A Toca dos Sonhos - Doces Sonhos
2 Capítulo 1 - Pesadelo.
Notas iniciais
Samantha sentou-se no colchão em um pulo, sua respiração estava ofegante e os olhos suavemente arregalados. Sua destra passou por sua testa limpando algumas gotículas de suor que se formaram ali.
– Mas que diabos...? — A garota murmurou para si mesmo enquanto se dirigia ao banheiro de seu quarto para realizar sua higiene matinal.
Passados alguns minutos, Sam já estava trajando uma calça jeans escura, uma blusa preta bem simples e uma rasteira qualquer que pegou por ser a de mais fácil acesso. Passou pela cozinha e pegou uma fatia de pão de forma, caminhando para a porta de saída.
– Samantha! — Grace chamou pela filha. — Onde você vai?
– Vou dar uma passada no hospital.
– Pode passar na joalheria para mim?
– Claro, o que vai querer?
– Meu relógio, aquele de prata pura que sua bisavó me deixou.
– Ahhh, sei.
– É só pedir lá que o senhor Cícero vai te dar.
– Tudo bem. Vou lá.
– Cuidado.
Os passos de Samantha eram ritmados, ao passar pela casa verde notou o breu macabro de sempre, parecia que seu colega nem residia ali. Porém, deu de ombros e seguiu até o hospital que ficava ao sul da cidade. Ao chegar à recepção perguntou onde estaria internado o zelador Jaime, porém teve a resposta de que este estaria na UTI e não seria possível receber visitas naquela manhã.
– Oh... Entendo...
– Sinto muito, moça.
– Tudo bem, quando ele estiver melhor eu volto.
A garota saiu do hospital pensativa, que tipo de animal terrível havia atacado Jaime? Tal coisa nunca havia acontecido naquela cidade e tudo isso lhe parecia bastante estranho.
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(N/A: Música para este momento: https://www.youtube.com/watch?v=GNgTZ-xcbNE)
A casa de Leonardo estava coberta de trevas que dificultavam a visão, porém podia-se ver perfeitamente a silhueta masculina sentada perto da parede de seu quarto, seus braços e tronco estavam presos por grossas correntes que nunca poderiam ser quebradas. Seus olhos abriram-se devagar logo fitando seu reflexo avermelhado no espelho.
Logo seus olhos voltaram-se à seu ombro direito onde havia um pentagrama em preto. Um suspiro pesado fugiu de seus pulmões.
Flash Back On.
– É o seu destino! — Um homem careca gritava.
– Eu não vou, eu não quero isso pra mim.
– Não me importa, é o seu destino.
– Eu farei meu destino.
– Não, ele já está feito. Você foi escolhido antes mesmo de nascer.
– Nunca disse que aceitaria.
– Não tem opção.
O jovem foi segurado por alguém que chegou de fininho por suas costas, logo teve o rosto pressionado por um pano empreguinado de Éter. (N/A: Pra quem não sabe esse Éter é uma droga que faz as pessoas dormirem se inalada por alguns instantes.) Ao despertar seu corpo estava preso sobre uma mesa de ferro em meio à uma floresta escura, ao redor da mesa haviam várias tochas que delimitavam o local onde os presentes poderiam ficar.
– Me tire daqui!
O silêncio foi sua resposta enquanto a lua cheia surgia devagar de trás das nuvens, o corpo esbelto e desnudo de camisa debatia-se insistentemente tentando se livrar do terrível destino que haviam feito para si.
– Não...! Pai!
O jovem implorou mais uma vez, porém uma terrível dor tomou conta de seu corpo fazendo-o se debater mais forte. A última imagem da qual se lembrara era de uma névoa negra com um estranho brilho avermelhado ficar sobre seu corpo, envolvendo-o como um cobertor.
Ao despertar o jovem estava deitado no chão sobre algo, ao ver bem era um corpo "humano", levantou-se num pulo e olhou ao redor vendo várias marcas de sangue e, entre os vários, viu o corpo de seu pai separado da cabeça. Seus sentidos estavam mais aguçados que o normal, o que lhe causou bastante estranheza... Porém no fundo, bem lá no fundo, sabia o que havia acontecido ali.
