A Todo Custo Ser Beijada!

9 Uma manhã tempestuosa – hipoteticamente!


A Todo Custo Ser Beijada!
9º Capítulo: Uma manhã tempestuosa – hipoteticamente!
By Sula-sama

Domingo! Último dia da semana ou o primeiro dia dela, se preferir categorizar dessa forma. Dia de relaxar, curtir, pegar uma praia, almoçar com a família e/ou talvez se recuperar de uma ressaca.

Sakura acordara, mas não se deu o trabalho de abrir os olhos, afinal a dor de cabeça que estava sentindo era o suficiente para lhe impossibilitar de realizar esse simples ato. Não se recordava do que aconteceu na noite passada, e pelo desconforto que estava sentindo de estar deitada em um lugar que não era sua cama, tinha também o medo de abrir os olhos e descobrir que em seu estado vergonhoso de bêbada tinha saído sem rumo e agora estava na cama de outra pessoa.

Respirou várias vezes para controlar sua ansiedade e assim notou que tinha um ruído longínquo e insistente no lugar que estava, tentou focar um pouco mais, mesmo que isso fosse muito desconfortável dada sua situação.

O barulho não deu trégua e continuava a soar só que se aproximando cada vez mais, não que ele estivesse chegando mais perto, era os sentidos da Sakura que começaram a voltar ao seu estado natural e seu foco tropeçante estava funcionando.

Reconheceu o persistente barulho como sendo seu telefone.

Ótima notícia! – pensou. Afinal estivera o tempo todo em sua sala e tinha passado noite no sofá.

Ousou abrir os olhos, mas a dor em sua cabeça não estava colaborando forçando-os a fecharem novamente — imagine se levantar — cogitou. Então continuou em seu estado mórbido. Não era um estado que pudesse se gabar, ou quem sabe, se quer poderia contar para alguém. Ainda bem que morava sozinha, era uma vergonha a menos.

— Por que raios fui beber tanto para ficar desse jeito deplorável?!? – esbravejou.

De fato, não conseguia manter o foco mental para tentar lembrar o que aconteceu na noite passada. Mas algo bem no fundo dizia que aquilo era uma ótima notícia. E isso a intrigava mais do que não saber o porquê dela ter tomado todas. Afinal, seu inconsciente estava feliz por não lembrar, e isso era um absurdo, até porque ela é o tipo de pessoa que não gosta de ficar alheia a situação que lhe envolve. Era como se estivesse havendo um auto sabote.

Por fim, o insistente barulho do telefone parou. E Sakura suspirou aliviada, poderia tentar colocar seus pensamentos em ordem e quem sabe conseguiria resolver esse turbilhão de sentimentos e confusão. Mas isso durou por pouco tempo, porque ele voltou a tocar em seguida.

— Ahhhh!! QUEM DIABOS ESTÁ ME LIGANDO?!? – gritou exasperada, levantando com tudo e tendo uma forte vertigem.

Se apoiou no braço do sofá, respirou fundo e expirou em seguida para tentar controlar seu labirinto e acabou por perceber que sua boca estava extremamente seca, mas não se ateve por muito tempo a isso, olhou para a mesinha que fica o telefone e se assustou.

— Cadê ele? – indagou. Estava começando a se perguntar se estaria ficando louca, quando ele tocou novamente e o viu perto da porta do quarto, à dois passos pequenos na diagonal de onde ele fica originalmente.

Estranhou, claro. Provavelmente dormiu com ele na mão e deve ter caído e saiu embolando até chegar na porta do quarto. Faz sentido, mas espera aí! Isso quer dizer que antes de apagar estivera estava falando com alguém, se não, não teria motivo para adormecer com o telefone na mão. Ops...

— O QUE?! – gritou colocando as mãos na cabeça.

As coisas pareciam que só estavam piorando. Primeiro, não conseguia forçar sua memória para lembrar o que tinha acontecido por causa da quantidade de álcool que ainda restava em seu organismo, segundo estava com uma baita dor de cabeça e o corpo dolorido por ter passado a noite no sofá que de nada era confortável e por último e não menos pior, antes de ser nocauteada pelas garrafas de vinho estivera falando com alguém.

