A Tragédia De Meiko Watanabe
5 Povo estranho
Notas iniciais
Ponto de Vista — Meiko
Quando a aula finalmente acabou, eu estava indo para casa quando vi uma garota me puxar e me empurrar no chão, eu dei um grito. Ela tinha cabelos cor de mel e olhos azuis, e era tão pálida e sem vida como as outras, ela me disse com raiva:
-Não queremos garotas que gostam de se aparecer neste lugar, é bom você saber disso.
Aquela foi a primeira vez que eu chorei por causa daquelas pessoas. Eu não conhecia aquela menina e nem sabia por que ela estava agindo assim, eu deixei uma lágrima escorrer pelo meu rosto, mas eu tinha que continuar a voltar para casa. Havia chovido ontem e como as ruas eram de barro, estavam todas lamacentas, eu voltei para casa cabisbaixa e com o uniforme todo sujo. Minha mãe veio me dar boas vindas e se espantou ao ver o meu uniforme.
-O que aconteceu, Meiko?
Eu respirei fundo. Minha mãe era minha amiga e eu sempre contava tudo para ela, mas ela estava tão empolgada de ter vindo para cá e poder recomeçar que eu não queria preocupá-la.
Eu sorri e deixei uma lágrima escorrer.
-Eu tropecei, agora eu vou tomar um banho.
Fui até o banheiro e tomei um banho demorado, chorei um pouco durante o banho mas não deixei que aquilo me abalasse. Saí do banho e fui até a minha cômoda, peguei um kimono verde floral e soltei os cabelos, fiquei os penteando por um momento, pude ouvir minha mãe entrar no quarto e me dar um abraço.
-Filha, eu sei que você está triste, o que foi? — ela disse.
-Uma garota me empurrou enquanto eu voltava da escola... — eu respondi cabisbaixa.
-Por que ela fez isso? — minha mãe me olhou espantada.
-Eu não sei, eu nem a conheço.
Minha mãe ficou séria e continuou me abraçando. Depois ela saiu do quarto me deixou um pouco a sós, eu peguei a fotografia que eu havia trazido comigo, era minha fotografia preferida: havia eu, minha mãe e meu pai. Meu pai morreu quando foi viajar para a Europa, o avião caiu e bem... Depois disso minha mãe ficou arrasada. Meu pai tinha uma loja de conveniências e quando ele se foi minha família passou por uma séria crise econômica, nós fomos à falência e com o dinheiro que sobrou, minha mãe teve que se mudar para um lugar mais barato, e aí ela se lembrou deste lugar, provavelmente o lugar mais barato do mundo para se morar.
Depois de um bom tempo refletindo, minha mãe voltou ao quarto, e eu resolvi lhe explicar a lei do colar. Ela ficou espantada.
-Eu acho melhor nós arrumarmos este colar o mais rápido possível, filha. Eu vou me aprontar e então nós vamos lá na igreja pegá-lo. — ela falou.
Em alguns minutos, minha mãe estava me chamando para irmos para a igreja pegar o tal objeto, eu fui até o banheiro e fiz um coque, coloquei uma flor cor-de-rosa que caía nos meus cabelos delicadamente e passei o pó de arroz branco e as frutas vermelhas, eu nunca me importei de andar pelas ruas com essas roupas. Peguei minha sombrinha e fui caminhando com minha mãe até a igreja, as pessoas ficavam me olhando de uma forma estranha.
Fomos até a salinha atrás do altar, passamos pelas escadas e batemos na porta, a mulher abriu e nos convidou a entrar. Eu e minha mãe pedimos de imediato o colar a ela, que sorriu.
-Então você já sabe, senhora Watanabe? E você tem certeza? — Meredith disse.
-Bom, nós pretendemos ficar aqui, e se para isso temos de ter o colar...
-Você sabe o que acontece se você tirá-lo, certo?
Minha mãe concordou com a cabeça. Então Meredith pegou dois colares com aquele mesmo símbolo e colocou em nós duas.
-A partir de agora, vocês fazem parte deste vilarejo.
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