Flash Back Off.
Os dentes do adolescente trincaram-se com força, logo um murmúrio rancoroso escapou por seus lábios.
– Está feliz, pai? Olha só no que eu me tornei...
O jovem abaixou seu rosto novamente por alguns instantes, mas logo sentiu um cheiro familiar próximo à entrada de sua casa. Aquele cheiro o acalmava de uma maneira que nem ele mesmo compreendia. Levantou-se e caminhou devagar até a janela que ficava em um ponto cego para quem passava na rua. Viu Samantha encarando a residência curiosa e logo dar de ombros seguindo para sua casa.
O corpo do outro recebeu alguns raios solares, revelando sua expressão sádica naquele instante. Ao mesmo tempo em que o cheiro da moça o acalmava parecia despertar seu desejo mais primitivo de matar a quem quer que fosse, principalmente ela. Seu corpo desejava sentir o sague quente escorrendo-lhe pelos lábios. Por impulso levou a pequena faca prateada que já portava no punho direito, cortando seu próprio peito trincando os dentes com a dor que confortava seu peito, um filete de sangue solitário escorreu por ali enquanto seu corpo voltava a se unir às sombras.
– O que eu estou virando?
O rapaz deixava seu corpo cair ao chão sentindo uma dor enorme corrompê-lo por dentro, estava piorando a cada dia, sentia-se sumir a cada instante que passava deixando livre a terrível fera.
(N/A: Pausem a música sausausausahua.
Sim, interrompi a leitura pra falar uma merda dessas.)
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– Sam! — A voz inconfundívelmente irritante da loira chamou a atenção da morena para a porta de seu quarto.
– Ana, o que veio fazer aqui?
– Porra, estamos sem aula e eu não tenho o direito de vir ver minha melhor amiga?
– Tsc... Desculpe.
– Só se formos tomar um sorvete.
– Agora?
– Sim, agora.
– Que horas são?
– Hum... Seis e meia.
– Se estiver muito cheio eu não entro.
– Fresca.
– Idiota.
– Vamos.
Samantha levantou de sua cama suspirando pesado, pegou dinheiro numa caixinha sobre a escrivaninha e colocou em seu bolso traseiro junto a seu telefone celular. Passou pela sala despedindo-se de sua mãe e continuou caminhando junto à loira.
– Amiga...
– Diz.
– Eu acho que estou apaixonada.
– Por? Se me disser que é pelo Marcos do terceiro ano eu te bato até tu ficar nega.
– Marcos? Nah! Isso é passado.
– E quem é o infelizardo?
– Promete não rir?
– Prometo.
– Eu sei que pode parecer estranho, mas estou completamente apaixonada pelo Leonardo.
– Oi? — A morena parou de caminhar automáticamente encarando a amiga com uma expressão incrédula. — O guri chegou não tem nem três dias, o que sabe dele?
– Sei muito. Eu o conheci há muito tempo...
– Onde? — Samantha ergueu a sobrancelha lembrando que o próprio Leonardo havia mensionado aquilo.
– Quando eu era pequena, meus pais viajavam muito. Em uma dessas viagens estudamos juntos.
– Mesmo assim, pense bem no que está dizendo...
– Por quê? Você nunca se importou com minhas paixões platônicas.
– Sei lá.
– Você gosta dele também!
– É o que? Tá me estranhando, guria?
– É verdade, viajei.
– Pra Nárnia.
– Parei.
Alguns instantes de silêncio seguiram-se até que as duas adolescentes estivessem à porta da melhor sorveteria da cidade. Haviam algumas pessoas ali, não chegando a encher o estabelecimento ou fazer fila. Entraram juntas e fizeram seu pedido, ao terminar sentaram-se em uma das mesas aguardando a garçonete as chamar.
– Sam.
– Diz.
– Acho que tem gente interessada em ti.
– Do que está falando? — A loira fez um curto movimento com a cabeça mostrando para a amiga um rapaz loiro que a encarava fixamente na mesa ao lado. — Sai fora.
– A qual é, dá um sorriso... Ele é muito gato!
