A Tu Lado
13 Trece.
Notas iniciais
Trece.
POV ROBERTA:
Já era altas horas, eu e Josy voltávamos a pé pro hotel talvez um pouquinho bêbadas, íamos rindo alto e dizendo coisas nada a ver, até que quando passamos por uma rua escura, escutei a voz de Diego e Tomás gritando por "socorro!", me virei pra Josy e disse:
–Melhor irmos ou não?
–Pela voz deles parece ser sério.
–Pois é... Então vamos. -Puxei ela pelo braço.
Chegando lá, vejo Diego e Tomás ajoelhados no chão com Miguel deitado e eles fazendo de tudo pra acordá-lo. Diego se vira pra mim e diz:
–Roberta, liga pra ambulância, rápido!
Eu pensei imediatamente em Mia, então liguei pra ambulância e depois pra Mia que ficou desesperada.
–Mia?
–Oi, Roberta, você me acordou...
–Isso não importa Mia, o Miguel está indo pra ambulância agora.
–O QUE? O QUE FIZERAM COM ELE? ROBERTA, ME RESPONDE.
–Fique calma, Mia. Vem pra cá logo.
–Aonde?
–Na Rua da Feira de roupas, a que fica mais deserta.
–Já tô indo.
E desligou em minha cara.
POV MIA:
Não me preocupei se estava com minha camisola de ir dormir ou se meu cabelo estava mal arrumado. Escovei meus dentes rápidos, coloquei um casaco longo por cima, peguei meu celular e fui até aonde Roberta me falou.
Cheguei lá e os enfermeiros colocavam Miguel na maca e encaminhavam para a "mala", quando uma moça perguntou:
–Alguém vai com ele?
–Eu. -Respondi.
Mas Diego falou pra mim:
–Mia, é melhor você ficar aqui, eu vou.
–Não, Diego! Eu quero irrrrr.
–Você não está em condições! -Ele gritou, e foi também para a "mala" fazer companhia.
Roberta me abraçou e eu fiquei chorando em seus braços. Me doía ver o Miguel daquele jeito, parecia que não ia acordar nunca, ver ele sangrando e todo machucado, o grande amor de sua vida.... Me doía tanto. O incrível é que eu não conseguia piscar, não conseguia me movimentar e as lágrimas só caiam em meu rosto. Roberta dizia:
–Vem, amiga, vamos pro hotel, amanhã nós vemos ele...
E eu não conseguia dizer nada, acho que só depois da ambulância estar a 500 quilômetros de distância eu consegui me mover. É lógico que eu não conseguia dormir, meu pensamento ia direto para Miguel.
NARRADOR:
No dia seguinte, Pascoal chamou todos os alunos e decidiu dar um recado:
–Alunos, prestem atenção! Alguns sabem, mas vou dizer para os que não sabem. Miguel está em estado grave e por isso não está mais aqui. Aos amigos dele, o ônibus estará ali fora pra quem quiser ir embora e ficar perto do amigo. O hospital em que ele está é bem próximo ao colégio, é o Hospital Pasteur. Aos que preferem estar aqui no sítio, divirtam-se. E aos que vão para cidade, mandem notícias, obrigado.
Lupita, Roberta, Mia, Giovanni, Tomás, Josy, Nico, Téo, Celina e Diego arrumaram suas malas e embarcaram no ônibus. 5 horas de viagem, e Mia não aguentava... Queria ver Miguel logo!
Assim que chegou na cidade, Mia foi pra sua casa, avisou tudo para seu pai e se arrumou com uma calça jeans e uma blusa sem graça, nesse momento ela nem ligava muito para sua roupa. Esperou Roberta e Lupita para irem juntas ao hospital, e assim que elas chegaram, partiram para lá.
Perguntaram o quarto, e a enfermeira disse que ele estava dormindo. Mia se revoltou:
–Não importa se ele está dormindo ou não, eu só quero ver ele.
–Mas senhora, não pode...
–E se for só eu e as meninas ficarem aqui fora?
