A Terceira Face 2-Lado Negro

14 Família é família


Os dois ficaram estáticos olhando para a estranha que um dia havia trazido cada um deles ao mundo,ao mesmo tempo em que ela parecia radiante.

Os dois foram até a porta,a olhando como se olharia para um fantasma.Linda nem parecia ter mais que vinte anos.

–Vocês cresceram.-disse ela,dando o primeiro passo para abraçar os dois.

Os dois aceitaram o abraço com uma certa surpresa.

–Damon,meu menininho...Stefan,o meu bebezinho...

A emoção entre os três era muito forte.Ninguém sabia o que dizer ou fazer nesse momento.

–Como...Achei que estava morta.-disse Damon,com dificuldade.

–E eu estava.-disse Linda,finalmente soltando eles tentando enxugar as lágrimas.

–O que realmente aconteceu naquele dia?

–Sentem-se.-pediu ela,e finalmente olhou para Nora.

–E essa é...

–Depois a gente explica.-garantiu Damon.

Linda respirou fundo.

–Desde os doze anos eu era amiga da Anebella,uma vampira antiga e muito forte.Ela me ajudou a dar a luz ao Damon antes,mas foi no parto de Stefan que tudo se complicou.A helionita me manteve viva enquanto eu dava a luz e consegui,mas no segundo bebê eu não resisti.

–Segundo bebê?-perguntou Stefan.

–Era uma menina.Infelizmente,nasceu morta.Seria chamada de Sarah caso fosse viva.-disse Linda,com uma certa tristeza-A helionita falhou,então a Ane me deu o sangue dela.Acordei no caixão e deixei a pedra negra ali.Não podia chegar perto de vocês,temia que um dos dois se machucasse caso eu ficasse por perto.

–Mas por que não nos procurou depois?

–Eu iria,até soube de uma tal de Katherine que estava por perto e resolvi voltar e ajudar,mas no meio do caminho Drácula me interceptou.

Nora se contraiu,o que não passou despercebido.

–Ele queria saber onde estava a helionita.Me torturou por todos esses anos,até pensei que vocês tinha sido mortos pelo Giuseppe.Mas ele finalmente percebeu que eu realmente não sabia onde está a pedra e me deixou ir embora.E eu sabia que um dia voltariam para cá,onde nasceram.

Linda abraçou os dois de novo.

–É tão bom ver os dois de novo!Vocês estão lindos!-disse ela,com um certo orgulho.Afinal,foi ela quem teve o trabalho de carregar os dois na barriga por nove meses cada.

–Linda...-disse Nora-você me parece muito jovem.Tem quase a mesma aparência que a minha.

–Ah,eu casei muito jovem.O Damon eu tive com 17 anos,já o Stefan eu tive com 20 anos.

–Ahn...

–Qual é o seu nome mesmo?

–Nora Flemming.

Linda ficou um pouco surpresa,mas disfarçou um pouco e conitnuou a conversa com os filhos.

A campainha tocou e Nora disse que atenderia,não queria estragar esse momento família dos Salvatores.

–Thales?

Ela logo foi agarrada e apertada pelo amigo com força.

–Nossa,que barriga tanquinho é essa?Está toda rígida,andou malhando?

–Não,seu bobão.-disse ela,controlando a vontade de morder o pescoço dele.

–Vim te ver,morceguinha.

–Melhor a gente conversar lá fora.-disse ela-Está havendo uma reunião de família importante ali.

–Sério.

–Uhum.

Os dois se afastaram um pouco da casa.

–E então,como vão as coisas?

–Confusas,Thales.Muito confusas.

–Mas por que?

–Não dá para te explicar agora,mas juro que explico depois.

Eles pararam de andar e Thales de brincadeira desarrumou o cabelo dela.

–Ai,para!

–Ra ra,você gosta disso que eu sei,morceguinha!

Nora sorriu para o amigo.

–Eu sei que o que vou dizer é meio idiota,mas ser mandado para aquele maldito reformatório foi a melhor coisa que me aconteceu,já que pude conhecer você e o Roger.Você era uma dos poucos que não me rejeitavam por que eu sou gay.

–E tem por que te rejeitar?Você não é menos homem só por que gosta de um.E Roger pensa a mesma coisa.

Nora ficou um pouco triste e pensativa.

Ninguém sabia,mas foi naquele reformatório que cometeu o seu primeiro assassinato.

***

Depois das devidas apresentações,Thales disse que voltaria no dia seguinte e Nora foi até onde estava as bebidas encher a cara.

Stefan percebeu que ela não estava bem e foi até ela.

–E então?O que te incomoda?

Ela encheu um copo e começou a beber.

–Parece que nada me dá trégua.

Ele se sentou ao lado dela.

–Como?

–Até os meus dez anos eu tinha a típica família feliz de quatro pessoas.Dois pais amorosos,uma irmãzinha pentelha mas fofa,algumas brincadeiras ao ar livre,ir a missa no domingo,assistir televisão...sabia que meus pais estavam juntando dinheiro para que pudéssemos viajar para cá nas férias da escola?A gente iria visitar a Disney.

–Eu também tinha uma família que se esfacelou.-comentou Stefan, se recordando de quando vivia com o pai e o irmão.Sentia muita falta da mãe,mas de certa forma era feliz com seu irmão já que sei pai havia se fechado na própria dor.

–E então,aqueles homens invadiram a minha casa...e o meu inferno particular começou.Desde então,minha vida tem sido desastre atrás de desastre,não tenho nenhum momento para descansar,nenhum momento para deixar que as minhas cicatrizes fechem por que alguma coisa acontece e elas se abrem e ainda alguém joga sal dentro.Eu não posso nem respirar,essa dor que eu carrego desde criança não pára e eu sinto que vou explodir a qualquer momento.

Stefan a puxou para seu colo e a abraçou.

Nora aceitou o consolo e deitou a cabeça no ombro dele.

–Eu sempre fico mais calma quando você me abraça.

Os dois nem perceberam,mas Damon observava a cena a distância...