Notas iniciais
Devido aos reviews animadores, me exforçei para portar mais cedo, e a insônia de meia-noite ajudou tambem.

Aproximei-me mais do espelho, girando meu corpo para observar cada detalhe. A pele mais branca que a minha, o corpo mais másculo que o meu me deixavam ainda mais aflito.

O cabelo preto, liso e comprido que ia a altura dos ombros.

Minha respiração se chocava contra o espelho, embaçando-o um pouco. Os olhos verdes me encaravam perplexos e chocados, procurando por qualquer tipo de resposta que aquele utensílio pudesse me dar.

Aos poucos fui aproximando minha mão – que não era minha – do espelho, reparando nos dedos mais brutos, as juntas mais grossas, sentindo-me ainda mais louco. O que fariam comigo em um manicômio?

Toquei o espelho, sentindo o gelado material em contato com a minha pele. Isso não me dava nenhuma resposta, e somente me deixava ainda mais nervoso. Porque, porque comigo? Tendo tantas pessoas para acontecer algo do gênero, e isso tinha que acontecer justo comigo!

Comecei a andar de um lado para o outro no banheiro, não tendo coragem para olhar para um corpo que tecnicamente era meu, mas na realidade não era. Tal coisa era confusa até de ser entendida por mim. A velocidade dos passos que dava aumentava, assim como meu desespero. Passei a mão pelos fios negros, sentindo um grande desconforto ao fazer isso. Esse era meu fim?

– Não, não pode ser! — Continuei a encarar o espelho mesmo andando, agora com medo do próprio reflexo. Finalmente passei a mão por um rosto que não era meu, sentindo cada contorno semelhante, mas que não me pertencia. — O que eu estou fazendo no corpo do Gerard? — Gritei desesperado, ficando com aquela expressão rara e chocada que somente ele sabia fazer.

Tudo bem que ficar gritando e ter ataques não iria ajudar, mas o que mais eu poderia fazer? Aquele corpo musculoso, aquela pele, o rosto, os cabelos, nada daquilo ali me pertencia! Meu corpo tremia quase que compulsivamente, e eu já soava frio. Não faltava muito para um desmaio.

Sentei-me sobre a privada, colocando meu rosto sobre as mãos. Já que essa grande merda havia acontecido, eu tinha que descobrir como aconteceu, e porque aconteceu. Para começar seria ótimo me lembrar do que fiz na noite passada, mas nada me vinha à mente. A última coisa da qual me lembrava era estar no meu quarto. Eu, Michael James Way, no meu quarto. Meu quarto que era arrumado, meu corpo que era limpo, minha mente que agora era doente.

Depois de um tempo sentado sobre a privada gelada, tendo esfriado mais minha bunda do que minha mente comecei a raciocinar um pouco, lembrando-me que Ger havia saído de casa no corpo dele. Então, se ele havia saído, isso era culpa dele! De certo a besta havia bebido até desmaiar, e devem ter feito algum tipo de macumba ou ritual satânico, sei lá.

Claro que essas conclusões eram mais pelo fato de querer matá-lo no momento, mas se continuasse assim eu não iria muito longe. Nossa mãe, junto com nosso Pai estariam em casa novamente daqui a algumas horas, e eu tinha que estar em perfeito estado de ao menos falar com eles novamente.

Observei novamente o espelho, quase atirando as coisas que estavam sobre a bancada à minha frente nele. Suspirei, fechando meus olhos, sentindo um certo desconforto meu rosto. Passei a mão por uma de minhas bochechas, sentindo uma dor bem irritante, e logo outra memória foi recuperada. Depois de tirar forças até do inferno dei um belo tapa no rosto de Gerard. Agora, nesse exato momento eu havia aprendido uma coisa: não façam aos outros o que não quer que façam para você. Não bata nos outros se não quer sentir dor.

Massageei a pele, com vontade de me dar um soco por ter batido em Gerard. Se agora, que já havia passado um bom tempo desde a briga eu estava sentindo tamanha dor, imagina o que ele deveria ter sentido na hora. Bem feito, Mikey. Mas, pensando bem, eu não deveria ter pena de Gerard, e sim medo. Era agora que eu não iria mais ficar calmo.

Se eu estava no corpo dele, então significava que ele estava no meu. Era meio que uma linha óbvia de lógica. Mas se ele estava no meu corpo, onde ele estava? Conhecendo Gerard como conheço, ele deve ter tido outra de suas noitadas, e havia usado meu pobre corpo para isso. Se ele de fato havia feito isso, ele poderia se considerar uma pessoa morta.

De repente meus problemas se multiplicaram. Além de estar no corpo de Gerard, onde estava o meu corpo?

Notas finais
Gostaram da minha nova foto? Meu cabelo tá maior!