– E qual garoto não é gato pra você?
– Parentes de amigas minhas.
– Fala sério, Ana.
– Besta.
– Samantha! — A balconista chamou pelo nome da garota que se levantou rapidamente e caminhou até o balcão para pegar os dois milk-shakes. Voltando à mesa entregou o de sua amiga, já enfiando o canudo em seu copo.
Aquela estadia passou rápida com muitas risadas e algumas conversas sem nexo que apenas as duas entendiam. Ao saírem dali notaram que o "peguete" da mais alta seguia-as.
– Ah, que ótimo! — resmungou a morena.
– O que foi?
– Arrumei um estuprador pra ficar na nossa cola.
– Que horror! Vai ver ele mora perto da gente.
– Não seja idiota, por que ele só saiu agora sendo que nem sorvete tinha pedido?
– É verdade...
– Vou falar com ele.
– Nem pensar!
– Por quê?
– Tu vai xingar o homem e a gente se fode aqui.
– Eu não xingo.
– Imagina.
– Para de bobagem.
As duas assustaram-se a esbarrar no mesmo corpo, era o homem que há poucos estava atrás de si.
– Desculpem-me. — A voz grave e um tanto sexy ditou.
– Você...? Mas pera... — Sam olhou para trás buscando o outro, confusa.
– Eu as estava observando há algum tempo, você é Samantha Faustus?
– Como sabe meu último nome?
– Meu pai era um velho conhecido de seu pai.
– Eu não sei nada do meu pai, se é isso que veio saber.
– Não vim saber de seu pai, apenas quis lhe reencontrar.
– Reencontrar? Já nos conhecemos?
– Sim, sim. Não se lembra de mim?
– Er... Não.
– Uma pena, posso lhe fazer relembrar.
– Outro dia, está ficando tarde, eu e minha amiga precisamos ir. De todo modo, foi um prazer.
– Espere, eu posso guiar as duas moças até seus lares, é perigoso andarem sozinhas por aí a essa hora.
– É bondade sua, mas não...
– Eu insisto.
– Ah, Sam. Ele quer ser legal.
– Runf...
– Pode vir com a gente, a Sam é rabugenta assim mesmo. À propósito, sou Ana!
– Oh... Nem disse meu nome. Sou Wladmir Wester. (N/A: Lê-se Vladimir Uester.)
– Nossa, que diferente.
– Eu não sou daqui.
– E como sua família conhece a minha? — Sam perguntou automáticamente, notando a incoerência dos fatos.
– Eu nasci na Romênia, quando pequeno viemos para este país. Foi quando nos encontramos.
– Hum... Romênia?
– Exato.
– Que legal, um vampiro. — A morena gargalhou com a ideia, fazendo com que os outros dois também o fizessem.
O caminho de volta foi rápido para ana que, a todo momento, fazia perguntas e cantadas em relação a Wladmir, já Samantha encarava sua frente pensativa sem prestar atenção em uma coisa sequer. Ao passarem em frente à casa de Leonardo notou que o rapaz que estava com ela e a amiga havia parado, encarando a residência fixamente.
– O que foi? — Ana perguntou.
– Essa casa... Alguém mora aqui?
– Sim, nosso colega.
– Colega?
– Leonardo.. Alguma coisa. — A loira dizia sem saber ao certo qual era o sobrenome do moreno.
– Uma pena. Essa residência tem sua beleza.
– Bom, Wladmir, pode levar a Ana para a casa dela que a minha já é bem aqui e eu estarei segura.
– Se insiste. — O loiro aproximou-se de Samantha e pegou sua canhota, levando-a para perto de seus lábios onde deu um beijo demorado na mesma. — Boa noite, Lady Faustus.
– Boa noite... — A mais nova ergueu a sobrancelha estranhando aquilo, mas logo deu as costas aos dois caminhando para casa apressada.
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Do lado de dentro da residência, Leonardo sentiu o cheiro de Samantha abrindo um pequeno sorriso, que logo desapareceu de sua face ao sentir o de outro conhecido e o de Ana, parou na janela e ficou os observando silencioso e notou quando o loiro o notou ali e fez questão de beijar a mão de sua amiga, arrancando-lhe um grunhido de raiva. Viu Sam caminhar depressa para sua casa e os outros dois continuarem a subir a rua, rumo à casa de Ana.
