A Terra De Deuses
3 A nem tão sortuda
Notas iniciais
Eu acordei subitamente e me levantei. Eu senti uma dor horrível nas costas e me deitei de novo.
- Ah, você acordou, é melhor você não tentar se levantar por um tempo — Ouvi uma voz do meu lado. Eu consegui olhar para onde ela viera, no meu lado eu vi um homem que parecia ter uns 26 anos, ele tinha olhos amarelos e um cabelo vermelho, que parecia natural, mas ele era tão irreal, que eu não me surpreenderia se ele fosse um deus menor.
- Onde... eu... estou...? — Consegui perguntar.
- Você está no palácio dos deuses, teve sorte de ter sobrevivido, muita sorte — Respondeu ele.
Sorte? Eu não tinha sorte nenhuma, qual era a sorte de viver apenas para sofrer ainda mais? Eu ficaria boa das minhas feridas, mas minha dor não era resumida apenas à elas, era uma dor emocional, na qual eu nunca ficaria curada. Eu não falei aquilo para o homem, pois não tinha forças para tal, mas meu pensamento era refletido em meu rosto, e ele pareceu entender. Sua expressão era de pena, como se estivesse lidando com um cãozinho machucado. Talvez eu fosse aquilo mesmo, um cãozinho machucado que precisava de ajuda até mesmo para ir ao banheiro, e aquilo era horrível. Eu odiava que pessoas tivessem pena de mim, era como se me considerassem fraca.
- Olha, não precisa ficar assim, prometo que tudo ficará melhor, é só você esperar, e acreditar — Falou ele.
Acreditar, como eu odiava aquela palavra, acreditar que tudo ficaria bom, que tudo iria melhorar, acreditar que Kin nunca retornaria, acreditar que existe algo mais além de dor reservado para mim. Era inútil. Antigamente se acreditava que existiam deuses, depois eles reduziram para apenas um, depois deixaram de acreditar, então, fomos confrontados com o fato de que existiam sim deuses. A humanidade só conseguia fazer aquilo, acreditar. Nem agora que quando Shinigamis andam livremente pelo mundo agíamos por conta própria, éramos apenas comandados pelo três grandes deuses. Uma vez me disseram que os humanos eram as únicas criaturas vivas que tinham uma real liberdade, mas tínhamos a mania de prender as coisas, e assim nos prendemos, deixamos de ser livres, começamos a ser prisioneiros da nossa própria prisão. E agora tentávamos deliberadamente nos libertar, mas não nos deixavam fazê-lo. No final, a única coisa que podíamos fazer realmente era acreditar. Percebi que o homem que estava ao meu lado me injetava algo. Agora, não tinha liberdade nem mesmo de decidir quando dormiria, ou não.
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