A Todas as Flores Mortas do Meu Jardim
5 05- Suitopi
Notas iniciais
—Okaasan, onde estão as flores que vamos levar?
—No jardim, temos que colhê-las ainda –respondo, num tom falsamente humorado.
—Mas aquelas flores não estavam mortas?
—Poucas sobreviveram e serão essas que vamos levar. –Suspiro. –Por que não as colhe para mim?
—É claro –ele responde, sorrindo.
[…]
Neji-nii-san, como são as coisas aí onde você está?
Aposto que tem jardins enormes e cheios de flores belas, de violetas a girassóis muito bem cuidados pelas tuas mãos, inclusive o meu. Queria vê-la mais uma vez, tocá-la, abraçá-la por dias a fio, queria que o tempo parasse no exato segundo em que eu pudesse olhar nos seus pequenos olhos claros e ficar em sua companhia até o fim dos tempos. Eles refletiam os nossos olhos, Neji, refletiam um novo mundo.
Graças a você, que mostrou a todos que de nada importava o status de primeiras e segundas família, eu consegui enxergar as coisas mais levemente. Sei que eu imaginei todo esse tempo que seguir Naruto-kun era o meu maior objetivo, fiz disso uma meta, estar ao lado dele e acontecesse o que acontecesse, eu o acompanharia e andaria ao seu lado.
Eu estava enganada. Naruto serviu como uma desculpa para continuar, para alcançar o meu maior objetivo, Hiashi. Meu pai era a maior das minhas metas, eu queria ser seu orgulho, uma líder nata do clã, alguém que não fosse um desperdício, pois seu pai morreu por minha causa, pelo menos, pensei assim por bastante tempo. Entrelaçado a isso tudo, tinha você. Você era o meu primo, meu irmão, uma das minhas inspirações, não saia da minha cabeça que eu tinha quer ser como você, tão esperta, tão forte, o prodígio do clã Hyuuga.
Mesmo com a raiva que você nutria pela primeira família e a forma como procurou descontar em tudo a sua volta, quando crescemos você aprendeu, de alguma forma, a abrir as trancas da gaiola que tiravam a sua liberdade para voar, mas você já voava há muito tempo, só não sabia disso. Por sua causa, os Hyuuga não precisam mais dessa besteira de divisão de famílias, Hanabi agora é a líder do clã e ela é perfeita, porque isso é tudo o que ela quis ser.
Quando Boruto nasceu, pensei em colocar seu nome de Tori em sua homenagem, ele nasceria sem as amarras impostas pela tradição, meu filho não tem uma obrigação de proteger uma família que supostamente seria superior a dele –embora eu ache que, se precisassem, ele protegeria a todos, sem exceções–; ele é livre como um pássaro, assim como você me ensinou a ser.
Himawari nasceu em um dia ensolarado, eu estava regando as flores no jardim e a bolsa estourou, Naruto ficou desesperado, mesmo que já tivéssemos passado pela mesma situação com Boruto. Ele estava no quarto comigo, segurando a minha mão com força, visivelmente nervoso, entretanto toda a ansiedade se esvaiu quando Hima foi levada aos meus braços, seus olhos pequeninos abriram e as safiras nos mostraram que ela seria a nossa flor mais preciosa.
Ela era nosso Sol, Neji. Tão doce, tão bela, tão pequena, ela nos refletia. Mas o seu brilho durou pouco, pois o meu girassol foi acometido por uma doença que nos passou despercebida nos primeiros meses.
E ela foi embora.
O tempo passou e o vazio que se apossou do meu peito continua aqui comigo, acompanhando-me a cada segundo e lembrando que ela não está mais aqui. Porém, sei que ela está em um lugar bom, assim como onde você está, cheio de flores, brincando e regando os próprios girassóis. Sei também que você cuida dela e por isso sinto-me mais leve, eu confio em você, confio tanto que tenho plena certeza que Himawari está bem, que ela está sorrindo e mandando toda a sua luz para nossas vidas, como sempre fez.
Um ano se passou desde que ela morreu e hoje iremos até o cemitério visitá-los. Naruto e Boruto estão colhendo girassóis para levarmos e eu estou regando as outras flores. Sakura, Sarada, Mitsuki e Boruto ajudaram-me a plantar e cuidar de novas flores do meu jardim. Ele sorri para mim, pois não mais existem flores mortas aqui, todas estão vivas em mim, em nós. Assim como nosso girassol.
—Hinata –Naruto fala. –É hora de irmos. –Eu sorrio e assinto.
Fecho a porta da frente e coloco uma parte do meu cabelo atrás da orelha. Boruto me abraça de lado e eu beijo seu rosto, nós começamos a caminhar lentamente até o cemitério e dentre os assuntos que surgem em nossa conversa, eu pergunto:
—Então, Naruto, como vai o Sasuke-kun?
Fale com o autor