A Teoria das Cores
51 Âmbar I
MULTICULTURAL
Até onde temos firmeza em nossas ações? Até onde somos capazes de prevê-las e administrá-las como devem? Por mais centrada que qualquer pessoa seja não é difícil surgir uma situação completamente impulsiva que vira tudo de cabeça para baixo. Ainda dentro deste contexto, podem acontecer situações que se assemelham a ficar na linha tênue que existe entre a Vida e a Morte. Isso muda qualquer pessoa, faz com que os nossos aspectos mais íntimos recaiam sobre nós como uma grande onda de aprendizado para nos tornarmos, quem sabe, pessoas melhores.
Acordar na manhã de sábado com a lembrança turva de ter beijado Daniel deixava Alisson no mínimo curioso sobre seus atos. Uma azia infernal lhe fazia ver estrelas dos mais diversos tamanhos, porém agradecia por pelo menos não ter tido uma ressaca terrível. Ainda sim, a forte azia em nada se comparava ao que fizera. A noite de sono em nada ajudara: No sonho, se enxergava beijando alguém incansavelmente, só parando para sorrir e retomar o beijo. A noite inteira fora assim e tinha certeza do motivo daquilo: Estava transtornado por ter beijado um homem por vontade própria pela primeira vez.
“Que beijo pateta?! Tá louco! Tá falando aquela zoação que fizemos? Tu é muito emotivo hein?! Aposto que já se apaixonou por mim.”
Recordava-se da frase que dissera ao amigo após o feito. Na hora parecia tão mais óbvio, mas porque sentia que não havia sido zoação? Tinha ido em direção a um rapaz que mal estava iniciando uma amizade e, simplesmente, lhe beijou. COMO aquilo podia ser zoação? Sua mente traçava uma batalha entre as mais variadas desculpas para o ocorrido: Bebida, loucura, impulso, falta de sexo, falta de autocontrole, falta de mina... As opções variavam.
“Na cadeia, os presos acabam se pegando por falta de mulher. Tá na cara que isso”
Sentia-se um gênio por fazer tal dedução. Claro que fora falta de contato físico com o sexo oposto. Tanta coisa acontecera em sua vida nos últimos tempos que acabara esquecendo de como a vida deve ser vivida de verdade. Não pôde deixar de lembrar da noite dos solteiros que tivera com Jeff dias atrás, era daquilo que precisava. Decidiu por um ponto final no assunto, se era esse o problema conseguiria resolver e a vida seguiria normalmente. Para que se cobrar por algo que qualquer um em sua situação teria feito?
“Quem tem moral pra julgar a gente?”
Assim que se levantou foi para o banho. Havia um cheiro de cerveja impregnado em suas roupas que não ajudavam em nada com sua azia. Chegando no cômodo, tirou sua roupa e encarou seu reflexo frente ao espelho em cima da pia. O rosto habitual de quem estava dormindo, uma barba rala que crescia mais rápido que grama em semana chuvosa. Entrou em baixo da água quente, contrapondo a parede gélida em que se escorava, e fechou os olhos. Queria relaxar, parar dez minutos de sua rotina para deixar os problemas de lado e só ficar ali.
“Foco. Foco. Foco”
Riu fraco ao pensar que teria de recorrer àqueles métodos pré-adolescentes para conseguir ter prazer, contudo a atual conjuntura só permitia isso. Não tirou férias do “Wunder Bar”, portanto o trabalho seguia como de costume, atrapalhando sua vida noturno-social. Se era só assim que conseguiria chegar ao prazer, que fosse, dava de ombros. Levou sua mão direita a seu membro, que ainda não havia dado sinais de vida, e começou a incitá-lo a tal ação.
“Foco. Foco. Foco”
Mantinha seus olhos fechados enquanto vasculhava sua mente em busca de coisas que pudesse ajudá-lo, não demorando a encontrá-lo. Escolheu a primeira vez em que trocou carícias com uma garota. Na época tinha por volta de seus quatorze anos, ao passo em que a garota devia ter seus quinze ou dezesseis. Era irmã de um de seus amigos da época, os quais nem tinha mais contato. Uma garota de cabelos longos, cacheados, pernas com coxas grossas e que na ocasião parecia bem disposta a ajudar Alisson em seu problema.
Aproveitou uma tarde de sol quente do verão de 2013 para se refrescar na piscina do amigo em um dia que a menina também estaria. Esta o colocou sentado na beira da piscina depois de alguns minutos trocando olhares suspeitos, beijou-lhe ardentemente por algum tempo e em seguida descendo para seu pescoço, peito e finalmente seu membro. Recordava-se de pensar se quando os pais e o irmão estavam em casa ela agia tão sem pudor quanto naquele dia. A garota tinha o dom, isso qualquer um que com ela ficasse poderia confirmar. Usava sua boca com uma habilidade que julgava ser permitida só a experientes. Beijava a cabeça de seu pênis enrijecido lambendo em seguida, o colocava em sua boca como se fosse um sorvete. Não deixara de fora também seus testículos e toda a região pélvica, fazendo com gosto cada movimento e segurando a todo custo os gemidos para que nenhum vizinho desconfiasse.
