiano sentado a sua frente, quando ouviram os barulho de pessoas chegando. — O tal jogo acabou estão todos aqui. – O ruivo comentou.
Milo sentou-se ao lado de Camus o puxando pela cintura e tomando seus lábios para um beijo apaixonado.
A cena pegou todos de surpresa.
— É... depois o safado da turma sou eu. — Matteu assobiou comentando.
Aioria voltou com uma bandeja de sucos e disparou: — Ah! Por favor, vão para o quarto!
— Deixa eles Aioria, estão numa vibe romantiquinha. — Tornou Afrodite, enquanto se sentava.
Saga ficou sem graça e desviou o olhar.
Camus afastou Milo totalmente vermelho e sem graça. – Milo, aqui não é lugar.
Todos riram da cara do ruivo, era difícil deles distinguirem onde terminavam os cabelos e começava o rosto.
— Vou ao banheiro, — Camus falou levantando.
Todos já estavam sentados à mesa e Matteu perguntou. – Milo, como foi que você conseguiu chegar “nos finalmente” com o ruivo? Dio Santo! Ele deve ter dado muito trabalho, hein?
— É, deu um pouco, sim, mas sou bom no que faço! — Milo sorriu sacana e olhou para Saga estreitando os olhos. — Não vou contar para vocês, se o Camus escuta... já viu!
— Ah! Mas agora eu quero saber, e com detalhes! Como foi a primeira vez de vocês? — Pediu Dite com os olhos brilhantes de curiosidade.
Camus havia lavado o rosto e estava voltando à mesa., — O que tanto o Afrodite quer saber? -Perguntou inocente.
— Quero saber como foi a primeira vez de vocês, sim, porque travado como você é, o Milo deve ter tido muito trabalho pra conseguir...- Afrodite não conseguiu terminar a frase pois Camus xingou algo em francês.
— Merde! Pelos deuses! Vocês não tem o direito...! Vão procurar o que fazer! — Reclamou, arrancando mais risadas dos amigos.
— Deixem-no em paz! — Pediu Mu.
— Vamos almoçar aqui mesmo? Vi o cardápio e eles servem coisas aparentemente deliciosas neste lugar. — Falou Saga cortando o assunto, ao que Camus agradeceu mentalmente.
Após uma longa discussão sobre onde almoçariam, todos chegaram a um consenso, e almoçaram lá mesmo, um suculento assado com ervas.
Depois da refeição foram surpreendidos por uma chuva torrencial no meio do caminho. Correram para a pousada, cada um foi para o seu respectivo quarto, onde ficaram até a noite, a chuva não dera trégua.
Sem poder sair por causa da chuva, os amigos se reuniram na sala de refeição da pousada, estavam jogando pôquer valendo dinheiro, as apostas tinham o valor de dez centavos iniciais.
Camus e Milo desceram no começo da noite, passaram a tarde namorando no quarto.
Milo logo se sentou com os amigos do pôquer, enquanto Camus foi sentar-se próximo a Mu.
Matteu tinha bebido a tarde inteira, e já estava bem alto. Desafiou Milo a beber um copo de whisky de uma vez, para ele poder entrar na sintonia da turma.
Bebiam, conversavam, o pessoal da pousada providenciou alguns petiscos já que com a chuva era bem difícil saírem dali.
Na mesa de jogatina estavam: Aioria, Saga, Kanon, Matteu e Milo do outro lado conversavam Aioros, Shura, Mu, Aldebaran, Shaka, Dite e Camus tomando vinho e falando sobre amenidades.
Saga havia perdido e ficou observando o jogo, depois foi o Kanon quem saiu e também ficou a observar a partida.
— Ser vocês pudessem escolher uma pessoa para transar, quem seria? — Perguntou Matteu.
Milo perdeu, e também estava fora.
— Qualquer pessoa no mundo, ou um grupo determinado? — Perguntou Aioria.
Depois de pensar um pouco Matteu sorriu malicioso e respondeu — Nosso grupo em especial.
