Eu precisava seguir o rastro de Diego. Era uma questão de necessidade, de sobrevivência. Me esqueci da minha nova vida, da minha nova família, de Edward analisando cada movimento e monitorando cada pensamento meu.

Desesperadamente eu corri atrás de Diego. Eu esperava sinceramente que ainda o encontrasse vivo.

O rastro parecia fresco; foi deixado ali a menos de um dia. Corri pelas árvores do parque, sem me preocupar se alguém me veria e se espantasse com a minha velocidade. Me lembrei dos Volturi e suas regras. Os humanos não deviam me ver.

Dane-se, eu pensei.

Não muito longe dali, havia um riacho. Era o fim do rastro.

– Diego? – sussurrei.

Ouvi um movimento vindo das árvores. Meu instinto me dizia para atacar e dilacerar. Mas a minha mente dominava o instinto. Eu queria aquilo. Morreria por aquilo se fosse preciso.

Alguma coisa veio rapidamente em minha direção e me atirou no chão. E então seus lábios estavam nos meus. O seu cheiro era como se ele dissesse “bem vinda ao lar”.

– Ah, Bree... – Diego suspirou – Estou tão feliz que tenha sobrevivido!

– Bom, é. Mais ou menos. O nosso “exército” foi exterminado – eu soltei uma risada histérica.

– O que quer dizer com “mais ou menos”? – Ele se afastou para ler minha expressão.

– Sabe aqueles com os mantos pretos? – Diego assentiu então eu continuei. – Eles são como a polícia ou a realeza de nossa espécie. Eles me deram uma segunda chance – ou terceira, corrigi mentalmente. – Tenho que me ajustar à dieta dos de olhos amarelos, os Cullen.

– Que dieta? – ele perguntou. Seu tom deixou a impressão de que se divertia.

– Eles não caçam pessoas – respondi no mesmo tom. – Caçam animais. – Diego fez uma expressão de choque. Deveria ser a mesma que estava em meu rosto quando me disseram sobre a dieta. – Por isso os olhos deles são amarelos. Não tem a ver com eles serem “mais velhos e mais fracos”. – Acrescentei mais baixo.

Uma risada ecoou das árvores e eu me preparei para atacar

– Mais velhos? – Disse a voz de Edward – Isso não é muito criativo. – Ele ainda ria alto.

– Ei! Isso é invasão de privacidade! – Eu me queixei.

– Fala sério, Bree! Eu leio mentes... – ele deu um tapinha na testa e Diego tinha surpresa nos olhos.

– Diego, esse é Edward Cullen. Edward, esse é Diego. Meu... amigo de quem lhe falei – acrescentei relutante.

– Você encontrou Freaky Fred? Onde ele está? – Perguntei a Diego. Eu estava ansiosa.

– Sim, mas ele não sabia exatamente para onde iria. Nômade. – Diego sorriu – Mas me pediu pra te dizer que ele ficará bem. Ele pensou e disse que seria melhor, seria mais... conveniente para ele viajar sozinho.

– E você? Onde você vai ficar? – perguntou Edward.

– Ainda não sei. Andei pensando em uma caverna. – ele me deu um sorriso.

– Bem... você pode ficar com a nossa família. Tenho certeza que nenhum deles irá se importar. Você só precisaria, é claro, mudar um pouco a sua dieta.

Diego me olhou e estava com uma expressão pensativa. Eu sorri e assenti, encorajando-o.

– Acho que não seria um preço tão alto a pagar – ele respondeu e depois me beijou.

Edward correu na frente no caminho de volta pra casa e eu não me importei com isso. Eu agora tinha alguém que me amava como eu era. Eu tinha uma família. Uma família de verdade.