A Turma M

8 Capítulo VIII - As cicatrizes da noite anterior


Notas iniciais
Este capítulo é para sabermos melhor o que aconteceu no cinema.

Cebola e Mônica chegaram à frente da sorveteria e fizeram seu pedido. Pegaram os sorvetes e então se dirigiram à praça que ficava logo à frente. No meio desta, havia uma fonte que criava uma deliciosa trilha sonora com o som da água que jorrava. Bancos ficavam por toda a praça, bem como as árvores que de dia protegiam os casais apaixonados do sol, mas que agora só faziam companhia.

Cebola se sentou no banco e Mônica ao seu lado. A lua deleitava os olhos com o seu véu branco que atirava sobre tudo e todos.

— Hum... — Cebola levou uma colherada de sorvete à boca. — E como foi o seu encontro?

— Humpf... Me lembre de nunca mais te acompanhar em nenhum encontro!

— Foi tão ruim assim?

— Hum... Ter de ficar duas horas sentada ao lado de um arrogante pra mim é motivo pra suicídio.

— Ele não parecia tão ruim assim... Aliás, eu vi como ele tava te olhando na saída. Não tirava os olhos de você.

— No começo eu achei realmente que eu poderia ficar lá a assistir ao filme tranquilamente. Ele me ignorava e tudo. Eu percebi. Chegou a cochichar pro seu amoreco que eu tava feia. Fiquei com vontade de matar ele, mas preferi ficar no meu cantinho quieta. Aí eu acho que ele começou a achar o filme sem graça e começou a me encher o saco. Disse que as garotas viviam correndo atrás dele, que ele tinha um carro, que o pai dele tinha muita grana, que ele uma vez pegou duas garotas em uma festa... Ainda teve a coragem de se virar pra mim e dizer: “Sabe, eu achei que você fosse feia e tal, mas agora eu acho que você não é tão feia assim não...”. — Cebola se desmontou em uma gargalhada.

— Não acredito...

— Sério... Eu fui dando cada patada, cada resposta... Mas ele não se tocava e, se por acaso ele se tocou, continuava me enchendo o saco. Quanto mais eu chutava ele, mais ele puxava assunto. Mas o meu limite mesmo foi quando ele disse bem assim: “Sabe, eu acho que os dois ali estão muito concentrados pra notar a nossa falta. Eu tô de moto então... podíamos sair... ir num motel, o que acha? Depois voltávamos”. Naquela hora me deu uma vontade de botar fogo na cabeça dele e apagar a socos! — Cebola se contorcia de tanto rir. — Não... que falta de noção! Pois eu mandei logo um “não” na cara dele e perguntei quem ele pensava que era pra falar com tamanha falta de educação. Garoto idiota...

— Desculpa, Mônica eu não sabia que ele era tão estúpido. Se não, não a teria pedido pra que viesse.

— Não, relaxa. Pelo menos eu saí viva. Mas, e a Laís... deu certo?

— Olha, eu acho que hoje definitivamente não é o nosso dia de sorte.

— Ah, mas não é mesmo. Ela falou de esmaltes, não falou?

— Sei lá. Eu parei de ouvir na parte que ela brigou com o quinto namorado.

— Ai, Cebola... — Mônica encostou a cabeça no banco e ficou olhando as estrelas. — Acho que eu vou encomendar meu namorado pela internet.

— Ih... Não adianta. O correio extravia. Eu já tentei.

Eles riram.

— O jeito então vai ser virar freira...

— Você é muito bonita pra virar freira. — Mônica virou o seu rosto para Cebola e passou a mão em seu queixo.

— Obrigada, Léo.

— Sabe... — Cebola olhou o chão. — quando eu era pequeno e você se mudou para o condomínio, eu fiquei tipo uns três meses rabiscando seu nome no meu caderno.

— Não... Sério?

— Sério. — Cebola sorriu desconcertado. — Eu ficava roubando o Sansão, sabe? O seu coelho de pelúcia? Pois é. Só pra você vir correndo atrás de mim. — Mônica sorriu.

— Jura? Nossa, nunca notei...

— Ainda bem, por que tava muito na cara. Sabe, quando você viu uma cartinha com coraçõezinhos em cima da minha cama e eu disse que era pra minha irmã?

— Lembro...

— Era pra você.

— Pra mim? — Mônica o abraçou. — Desculpa, Cebola. Devo ter te dado tantos tapas...

Cebola riu.

— E você até que era fortinha... _ Eles riram.

Mônica olhou o movimento da praça: Alguns casais carregavam um carrinho de bebê, crianças corriam freneticamente...

— Cebola, você merece uma garota muito legal.

— Obrigada, Mô. Você também merece um cara incrível.

⇠△⇢

No dia seguinte, após o almoço, Mônica entrou no quarto de Magali. Ela estava deitada sobre a cama lendo um livro enquanto Mingau estava deitado do seu lado.

— Mô! Vem, senta aqui! E aí? Como foi?

— Um completo desastre! Nunca vi garoto tão presunçoso.

— Cruzes... Pensei que ele poderia prestar.

— Só se ele nascesse de novo! Três vezes! Ficava se gabando o tempo todo. E quanto mais eu dizia que não queria saber, mais ele ficava no meu pé. Queria ficar comigo só pelo ego dele. Nunca mais quero ver aquele garoto na minha vida.

Magali sorriu.

— Bom, pelo menos assistiu ao filme...

— E você pensa que a criatura deixou?

— Mas e o Cebola, gostou da garota?

— Odiou. Disse pra mim que ela ficou o tempo todo se insinuando pra ele. Disse que ela era burra como uma porta.

— Dá nisso aceitar sugestão de Titi. Ô gene ruim...

— Mas deixa pra lá... segunda-feira eu vou começar o trabalho na biblioteca aí não vou nem ter tempo de lembrar desse dia horrível. Aliás, sabia que o Cebola gostou de mim?

— Quando nós eramos pequenos? Sabia. Ele te contou?

— Aham. Tava tão na cara assim?

— Tava um pouco... Mas quando a gente não tá afim de uma pessoa parece que o nosso desconfiômetro fica desligado.

— Exatamente...

⇠△⇢

Franja avançou para o meio da quadra, tocou a bola para Toni, ele driblou Cascão, passou para Do Contra que, driblando Cebola, chutou para a rede marcando gol. O juiz apitou fim de jogo e todos os jogadores se cumprimentaram antes de irem embora.

Cascão e Cebola pegaram as mochilas na arquibancada e foram em direção para fora do pequeno estádio. Enquanto andavam, discutiam sobre o desastre que havia sido a noite anterior.

— Peraí, ela não sabia o que era Marvel? — Perguntou Cascão atônito.

— Pois é.

— Cara, beleza se tu não gosta de HQs, mas daí não saber o que é a Marvel... Assim não dá.

— O problema não era esse. Por que afinal eu também não sei o nome de todas as marcas de roupa. Mas daí ela vir me dizer que acha HQs coisa de criança, aí já é demais.

— Iluminai, Santo Downey Jr., a cabeça dessa pecadora!

— Amém! Enfim... eu não vou ligar pra ela. E acho que ela também não vai ligar pra mim por que eu dei o meu número errado. A não ser...

— ... que o traíra do Titi passe pra ela.

— Aí seria muita sacanagem dele.

— E o que ele é?

— Iluminai, Downey! Iluminai!

Notas finais
Comentem o que acharam do Encontro Desastre... Beijocax e até o próximo cap!