A Tumba Do Faraó
3 A velha prevê uma chuva de porcos espinho
As nove, estávamos esperando o outro grupo chegar na casa de chás.
Eu estava conversando com Bianca, perguntando como ela conseguia aguentar Octavian. Resposta:
-Eu não consigo. Um dia, tasquei o travesseiro na cara dele, por que ele estava falando mau do Nico.- ela pareceu envergonhada falando aquilo mas eu somente ri, o que fez ela dar um sorrisinho.
Pouco tempo depois, passam pela porta Marina e Nico, de mãos dadas, conversando. Troquei olhares com Bianca e ambos começamos a rir baixinho. Atrás deles, o resto do grupo se amontoava para tentar abrir a porta. Aquilo era muito hilário.
Todos se sentaram. Giselle pediu um jogo completo de chás da casa (sei lá o que isso significa). Enquanto esperávamos os chás chegarem,Marina apontou para o fundo da casa. Lá, havia uma mulher velha (BEEEM velha) encurvada sobre uma mesa, e falava com um homem.
-Aquela, -Disse Marina- É a Sra. Poretian. Sim, esse é o sobrenome dela. Ela é uma vidente muito confiável. Tudo que ela fala acontece.
-Para o meu desespero.- falou Gabriel, cruzando os braços.
-Cale a boca.- responde Marina.
-Que tal irmos consulta-la?- sugere Giselle. Todos se animam, menos Gabriel.
-Aquela velha já preveu muita coisa da minha vida. Vou ficar aqui mesmo.- disse ele. Todos fomos até a Sra. Poretian. Quem tem esse sobrenome, pela amor de Deus? Chegamos perto dela e, para o espanto de todos, ela virou a cabeça na nossa direção, os olhos brilharam verdes e apontou a Bianca.
-Você.- a voz tinha um eco medonho. Quase fiz xixi nas cal... ESQUECE.-Você causará a maior chuva de porcos espinhos já vista. Os Homens Vermelhos dominaram sua mente. -ela se virou para todos nós.- Os magos do mundo paralelo salvaram o cajado. O garoto místico dos antigos fará a paz retornar. E alguém para sempre dormirá.- A Sra. caiu na cadeira e nos afastamos.
Que raios foi aquilo que ela falou? Chuva de porco espinho? Como a Bianca faria algo do tipo? Eu não entendi nada, mas Bianca pareceu nervosa e acho que ela descobriu algo sobre aqueles versos estranhos.
-A maior chuva de porcos espinho já vista.- disse Giselle.- Isso não é NADA bom.
-Mas o que é chuva de porcos espinho?- perguntamos todos juntos. Giselle e Marina travavam uma briga de olhares: 'Fale você!' 'Não, fale você!'.
-Chuva de porcos espinho, na linguagem das profecias, significa,- Marina hesitou- traição.
-Significa que alguém está prestes a nos trair então,- conclui Jason. Ah, não brinca que é isso, cara! -Mais precisamente, a Bianca vai nos trair.
-Minha irmã não vai trair ninguém, seu nariz em pé!- grita Nico a Jason.
Os dois iam começar a se bater, mas Bianca se meteu entre os dois.
-Não discutam nem briguem por causa do que ela disse.- falou Bianca-Sei bem o que faço. Posso garantir que, por enquanto, não fui possuída por nenhum homem vermelho. Se já lá o que isso for!
Nós nos sentamos a mesa. Nico tentava matar Jason olhando furiosamente para ele. Sei lá, acho que não vai dar certo. Mas ainda estou com o pensamento preso na chuva de porcos espinho. Ainda não entendi que raio de coisa é isso. Aliás eu até entendi mas por que não simplesmente falar traição ao invés de chuva de porcos espinhos? Que sentido isso faz?
-Giselle.- chamei ela, que se virou para mim.- Entendeu mais alguma coisa do que aquela velha gagá nos falou?
-Ah, infelizmente, não. Quase nada.- responde ela. O garçom chega trazendo doze, DOZE, bules de chá e... Deixa eu ver... Eu, Bianca, Giselle, Nico, Marina, Gabriel... Mais ou menos 14 xícaras de chá. O chá do primeiro bule era bem gostoso, que nem eu! Giselle deu um gole no chá e continuou.- Magos do mundo paralelo... Mas que raio de coisa é essa? Cajado... O garoto místico, quem seria? Só entendo o último verso: alguém vai morrer.
Ótimo. Já sabíamos que alguém iria morrer. Grande avanço no entendimento dessa droga de coisa que aquela doida disse. Certo momento, ouvi alguém cair no chão e o grito de Zoe:
-Bianca!
Olhei para o lado e a vi, caída, no chão. Sua pele, que costumava ser branca como a lua por natureza, estava tão vermelha quanto um pimentão. Levantei rapidamente da cadeira e me aproximei dela. Estava quente, muito quente. Dava para fritar um ovo no corpo dela.
Eu não estava entendendo quase nada. Só entendia uma coisa.
A velha preveu uma chuva de porcos espinho.
Fale com o autor