— Ah meu Deus! Esse dia acaba de ficar melhor. – falou ironicamente.

Não tinha jeito, teria que atender. Então se dirigiu até onde o aparelho se encontrava e o pegou antes que caísse na caixa postal.

— Alô? – falou hesitante.

Ora, ora, vejam só quem ressurgiu dos mortos! – caçoou a pessoa do outro lado.

Sakura por sua vez, não sabia se ficava irritada com a piada pra lá de impertinente, ou se ficava aliviada por não ser outra pessoa.

— Oi Tomoyo! – falou entredentes.

Não fique com raiva, aliás quem deveria estar irritada era eu. Do que eu estou falando? Eu estou irritada! – falou a loira em um misto de confusão seguido de fúria.

— E por que “oh grande ser impotente” estaria irritada com sua humilde serva? – Sakura retrucou pausadamente sem esboçar emoção nenhuma, em seguida sentou pesadamente no sofá e deu um suspiro ruidoso. — o que de nada agradou a amiga.

E por que mais? Além de ter possivelmente acabado com as chances de procriação de um dos atores mais famosos da atualidade, ainda dormiu enquanto falava comigo no telefone. Espera, você disse “ser impotente”?

— Silêncio –

Ah! De novo não! Sakura, você está aí? – falou em um tom cansado.

Sakura congelara no sofá e não conseguia falar e nem esboçar reação nenhuma, a não ser de total terror. As palavras de Tomoyo a atingiu como um gancho de direita e ela foi nocauteada de lembranças. Ela lembrava de tudo, TUDO MESMO.

Lembrou que Shaoran tinha ido a sua casa pela manhã levando chocolates o que a fez dirigir o olhar para o balcão na cozinha e ver a caixa aberta e vazia o que comprovava sua linha de lembrança, ele em seguida tinha arrumado confusão com seu vizinho. Depois foram para o Centro e tiveram uma reunião com Tomoyo. Terminada a reunião, se encaminharam para conhecer o resto do Centro, quando depois ele... Ele... Os dois...

Meu Deus! – pensou – Nós quase nos beijamos e uma criança do centro viu, e eu... eu... – a pobre menina estava a um passo de um colapso.

— TOMOYO!!! Socorro Tomoyo! – gritou desesperada a fazendo a amiga dar um pulo de susto do outro lado. – Eu quase o matei com uma joelhada! Claro que a culpa é dele de ter tentado algo tão indecente, mas eu... Eu...

Finalmente escutou a voz da razão! Você deixou o coitado caído no chão, com a alma para fora do corpo, por sorte eu cheguei a tempo antes de qualquer pessoa fosse ver o que tinha acontecido depois do grito que ele deu. Afinal o que vocês estavam fazendo para terminar daquela forma?!?

— Por mais que eu tenha raiva dele, por mais que eu repudio esse tipo de assanhamento, eu não sou violenta assim! – completou.

Assanhamento? O que você está insinuando? Não me diga que ele tentou...

Repudia? Assanhamento? Quem ela está tentando enganar? Ela quase retribuiu o beijo dele. Só de lembrar aquele homem se aproximando, de sua respiração descompensada em seu rosto, aqueles olhos castanhos com o desejo evidente de tê-la. E o corpo? Ah! Aquele corpo, tão colado ao dela, pressionando-a fazendo ela sentir cada parte dele, aquele perfume forte embriagante, seus corações batendo em uma sincronia assustadora.

Não conseguiu evitar um arrepio súbito da base da espinha até sua nuca, toda maresia da bebida passara subitamente e ela se sentiu quente, em uma mistura de curiosidade e desejo de saber como teria sido se não tivesse terminado daquela forma, e no final uma pitada de vergonha, não que fosse admitir em voz alta. Só o fato de pensar, já era o bastante para achar que estava se traindo. Agora entendia o porquê do seu subconsciente estava tão tranquilo em não lembrar de nada. E além do mais, era compreensivel o estado de embreaguez que ela se permitiu chegar, a única parte boa é que a ligação de ontem antes do nocaute foi com a própria amiga.