–Repito, senhora, não pode ninguém além do acompanhante.
–Primeiro, não me chama de senhora. Segundo, eu posso sim, eu vi os horários de visita. Terceiro, se você não deixar eu entrar agora eu falo pro meu pai te processar, e acredite, o advogado do meu pai é o melhor do México.
–Tudo bem... Mas só entra você.
–Obrigada.
POV ROBERTA:
Onde estava Dieguinho? Perguntei pra essa velha chata e ela disse que ele estava fazendo lanche. Fui até a lanchonete e o vi com a cara triste, me deu pena dele, aliás, todos rebeldes estavam assim. Me sentei junto com ele sem dizer uma palavra, ele apenas me olhou e disse:
–Quer café? Por minha conta...
–Eu só quero tirar toda essa dor de Mia.
–Isso não tem como eu pagar, só o destino...
–Me dói ver a Mia assim, ela ama tanto esse garoto!
–Eu também gosto dele pra caramba e tenho fé que ele vai sair dessa.
–Eu também tenho fé, mas por que fizeram isso com ele?
–Não sei. Ninguém estava com ele, mas ele estava com marca de chutes, socos, tapas e pra finalizar atropelamento.
–Isso é tão forte... Ai!
–Tô tendo quase certeza que foi a seita.
–Por que?
–Miguel estava com Julieta indo pro hotel, depois ele voltou não sei pra onde e aconteceu isso. E sabe que o Rodrigo, dono da seita morre de ciúmes dela. Então, juntou isso com Julieta dormir em seu quarto, e eles terem feito sexo e outras coisas...
–Tudo por causa da Julieta... Ninguém merece!
Assim que Diego finalizou seu café, falou:
–Vamos subir para ver Miguel?
–Sim, mas não sei se vamos conseguir.
–Relaxa, eu sou o acompanhante, posso tudo.
Ele pagou e saímos rumo ao quarto de Miguel.
POV MIA:
Abri a porta com cuidado para não acordar, e me deparei com ele totalmente estático, ele com os olhos fechados, sem aquele olhar dele safado, sem sorrir debochado pra mim... Eu ficava lembrando disso e me doía tanto. Não conseguia acreditar... O que foi que ele fez pra ficar assim? Ele jamais mereceu isso. Eu queria o Miguelzinho de novo, o meu namorado!!
Fui para perto dele e comecei a acariciá-lo, e a falar com ele, mesmo sabendo que ele não me escutaria.
–Miguel? -Disse em lágrimas. -Eu deveria ter acreditado em você, porque se eu acreditasse nada disso teria acontecido e hoje estaríamos nos divertindo na praia igual antes. Eu sinto falta de você.
Era estranho como ele não parecia que estava dormindo, até porque quando um paciente está dormindo não fica daquele jeito que ele estava, imóvel... Continuei falando sozinha:
–Você promete que vai ficar bem? Olha, assim que você ficar bem planejaremos o nosso casamento. -Segurei nas duas mãos deles... -Ok?
Até que a porta abre, me viro e era Roberta, Diego e Lupita. Eles me viram chorando e logo vieram me abraçar. Perguntei:
–Como conseguiram entrar aqui?
Roberta respondeu:
–Diego é acompanhante, disse que a gente estava com ele e entramos!
Lupita olhava fixamente pra Miguel com lágrimas no rosto e disse em seguida:
–Mia? Aquela mulher disse que ele estava dormindo?
–Sim, por que?
–Você leu o que estava escrito na porta?
–Não... Era o que?
–Sala de Coma, Miguel está em coma, não está dormindo, e sabe-se lá quando vai acordar.
–O que? -Foi aí que meu mundo desabou.
–Mia, calma...
–Como vou ter calma, Lupita? Como?
Até que a velha chegou expulsando nós três e dizendo:
–O horário de visitas acabou, todas para fora exceto o acompanhante.
Olhei novamente para Miguel e disse:
–Acorda logo... Eu te amo.

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