Quando estava prestes a ejacular, avisou que era sua vez de “se aproveitar” dela antes de “desanimar”, trocando então as posições. Lembrava-se com clareza do nervosismo interno que lhe consumia, quase deixando a empolgação e o tesão se esvaírem por medo de ser tachado como o “travado”. Sabia da fama da garota de espalhar os boatos sobre os garotos com quem ficava, porém julgava ser um risco a se correr. Era bonita e gostosa demais para ser ignorada. Colocou uma toalha atrás dela, a deitou e começou a saciar seu desejo. Repetiu o mesmo processo que ela havia feito consigo, enquanto suas mãos exploravam seu corpo. Ousou colocar sua mão por dentro da parte de baixo do biquíni azul claro que a garota vestia, fazendo movimentos circulares que a deixavam em êxtase. Não tardou a ir até a região e beijá-la e chupá-la como se não houvesse amanhã. Não chegou a fazer sexo propriamente dito, porém aquela tarde conseguira ser mais marcante que a própria perda da virgindade.
As lembranças daquilo vinham na mente do Al atual, um garoto já experiente, mas que na falta de alguém para ajudar a sentir prazer, recorria a meras lembranças. Sua respiração já não estava mais em ritmo normal, seu suor já se confundia com a água que escorria. Mordia seu lábio inferior na esperança de não passar pelo constrangimento de ser pego pela mãe naquela situação. Seguia em ritmo violento, e cada vez mais determinado. Conseguia ouvir com nitidez a menina gemendo de prazer a cada movimento que sua boca fazia em seu corpo escultural, o animando. Quando estava próximo do fim, porém, as lembranças da troca de beijos entre eles se confundiu com as do dia anterior, fazendo-o parar imediatamente e retornar a realidade com o susto. Passou as mãos por seu rosto a fim de esquecer o que ocorrera. Já que a mente não lhe ajudaria, o trabalho certamente sim.
***
— ACORDA DANIEL!
O grito de Ian fez com que o outro de fato despertasse, só que da maneira mais lenta que a história da humanidade já presenciou. Sua cabeça parecia um vulcão a um passo de explodir de tanta dor de cabeça. A manhã de sábado havia chegado e com ela a ressaca infernal devido à bebida alcoólica da noite anterior. A sensação de que ia morrer parecia tão semelhante aquela que não estranharia se fosse, de fato, sua hora de deixar este mundo.
— Fala baixo, seu trouxa – Resmungou em um tom quase inaudível – Tô quase morrendo aqui?
— O QUÊ? NÃO ENTENDI! – O mais velho se fez de desentendido enquanto sorria. Nada melhor para ele do que perturbar Daniel logo pela manhã.
— Eu te pedi pra falar baixo – Repetiu, no mesmo tom, com um olhar fuzilante sobre o outro.
— Tá bom, tá bom. Só hoje porque tô muito legal hein? – Sentou na cama – Toma esse remédio. Vai melhorar.
Dan chegou a se perguntar se era veneno, mas julgou que Ian não seria tão louco... Ou sim? Encarou a pequena capsula por alguns instantes antes de engolir com a própria saliva.
— Nem pra trazer um copo d’água né? – Reclamou.
— Isso é pra tu aprender a não chegar em casa quase em coma.
— Eu cheguei?
Ian então encarou o mais novo.
— Não se lembra de como chegou em casa?
— Não – Respondeu sinceramente – Mas pelo que tu tá me dizendo, o Alisson deve ter me trazido.
Ao falar o nome do amigo, sentiu uma estranha sensação em seu estômago, como se tivesse ligado um grande liquidificador dentro dele.
— Ai – Reclamou – Que bomba foi essa que tu me deu?
— Ué, remédio pra bebum – Ian respondeu – Por que?
— Tô com uma coisa no estômago. Parece que tem uma bola de bolo se mexendo.
— Bola de bolo? – O garoto riu – Tu realmente é fraco pra bebida, p*ta que p*riu.
— Cala boca e me ajuda.
— Com o que?
— Pega uma roupa pra mim, qualquer coisa, e me leva lá no banheiro. Preciso de um banho.
— Precisa mesmo. Tá fedendo a Skol Beats e com uma cara de drogado que-
— Cala boca, Ian.