Mas tinha um grande porém. Além de ter agredido o cara – o que poderia gerar um lindo processo, o Centro todo ouviu o grito, mas pensando bem, esse não seria um problema de fato, porque pelo que entendeu da amiga, Tomoyo chegara antes de qualquer estrago maior. Mas isso não minimizava os fatos recorrentes, por isso não se sentia de todo tranquilizada.

E então? Vai me contar o que aconteceu? – silêncio – Tudo bem, pelo menos vai ter a decência de pedir desculpas, não é? – falou preparando os ouvidos já sabendo o que viria a seguir.

— Pedir desculpas? Eu... – falou deixando o resto da frase no ar em um tom manso e confuso. Será que deveria pedir desculpas mesmo?

Tomoyo também ficara em silêncio, afinal a amiga estava sem palavras e isso era algo ligeiramente incomum para seus padrões. Ela esperava que no mínimo houvesse uma explosão de gritos e negações. E se perguntava desde do ocorrido o que de fato acontecera, até porque nenhum dos dois fizeram menção de lhe esclarecer. Será tão vergonhoso assim? Claro que tinha uma suspeita, mas esperaria por pelo menos sua amiga, para não ter que supor nada erroneamente. Mas ela própria não estava reconhecendo a amiga nessa ligação. Será que ela estava de fato reconsiderando e assumindo a culpa, pelo menos parcialmente? Ou ainda estava bêbada?

X

Shaoran acordou em uma situação deprimente e melancólica. Afinal passara a noite toda sonhando com a onça branca. O que soaria até engraçado para uns, mas dada a sua situação, questionava-se em como seria possível um ser tão pequeno (referindo a altura da mulher) causar uma tormenta tão grande na cabeça (e nos instrumentos do oscar) de um homem?

Ainda deitado na cama suspirou exasperado e até um pouco irritado, porque mesmo dando um decreto para si na noite anterior que não queria se envolver em mais nada que se referisse àquela mulher, ela continuava persistente em sua mente e o pior, em seus sonhos, o que já chega em um estado de humilhação hardcore. O grande Shaoran Lee sonhando com uma mulher maluca, grossa e violenta? Era uma grande piada cósmica.

Notou que seus valiosos instrumentos do oscar não doía tanto como no dia anterior, o que o fez sorrir, não precisaria ir ao médico e causar uma comoção, e também havia esperança para sua futura prole. Levantou para tomar um banho e esfriar a cabeça. Mal começava o dia e ele já estava carregado como se fosse o fim dele.

— Sonho idiota, mulher idiota, vingança idiota... – entrou no banheiro murmurando.

Shaoran se questionava o que estaria acontecendo com ele. Ele não costumava se sentir e muito menos agir assim com alguma mulher. Não conseguia nem pensar nelas depois de ficarem, e a onça branca conseguiu permanecer em seus pensamentos desde o dia que se conheceram. É, a “maluca” virou a cabeça do astro em 360°.

E o pior — se é que há algo bom nessa confusão mental em que o moreno se encontra — o fundo do seu consciente estava começando a pensar desenfreadamente em coisas insanas e absurdas sem o seu consentimento, como por exemplo “você está apaixonado, bonitão” ou “haha finalmente esse gostosão foi fisgado” (o ego desse cara chega a ser palpável), Shaoran além de humilhado, estava enlouquecendo. Não poderia nem confiar em seu corpo e agora definitivamente não poderia confiar em sua própria cabeça. O que lhe restaria agora? Ela, talvez?

— Ah não! De novo não. Eu já disse que não quero mais saber dela! Cabeça idiota... – esbravejou enquanto a água fria atingia o topo de sua cabeça ensopando seus cabelos e escorrendo pelos seus músculos salientes e definidos.

Será que já era hora de admitir como se sentia em relação à Sakura? Poderia transpassar essa convicção de que tudo tem que ser feito como ele acredita? Certo, mas acredita em quê? No individualismo? Ele não é propriamente a personificação do caráter e bons modos. Mas por que uma pessoa pode ser assim? Prepotente, egocêntrico e calculista... Claro que não se deve tirar o mérito dele ter conseguido seu sucesso trabalhando muito, sem se preocupar com descanso, ou até mesmo festas, ele sempre focava em seu trabalho.

