A Todo Custo Ser Beijada!
7 Uma taça srta? Deixa a garrafa...
A todo custo ser beijada!
7º Capítulo: Uma taça srta? Deixa a garrafa...
By Sula-sama
Uma taça de vinho bordô pela metade com algumas poucas pedras de gelos remanescentes, uma caixa de bombom suíço aberta com algumas embalagens espalhadas pela bancada que era usada como mesa e uma bela dama perdida em pensamentos olhando para a taça em sua mão como se procurasse respostas para os seus problemas naquele liquido púrpura saboroso. Sakura de longe imaginaria que sua noite de sábado terminaria assim, não que tivesse alguma expectativa por “algo ou alguém”, ela era acostumada a ficar sozinha – ela até preferia assim, mas ficar ali sentada na companhia de duas garrafas de vinho – a qual uma delas já esvaziara e a outra se encontrava pela metade – parecia que estava se afundando em decadência ou se afligindo de autopiedade, o que de nada fazia o estilo dela.
— Eis a questão: quantas garrafas serão precisas para apagar aquilo da minha cabeça? – falou enquanto fazia movimentos circulares com a taça afim de ver o vinho seguir o movimento. – Acho que mais uma... – e levantou rindo em busca de mais gelo, pois lembrara que a última vez que bebera tanto assim foi em uma confraternização pós-faculdade, onde seus ex-colegas ficaram espantados como a “quietinha do A+” como a chamavam, poderia beber tanto e ainda por cima colocar gelo no vinho.
Sakura não era como os outros, de tudo era diferente, principalmente no contraste de beleza exuberante contra sua personalidade conflitante. Mas assim era ela, tão complexa que nem ela própria se acompanhava em algumas vezes. Novamente se pegou devaneando parada em frente a geladeira, quantas vezes hoje já ficara fora do ar? Suspirou, pegou seu gelo e completou sua taça.
Passando pouco mais das 21h e já na metade da terceira garrafa ela sentiu as pontas dos seus dedos e suas bochechas ficarem dormentes e sorriu satisfeita ao pensar que poderia se ver livre daquelas teimosas, irritantes e vergonhosas memórias. Jogou a cabeça para trás e encarou o teto por alguns minutos, quando veio novamente a lembrança de Shaoran se aproximando do seu rosto. Voltou a cabeça com tudo para frente o que lhe rendeu uma tontura instantânea.
— Qual é o meu problema!? – esbravejou – Não posso ser tão azarada assim, porque não consigo simplesmente esquecer aquele desastre? Pensei que você – falou apontando para a garrafa de vinho – iria me ajudar nessa missão...
Suas lamurias foram interrompidas pelo o toque do telefone. Agora sim, tivera a certeza que de fato era azarada, a contragosto levantou de onde estava e fora cambaleando atender. Quando sua mão encostou no objeto ela estancou, afinal quem será a pessoa do outro lado da linha? Talvez ela não estivesse preparada para conversar com quem quer que fosse, será que estaria exagerando? Poderia ser qualquer pessoa, não precisa ser exatamente “ele”, poderia ser até o presidente dos estados unidos. Isso mesmo! Não deve ser nada demais, estava exagerando. Mas seu corpo todo ainda lutava entre deixar tocar ou finalmente atender. Acabou escolhendo a última opção, porque aquele ruído já estava lhe dando dor de cabeça.
— Alô... – falou em um fio de voz e deu um suspiro ruidoso ao escutar a voz do outro lado da linha. – Oi Tomoyo, o que você quer a essa hora?
— Oi Tomoyo? OI TOMOYO?— gritou a loira fazendo Sakura afastar o telefone do ouvido – Você por acaso perdeu o pouco de juízo que lhe resta? Eu sabia que você era difícil de lidar, mas não sabia que era louca!!!
— Tomoyo, eu não acredito que você ligou a essa hora só para gritar comigo. – falou massageando as têmporas. Amanhã ela teria uma ressaca daquelas.
— Não acredita? NÃO ACREDITA!?Eu que não acredito no que você fez. E agora, me diga? O que a gente vai fazer? Ele seria a nossa opção mais rápida de ajudar o centro. Apesar que talvez isso nem seja a maior preocupação no momento...
— Mas Tomoyo... – tentou em vão interromper.
— Pelo menos não depois do que você fez a ele!
— Ah pelo amor de Deus, não seja tão exagerada, e além do mais a culpa nem foi minha, quer dizer não totalmente, se ele não tivesse...
— Não totalmente!? Você por acaso consegue se escutar? Ele é a vítima, não você!
