A Terra Das Sombras
2 The time has come to say goodbye
Levantei-me achando que iria acordar com dor na cabeça ou em qualquer outro lugar do corpo, mas não senti. Na verdade eu não sentia nada, nem o frio que eu deveria sentir por ser de madrugada. Estava achando tudo aquilo estranho de mais, mas quando olhei pra baixo e percebi que jazia meu corpo inconsciente no chão quase entrei em desespero: eu havia morrido. Subi as escadas com a esperança de encontrar Larissa, já que provavelmente ela tinha morrido também. Pelo menos seria mais fácil estar “morta” na companhia dela. . Entrei em seu quarto e encontrei seu corpo sobre uma enorme poça de sangue no chão. Senti meus olhos marejarem, aquilo era tão injusto, aquele filho da puta tirou a vida da minha melhor amiga. Nessa hora não me importei comigo mesmo só me deu uma enorme raiva de Alex e vontade de que fosse o corpo dele que estivesse ali no chão. Foi nesse pensamento que o quarto de Larissa sumiu de minha frente e eu surgi em um carro, no banco do carona, quando olhei para o lado notei que Alex dirigia rapidamente e parecia estar muito desesperado. Minha raiva voltou em tamanha intensidade que eu tentei socar sua cara, mas minha mão atravessou sua cabeça e eu então lembrei que eu estava morta. Fiz vários testes para saber do que era capaz, tentei falar com ele, mas ele não me escutou. Me surpreendi quando tentei pegar um CD que se encontrava no chão do carro e consegui. Foi então que resolvi me vingar dele, levei o CD até a altura de seus olhos, a única coisa que ele veria seria o CD levitando. O seu susto foi tão grande que ele pisou no freio e foi arremessado para a frente, batendo a cabeça no volante. Seu peito subia e descia quase imperceptivelmente, ele não estava morto. Mas eu consegui o que eu queria. Como ele ficaria inconsciente por horas, provavelmente a policia o alcançaria e ele seria punido por ter matado minha melhor amiga.
Fiquei ali sentada ao lado de Alex sem nem me dar conta, devo ter ficado minutos ali do seu lado. Como seria a partir de agora? Digo, se eu estou morta e Larissa também, porque eu continuo aqui e ele sumiu? Porque eu ainda to nessa bosta de lugar? Eu não devia ter passado, sei lá, para o “outro lado”? Então comecei a pensar em tudo que eu perderia, minha formatura, o show, meus amigos e minha mãe. Senti uma enorme pontada em meu peito. Minha mãe não sabia que eu estava morta, como ela reagiria quando soubesse? Ela sacrificou toda sua vida para me ter e ainda perdeu o amor de sua vida (meu pai) para me criar. Então novamente o lugar em que eu estava sumiu de minha frente e eu fui parar no quarto de minha mãe. Ela dormia profundamente, provavelmente achava que eu iria demorar na festa e por isso chegaria tarde a casa. Fiquei algum tempo parada ali a observando dormir, estava tudo tão silencioso que eu me assustei quando o telefone começou a tocar. Minha mãe pulou da cama e foi correndo até o telefone, quando ela ficou com um olhar perdido e seus olhos começaram a marejar eu pensei em qualquer coisa para sair logo daquele lugar.
Quando finalmente consegui enxergar algo percebi que estava em uma cozinha grande e branca e que já era dia. Me virei para poder olhar melhor o ambiente e me assustei a ver uma pessoa sentada na mesa, de costas para mim. Eu reconhecia aquele cabelo:
— Só você pra você pensar no lindo do Dougie Poynter em uma situação como essa.
E então a ultima coisa que me faltava aconteceu, ele se virou pra mim e ficou me encarando por um momento e exclamou parecendo muito irritado:
- Ah não de novo não!
Eu senti meu queixo cair e meus olhos se arregalando
- Você pode me ver? – não consegui conter a pergunta idiota, era obvio que ele me via e me escutava.
- Sim. – ele falou enquanto dava as costas para mim – sou um mediador, mas você já deve saber disso já que me encontrou.
Meu deus que menino mais grosso, eu imaginava ele um pouco mais simpático.