Observando com cautela, essa seria a primeira vez de fato, que ele parou seu amado trabalho por algo tão “superficial”. Mas isso não sobrepuja as péssimas qualidades que ele não deixa transparecer em frente a câmera. Shaoran sempre teve uma boa vida, sempre cercado de atenção de todos e tudo que precisava vindo de uma família rica. Mas não troque as informações, não lhe faltava nada no quesito material, mas seus pais nunca foram presenciais ou pelo menos amorosos nos padrões normais. A atenção de todos significa todos menos os principais: seus pais. Não que ele fosse rejeitado por eles, seus pais só não estavam presentes.

Talvez ser tão individualista seja uma resposta automática para não se envolver e acabar sendo deixado lado. E isso acabou o transformando de um garoto gentil para um homem frio e mimado. Enfim, tendo a consciência de sua beleza, sempre trabalhou muito duro para conseguir o que almejava e claro, os holofotes para si. Bem, quem não tem um problema familiar que atire a primeira pedra, a única diferença é que Shaoran atiraria de Paris, mas isso não vem ao caso.

O caso é que o rapaz pela primeira vez estava sendo duplamente não, incontáveis vezes rejeitado – e pela mesma mulher, e isso não é algo que ele já tenha alguma experiência, seu ego fora brutalmente chacinado e dado aos porcos. A vida toda conseguira o que queria e até o que não queria, mas dessa vez ele não conseguiu. Não conseguiu deixar Sakura aos seus pés, nem muito menos aquele ansioso beijo.

— Tudo bem, já chega de melancolia! Já decidi e mais uma vez repito, não quero mais saber dela. – falou indo em direção ao quarto para se vestir – Agora vou procurar algo para fazer, até porque ainda estou de férias. – concluiu dando um sorriso travesso.

X

Sakura depois da conversa com Tomoyo tomou um banho e despertou do seu estupor. Estava ponderando as palavras da amiga, será que deveria pedir desculpa? Dar esse primeiro passo? Mas hipoteticamente se fosse realmente fazer isso – hipoteticamente estamos falando, como ela entraria em contato com ele? Ela não tinha seu número e nem sabia como localizá-lo. Afinal ele é um astro super famoso e solicitado, como uma mulher do subúrbio conseguiria um contato de alguém assim? E nem sabia onde ele poderia morar, nem saberia por onde começar a procurar – falando ainda hipoteticamente.

— Aposto que ele nem quer ver minha cara. – falou em um tom meio triste para os ‘padrões Sakura’ e se encaminhou a cozinha para fazer um café reforçado.

Por uma parte não é tão ruim, pensou em resposta ao que disse, se ele não quiser mais ver ela isso tudo estaria resolvido. Ela não precisaria – hipoteticamente – pedir desculpas. Mas em compensação a amiga nunca a perdoaria, e toda esperança de uma ajuda rápida para o Centro se tornaria em algo demorado e talvez no fim frustrante e trágico. Sem falar que — não ousaria em falar em voz alta — nunca descobriria a sensação de concluir aquele... Bem...

— Ah! Por toda forma que eu penso, nada no final será bom para mim! – esbravejou.

E ela de certa forma tem razão, se for atrás dele terá que pedir desculpas (chega de hipoteticamente, menina!), se deixar para lá comprometerá todo esquema que tinham pensado para ajudar o Centro, mas que dilema, hein? Seus pensamentos foram interrompidos por algumas batidas na porta. Olhou para o relógio no pulso e suspirou, nove e pouca, ou seja, hora do Fay. Levantou do banco do balcão da cozinha onde estava terminando seu desjejum e foi se arrastando abrir a porta para o vizinho. Será que ele machucou a mão? O ator apertara com tanta força que ela achou que os dedos do loiro iriam saltar. Enfim, ela iria descobrir agora.

— Oi Fay, mas que surpresa! – falou sarcasticamente abrindo a porta.

— Quem?

Notas finais
Espero que tenham gostado. Comentem... Nota: Estou em edição dos capítulos mais antigos, para correções e talvez alguns acréscimos. Eu avisarei quando isso acontecer, espero que tenham a paciência de relerem. Obrigada!