O mais velho riu antes de ir em direção ao guarda roupas do primo escolher as peças de roupa solicitadas por ele. Enquanto isso, Dan seguia para o como a fim de se livrar daquele odor de bêbado insuportável que já estava impregnado em si. Tirou a camisa, exibindo sua pele cor de caramelo, tão única e peculiar. Os olhos estavam inchados e o rosto amassado, sinais típicos de pessoas recém-acordadas após uma boa noite de sono. Encarava seu reflexo com um olhar ainda sonâmbulo, na busca de uma explicação qualquer: O que ocorrera noite passada? Lembrava-se de ter se encontrado com Al na praça, de começar a jogar conversa fora, ele mostrar as garrafas de bebida alcoólica que havia comprado e, após algumas, não se lembrava de nada.
“QUE P*RRA DEU NA TUA CABEÇA PRA BEIJAR O EX DO MEU PRIMO?!”
Era a última frase que se recordava de ter dito antes de um blackout em sua mente. Nada que acontecera em seguida tinha sido guardado... Porém, por que então a sensação de que tinha algo errado? Entrou no chuveiro e deixou com que a água quente cair sobre si para ver se dava uma melhorada em seu aspecto. Passou as mãos em seus ombros simulando uma massagem para tentar relaxar um pouco mais. Estava cansado e para ajudar a sensação estranha continuava. Teria com o que se preocupar?
Pouco tempo depois, Ian entrou no banheiro largando a roupa. Achou um milagre o garoto não ter feito nenhuma provocação consigo. Ficou mais alguns minutos até fazer sua higiene completa, até que, quando saiu, pôde entender: Ian só havia colocado uma cueca Box de cor vermelha em cima da tampa da privada, nada mais. Riu fraco e revirou os olhos. Se não fizesse nada, não seria Ian. Vestiu a tal cueca e seguiu em direção ao próprio quarto, onde o primo já o esperava com a câmera na mão, sorrindo igual uma criança quando apronta das suas.
— Diz olá pra câmera, cuecão – Debochou.
— Vai tomar no c* — Fez um gesto obseno para o aparelho que estava gravando.
— Tu fica um tesão com essa cueca sabia? – Provocou, mordendo o lábio inferior.
— Eu fico um tesão todo o dia. Só que as pessoas demoram a perceber.
— Olha! Pelo visto alguém já tá bem melhor da ressaca! – Ironizou rindo enquanto se aproximava, abraçando Dan por trás – O que te deu pra acordar tão cedo num sábado?
— Aula de dança de rua. Eu e o Alisson vamos fazer.
— Desde quando tu curte dançar?
— Sei lá – Deu de ombros – Só me deu curiosidade. Só isso.
— Hum... Sendo impulsivo. Gostei – Beijou a nuca do primo – Que cheirinho bom de bebê que tu tá hoje.
— Acordou no cio é? – Dan debochou – Larga de mim. Tô com cabeça pra isso não.
Ian riu.
— É que só vou te ver de novo daqui duas semanas né? Tenho que aproveitar.
— O QUÊ?! – O menor literalmente berrou – Que p*rra é essa agora?!
— Eu quero visitar meus pais, Dan. Tô com saudades deles, dos nossos primos...
— Faz chamada de vídeo que em dez minutos tu revê todo mundo.
— Tu sabe que não é assim.
— É assim, sim! E acabou o assunto.
Ergueu a sobrancelha, curioso.
— É impressão ou tu não quer que eu vá?
O rapaz terminou de vestir suas calças, passou as mãos pelo rosto e suspirou alto. Encarou os olhos cintilantes do mais velhos, conseguindo sentir decifrar tudo o que pensava.
— Se contar pra alguém o que eu vou te falar, tu é um homem morto entendeu? – Ameaçou, fazendo o outro rir e concordar com a cabeça – Tu é... Quase meu irmão entende? Tá sempre por aqui, me dando a maior pilha, fechando comigo no que eu precisar... Eu... Me acostumei contigo sabe? Mesmo com esse teu jeito invasivo, tu é meu brother, velho... – Baixava a cabeça, entristecido.
Ian exibiu seu lindo e cobiçado sorriso que só mesmo o primo conseguia arrancar. Puxou-o para perto, dando-lhe um forte abraço. Um abraço protetor, singelo, para mostrar que tudo ficaria bem. Essa era a especialidade dele, e quando se tratava de Daniel, fazia com o dobro de amor e de afeto.
— Já passamos por isso antes lembra? Quando tu veio pra cá? – Recordava.
— Esquece essa p*rra. Dá uma ligada lá pra “Porto” e mata a saudade. É simples.
— Eu to com saudades dos meus pais, Dan. Quero muito ver eles de novo.
— Mas o aniversário do Micael foi semana passada! – Lembrou – Já era pra tu ter matado a saudade.
Ian nada respondeu, pelo menos por hora. Seguiu abraçado ao primo, enquanto seu celular gravava tudo. Era tão bom sentir o menor tão indefeso perto dele, como um filhote de leão abandonado que mal consegue dar dois passos antes de predadores maiores atacarem. Sabia quanto o primo gostava de manter a pose até as últimas consequências e vê-lo assim lhe dava uma sensação de que não importava o quão diferentes fossem sempre estaria no coração dele.
