A Terceira Pessoa
1 Capítulo único: A terceira pessoa
Notas iniciais
Essa vai especialmente para a minha irmã, Carol, que sempre me pediu uma fic do Kaito e da Meiko. A inspiração veio quando eu estava matutando antes de ir dormir, ontem.
Feliz 2012!
Meiko tamborilava os dedos na mesa da cozinha. Ela tinha certeza que, quando voltasse, Kaito traria mais um daqueles deliciosos sorvetes para ela, mas o problema era que ela já o tinha pedido para comprar outras quatro vezes antes os mesmos sorvetes. Seu estômago movia-se como um enxame de abelhas, estava com uma ânsia de vômito horrível, por causa do nervosismo e dos sorvetes antes comidos.
Kaito estava voltando do mercado naquela noite fria e não entendia o porquê de Meiko estar tão nervosa a ponto de ter tomado sozinha quatro potes de um sorvete azul, para variar.
Entrou na casa a tempo de ouvir alguém correndo apressadamente para o banheiro. Luka tinha comido uma lula, mas esta estava estragada. E é óbvio, ela ficou ruim do estômago.
A casa parecia normal, exceto pelos gêmeos, Len e Rin, estarem sentados, tensos, no sofá, à melodia de alguém vomitando as tripas.
-Hey, vocês não precisam ouvir isso. Podem ir lá em cima e ligar música no volume mais alto que seus ouvidos podem ouvir. Vocês sabem que Luka não está bem.
Len ergueu a cabeça levemente e olhou nos olhos azuis de Kaito, dizendo:
-Quem está passando mal não é a Luka.
Após os gêmeos subirem e ligarem a música, Kaito foi ver quem passava mal no banheiro.
-MEIKO??
-Por favor, saia daqui, Kaito.
Foi tudo o que a morena disse, com a expressão cansada.
Obediente, ele saiu do banheiro que estava com um forte cheiro de sorvete “blue ice” e resolveu esperar na cozinha. Logo ela saiu do banheiro com um pouco de enxaguante bucal num copinho, e sentou-se na frente dele.
-Acho que por hoje chega de sorvete... – Ele falou, soltando um risinho e levantando para pegar um pouco de água para ela.
-Eu tenho algo para te dizer, Kaito.
Ele virou lentamente para ela e moveu-se em direção da cadeira onde se sentou. Ela usou um tom de voz que deixava claro que a coisa era séria.
-Pode falar, amor. Sou todo ouvidos.
-E-eu não sei por onde começar, Kaito.
Ela abaixou a cabeça.
Os olhos dele se arregalaram.
-Eu espero que você entenda que isso não muda nada entre nós...
Ele tinha lido uma novela onde a garota falava isso para o carinha e depois ela fugia para NY com o melhor amigo deles. Lembrando disso, engoliu seco e sentiu a garganta começando a apertar.
-Eu o amo, Kaito. Como nunca amei antes, e atrevo dizer que assim nunca amarei, mas terei que aprender a amar duas pessoas...
Kaito ficou com a respiração pesada, parecia que seus pulmões eram de chumbo.
Ela ergueu o rosto, revelando olhos cheios de lágrimas.
-Eu não quero que me deixe, pois não sei se seria possível respirar sem ar.
Ele pegou a mão dela e suavemente deu um beijo, e derramou uma lágrima na mesma.
-Kaito, não fica brabo, mas eu não estava planejando nada, simplesmente aconteceu... Eu amo nossa relação, foi o ano mais feliz da minha vida, eu quero que isso dure para sempre, mas agora eu tenho que te avisar que... Apareceu uma 3ª pessoa em nossa relação, e eu descobri que eu gosto dela... Gosto não, eu amo ela.
Agora, as lágrimas queimavam seu rosto, ele afastou e soltou a mão dela, pois agora precisava de espaço para pensar.
-Mas quem é, Meiko? Eu conheço?
Ela olhou para ele com um leve sorriso no rosto.
-Talvez...
Que tipo de resposta era aquela, “talvez”? A cabeça do rapaz rodava em cima do pescoço, talvez quisesse sair dali.
