A Thousand Years
7 O outro-lado.
Notas iniciais
Apartamento de Elena e Caroline
Estava cedo. Elena tinha conseguido se recuperar da noite passada com o pesadelo que tivera. Caroline tinha acalmado-a e a feito dormir novamente. Elas já estavam acordadas, tinham ido à cozinha para tomar uma bolsa de sangue para repor as energias do dia passado, porque se elas saíssem de casa sem tomar sangue seriam capazes de estripar alguém só de ouvir o coração daquela pessoa batendo. Agora elas já estavam na sala, descansando – novamente – e assistindo televisão enquanto Caroline mexia no celular conversando com alguém que não queria dizer à Elena.
– Estranho... – indagou Elena. – Bonnie não me mandou SMS essa noite. Tipo, ela passa a madrugada todinha me mandando de dez a quinze mensagens e dessa vez não tem nenhuma. E eu mandei uma mensagem pra ela, e até agora, nada.
– Vamos esperar pra ver. Sei lá... vamos, fazer uma surpresa pra ela hoje a tarde? – Falou Caroline tentando animá-la.
Até que o interfone tocou. Caroline que estava no sofá perto do telefone, só fez esticar o braço e tirar o telefone do gancho para poder atender. Ela não falou nada, só ficou ouvindo o porteiro falar.
– Certo. Mandem subir. – Caroline logo desligou – Estranho mesmo é isso. Lydia e Stiles estão aqui querendo falar algo que eu não imagino o que seja. Bom, de qualquer forma pode ser algo importante.
Stiles e Lydia subiram pelo elevador. Lydia estava abraçando Stiles e muito assustada. Estavam ensaiando – praticamente – as palavras para poder falar a elas que Bonnie morreu. Tipo, muito normal chegar lá e “Oi então sabe a Bonnie? Morreu. Tchau” eles não queriam que fosse assim, eles estavam tentando ser os mais sutis possíveis. Lydia estava ao ponto de chorar, mas Stiles estava fazendo o possível para que isso não acontecesse e que ela ficasse calma. Então o elevador chegou ao nono andar, e eles puderam procurar o apartamento 215. Encontraram e logo tocaram a campainha.
Não demorou muito para Caroline poder atender.
– Stiles, Lydia! Que surpresa ter vocês aqui às... hum... sete da manhã no dia de sábado.
– Desculpa Caroline. O assunto é sério. Podemos entrar? – Stiles falou.
Caroline assentiu e eles entraram. Elena os serviu uma água para poder acalmar principalmente Lydia, que estava ao ponto de ter um ataque. Lydia estava ansiosa e isso estava super na cara, e estava deixando Elena assustada.
– Então, Care, Elena... – Lydia tentou desfazer o nó que havia em sua garganta. – Ontem à noite, estava tudo bem. Até que por volta de – já havia lágrima nos olhos da ruiva, que estava tentando se controlar – onze da noite, eu acordei gritando, tipo gritando muito alto.
– Lydia, dá pra você chegar logo aonde quer chegar? Tipo, falar e pronto? – Caroline perguntou e Lydia assentiu.
– Bem... a Bonnie... – Lydia já estava chorando descontroladamente – morreu.
Caroline e Elena não estavam acreditando no que estavam ouvindo. Estavam pasmas.
– Ela morreu? – Elena falou tentando conter o choro, em vão.
Então Caroline abraçou Elena e as duas começaram a chorar muito. Lydia tinha abraçado Stiles, que estava ao ponto de chorar também, mas pode se conter. Passou muito tempo até Elena se recompor. Caroline já estava mais calma, mas ainda assim estava chorando. Então elas pararam de chorar – em torno de uma hora e meia no mínimo – e puderam ouvir Lydia novamente.
– Gente eu não sei se vai ter um pouco de lógica o que eu vou falar agora, mas... – Lydia suspirou – eu sei que Bonnie morreu, mesmo sem ver o corpo dela, porque... Lembra daquela aula que Alaric deu falando sobre um ser mitológico chamado Banshee? Que prever ou sente a morte das pessoas? Mesmo sem vê-las? Eu sou uma banshee. Eu sei que vai ser difícil de acreditar, mas...