Sacudiu a cabeça e colocou abriu a porta de sua residência, encarando o céu com uma respiração pesada. Estava apenas com uma calça jeans, descalço e sem camisa. Seus olhos já haviam voltado à coloração normal e a marca em seu ombro permanecia ali. Encarou os loiros até que sumiram de seu campo de visão e olhou para o lado que ficava a casa de Samantha, levando um susto ao ver a garota parada ao seu lado.
– O que diabos está fazendo?
– Vi você parado aí com cara de paisagem, pensei que estivesse doente.
– Oush... Vim apenas tomar um ar.
– Estava em casa?
– Sim, por quê?
– Sempre fica tudo escuro. Por que não acende as luzes?
– Não gosto muito da luz.
– Ui, emo gótico trevoso. — Zombou a menor.
– E você, senhorita, o que faz do lado de fora a essa hora?
– Eu estava na rua, não que lhe deva satisfações.
– Então eu tenho que te dar satisfações dos meus gostos.. Mas você não pode falar da sua vida para mim?
– Exato. Eu sou mulher.
– O que tem a ver?
– Mulher sabe, não se expõe.
– Olha as ideias...
O jovem fechou os olhos com certa força, deixando o corpo cair de joelhos no chão enquanto a mão esquerda pousou sobre a marca em seu ombro que lhe causava uma dor tremenda naquele momento.
– Hey, o que foi? — A morena se ajoelhou perto dele, preocupando-se com o ato repentino.
– N-não foi nada... Apenas malhei de mais. — Gaguejou por conta da dor que parecia partir todos os seus ossos.
– Tem certeza? Eu posso te levar ao médico agora se quiser, chamo minha mãe e ela tira o carro...
– Não. — Leonardo a interrompeu, falando firme.
– Você é louco.
– Sou.
– Coloque um gelo nisso, quer que eu te ajude?
O outro silenciou-se encarando o chão, seus olhos avermelhavam-se novamente e torcia para que a "amiga" não visse.
– Samantha!
A voz de Matheus chamou a atenção da garota que o fitou intrigada.
– Matheus? O que faz aqui?
– Vim cuidar do Leo, melhor você ir para casa.
– Mas ele está passando mal, eu te ajudo.
Leonardo fechou os punhos com força, grunhindo como se fosse um cão raivoso o que preocupou ainda mais o jovem que havia acabado de chegar.
– Sam, vai embora, agora, por favor.
– Por quê? O que foi?
– Vai embora, porra!
– Eu não vou embora, caralh..- A frase da garota foi interrompida por Leo que se ergueu do chão de rosto baixo, suas unhas começavam a crescer tornando-se bastante afiadas assim como todos os seus dentes. Seu corpo começava a encher-se de pêlos marrons e logo os olhos vermelhos voltaram-se à jovem.
Flash Back On.
Samantha estava sentada em uma cadeira que estava iluminada ao centro de uma sala escura, mantinha o olhar fixo em um local qualquer que não se dava para ver. Ao seu redor corria uma criatura que se unificava às sombras, deixando apenas que seus olhos vermelhos cintilassem na tremenda escuridão.
Flash Back Off.
"Não pode ser... Esses olhos...!"
A boca de Samantha ficou entreaberta e seus olhos arregalaram-se em surpresa, seu corpo pareceu paralisar.
– Sam! Sai daqui.
Ao perceber, Matheus já encontrava-se entre seu corpo e o da fera que há poucos instantes era Leonardo, demorou alguns instantes para raciocinar o que lhe fora pedido.
– E te deixar aqui sozinho com aquilo?
– E se ficar, vai mudar alguma coisa? Vai pra casa, agora! Se protege, anda!
"Mas o que é tudo isso...? O Leonardo? Como?"
Seus pensamentos foram completamente conturbados até que chegou até o portão de sua casa, destrancando o de acesso pessoal e entrou apressada sem pensar em olhar para o que havia acontecido com os dois garotos.
Continua...
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