-Espero que realmente nada mude...
-COMO ASSIM, MEIKO? COMO VOCÊ QUER QUE NÃO MUDE NADA?! – Explodiu Kaito com o rosto vermelho. – Meiko, eu te amo, faria qualquer coisa por você, qualquer coisa que me pedisse, mas pensar em ter que dividi-la com outro dói demais. Isso eu não posso fazer.
-NÃO GRITE COMIGO, KAITO! VOCÊ ACHA QUE NÃO FOI UM CHOQUE PARA MIM TAMBÉM??
-Eu acho que você terá que escolher, Meiko. Ele também te escolheu por um motivo, e provavelmente ele não aceitará ficar meio turno com você. –Kaito cruzou os braços no peito.
-Ele não se importa, desde que fiquemos juntos. Ele gosta de você. –Ela se levantou e pousou do lado dele, passando a mão sobre os cabelos azuis.
-Eu não entendo, Meiko. Desde quando você se encontra com ele?
-Ah, é difícil precisar. Acho que um ou dois meses.
-Só isso? E você só teve certeza que me amava ha alguns meses atrás... Como com ele foi assim tão rápido?
-É que as nossas ligações são diferentes...
Fez-se um tempo de silêncio, Meiko estava abraçada em Kaito quando lhe deu outro enjôo.
-Kaito, eu acho que vou...
E então ela saiu correndo novamente para o banheiro. Da cozinha, ouvia-se Meiko resmungando outra coisa, um som de descarga e ela fazendo um bochecho para melhorar seu hálito.
De repente ela apareceu novamente na cozinha, com uma cara aflita, passando a mão pelos cabelos castanhos e bebendo um pouco de água.
Kaito olhou para ela um pouco assustado.
-Você está bem?
-Estou sim. Acho que é o nervosismo.
-Eu nunca tinha pensado que, talvez, um dia, você me trocaria por outro... Achei que seria para sempre, sabe? Fui um idiota. – Ele soltou um risinho por sua existência patética.
-Kaito, você é o idiota que eu mais amo nesse mundo, mas eu tenho que atender o chamado deste, e gostaria que você também atendesse...
Finalmente, ela pousou a mão fraternamente no ventre.
-... Pois ele é seu.
Kaito olhou nos olhos de Meiko surpreso, feliz, aliviado, perplexo, maravilhado. Aquela notícia lhe fez brilhar os olhos.
-I-isso é sério,Meiko?
Uma lágrima rolou de seus olhos castanhos.
-Sim.
-Desde quando você sabe?
-Eu descobri ontem, no exame de sangue.
-E de quantos meses você está?
-Vou para o terceiro.
Era verdade, Meiko andava meio irritada nos últimos meses, sem contar que tinha ganhado um pouco de massa corpórea, e constantemente estava comendo alguma coisa exageradamente.
Ele colocou a mão — que até o momento, esteve dentro de um bolso – na barriga dela, acariciando o bebê que estava sendo gerado ali.
Ele olhou Meiko nos olhos e disse:
-Se eu puder desejar, quero que seja uma menina com os olhos iguais aos seus.
Ela deu uma risadinha.
-Por quê?
-Para ela ter a mesma sorte de ver uma pessoa e amá-la intensamente.
Ela deu outra pequena risada, mas lágrimas rolaram de ambos os olhos, tanto dele quanto dela.
Eles se abraçaram, emocionados. Ela sussurrou no ouvido dele:
-Achei que ia me deixar se contasse.
Ele a soltou para ver melhor o rosto.
-Meu amor, esse foi o melhor ano da minha vida. Eu finalmente serei “papai.Eu nunca vou te deixar pois eu te amo...
Ele pegou o rosto de sua amada entre as mãos e afagou-lhe a bochecha, tirando o último vestígio de lágrima , antes de lhe dar o mais apaixonado e feliz de seus beijos.
~FIM~
Notas finais
Se preparem porque em 2012 vem o fim do mundo - eu não creio muito nisso, mas...
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