– Eu acredito em você. Eu acredito em você, Lydia. Porque eu sei da existência desses seres, até porque... – Caroline fitou Elena que percebeu o que era pra ser feito e juntamente com ela, se levantou e se pôs na frente do casal. Elas haviam se transformado. Suas presas estavam visíveis, seus olhos demoníacos estavam à mostra. Então elas voltaram à forma normal. – Somos vampiras.
– Ai Deus... O.k. Tudo bem, vampiros existem. Tenho de me controlar. – Lydia falou abaixando a cabeça.
– Certo, irei revelar. Eu nunca contei isso para ninguém, vocês são as primeiras a saberem. – Stiles falou então imediatamente olhou para estante de livros no canto da sala, posicionou sua mão e então, magicamente, um livro avulso foi levado até sua mão. Sem ele precisar se levantar e ir buscar ou algo do tipo. – Eu sou um bruxo. E eu posso trazer Bonnie de volta, garanto a vocês.
– Como assim? Como você vai trazê-la de volta? – Elena perguntou.
– Bom. Existe o outro-lado. Que é um purgatório para seres sobrenaturais. Todos os seres sobrenaturais que morrem, vão para lá. E para poderem ir para lá, precisam passar por uma âncora, que não é bem uma âncora. É uma pessoa. Que, quando essa pessoa morre, o espírito dela aparece para essa âncora e, a âncora toca nesse espírito, e um espírito passa pelo corpo da âncora, e quando ele passa, ele vai para lá. E, com a âncora e a magia de um bruxo, um feitiço abre a porta para o outro-lado, e é só fazer o mesmo procedimento. A âncora toca nessa pessoa e ela passa novamente pelo corpo dela, voltando à vida. Entenderam?
– Entendi, mas é um purgatório de seres sobrenaturais, e Bonnie era uma humana – Completou Caroline.
– Aí é que você se engana. Bonnie não era humana, eu sei. Eu senti. Até porque, ela é igual à mim. Uma bruxa.
– Como assim? Por que ela nunca nos contou isso? – Elena e Caroline se perguntaram.
– Esse não é o problema central agora, quando ela voltar vocês perguntam isso a ela. Agora... Stiles, quem é essa âncora? Como vamos achá-la?
– Fácil. Erica Reyes é a âncora.
Elena havia cuspido todo café que tinha em sua boca.
– Erica Reyes é a âncora?! – As três perguntaram em coro.
. . .
Casa da Bonnie – Stefan.
Stefan tinha acabado de acordar. Estranhou que Katherine não estava ao seu lado e não ouviu a voz de Bonnie. Ele se levantou sonolento. Calçou suas sandálias e caminhou até a porta do quarto. Abriu a porta e ainda não tinha ouvido nenhum barulho sequer. Não ouviu a voz de Katherine, quanto mais a de Bonnie. Ele então saiu completamente do quarto e caminhou até a cozinha. Nada. Foi até a sala de jantar e procurou por elas. Nada. Foi até a sala, e...
– Bonnie! – Ele correu até ela e percebeu que todo o tapete estava sujo de sangue. Viu que seu coração estava jogado no chão.
Ele deu um leve sorriso.
– Começou. – Stefan tinha dito.
– Bonnie! Bonnie! – Elena entrou, abrindo a porta que estava destrancada da casa de Bonnie. – Bonni... Quem é você? O que você fez com ela? Você a matou? Você matou minha amiga?!
Elena mostrou suas presas e avançou sobre Stefan, de surpresa. Levou-o até a parede e quando ela ia mordê-lo, algo lhe surpreendeu. Stefan rosnou, mostrou seus olhos de híbrido e contra-atacou. Empurrou-a e jogou no sofá, caindo por cima dela, preparando-se para morder seu pescoço. Ele tinha imobilizado-a.
– Você, é um... Híbrido. Meu deus.
– Percebeu agora, bebê? E se você não lembra a mordida de um lobisomem, mata um vampiro. Eu posso matá-la.
– Parem! – Lydia falou adentrando na casa, juntamente com Stiles.
Stefan saiu de cima de Elena. Ela ajeitou seu cabelo em um rabo-de-cavalo e ele se recompôs.
– O que é você? Ahn, ou melhor, QUEM é você, criatura? – Indagou Elena, terminado de ajeitar seu cabelo.
– Stefan Giuseppe. Híbrido. Aquela balela toda que você com certeza já ouviu, Elena Gilbert.
