Notas iniciais
Naruto: Acho que gostaram de mim... Autora-chan: Eles gostaram é de mim, eu que escrevo bem, você só atua Naruto: Isso não é verdade T.T Autora-chan: Tem razão, não é verdade... Naruto: EU disse... *-* Autora-chan: Vamos deixar eles lerem ? Naruto: SIMMMM Ambos: BOA LEITURA !!! ♥

Quando chego em casa, sento-me no degrau da frente e respiro profundamente o ar fresco da primavera por alguns minutos.

Foi minha mãe quem me ensinou a aproveitar momentos como esses, momentos de liberdade, embora ela não saiba disso. Observei-a aproveitando esses momentos, deslizando para fora de casa depois de escurecer enquanto meu pai estava dormindo, voltando para casa quando a luz do sol estava aparecendo por trás dos edifícios. Ela os aproveitou mesmo quando ela estava conosco, ficando na pia com os olhos fechados, tão distante do presente que ela nem sequer ouvia quando eu falava com ela.

Mas aprendi alguma coisa a observando também, que os momentos livres sempre têm que acabar.

Eu me levanto sacudo as manchas de cimento da minha calça cinza, e abro a porta. Meu pai está sentado na poltrona na sala de estar, cercado pela papelada. Arrumo minha postura, de modo que ele não me repreenda por me curvar. Vou em direção às escadas. Talvez ele me deixe ir para o meu quarto despercebido.

— Conte-me sobre o seu teste de aptidão — ele diz, e aponta para o sofá para eu sentar.

Eu atravesso a sala, passando com cuidado sobre uma pilha de papéis sobre o carpete, e me sento onde ele indicou, na beira da almofada para que eu possa me levantar rapidamente.

— E então?

Ele tira os óculos e olha para mim com expectativa. Ouço a tensão em sua voz, do tipo que só se desenvolve depois de um dia difícil no trabalho. Eu devo ter cuidado.

— Qual foi o seu resultado?

Eu nem sequer penso em me recusar a responder.

— Abnegação.

— E nada mais?

Eu franzo a testa.

— Não, claro que não.

— Não me olhe assim — ele diz, e minha carranca desaparece. — Nada de estranho aconteceu com o seu teste?

Durante o meu teste, eu sabia onde estava, eu sabia que quando eu senti como se estivesse em pé no refeitório da minha escola secundária, eu estava na verdade sentado em uma cadeira na sala de teste de aptidão, o meu corpo conectado a uma máquina por uma série de fios. Isso foi estranho. Mas eu não quero falar com ele sobre isso agora, não quando posso ver o estresse se formando dentro dele como uma tempestade.

— Não — respondo.

— Não minta para mim — ele diz e aperta meu braço.

Eu não olho para ele.

— Eu não estou mentindo — digo. — Eu sou da Abnegação, tal como esperado. A mulher mal olhou pra mim no meu caminho para fora da sala. Eu juro.

Ele me solta. Minha pele pulsa onde ele a agarrou.

— Bom — ele diz. — Tenho certeza de que você tem algo em que pensar. Você devia ir para o seu quarto.

— Sim, senhor.

Levanto-me e atravesso a sala novamente, aliviado.

— Oh — ele diz. — Alguns dos meus colegas membros do conselho estão chegando hoje à noite, então você deve jantar mais cedo.

— Sim senhor.

—*-*-*-

Antes de o sol se pôr, roubo comida dos armários e da geladeira: dois pãezinhos e cenouras cruas com as folhas ainda presas, um pedaço de queijo, uma maçã e restos de frango sem tempero. Toda a comida tem o mesmo sabor, gosto de poeira e pasta. Mantenho meus olhos fixos na porta, para que eu não me encontre com os colegas de trabalho do meu pai. Ele não ia gostar se eu ainda estivesse aqui quando eles chegassem.

Estou terminando um copo de água quando os primeiros membros do conselho surgem em minha porta, e eu me apresso pela sala antes que meu pai chegue à entrada. Ele espera com a mão na maçaneta e as sobrancelhas levantadas para mim enquanto eu escorrego ao redor do corrimão. Ele aponta para as escadas e eu as subo rapidamente, enquanto ele abre a porta.

