A Testemunha do Oráculo
2 Parede de Nuvem
Notas iniciais
Após ouvir a discursão de meus pais, eu subi vagarosamente as escadas tocando apenas os dedos no chão pra não fazer barulho, passei até o final do corredor e entrei de volta em meu quarto; Fechei a porta e me deitei; fiquei com meus olhos vidrados lembrando o que ouvi; aí não me lembro de mais nada. Acordei com meu despertador que já marcava as onze e cinquenta, era a hora de ir para a escola; na verdade, eu não gostava de ir a escola, não tinha nada lá que me interessa-se; Eu preferia ficar no meu quarto escutando Rock, Mas pelo menos tinha meu único e melhor amigo de verdade, que estaria lá me aguardando. Rick.
Quando dobrei a esquina ele já estava lá. Com aquela camiseta da sua banda preferida, e aquela touca que aumentava em dobro o tamanho daquela cabeçona dele. Fomos pra aula.
A aula chata de Literatura não acabava eu queria sair, mesmo que só fosse o intervalo eu queria sair. Até que ouvi aquele sinal que me traria a tranquilidade. Na minha escola tinha o terraço aonde só o Rick e eu íamos para ver as nuvens, mas nesse dia ele não quis ir comigo, ele estava interessado na Sam; uma garota da outra classe. Ele foi conversar com ela; então resolvi subir sozinha. Abri com dificuldade aquela porta velha e voltei à única parte da escola que eu gostava; mas nesse dia as nuvens não tinham formas, elas só formavam uma densa parede cinza. Mais tarde o sinal tocou para o retorno a sala de aula. Mas eu fui à sala apenas pra pegar as minhas coisas. Falei pro Rick. – Vou pra casa. E sai antes que ele falasse alguma coisa. Cheguei e subi para o meu quarto e deitei em minha cama. Não fechei a porta.
Novamente a lembrança do que ouvira meus pais falando me voltou à cabeça. Comecei a chorar colocando meu braço sobre os olhos. Estava tudo silêncio. Eu tinha chegado antes de todos em casa. Quando levei um dos maiores sustos da minha vida. Ouvi o choro do Enzo. Não acreditei, quando cheguei não tinha sinal de ninguém, e enquanto estava no meu quarto não tinha ouvido alguém chegando em casa.
Levantei-me de vagar e fui até a porta do meu quarto. –Mãe? Falei apenas com minha cabeça para fora do quarto.
Mas ai já estava um silencio completo. Fui até o quarto do Enzo, mas o berço estava como deveria estar; vazio. Eu gaguejei de nervosa, voltei por onde entrei; virada de costas. Fiquei ali no corredor imóvel, mas tremendo de medo por dentro. No começo do corredor, perto da escadaria, de canto de olho, vi uma coisa rosnando feito um cachorro, virei o meu rosto e senti a mesma náusea e medo de outro dia. As Luzes se apagaram silenciosamente. A minha misteriosa jornada de pavor começara.
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