Acordei na enfermaria com meu pai sentado passando a mão em meus cabelos ruivos.

— Oi! — Ele levou um susto e se virou olhando para mim com uma mistura de decepção e alivio.

— Moacir o que deu na sua cabeça para você entrar em contato com a filha do nosso inimigo! Estão chamando-lhe de traidor, de informante dele.

— E você acredita nisso? — Olhei nos seus olhos azuis assim como os meus. Ele hesitou e respondeu.

— Claro que não! — Tentei levantar e senti minhas pernas bambas quase cai mas meu pai me segurou. — Você precisa descansar daqui a algumas horas o pajé vai vir. E que Sumé faça com que o pajé te de uma punição justa e leve. — Ele beijou minha testa e saiu da tenda me deixando sozinha sem poder andar, pois os dardos acertaram nas minhas pernas e ouvindo as pessoas falando de mim sem poder fazer nada.

* * *

Acordei com o pajé entrando na tenda e me olhando com aqueles olhos vermelhos.

— Venha meu filho! Sua punição será leve, eu prometo. — Para a nossa tribo prometer algo é muito importante, se alguém quebra uma promessa é expulso imediatamente, porém o pajé é traiçoeiro ele sabe como trapacear essas guerras. Ao sair da tenda uma multidão de índios se encontrava com comidas podres em suas mãos prontas para jogar em mim. — Tribo! — O pajé gritou tão alto que sua voz ecoou pela floresta. — Estamos aqui presentes para a punição do jovem Moacir que foi encontrado entrando em contato com a filha de nosso maior inimigo, e por isso sua punição será carregar esse pote vazio até o rio — Achei fácil e leve. —, porém, enquanto todos tacam coisa em você, e se algo cair dentro do jarro você terá que voltar todo o caminho e repeti-lo de novo e de novo.

Olhando ao redor via os rostos dos outros índios, esbanjavam raiva e gosto em me fazer sofrer.

— Tudo bem! Irei fazê-lo. — Peguei de sua mão e comecei a punição. — Vamos lá. — Respirei fundo e sai correndo, comidas voavam em mim, no chão e em todos os lugares, sem perceber uma flecha atingiu o pote e entrou no mesmo.

— Pare! — O pajé gritou lá do fundo. — Volte agora.

Isso se repetiu muitas vezes até que a noite caiu.