— Olá, Minato

Eu reconheço a voz de um homem alto e de cabelos grizalhos. Ele é um dos melhores amigos do meu pai no trabalho, o que não significa nada, porque ninguém realmente conhece o meu pai. Nem mesmo eu.

Do alto da escada, olho para o homem. Ele está limpando os sapatos no tapete. Eu vejo ele e sua família às vezes, uma perfeita união da Abnegação, Fuuka e Kazuma, e seus dois filhos, não gêmeos mas eram bem parecidos, um era da mesma idade que a minha, já o outro era um pouco mais velho que eu, porém estudava-mos na mesma escola, todos andando tranquilamente pela calçada e balançando a cabeça para os que passam. Fuuka organiza todos os esforços voluntários para os sem facção entre a Abnegação, minha mãe deve tê-la conhecido, embora raramente presenciasse eventos sociais da Abnegação, preferindo manter seus segredos como eu mantenho os meus, escondidos em casa.

Os olhos de Kazuma encontram os meus, e eu corro pelo corredor até meu quarto, fechando a porta atrás de mim.

Ao que tudo indica, meu quarto é tão escasso e limpo como qualquer outro quarto da Abnegação. Meus lençóis cinzentos e cobertores estão dobrados firmemente em torno do colchão fino, e os meus livros escolares estão empilhados em uma torre perfeita na minha mesa de madeira compensada. Um pequeno armário que contém vários conjuntos idênticos de roupa fica ao lado da pequena janela, que permite a entrada de apenas uma pequena faixa de luz solar durante a tarde. Através dela eu posso ver a casa ao lado, que é exatamente como a que, estou exceto que ela fica um metro e meio para o leste.

Sei como a inércia levou minha mãe para a Abnegação, se é que o homem estava falando a verdade. Posso ver o mesmo acontecendo comigo também, amanhã, quando eu ficar entre os potes de elementos das facções com a faca na mão. Existem quatro facções que eu não conheço ou confio, com práticas que não conheço, e apenas uma que é familiar, previsível, compreensível. Se escolhendo Abnegação não terei uma vida de felicidade extasiante, pelo menos estarei em um lugar confortável.

Sento-me na beira da cama. Não, não estarei, eu penso, e então engulo o pensamento, porque sei de onde vem: da parte infantil de mim que tem medo do homem da lei que está na sala de estar.

O homem cujos nós dos dedos eu conheço melhor do que seu abraço.

Checo se a porta está fechada e coloco a cadeira embaixo da maçaneta, só para prevenir. Então agacho ao lado da cama e alcanço o baú que mantenho lá.

Minha mãe o deu para mim quando eu era mais novo, e disse ao meu pai que era para guardar cobertores, e que ela o tinha encontrado em um beco em algum lugar. Mas quando ela colocou-o no meu quarto, ela não o encheu com cobertores. Ela fechou a porta e tocou os dedos em seus lábios e pousou na minha cama para abri-lo.

Dentro do baú aberto havia uma escultura azul. Parecia água caindo, mas era na verdade vidro, perfeitamente claro, polido, sem falhas.

— O que ele faz? — Eu perguntei a ela na época.

— Ele não faz nada — ela respondeu e sorriu, mas o sorriso era apreensivo, como se estivesse com medo de alguma coisa. — Mas pode ser capaz de fazer algo aqui. — Ela bateu no meu peito, bem acima do meu esterno. — As coisas bonitas, por vezes, são capazes disso.

Desde então, tenho enchido meu baú com objetos que outros chamariam de inúteis: óculos antigos sem lente, fragmentos de placas-mãe descartadas, velas de ignição, fios descascados, o gargalo quebrado de uma garrafa verde, uma lâmina de faca enferrujada. Eu não sei se minha mãe teria chamado de bonito, ou mesmo se eu chamaria, mas cada um deles me pareceu da mesma forma que a escultura parecia, como coisas secretas e valiosas, mesmo se elas estivessem esquecidas.

Em vez de pensar sobre o meu resultado do teste de aptidão, pego cada objeto e os coloco em minhas mãos para que eu memorize cada parte de cada um.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.