A Terceira Face

25 Em uma terra estranha


Nós ficamos andando durante horas,sem achar nada.

–Será que é para lá?-perguntei.

Damon deu de ombros e andamos naquela direção,até que ele parou de repente.

–Eu sei onde estamos,eu reconheço essas árvores.

–Então onde estamos?

–Em Mystic Falls.

Eu ergui a sobrancelha.

–Já não é hora de brincadeiras,cara.

–Eu falo sério.Sabe essa árvore aqui?Eu me lembro de estar riscando ela junto com o meu irmão.

–E cadê os riscos?

–Exatamente.Isso quer dizer que estamos antes de isso acontecer.

–Mas que "antes" seria esse?

–Esse é o problema.

Ótimo.Esse maldito colar nos trouxe de volta no tempo.Era só o que faltava!

E o meu Marley?Como ele está?

–Você nunca mais vai machucar ninguém!-disse uma voz de mulher.

Damon e eu seguimos a voz e vimos um homem e uma mulher.Ela parecia furiosa,enquanto ele urrava de dor.

–Pare,Nadja!

A loira tinha colocado a mão na cabeça dele,e uma coisa de aspecto preto parecia percorrer cada centímetro dele.No pescoço dela,estava o mesmo colar que uso agora,só que mais novo.

–Que o seu lado lobisomem e o poder de sua família sejam selados e cortados pela metade para sempre,enquanto eu não vier sobre essa terra!

–Aquele é o Klaus...-disse o Damon,olhando chocado para a cena.

Ambos estavam com roupas antigas.Muito antigas.

Klaus já tinha desmaiado e a mulher se encostou em uma árvore.

–Essa é uma bruxa das fortes para encarar o Klaus.

Nos aproximamos dela,mas a tal Nadja caiu no chão pouco depois.

Eu a ergui,e ela dirigiu um olhar azul para mim,pondo a mão no meu ombro.

–A minha maldição deu certo?

–Sim,ela deu.-garanti.

Nadja sorriu e desapareceu no segundo seguinte.

–O que foi isso?

–O preço para realizar uma magia desse porte é a morte,pelo o que eu soube.O que foi aquela língua que você falou com ela?

Eu fiquei totalmente confusa.

–Mas eu falei normalmente com ela,do mesmo jeito que falo com você agora!

–Não falou não.Não entendi nada.

–Nem no começo?

–Não.

–Estranho,eu entendi tudo o que ela disse.

Nos afastamos de lá(vai que Klaus acorda do nada?),andando meio sem rumo entre as árvores.

–Nem acredito que a maldição dele foi assim!Acho que nunca vou esquecer isso!

–Que língua eles falavam?

–Gaélico irlandês antigo ou algo do tipo.

–Quê!?Mas eu sou inglesa!Nunca que entenderia esse tribufu!

Damon deu de ombros e continuamos andando.

–Para onde agora?

–Precisamos de abrigo,você precisa de comida e eu preciso de sangue,senão vou beber o seu.

Eu arregalei os olhos.

–Você não teria essa coragem!

–É só dizer que duvida.

–Essa fala é minha!-reclamei-Foi isso o que eu te falei no parque!E eu que achei que você não gostava de clichês!

Ele revirou os olhos.

–Sério,se eu não achar alguém,vou acabar mordendo você.

–Vai ficar furado antes disso,eu ando com faca.

Mas na dúvida,melhor acharmos um sinal de civilização.

–Deve haver alguma aldeia indígena aqui.Se aquela foi a maldição de Klaus estamos bem antes de 1492.

Mal ele falou isso,ouvimos um grito e uma índia com machado veio correndo dando uivos de guerra em nossa direção.

Eu puxei a faca do meu bolso e esperei ela se aproximar,como foi que o meu antigo sensei falou mesmo?Plante os pés no chão e dê impulso para que o golpe seja mais forte.

Girei com toda a força no momento certo e no segundo seguinte uma cabeça rolava no chão.

–Pode beber seu precioso sangue.-eu espezinhei.

Damon olhou para o corpo sem cabeça da índia como se não pudesse acreditar.

–Você arrancou a cabeça dela?

–Antes ela do que eu.

Continuei andando,ignorando o olhar incrédulo dele.