Notas iniciais
Na manhã de um dia qualquer, o ônibus escolar coleta os estudantes.

A cara sonolenta denuncia mais uma noite mal dormida. Certamente, passou a madrugada jogando online com alguns amigos, esquecendo da hora matinal de levantar-se no dia seguinte, uma sexta-feira. Fim de semana, porém ainda é dia de estudo na escola da Vila.

Agora, no início da manhã, meio sonolento, parado no ponto de ônibus escolar, olha surpreso o motorista se divertindo por tê-lo dado um susto, quando buzinou. Provavelmente, na tentativa de aproximar-se da nova geração underground do Vilarejo.

Bóra! — disse, enquanto ele vagarosamente sobe pelas escadas da porta da frente do ônibus escolar.

Após subir os poucos degraus, olha pro motorista antes de caminhar pros últimos lugares. A expressão de bons amigos, naquela hora matinal, meio sonolenta, não alimentou muito o diálogo entre dois mundos separados pelo tempo, mas unidos pela cena local.

Provavelmente, deve ter sido atraído pelo uniforme da escola personalizado — calça riscada com nomes de bandas, mochila jeans com alguns patchs e a camisa sem gola. Por outro lado, somente a tatuagem foge do visual formal do motorista.

─ Toma – após oferecer uma bala, continua: ─ te desejo um excelente dia de estudo, carinha.

─ Obrigado! – agradeceu, ao pegar a bala, mesmo não sendo aconselhado aceitar coisas de gente estranha.


Não demorou muitos passos pra reiniciar as piadas ao longo do corredor. Ainda vai surgir o tempo em que criarão a tecla ‘mute’ no ônibus escolar. Sinceramente, não via nada de interessante nas piadas desses caras, nada pra se acharem tão engraçados.

─ O cara tá sonhando. – comentou um deles, quando avistou ele passando pelo banco, onde estão sentados.

— Do rock está com a cama nas costas! — comentou um outro, alimentando mais o falatório deles.

─ Sonho, não! – gracejou um outro do grupinho e continua: — Pesadelo! Do rock é amigo do Freddy.

A graça tomou conta do grupinho do meio ônibus. Esse, certamente, é um bom grupo de estudo e pesquisas sobre comportamento humano. Os pesquisadores terão muitos materiais pra traçar a persona destas raridades.

Enquanto ele se distancia do grupinho do meio do ônibus, via de relance o último tentando matar o outro com algumas canetas presas entre os dedos, parecendo a arma do Freddy — definitivamente, esse pessoal do meio do ônibus não tem noção.

O restante dos alunos seguia em paz. Nem todos os alunos se reúnem em panelinha durante o tempo de estudo; no caso da galera do rock, o grupinho do meio deve chamar de caldeirão. Este último costuma se reunir nos últimos lugares, onde ele acaba de chegar.

─ Que cara é essa? Vai dizer que ganhou outro toco da sua amada. – comentou, quando se aproximou dele.

─ Cuidado, hein! – alertou-o. Após acomodar-se no banco, ironiza: ─ Você pode ser surpreendido!

─ Como?

─ Bem – respirou profundamente pra suportar mais gracinhas e diz: – Dessa vez, ela... nem deu confiança.

─ Sério?

Sinceramente, não é possível distinguir quem está rindo mais alto. Se é o grupinho das piadas sem graça ou os amigos das sacadas sem noção. Isso é graça sob graça — uma verdadeira unção do riso. E deve durar até o desembarque na escola. E se ela estiver lá ...


Notas finais
Freddy Krueger é um personagem fictício da série de filmes de terror A Nightmare on Elm Street (no Brasil, A Hora do Pesadelo;