A Terceira Face

33 Ao melhor pai do mundo


"Então onde diabos você está?

Então onde diabos você está?

Então onde você está quando eu preciso de alguém, também?

Eu estou me cansando de precisar de você."(Curb,Nickelback)


Eu estava na capela do cemitério,ao lado do caixão já fechado.

–Nora,eu...-Damon começou a falar,mas foi interrompido por Stefan.

–Melhor deixarmos ela um pouco sozinha.-Era incrível como esse cara me conhecia tão bem.

Pus a mão em cima do caixão e fechei os olhos.

–Klaus vai pagar caro por isso pai.Juro a você.Por tudo o que nós fomos um para o outro e por todo o amor que você me deu,eu juro a você.

–Ah,tadinha dela.-disse uma voz fina e irritante atrás de mim-A monstrinha virou a pequena orfã?

–Sai daqui,Vicky.-eu vociferei,sem nem olhar para trás.

–Por que?-ela disse,me desafiando.

Me virei e sorri.

–Por que isso aqui é uma capela e não um puteiro para gentinha da sua laia.

Ela me acertou um tapa na cara.

Eu fechei os olhos,respirei fundo e quando os abri,agarrei o pulso dela e o torci.

–Ai!-gritou ela.

–Que foi?Mais forte?

Eu sempre fui mais forte do que parecia,e forcei ainda mais,a deixando com uma dor ainda mais insuportável.

Soltei Vicky e pus a mão no seu pescoço,a impressando na parede.

–Se tocar em mim com essa mão imunda de vagabunda de novo sou capaz de cortá-la fora.

Ela arregalou os olhos.

Com certeza a cara de psicopata que eu estava fazendo não me deixava mais bonita.

–Estou com vontade de matar alguém,e não é linguagem figurada. Fica longe do meu caminho se quiser manter essa cabeça de bagre em cima do pescoço.

Eu a soltei e ela saiu correndo desenbestada,passando pela minha quase-madrasta,que a olhou até que sumiu.

–Você sabe mesmo assustar alguém.-disse Mary.

Eu sorri,envergonhada.

–É o que dizem.

Ela se aproximou do caixão e pôs a mão em cima dele.

–Ele te amava muito.

–Eu sei.-disse,bem baixinho,indo para o outro lado do caixão e pondo a mão em cima da dela-E amava você.

Ela deu um sorriso tímido.

–Sabe,ele adorava me mostrar o álbum de você era bebê.

–Vou queimá-lo ainda hoje.-falei,brincando.

–Seria um crime,você era um bebê muito fofinho.

Eu fiz um ruído,com vontade de vomitar.

–Nem me lembre disso.

–Eu vou para a Inglaterra.Serei professora lá.Recebi a proposta a uma semana.

–Boa sorte.-eu disse-Vou sentir sua falta,Mary.

–Um dia eu volto só para ver você.Vou ligar sempre.Jura que nunca me esquece?

–Você fez o meu pai feliz nos últimos momentos dele,Mary.Claro que nunca vou esquecer.E obrigada por ter aparecido na vida dele.

–Eu é quem agradeço.Nolan Flemming era o homem mais perfeito do mundo.

–Exceto quando roncava que nem um trator.

–Confesso que vou sentir falta do ronco dele.

–Eu também.

Nos inclinamos sobre o caixão para um abraço de despedida.

***

O caixão desceu e eu joguei algumas tulipas vermelhas.

Essa foi a primeira flor que meu pai deu a minha mãe quando namoraram e foi a flor que ele sempre fazia questão de entregar em buquês enormes(a mamãe reclamava dizendo que não tinha mais vazos, mas agora que cresci tenho certeza que no fundo gostava dessas surpresinhas).

Na lápide estava escrito "Ao melhor pai do mundo",a meu pedido, e a Mary pediu para por abaixo dele uma adaptação dos versos que eram favoritos do meu pai,de Dan Brown em "O Código da Vinci".

Essa era uma expressão que resumia tudo o que ele foi para mim.

Damon me puxou para a Ferrari preta,junto com Stefan e Elena.

Assim que a Ferrari saiu,olhei para os versos,e rezei para que a alma dele estivesse junto de Deus.

"Pelo sol,a lua e as estrelas velado jaz.

Sob estrelado céu,descanse em paz"