– Ah sim. Metade vampiro, metade lobiso... Como você sabe meu nome?
– Eu sei muitas coisas sobre você, amor. E uma delas é que eu sei que tenho que matá-la.
– O.k. – Stiles limpou a garganta e se pronunciou. – Dá pra você parar de bancar o misterioso e falar logo realmente quem você é? Nós não temos tempo, Stefan.
– Tudo que eu tenho de falar, eu já falei a todos vocês.
– Dá pra parar? – Lydia estava perdendo a paciência.
– Banshee! Finalmente uma banshee nessa cidade, não? – Stefan ironizou.
– Você vai parar ou eu vou ter que...
– Vai fazer o quê, Stilinski? Por acaso você tem força suficiente pra mim? Você é o quê? Um vampiro, um lobisomem? Deixe-me ver, um coiote? – Stefan riu.
Stiles deu um passo a frente e sorriu de canto.
– Um bruxo.
Stefan recuou e começou a se transformar novamente. Seus olhos estavam visíveis e suas presas também. Quando ele tomou impulso para atacar, Stiles empurrou sua mão aberta para frente, fazendo Stefan voar até a parede, e, com tanto impulso fora o empurrão, que havia deixado uma rachadura na parede que dividia a sala com o quarto de Bonnie.
Stefan se recompôs e atacou novamente, mas fora interrompido pelo grito ensurdecedor de Lydia. Todos ali no local haviam colocado as atenções na ruiva. O grito tinha durado em torno de vinte e cinco segundos.
E quando ela havia terminado, estava chorando e havia se encolhido no sofá grande e branco da sala de estar, cobrindo o rosto com as mãos, e chorando muito.
– Será que dá pra vocês pararem pelo menos um segundo? Minha amiga está morta, eu descubro que minha colega de classe é uma banshee, que meu ex-namorado está de caso com uma coiote e nós ainda temos uma missão para abrir o portal do outro-lado ou sei lá o quê e eu ainda tenho que aturar isso de vocês? NÃO, por favor. Eu estou de saco cheio, e quando chego aqui, ainda tenho que aturar essa briga? Eu sei que vocês não foram um com a cara do outro, mas, será que dá pra vocês darem um tempo? – Stiles havia abaixado a cabeça, mas ainda assim estava olhando para Lydia. – Obrigada.
– Eu estava me defendendo, apenas, amor. Com licença. – Stefan se direcionou de volta ao quarto. Ele agora estava de costas, mas, de tão debochado que era seu sorriso, todos ali sabiam que ele estava sorrindo.
– Então... – Lydia falou limpando as lágrimas – o que fazemos agora?
– Procurar Erica Reyes, ué. – Stiles e Lydia responderam.
. . .
Apartamento Mikaelson.
Estava cedo para Kol. Ele ainda estava na cama, dormindo. Para a surpresa dele, Klaus estava na poltrona que ficava ao lado da porta do quarto. Klaus estava pensando na promessa de seu irmão, que tinha dito que o ajudaria a matar Elena e Katherine. Só tinha um problema: eles ainda não sabiam diferenciar Katherine de Elena. E, facilmente, elas podiam enganá-los facilmente.
Kol estava acordando, havia bocejado, esfregado os olhos e percebeu que Klaus estava ali. Ligeiramente ele se apoiou na cama com os cotovelos para poder acordar totalmente.
– Bom dia.
– O que você está fazendo aqui às... – Kol havia virado o relógio que estava na escrivaninha ao lado da cama – dez e quarenta da manhã?
– Nós somos parceiros de crime agora, irmão. Pensei que pudéssemos dividir nosso apartamento agora.
– Meu apartamento. E se você quiser morar aqui, eu deveria fazer uma casinha de cachorro especialmente para você, irmão.
Klaus rosnou.
– Então diga logo o que você quer e suma daqui. – Kol mudou a expressão rapidamente.
Kol se levantou da cama, calçou suas alpercatas e foi até o guarda-roupa. Procurou uma camisa qualquer e uma bermuda para se vestir. E ali mesmo começou a se trocar. Klaus rapidamente virou o rosto para não ver aquela cena.
– Enfim, quero saber como você vai matar Elena Gilbert. Deixe que Katherine eu mesmo mato.
– Arrancando seu coração, oras.
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