Sakura tirou o telefone do ouvido e o abaixou a altura da cintura enquanto ouvia de longe Tomoyo a reclamar e respirou fundo para não ter que falar coisas desnecessária para amiga, mesmo que ela estivesse merecendo, na opinião dela. Apesar de que lá no fundo, mas bem lá no fundo mesmo, ela sabia que a amiga tinha razão. Mas nunca, nunca mesmo ela admitiria.
— Tomoyo eu não quero discutir com você... – deu uma pausa porque começara a sentir que sua fala estava ficando enrolada.
— Você está bebendo? – indagou esperando a resposta da morena, sem nenhum retorno continuou – Está, não está? Então admite que fez besteira, senão não estaria bebendo ai sozinha! Comendo talvez, mas bebendo sozinha não.
— O que? Mas... Não! Espera... O que? – teve que dar uma pausa para reorganizar seus pensamentos e sua dicção – Tomoyo se não tem nada de útil para falar, eu vou desligar.
— Ah, mas eu tenho algo útil para dizer. – falou sarcástica – A senhora vai procurar ele para pedir desculpa! E não me venha com falso vitimismo.
— EU VOU O QUE? – gritou chocada.
— Você ouviu! E não estou falando por causa do centro, você conseguiu de longe superar a última humilhação que você fez com ele. O programa foi fichinha para isso.
— Eu não estou entendendo Tomoyo, o que você quer dizer com isso? Está do lado dele agora? Que tipo de amiga é você? – a morena não estava acreditando no que estava escutando.
— Sa...
Isso era um absurdo! Ela se desculpar? Ela bebe e Tomoyo é que parece estar embriagada, e ainda tem a cara de pau de ficar do lado dele.
— Saku...
Ele que começou isso tudo, perseguindo-a, testando sua paciência, soltando piadinhas e provocando ela o tempo todo. Poderia passar a noite toda listando todas as formas que ele se dispôs a incomoda-la. E ainda por fim teve aquilo.
— Sakur...
Sim! Aquilo foi o ápice, ele teve o que mereceu. Apesar que ela não está entendendo como a Tomoyo fala com tanta propriedade que o moreno está certo. Afinal só teve uma testemunha que presenciou aquele desastre.
— SAKURA!! Sakura? — silêncio – Sakura? Está aí ainda?
A morena levou um susto tão grande que derrubou o telefone no chão e por causa do alto nível de álcool no sangue estava tendo dificuldade para se abaixar e pegar o objeto. Nota mental: beber pode causar mais devaneios que o normal, em hipótese alguma atender o telefone. Conseguiu enfim pega-lo e levantou devagar para não causar uma tontura súbita.
— Tomoyo, estou aqui.
— Que ótimo, pensei que tivesse desligado na minha cara realmente.
— Certo, mas me diga ou melhor, me explique, como você tem tanta certeza que de fato ele é inocente? Pelo que me lembre você não estava lá. – que lástima, bebera tanto para esquecer e por causa da amiga tem que ficar lembrando daquela... Daquela... Argh! As palavras até fogem de sua cabeça.
— Me diga você! O quanto você bebeu? Porque pelo jeito, você não está conseguindo assimilar nada.
— Assimilar? Como assim? – de fato ela tem razão, a bebida estava pegando-a de jeito, ela não está conseguindo acompanhar o que a loira está falando. Será que Tomoyo estava lá o tempo todo? Não faz o menor sentido, ela a teria visto. E também o pequeno Ichigo não tem idade o suficiente para verbalizar o que eles estavam fazendo... Fazendo... Enrubesceu violentamente ao lembrar tão claramente, cadê a embriaguez quando a gente precisa dela.
— Vinho, não é? Você não fica bem depois de algumas taças de vinho... – falou suspirando.
— Como se fosse só taças... – murmurou.
— GARRAFAS? Meu Deus! Agora estou entendendo porque você está tão lenta. – a morena fez menção de interrompê-la – Nem pense nisso mocinha. Você quer saber como eu sei da “sua vergonha” então agora vai me escutar. Depois que você foi embora quem ficou para “limpar” sua bagunça foi eu. Afinal, eu não estaria no meu juízo perfeito se não fosse acudir o pobre rapaz depois do grito de dor que ele deu, que acho que TODO o centro ouviu. – silêncio – Sakura? Você está me ouvindo? Alô?
Não, não, não, não, isso não está acontecendo! Só pode ser um pesadelo. Todo o centro... Todo o centro... TODO O CENTRO. Essas palavras ficaram ecoando na cabeça dela, até que ela não aguentou mais e perdeu os sentidos caindo sobre o sofá e desmaiada acabou passando a noite ali mesmo.
— Alô? Tudo bem, amanhã ela se vê comigo...
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