Aioria olhou em volta – Bom, solteiro aqui só me resta o Shaka — olhou para o Saga e Kanon — não me levem a mal, mas vocês não fazem o meu tipo.
Todos riram.
— Eu não falei que eram só os solteiros! — Rebateu Matteu.
— É melhor mudarmos de assunto antes que um de nós saia com o olho roxo. — Pediu Saga sensato.
— Blagh! Deixa de ser bundão, Saga! — Caçoou Matteu.
— Eu tenho tesão no ruivo. — Disparou Matteu, olhando para Camus que estava do outro lado da sala alheio a conversa que se passava ali entre os jogadores.
— Oi? — Falou Milo olhando para o Italiano.
— Ah! Relaxa aí você, me deixa terminar minha análise, — respondeu Matteu visivelmente bêbado, — O Shaka tem aquele nariz em pé, Ma deve ser um pervertido na cama, o ruivo não, ele parece metido... Ma a gente vê que é timidez, isso me encanta nele.
Matteu ia falando enquanto Milo se perguntava por que não enfiava a mão na cara dele.
— Sabem, no ano passado a gente foi para aquela ilha na Grécia, lembram? Aquela pousada, os quartos ficavam em cima, — começou Matteu se lembrando do passado, olhou pra Milo — vocês sempre ficavam nos quartos do fundos, lembra que o de lá levava pra área?
Milo concordou e Matteu fechou os olhos se lembrando de algo.
— Eu tinha saído do quarto, ia fumar meu cigarro na área, quando eu passei pela porta do quarto de vocês, ela estava entreaberta, e eu vi o ruivo saindo do banheiro com uma tolha enrolada na cintura e os cabelos molhados, uma visão dos Deuses, acho que o Milo tinha saído e não fechou a porta direito, enfim eu parei para olhar aquela beldade, daí ele tira a toalha!
Matteu falava, como se Milo não estivesse ali e não fosse o louco ciumento que era. Saga e Kanon trocaram olhares como se combinasse, "se o Milo atacar a gente segura ele".
— Sim, o ruivo tirou a toalha e ficou se olhando no espelho do quarto, “Ma” que bunda! Branquinha, aliás, ele todo é branco, ele passava creme no corpo e eu já duro, se eu não soubesse o quanto é envergonhado o nosso amigo, eu diria que ele sabia que eu estava lá, o olhando, e que estava me provocando de propósito!
Matteu riu sacana. — Então, escutei um barulho das escadas e fui para área, era você Milo, voltando, eu fumei meu cigarro com o pau latejando de tão duro. Quando voltei escutei os gemidos do ruivo. Ah! Não resisti forcei a maçaneta e você não tinha trancado a porta. Então eu vi, você lá, mandando ver naquela bundinha gostosa e ele todo vermelho tentando abafar os gemidos, porca miséria, saí de lá babando inteiro, e com um puta tesão neste ruivo e...
Matteu não conseguiu terminar a frase, pois Milo voou pra cima dele dando vários socos.
Saga e Kanon deixaram Milo acertar uns cinco socos, antes de ajudarem a separar: Matteu mereceu cada soco.
O barulho assustou os amigos que conversavam no outro canto da sala.
Tentando se situar Camus se aproximou de onde estava acontecendo a briga, Deba passou por ele e foi ajudar Kanon e Saga a segurarem Milo que estava fora de si.
— SEU FILHO DA PUTA! Aprenda a respeitar as pessoas! — Gritou Milo ensandecido, seu olhar tinha uma fúria que poucos ali tinham visto, quando levantou a cabeça e viu Camus parado há poucos metros de si e o olhou com fúria, ninguém poderia culpar Camus por ter dado alguns passos para trás.
— Milo... o quê? — Tentou perguntar o ruivo.
— Agora você vem comigo que isto é tudo culpa sua! — Milo falou entre dentes segurando Camus pelo braço e o levando para o quarto.
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