— Eu vou voltar – Garantiu – São só alguns dias. Não vai dar tempo de sentir minha falta.
— Experimenta ficar lá o resto da vida pra ver se não vou até Poa e te arrebento.
O mais velho tornou a rir.
— Eu tenho faculdade aqui, Dan. Agora tá tudo no esquema.
— Já comprou a passagem?
— Vou ir lá daqui um pouco comprar.
— Beleza – Desfez o abraço para continuar a se vestir – Compra de volta também, ouviu?
— Sim senhor, capitão.
Ian deixou o quarto, seguindo para o andar debaixo. Dan não tardou a segui-lo. Sentaram a mesa um ao lado do outro. O primeiro tomava seu café expresso preferido (café com avelã) e o segundo seu tradicional achocolatado. Muitas vezes fora zoado pelo primo por conta da bebida infantil, quando mais novo até brigavam por causa disso. Porém, tudo havia mudado, os tempos eram outros. Ian pegar no seu pé de manhã cedo era um hábito que gostava de manter e que sentia falta quando não acontecia. Tomava a bebida quente em silêncio, refletindo sobre a ida do mais velho a cidade natal. Definitivamente não queria aquilo, mas o que poderia fazer? Compreendia suas razões para ir para lá e tinha certeza que faria o mesmo se a situação fosse oposta.
— Cadê meus pais? Que milagre não estarem acordados – Dan puxou assunto.
— Eles saíram. Foram pra casa da tia Marcella e do tio Ronaldo. Disseram pra gente ir almoçar lá.
— Ok.
Mais alguns minutos de silêncio.
— Quando tu vai?
— Depende muito de quando tem disponibilidade né? Mas se possível queria ir amanhã.
— Ué, não pode esperar até segunda não?
Lançou um sorriso largo ao primo.
— Quanto mais rápido eu for, mais rápido retorno.
— É... Tu deve ter razão. Sei lá, se f*der também.
Riu do comentário. Adorava ver o outro assim, fingindo desinteresse. Até acreditaria se não tivesse ouvido da própria boca do menino que sentiria sua falta, minutos antes.
— Ansioso pela aula? – Mudou o assunto.
— Um pouco.
— Não parece – Apontou as calças dele – Tá indo de calça jeans.
— E daí?
— Bem... Não sou um especialista em dança, mas acho que algo mais leve pode se útil. Leva um calção na mochila por precaução.
— Tá bom, pai – Debochou – Vou terminar isso logo e meter o pé antes que me atrase.
— Não seria como se fosse a primeira vez né?
— Cala boca!
Mais risadas. Dan seguiu conversando enquanto tomava seu achocolatado, até que o mesmo terminou e ele seguiu até o andar de cima para buscar suas coisas. Seguindo ao conselho do mais velho, colocou na mochila dois calções esportivos pretos, só para o caso de uma emergência. Desceu, despediu-se dele e foi para a escola, não sem antes mandar uma mensagem a Alisson.
“Velho, já tô indo pra escola. Tu tá aonde?” – Enviada para Alisson.
A sensação estranha tornou a lhe incomodar. A ressaca estava bem melhor, então do que seria aquilo? Era algo que não conseguia descrever, mas que se assemelhava a sensação que se tem ao ver um cadáver estripado: Uma espécie de repulsa, nojo, quase como ânsia de vômito (Se não até ela própria). Por mais que forçasse sua mente a pensar, só concluía que poderia ter sido algo que comeu e não lhe fez bem. O problema é que também não se recordava de ter comido o que quer que fosse. Talvez um mal estar passageiro? Talvez. Decidiu por aceitar essa conclusão até que seu cérebro lhe mostrasse a verdade.
***
Após a desastrosa tentativa de fugir do acontecido da noite anterior, Al só queria ficar o resto do dia deitado olhando para o teto, quieto. Assim o faria, se uma mensagem não tivesse lhe tirado do transe.
“Velho, já tô indo pra escola. Tu tá aonde?” – Enviada por Pateta (Daniel).
Fez uma expressão nada agradável. A aula de dança, tinha esquecido completamente dela. Agradeceu por pelo menos acordar cedo para tomar banho ter valido de alguma coisa. Levantou da cama e foi ao encontro de seu guarda roupa. Tirou de lá qualquer coisa que fosse de vestir e tivesse um pouco de estilo, não estava com tanta paciência assim para fazer um desfile de moda. Trocou-se rapidamente, seguiu ao andar debaixo (Dando um rápido ‘bom dia’ e ‘tchau’ a mãe) e foi para escola.
“Tô indo” – Enviado para Pateta.