- Ah. Olha desculpa se eu estou enchendo, mas você pode me explicar o que diabos ta acontecendo?
Ele suspirou profundamente como se buscasse por um pouco de paciência:
- Agora eu tenho uma entrevista agendada, mas eu voltarei mais tarde. Você pode ficar aqui já que pelo visto você não mora aqui em Londres. – nessa hora eu fiquei com mais raiva ainda da estupidez dele, e ainda corei por ter o chamado de lindo antes. Pelo menos eu havia falado em português – vou tentar não demorar.
Murmurei um obrigado. Quando ele saiu pela porta eu me sentei no sofá e liguei a TV. Só então eu percebi que ainda usava o vestido e o sapato de salto. Imaginei como seria bom poder usar um tênis e calças e do nada meu vestido foi substituído por um jeans escuro, uma blusa de banda e um all star roxo. Contente com o resultado, me arrumei no sofá e fiquei assistindo friends à manhã inteira e estava tão entretida rindo das piadas sem graça de Chandler que nem reparei que Dougie já havia chego e estava na cozinha me olhando estranho. Fiquei extremamente sem graça e perguntei:
- O que foi? – ele deu um sorriso de lado.
- Nada. – ele parecia estar segurando o riso, o humor dele definitivamente melhorou.
- Tá – falei desligando a TV – então agora você pode, por favor, me explicar o que está acontecendo? Se eu estou morta como estou aqui? Não entendi como só você consegue me ver e me ouvir? E se eu estou morta e meu espírito continua por aqui porque o da minha amiga que morreu também não esta aqui também? Porque toda vez que eu penso em alguém ou em um lugar eu me desloco para ele na hora?
- Calma, faça uma pergunta de cada vez que eu vou tentar responder, mas antes me fale da historia de como você e sua amiga morreram. – contei tudo para ele, da festa, do Alex, do fato de que minha melhor amiga morreu por minha culpa, e no final da historia eu já estava em prantos. Ele pareceu meio desesperado e pegou um lenço e me alcançou.
- Ta calma, não foi sua culpa. Não fique assim, por favor. – ele pediu com uma cara muito fofa, e aos poucos eu fui me acalmando.
- Ta, primeiro então, porque eu continuo aqui e a Larissa não?
- Isso acontece quando você deixa algo inacabado aqui na terra. A sua amiga provavelmente não tinha mais nada de “missão” na terra, por isso ela passou para o outro lado.
- Então quer dizer que eu tenho algo inacabado aqui? Fudeu então, porque eu não faço a mínima do que seja – eu completei sorrindo amarelo por causa do palavrão.
- É ai que eu e o resto do McFLY entramos, a gente te ajuda a descobrir o que é. – ah então era isso um mediador.
- Ta mais... PERAI – eu disse quase berrando – o Danny, Tom e Harry também são mediadores?
- Sim. E como daqui um mês vamos para o Brasil por causa da turnê, vamos descobrir o que aconteceu para você ainda estar aqui.
- E onde eu vou ficar até lá? Desculpa mas não quero voltar pro Brasil. Não quero ver minha mãe nem meus amigos, seria muito triste. Foi por isso que eu vim parar aqui.
- Você pode ficar aqui em casa mesmo, tem o quarto de visitas. – calma Andreza, não tenha um ataque. É apenas Doug te convidando para ficar na casa dele por um mês.
- Obrigada – eu disse, meus olhos deviam brilhar tanto que Doug percebeu, porque ele deu um sorriso de lado que me faria morrer se eu já não estivesse morta.
Ele me mostrou a casa e eu fiquei encantada com o estúdio dele, todos seus baixos estavam dispostos em uma parede, junto com alguns violões e guitarras. Do outro lado do cômodo tinham dois teclados e alguns outros equipamentos, onde eles gravavam alguns de seus covers. Fiquei morrendo de vontade de pegar um dos violões e cantar, mas seria muito abuso.
Ele disse pra eu ficar a vontade enquanto ele tomava banho, que depois conversaríamos mais para descobrir o que eu tinha de inacabado lá no Brasil.
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