Foi a única coisa que conseguira escrever. Não sabia qual seria a reação do outro ao vê-lo. Sabia que tinha pisado na bola feio ao tomar aquela atitude. Aliás, nem ele sabia porquê de ter feito o que fez. Quando viu, tudo já havia acontecido. Quando Daniel lhe perguntou sobre o beijo de Gil, foi como se quisesse mostrar a ele como havia sido, a sensação esquisita que lhe tomou conta durante o ato. O mais incrédulo disso tudo, era que não havia sentido isso quando beijou o amigo – Fora simplesmente um beijo normal. Não conseguia entender a razão daquilo.
Sua cabeça dava mais nós do que conseguia contar. Seria uma situação constrangedora ter de encarar o outro depois do que houvera? Sim. Porém não tinha muito que fazer. Faltar à aula de dança? Inscreveu-se para isso? Recordava-se de dizer a Daniel que iria ali para levar a sério, então era hora de cumprir com a palavra.
Mais alguns minutos e lá estava frente ao colégio, lugar que tanto detestava. Admitia, no íntimo, que a instituição em si não era o problema e sim as pessoas que nela se encontravam. A parte boa, era que em período de recesso escolar, não encontraria a professora de Matemática mais insuportável (Em sua modesta opinião) da face da Terra, correto?
— Senhor Alisson – Errado. Lá estava ela e suas roupas de brechó, tão antigas quanto ela própria – Que milagre vê-lo por aqui.
— Vim lhe trazer esse humilde presente – Debochou – Minha presença maravilhosa. Sortuda a senhora, né professora?
A mulher fechou a cara.
— O que precisa? – Foi direta.
— Vim pra aula de dança de rua, ué. As araras não contaram a senhora?
— Dança de rua? – Fez uma expressão de surpresa – Quem diria, não é? Alisson e Daniel fazendo dança de rua.
— O que posso fazer se sou um pé de valsa né? – Gabou-se enquanto sorria cínico.
— Vá direto ao ginásio, assim como seu “amigo”. Estou de olho em vocês dois.
— Tá bom, supernanny. Pode deixar que eu vou pro cantinho da disciplina se eu aprontar.
A mulher torceu o nariz, mas concedeu passagem. Alisson só se perguntava por que cargas d’água ela estaria ali? Não era diretora, tampouco supervisora, menos ainda membro da equipe diretiva da escola. Era como um encosto em sua vida que dificilmente ia se livrar, mas que adorava tirar um sarro para aliviar a pressão.
Chegando ao ginásio, surpreendeu-se com a quantidade de pessoas ali presentes. Por cima, contou quase vinte pessoas, o que achou admirável já que imaginou que poucos teriam a boa vontade de estar ali naquele horário. Não quis procurar Daniel, por não saber como o mesmo estaria após o ocorrido. Contudo não era isso o que o destino queria.
— Achei que tinha mudado de ideia bebezão – A voz do rapaz surgiu por trás de si, dando-lhe um susto.
— Primeiro, se quiser assustar alguém se olhe no espelho e vai tomar o maior susto da vida. Segundo, eu disse que iria vir. Terceiro, bom dia pra ti também.
O outro riu.
— Quanta gente né? C*r*lho... Não esperava tudo isso – Comentou.
— Eu também não. Tô vendo alguns rostos conhecidos, só aquele ali que não sei quem é.
— Quem? – Dan tentou enxergar, mas sua visão ficava turva de longe.
— Ali parado do lado do guri muralha de cabelo cacheado. De topete e tal...
— Ah... Sei – Mentiu – Deve ser do turno da tarde.
Al parou um pouco para observar o tal sujeito, notando então que algo parecia não estar certo.
— Pateta.
— Pateta é teu c*. Diga.
— Tu não achou aquele guri... Meio estranho?
— Como estranho?
— Sei lá. Parece tão... Diferente. Não sei te explicar.
— Nossa, tá vendo viadagem em tudo hein? E depois fala de mim – Reclamou o outro.
Al sentiu seu estômago gelar. Não queria falar do assunto, mas aparentemente Dan também não estava fazendo menção nenhuma ao que ocorreu. Seus batimentos eram tão rápidos quanto enredo de escola de samba. Soava frio com a possibilidade do rapaz ter um surto, aliás até agora admirava-se dele estar tão calmo. Encarou bem a figura dele, procurando disfarçar é claro. Não parecia nada incomodado, nem constrangido. Parecia estar vivendo normalmente. Teria seguido sem ligar para nada? Julgava ser uma atitude muito madura para Daniel tomar, então sentiu que precisava arriscar.
— Pateta... – Chamou engolindo seco.
— Já te disse que pateta é o c*! Que c*r*lho! – Reclamou – Que é?!
— Tu... Tá bem?
— Por que não estaria? – Questionou de braços cruzados – Tá, eu tive uma ressaca tenebrosa e não me lembro do que aconteceu ontem, mas-
— Espera! – Exclamou – Não se lembra de ontem a noite?
— Não – Respondeu desconfiado – Eu... Deveria?
— Claro que sim, pra tu ver o PT que deu por não conseguir nem se levantar – Omitiu, mais tranquilo com a descoberta.
Dan é quem não gostou nada.
— F*da-se. Até parece que tu nunca deu PT né?
— De não conseguir nem me equilibrar? Claro que não. Tenho bom senso.
— Onde que nunca vi?
— É que só pessoas com um cérebro mais avançado conseguem perceber. Tu tem cérebro de uma cheeta.
— Seu trouxa.
— Pateta.
— Bebezão.
Os dois começaram a trocar leves socos de brincadeira, enquanto riam. Alisson então ria à toa, ficou feliz por saber que o outro não se recordava do que ocorrera. Seria melhor assim do que ter de pressioná-lo a ficar de boca fechada, caso o mesmo fizesse linha dura.
— Tô vendo que estão bem animados hein? – Um homem de aproximadamente 1m90cm, de cabelos e olhos castanhos em conjunto com um corpo definido chamou com seu tom de voz alto – Beleza! Assim que eu quero ver! Bom gurizada, eu sou Gustavo, professor de dança tem aí uns 10 anos, comecei tri cedo e devem ter percebido porque não sou exatamente um tiozão né? Pô cara, tô com trintão na cara! Sim, comecei aos 20 dando aula pra crianças carentes em ONGs... Enfim, para maiores informações pode acessar meu site que tá no cartão que entregarei a vocês no fim da aula. Ok?
O coro de alunos concordou.
— Beleza! – O homem sorria. Parecia extremamente animado ao lecionar aquilo que gostava, cativando a atenção de Al e Dan – Para a primeira aula, nada melhor do que descontrair e também ver o quanto vocês sabem de dança – Gustavo então montou rapidamente uma barra de ferro com um peso móvel. Al não deve dúvidas do que se tratava: Alguém aí já viu alguém dançando pole dance?
— Pole dance?! Não era uma aula de dança urbana?! – Um garoto contestou.
— Dança gurizada, é dança. Não importa se é de rua, de casa, balé, jazz ou funk. A arte é um gênero fluido, sem forma e sem cor. Qualquer um pode fazer arte, qualquer um pode SER arte – Explicou – Mas tenho que concordar com que o colega disse: Vocês estão na aula de dança de rua. O que quero propor com isso aqui é bem simples: Tirar os preconceitos de vocês. Esqueçam tudo que sabem sobre dança, tudo mesmo! Esqueçam que balé é coisa de guria, que pole dance é dança de mulheres da vida e que rap é coisa de marginal! Esqueçam esses conceitos nas manhãs de sábado, por favor! Aqui galera, todos vocês se encontram como um só. Vocês, a partir de agora, são um conjunto artístico livre das amarradas da sociedade. Dá pra ser? – O coro confirmou – Ok. Quem quer ser o primeiro?
— Eu! – Alisson exclamou, surpreendendo o outro.
— Tu ficou maluco, bebezão?! – Repreendeu Dan, sussurrando – Geral vai tirar troça de ti o resto da-
— Tu não ouviu o que o cara disse pateta? – Sorria – Esquece as amarradas da sociedade. Vamos dançar.
Daniel o encarou confuso. Deveria seguir aquele caminho mesmo? Teria sido a aula uma boa escolha? Começava a rever seus conceitos.
— Muito bem, meu rapaz. Qual teu nome? – Gustavo questionou.
— Alisson.
— Ok Alisson. Por um acaso tu teria como vestir uma roupa mais leve para podermos começar?
— P*rra, é que eu não sabia que precisava trazer – Coçou a nuca – Mal aí.
— Relaxa gurizão! Aqui, toma um meu aqui – Foi até sua mochila e tirou um calção esportivo vermelho de dentro – Não se preocupa tá? Tá mais lavado que bumbum de bebê.
— Tá certo – O outro riu.
Demorou pouco na troca de vestimenta. Logo Al estava de volta, agora sem os casacos e a calça que tinha vindo. Estava de camiseta de manga curta e o calção emprestado pelo professor. Quando fez menção em subir, o professor o alertou.
— Não vai conseguir subindo aí, Alisson. Vai ter que tomar um certo impulso para os movimentos mais intensos da coisa.
— E como eu vou fazer isso?
— Muito simples. Se afasta alguns metros da barra e depois pega impulso para segurar na barra.
— E... Isso não me f*d... Digo, não vai me ferrar todo?
— Não se tiver cuidado – Explicava – Toda dança tem seus movimentos perigosos. A moral é tu não deixar se vencer pelo medo.
— Entendi. E o que eu faço então?
— Faremos o básico primeiro ok? – Esfregou as mãos, animado – Quero que tu suba na barra.
— Tranquilo.
E assim Al o fez: Pegou um impulso, correu e segurou-se na barra cruzando as pernas entre ela.
— Isso aí! – Elogiou Gustavo – Agora mantém as pernas cruzadas e inclina todo teu corpo pra trás, encostando as mãos no chão.
— Certeza mano?
— Absoluta. Vai na fé, só mantém as pernas bem firmes aí.
Mesmo um pouco temeroso, foi o que Al fez e atingiu a meta com sucesso.
— Agora usa o peso das pernas pra te puxar de volta – Assim o fez – Tu vai erguer as duas pernas pro ar e se manter segurado na barra. Não esquece de manter das pernas cruzadas, mesmo que suspensas.
— Pode deixar – Al estava começando a se animar com aquilo, realizando o que foi pedido e atraindo os olhares curiosos dos outros rapazes.
— Valeu, Alisson! – Agradeceu – Quem aí quer ser o próximo?
— Eu! – Fora a vez de Daniel pedir.
— Aproxime-se jovem.
O rapaz então chegou ao lado da barra de ferro que Al acabara de descer.
— Teu nome? – Pediu o professor.
— Daniel.
— Daniel, tu tem aí alguma roupa pra trocar?
— Aham.
— Beleza. Vamos te esperar então.
O rapaz fora então ao vestiário para se trocar, enquanto Alisson ainda estava lá. Entrou quando este terminava de vestir sua calça.
— Opa, foi mal aí – Dan se desculpou.
— Tranquilo pateta. A não ser que curta o material, não temos treta. Pode se trocar.
Dan deu de ombros. Retirou seus casacos e a calça, justamente no momento em que o amigo se virara para encará-lo.
— Tu viu que eu sou fera no esquema né? – Gabou-se.
— Deve ter praticado muito né? – O outro debochou.
— Sou fera em tudo que faço pateta, é a lei da selva.
— Coitado.
— Quero ver se faz melhor então.
— Até uma zebra aleijada faz melhor que tu.
— Aham. Sei – Deu de ombros – Estamos esperando, pateta. O mundo não para de girar pra esperar a princesa se aprontar.
— Cala boca!
Al riu e seguiu de volta para a quadra do ginásio. Alguns minutos depois, Dan chegara do mesmo modo que o primeiro quando realizou o exercício solicitado pelo docente.
— Daniel, o teu exercício não será o mesmo que o do Alisson. Então presta atenção nos meus movimentos que em seguida é a tua vez. Pode ser?
— Tranquilo – Garantiu.
Gustavo então subiu na barra, inclinou todo seu corpo na vertical, passou a perna direita pela barra dobrando-a por inteiro já que era a única coisa que o segurava no pedaço de metal. Para finalizar, esticou seus dois braços na horizontal. Os alunos prestavam atenção, chocados com a demonstração.
— Chama-se Lean Back. É um dos movimentos simples do pole dance – Explicava o homem – Ele consiste em tu conseguir se manter suspenso apenas com a forças dos membros inferiores.
— Nunca pensei que veria um cara fazendo isso – Confessou Dan.
— Pois então eu te digo, meu guri, que há VÁRIOS por aí que fazem, e não é só para safadeza não – Os presentes riram – Pole dance, como eu enfatizei desde o início da aula, também é arte. E é isso que quero proporcionar a vocês todas as manhãs de sábado: Uma grande exposição à arte. Tô sabendo que vocês são guris e tal, talvez torçam o nariz pra isso em primeira mão... Mas fiquem tranquilos. As aulas são de dança de rua, só que para dançar é preciso ter uma mente livre e pronta pra absorver de tudo. Acha que consegue fazer isso Daniel?
— A-acho que sim né – Não deu muita segurança.
— Não senti firmeza nisso aí, hein – Notou – Com o tempo, tu vai se soltando mais – Saiu da barra de ferro – ‘Bora então?
— Ok. É pra fazer o mesmo movimento que o senhor né?
— Sim, só não me chama de senhor tá? Pode me chamar de ‘tu’ sem problema – Comentou, rindo fraco.
— Beleza.
Alisson então teve uma ideia: Sabendo da atrapalhação que era Daniel, presumiu que o garoto ia levar o maior tombo da história. Rindo com o pensamento, discretamente, começou a gravar da câmera de celular sem que ninguém percebesse. Dan então iniciou o exercício e, surpreendendo, acabou por realizá-lo com perfeição.
— Muito bem rapaz! – Elogiu – Os guris mandaram bem demais! Quem quer ser o próximo?
Os demais então começaram a se soltar e a querer participar. Ao final, quando todos haviam experimentado a ação, Gustavo deu seguimento explicando a próxima tarefa, já valendo pontos.
— Eu não vou nem questionar se vocês gostam da Britney Spears porque já tô ligado que ela é um ícone masculino – Brincou, fazendo os demais rirem – Brincadeiras a parte, ela é uma artista e tanto. O som dela fez uma geração inteira tirar o pé do chão, e agora vai fazer com que vocês também o façam. Certamente conhecem “Gimme More” correto? – Os garotos se entreolharam, desconhecendo tal música – Tudo bem. Não tem problema. Talvez quando comece a tocar vocês reconheçam. A ideia é que vocês se soltem ali, pois depois de dançar no pole dance nada mais é impossível. Acreditem. Quem se habilita?
Novamente fora Al quem decidira iniciar os trabalhos.
— Maravilha meu guri. Destroca de roupa e depois veremos se tu consegue – Solicitou Gustavo.
O rapaz fora ao vestiário, trocou de roupa e retornou. Mal chegara próximo da barra quando se ouviu da caixa de som:
“It’s Britney, B*tch”
Tendo a mesma ideia que Alisson teve consigo, Dan resolveu gravar também discretamente, a fim de zoar com ele mais tarde. E assim como aconteceu com ele, acabou se surpreendendo. Quem o via ali, nem diria que se tratava do mesmo rapaz rebelde sem causa que explodia a hora que bem entendia: Al usou como exemplos os filmes em que notara as dançarinas de pole dance, o quanto remexiam seus corpos com graça e sedução ao mesmo tempo. Começou um tanto desajeitado, porém ao deixar a música fluir em sua mente, tudo que ele queria é que lhe dessem mais. Permitia-se relaxar os quadris, como se literalmente rebolasse, unindo com os gestos aprendidos durante a prática da aula, suspendendo seu corpo no ar, etc.
Os aplausos ao fim do teste foram verdadeiros, o rapaz conseguira muito bem fazer os movimentos difíceis e acrobacias que nem sabia como conseguira fazer. O ato fora motivo de elogios por parte do professor, e em seguida a maioria fora dando o melhor de si. Quando, após duas horas a aula foi concluída e todos dispensados, Al fora interceptado por um dos colegas.
— Fala meu! – Disse a figura – Desculpa aí, sei que não trocamos uma ideia, mas tu mandou muito bem cara.
Al não pôde deixar de se sentir em êxtase com o elogio. De fato, uma aula sobre pole dance não era tão temível assim. Contudo, achou estranho a tonalidade da voz da figura a sua frente: Tratava-se de alguém com aproximadamente 1m60 de altura, cabelos negros e curtos com topete, camiseta preta, calção normal e tênis all star. Suas feições também pareciam levemente estranhas, não entendia porquê suspeitava tanto dele.
— Valeu cara – Agradeceu, ainda sem jeito – Eu vi que tu também tentou né?
— É velho, mais ou menos – Riu – Mas tudo bem. Não curti o pole dance, mas as ideologias do cara me fascinaram. Na moral.
— Verdade. Desde que ele começou a falar que me deu uma vontade de tentar sabe? Quando eu notei o que ele ia fazer, bateu o pavorzão tá ligado? Mas depois de ouvir aquele papo de arte e tal... Mano, não tinha como não realizar.
— Com certeza! – Concordou – Tu também mandou muito bem... Daniel teu nome né?
— Isso – O rapaz concordou – Valeu. Ainda sim preferia dançar dança de rua.
— Para de ser um vô, pateta. Relaxa.
— COMO eu vou relaxar depois de me sentir uma p*ta naquele ferro?
— Para que eu vi que tu te amarrou naquilo – Sorriu malicioso.
— EU?! Tu que soltou a franga na frente de todo mundo. Foi o melhor de-
Antes de terminar a frase, Al o encarou sorrindo.
— Eu fui o quê, pateta? – Provocou.
— V-vamos embora. Anda. Não quero mais ficar aqui – Disse o rapaz, com cara emburrada.
O outro rapaz não pôde deixar de rir da atitude de ambos.
— Vocês fazem um casal top, sérião – Comentou.
— Não somos um casal! Eu sou macho! – Dan contestou.
— Começou a gazela a dar pitaco – Al debochou.
— Cala boca que isso tudo é culpa tua!
— Minha?! Tu que tá aí tendo um ataque e a culpa é minha?! Na moral né pateta, ‘vamo se respeitar.
— Respeito o c*r*lho.
O outro rapaz só sabia rir.
— Bom, então teriam tudo pra ser um casal – Concluiu – Vou indo nessa gurizada, minha gata já tá me esperando.
— Ok. Até mais... Hã... Como é mesmo teu nome?
O rapaz então engoliu seco e vidrou seus olhos no celular.
— Ana... –Resmungou entre os dentes.
— Ângelo? – Dan não entendeu.
— Ana... – Resmungou de novo.
— Olha cara, foi mal mas não tô entendendo.
— Ana, pateta – Al respondeu constrangido – O nome ‘dele’ é Ana.
— ANA?!
O outro confirmou com a cabeça.
— Até mais gente. Sábado que vem nos falamos – E então foi embora a passos largos, deixando Al e Dan ali atônitos.
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